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Quando questionadas sobre se o assédio interferiu em suas vidas profissionais e gerou algum dano, as entrevistadas vítimas do assédio sexual (A, C e D) passaram a evitar contato com o sexo masculino, com medo do fato acontecer novamente com elas, ficando mais retraídas no trabalho.

A seguir, os relatos das vítimas de assédio sexual no trabalho e as consequências para elas naquele momento e posteriormente.

A vítima A informou durante a entrevista que “Fiquei mais retraída no trabalho e com medo de contato com homens”, já a C “Me senti impotente e evita contato com homens”, e por último a entrevistada D que fez o seguinte relato “Evitei contato com homens em qualquer trabalho, para evitar que isso aconteça novamente”.

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A maioria das vítimas dessa violência informou que sentiu vergonha de comentar o ocorrido com colegas e familiares. Todas as três vítimas relataram que poucas pessoas sabem o que elas vivenciaram e essas poucas pessoas não inclui familiares, pois elas sentiram vergonha em compartilhar suas histórias, fazendo referência no que Pinto (2000) relata que as mulheres vítimas desse tipo de violência enfrentam problema dentro e fora de seu trabalho.

As vítimas de assédio moral relataram inúmeras consequências em sua vida profissional, logo a baixo, a Quadro 6 informará quais consequências acarretaram na vida dessas mulheres.

Quadro 6 – Consequências na vida profissional das vítimas de assédio moral

Vítimas Consequências

B Pavor de Call Center, sem vontade de trabalhar naquele ambiente e medo de “errar” novamente.

E Fiquei retraída, evitei brincadeiras e diminui de conversar no trabalho F Medo de trabalhar com pessoas com comportamento parecido G Me senti incompetente e achava que meu trabalho era ruim Fonte: Elaborada pelo autor (2019)

As vítimas de assédio moral adquiriram como principais consequências para a vida profissional medo, seja em errar ou trabalhar com pessoas que possuam características similares ao do agressor em questão e um sentimento de incompetência.

A seguir, uma nuvem palavras contendo as palavras mais citadas por todas as entrevistadas quando questionadas sobre as consequências para a vida profissional.

Figura 3: Nuvem de palavras referente as consequências para a vida profissional

5 CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES

O presente trabalho se propôs a analisar o comportamento das mulheres quando submetidas ao assédio no ambiente de trabalho e as principais consequências para sua vida profissional e pessoal, através de quatro objetivos específicos: Verificar a reação das mulheres ao primeiro contato com o assédio moral ou sexual; Analisar o comportamento adotado pelas mulheres após serem submetidas ao assédio moral ou assédio sexual; Verificar se existe semelhanças/diferenças em relação ao assédio moral e assédio sexual e Identificar as consequências do assédio em sua vida profissional e pessoal.

Quanto a reação das mulheres em relação ao assédio, primeiro objetivo específico, notou-se que a maioria delas não expressou reação nenhuma ao primeiro contato com o assédio, seja ele moral ou sexual, além disto, a maioria acreditava que situações que caracterizam o assédio poderiam acontecer com qualquer outra pessoa, menos a elas.

Durante os relatos, identificou-se que as vítimas não expressaram reação inicial com o assédio devido ao medo que elas possuíam dos seus agressores, já que na maior parte dos casos o agressor se tratava de um superior, sendo esse um dos principais motivos para a não apresentação de reação delas ao se depararem com o assédio.

Ao analisar o comportamento adotado pelas mulheres quando expostas ao assédio e como elas se comportam perante ao fato e ao agressor, segundo objetivo específico, notou-se que a maioria delas não se impôs ao fato e ao agressor, atribuindo esse comportamento ao medo que todas elas relataram sentir.

Entretanto, o medo sentindo por elas influenciou o comportamento delas sem que as mesmas pudessem perceber, já que elas se retraíram no ambiente de trabalho, esse medo sentido por todas induziu diretamente no comportamento adotado por cada uma, já que ao se retraírem no ambiente de trabalho, poderiam evitar situações semelhantes, tornando-se cautelosas nas relações profissionais, além de desviar sempre que possível do agressor.

Na busca por semelhanças e diferenças do comportamento das mulheres vítimas de assédio moral e sexual, terceiro objetivo específico, a maioria das vítimas de assédio sexual afastou-se do agressor depois do ocorrido com o intuito de evitar situações semelhantes as presenciadas por elas, além disso todas as vítimas de assédio sexual relataram sentir medo do agressor e do ocorrido.

