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CONSELHO TUTELAR DA RESTINGA E AS POLÍTICAS DE SAÚDE

No documento PRISCILA GUADALUPE DOS SANTOS GUTERRES (páginas 92-95)

CRIANÇA/ADOLESCENTE E DAS FAMÍLIAS

2.5. CONSELHO TUTELAR DA RESTINGA E AS POLÍTICAS DE SAÚDE

Nos expedientes produzidos pelos conselheiros tutelares, verifica-se fatos que ameaçavam/violavam os direitos da área da saúde de crianças/adolescentes, os quais são devidamente encaminhados aos serviços de atendimento que compreendem a área da saúde. Dentre esses casos, encontram-se as situações relacionadas a problemas de “conduta” na família, que apareceu em (12) casos estudados; a suspeita/abuso expressa através da violência sexual cometida contra crianças/adolescentes aparece em (6) casos, dentre os que foram analisados.

Ainda, em diversas situações foi denunciada a questão da falta de atendimento para a realização de tratamento com médicos, especialistas de diversas áreas da política pública de saúde. Além disso, os serviços da Rede local para o tratamento de adolescentes envolvidos 48 Certidão de Registro de Nascimento.

49No campo empírico de estudo, que foi realizado no Conselho Tutelar da Restinga, localizei em apenas dois expedientes, o registro de violação de direito categorizada como sendo trabalho infantojuvenil. Em um desses registros, o trabalho infantojuvenil é materializado através da exploração sexual comercial, no outro, essa violação aparece através da responsabilização de uma criança/adolescente em realizar o cuidado a outrem.

Assistência Social

Violações de direitos Quant. de

ocorrências

Abandono 1

Abuso sexual 9

Negligência familiar 7

Criança e/ou adolescente sem CRN​48 2

Trabalho Infantojuvenil49 2

Falta de acesso ao cartão de isenção do transporte público, para dar continuidade a um tratamento de saúde.

1

com o mundo das drogas ilícitas são inexistentes, fato que aparece em (2) casos dentre os que foram examinados.

Verificou-se também a falta de serviços de atendimento nas áreas da psicologia/psiquiatria com bastante recorrência em 29 situações de registros encontrados dentre os expedientes do CT da Restinga que foram estudados. Atualmente, os profissionais da área da psicologia/psiquiatria são escassos na comunidade da Restinga. Nessa comunidade, conta-se com apenas um psiquiatra para a realização do atendimento de toda a população infantojuvenil, que necessita deste serviço de atendimento. Apesar disso, as violações de direitos humanos e de cidadania que foram atendidas pelos conselheiros tutelares da Restinga tiveram suas respectivas ​medidas de proteção cabíveis ​sendo aplicadas ​aos sujeitos infantojuvenis.

Entretanto, como não há vontade política e econômica por parte do Estado brasilero para a realização de uma reestruturação das políticas públicas e sociais visando a ampliação dos serviços de atendimento, temos a precariedade nessas ações políticas, são escassos os serviços de atendimento que têm sido prestados ao público infantojuvenil da comunidade da Restinga, contribuindo para a (re)produção de discursos e práticas de violações de direitos que se expressam, em certa medida, na Rede de Atendimento, no Conselho Tutelar, nas escolas, nas instituições de atendimento em geral de nossa sociedade e principalmente, na vida de crianças e adolescentes pertencentes às classes populares. Essa precariedade é visivelmente percebida por meio da análise de rupturas que são recorrentes na efetivação dos encaminhamentos que visam o ressarcimento de direitos fundamentais dessas vidas infantojuvenis.

Desse modo, os casos encaminhados e atendidos pelos conselheiros tutelares dificilmente ressarcem os direitos sociais violados. As práticas dos conselheiros tutelares se (re)produz de forma burocrática, com recorrência temos a produção de diversas requisições de encaminhamentos para os serviços de atendimento sem a possibilidade de efetivá-los, pois muitos desses serviços de atendimento não raro são inexistentes no bairro Restinga, na microrregião 7, de Porto Alegre. Em diversas situações de casos que foram estudados, houve a inviabilidade de acesso aos serviços de atendimento que são requeridos pelo CT.

O que falta a classe trabalhadora são serviços de atendimento com qualidade, que na realidade empírica estudada encontram-se escassos ou inexistentes, os escassos serviços existentes devido à precariedade das políticas públicas e sociais não demonstram possuir potencialidade para realizar o enfrentamento das violações de direitos, quiçá garantem a

efetivação de atendimentos com qualidade, que são requisitados para crianças/adolescentes visando ressarcir as mazelas sociais, produto da sociedade brasileira extremamente desigual.

De acordo com o Estatuto da Criança e Adolescente (1990), a criança e o adolescente são considerados ​prioridade absoluta. ​Por outro lado, quando necessitam de serviços de atendimento, esses sujeitos encontram dificuldades para exercer seus direitos.

O conselho tutelar é a porta de entrada para a realização de denúncias de violações de direitos cometidos contra a classe trabalhadora, como foi mencionado por um conselheiro tutelar em uma das reuniões da Rede de Atendimento da Restinga. Entretanto, precisamos avançar na função social dos CTs, deixando de ser apenas mais um espaço burocrático meramente de arquivamento de vidas infantojuvenis que são violadas de direitos humanos e de cidadania. As lutas sociais e as mobilizações semelhantes às ocorridas em junho de 2013 precisam emergir em prol da reivindicação e efetivação dos direitos sociais historicamente negados às camadas populares no Brasil.

Todas as pessoas que vem no CT da Restinga buscam uma solução, pois o CT requisita atendimento em serviços públicos, nós encaminhamos, tentamos dar soluções às situações, a partir dos encaminhamentos que fazemos. Se o CT não tiver uma Rede de Atendimento para encaminhar, uma Rede que acolha as medidas de proteção aplicadas fica difícil. Muitas das situações que atendemos, tem requisitado encaminhamentos para a área da saúde. A Restinga é enorme, as pessoas requisitam encaminhamentos para crianças e adolescentes, visando o atendimento nas áreas da neurologia, psicologia, psiquiatria, saúde mental. Esta última é a área de atendimento que mais tem sido requisitada. Entretanto, a Gerência Distrital da saúde aponta que há somente 35 casos em espera para o atendimento na área de saúde no bairro. Sabemos que há muito mais situações (CTR Restinga, reunião da Rede de Atendimento realizada em 24 de agosto de 2012).

TABELA 05 - CONSELHO TUTELAR E AS POLÍTICAS DE SAÚDE

Saúde

Violações de direitos Quant. de

ocorrências

Drogadição 2

Falta de atendimento na área da saúde 10

Falta de atendimento para tratamento especializado em psicologia e/ou psiquiatria

29

Suspeita/abuso sexual 6

No documento PRISCILA GUADALUPE DOS SANTOS GUTERRES (páginas 92-95)