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Outras semelhanças encontradas entre as vítimas do assédio sexual é que todas elas faziam parte do setor privado, e que todas foram assediadas por homens. A maioria relatou que seu agressor era alguém superior a elas e as que não denunciaram o assédio sofrido sentiram medo de perder seus empregos.

A maioria das vítimas de assédio moral possuem como semelhanças a tristeza e constrangimento vividos logo após terem sido vítimas no trabalho. Todas elas eram subordinadas e sofreram assédio de seus supervisores, além disso tantos as vítimas de assédio moral ou sexual em algum momento sentiram medo, medo de acontecer novamente ou medo de perder seus empregos.

Tratando-se das diferenças entre os comportamentos adotados, é possível destacar apenas uma. Entre todas as mulheres apenas uma realizou a denúncia, sendo esse comportamento bastante diferenciado das demais.

Na procura por consequências do assédio na vida pessoal e profissional dessas mulheres, quarto objetivo específico, as vítimas em sua maioria relataram que o assédio sofrido interferiu em suas vidas pessoais na maneira de se relacionarem com outras pessoas, principalmente do sexo masculino, para ambos os casos. Além disso, os assédios sofridos também causaram problemas de saúde para algumas das mulheres, como síndrome do pânico, ansiedade, pressão alta e agravamento da depressão.

No campo profissional, a consequência para todas as vítimas de assédio sexual foi o afastamento delas de pessoas do sexo masculino dentro do ambiente de trabalho, como uma forma de se precaver para evitar situações semelhantes vividas por elas. Já no assédio moral, as mulheres em sua maioria relataram que o fato as deixou com medo, seja de errar ou de ambientes de trabalho parecidos com o vivenciado.

De maneira geral, considerando os comportamentos apresentados pelas entrevistadas pode-se concluir que as mulheres participantes da pesquisa reagiram de maneiras semelhantes ao assédio moral ou sexual, onde elas não expressaram reação inicial ao fato, onde o sentimento de medo tomou conta delas, fazendo com que as mesmas se calassem perante a esse tipo de violência presente nas relações de trabalho.

Além disso, notou-se também que o campo mais afetado da vida pessoal dessas mulheres foi a aspecto relacionamento. Já no campo profissional, o medo foi o aspecto que mais influenciou, fazendo elas se reprimirem no ambiente de trabalho.

Diante dos resultados obtidos é possível fazer algumas recomendações que possam orientar as mulheres a como reagir em casos de assédio, contribuindo de forma informativa para que elas não se calem quando vivenciarem um fato semelhante.

Nos casos ligados ao assédio moral, inicialmente procurar conversar com seu agressor e esclarecer que as atitudes dele são erradas e como você se sente em relação a isso. Caso isso não possua efeito algum e as práticas de assédio continuem, relate o ocorrido ao setor de gestão de pessoas ou procure alguma ouvidoria da empresa, busque apoio com amigos e familiares, além de reunir provas que comprovem seus relatos, para que o sentimento de impunidade não prevaleça.

As recomendações para as vítimas de assédio sexual são mais complexas, já que esses casos estão ligados diretamente com a intimidade das mulheres, sendo assim, as denúncias também podem ser realizadas em canais de comunicação da empresa, canais de segurança e, além disso, a vítima pode relatar o ocorrido a sindicatos, associações e ao Ministério do Trabalho.

Para as organizações o alerta é que elas procurem criar meios que venham facilitar a denúncia para as mulheres e todos que sofrem com o assédio no ambiente organizacional, e que os casos denunciados sejam investigados, tratados e punidos. Prestando assistência para as vítimas além de medidas protetivas e punitivas.

Por fim, recomenda-se que mais estudos sobre o assunto abordado sejam realizados, com o intuito de compreender como esse tipo de violência afeta as milhares de mulheres trabalhadoras de todo o país.

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Apêndice

Apêndice A – Entrevista

1. Você já foi vítima de assédio moral ou sexual no ambiente de trabalho? Como reagiu quando o fato ocorreu?

2. Quando assediada, qual comportamento você tomou em relação ao fato e o agressor?

3. Como se sentiu diante da situação?

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