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Assédio moral e assédio sexual: um estudo de caso com mulheres vítimas no ambiente de trabalho

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Academic year: 2021

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DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS CURSO DE ADMINISTRAÇÃO

ELISA DÁRDARA LEANDRO NECO DA SILVA

ASSÉDIO MORAL E ASSÉDIO SEXUAL: UM ESTUDO DE CASO COM MULHERES VÍTIMAS NO AMBIENTE DE TRABALHO

Natal 2019

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ELISA DÁRDARA LEANDRO NECO DA SILVA

ASSÉDIO MORAL E SEXUAL - UM ESTUDO DE CASO COM MULHERES VÍTIMAS DESSA VIOLÊNCIA NO AMBIENTE DE TRABALHO

Monografia apresentada ao Curso de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial para a obtenção do título bacharel em Administração.

Orientadora: Profª Patrícia Whebber Souza de Oliveira

Natal 2019

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ASSÉDIO MORAL E SEXUAL - UM ESTUDO DE CASO COM MULHERES VÍTIMAS DESSA VIOLÊNCIA NO AMBIENTE DE TRABALHO

Monografia apresentada ao Curso de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Norte/RN, como requisito para a obtenção do Título de Bacharel em Administração

Apresentado em 28/11/2019

BANCA EXAMINADORA

_____________________________________________ Profª. D.Sc. Patrícia Whebber Souza de Oliveira

Orientadora

_____________________________________________ Prof. D.Sc. Antônio Carlos Ferreira

Banca examinadora

_____________________________________________ Profª. D.Sc Lucila Moura Ramos Vasconcelos

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Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI

Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial do Centro Ciências Sociais Aplicadas - CCSA

Silva, Elisa Dárdara Leandro Neco da.

Assédio moral e assédio sexual: um estudo de caso com

mulheres vítimas no ambiente de trabalho / Elisa Dárdara Leandro Neco da Silva. - 2019.

48 f.: il.

Monografia (Graduação em Administração) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Departamento de Ciências Administrativas. Natal, RN, 2019. Orientadora: Profa. Dra. Patrícia Wheber Souza de Oliveira.

1. Administração - Monografia. 2. Assédio moral - Monografia. 3. Assédio sexual - Monografia. 4. Violência contra a mulher - Monografia. 5. Relações de trabalho - Monografia. I. Oliveira, Patrícia Wheber Souza de. II. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. III. Título.

RN/UF/CCSA CDU 658.310.42:364.63

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Dedico esse trabalho a todos que me apoiaram em minha trajetória, em especial a minha mãe por todo o seu esforço.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus por toda força, ânimo e coragem durante toda essa trajetória.

Aos meus pais e familiares, por contribuírem com meu crescimento pessoal e profissional, em especial a minha mãe e avó por todo apoio durante minha trajetória.

À professora Patrícia, por todo apoio para a construção desse trabalho, e ao professor Juarez por todo auxílio prestado durante a graduação.

Aos meus amigos, que sempre acreditaram em mim, por toda ajuda prestada durante essa trajetória, se fazendo presentes sempre que necessário.

À Felipe por toda paciência, compreensão e apoio prestado durante a realização desta pesquisa.

A todos os professores que me orientaram durante a vida acadêmica, com ensinamentos profissionais e pessoais.

À Universidade Federal do Rio Grande do Norte por oferecer uma educação pública de qualidade, possibilitando a realização de sonhos e formando profissionais que farão diferença no mercado de trabalho.

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“O sucesso é a soma de pequenos esforços repetidos dia após dia.”

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RESUMO

Este trabalho tem como objetivo analisar o comportamento das mulheres quando submetidas ao assédio no ambiente de trabalho e as principais consequências para a vida profissional e pessoal. O assédio moral caracteriza-se como um conjunto de comportamentos que atormentam um indivíduo, tratando-se de toda conduta abusiva que possa causar dano a integridade ou a dignidade da vítima. O assédio sexual seria uma situação a mais do assédio moral, onde o trabalhador é posto a comportamentos indesejáveis se caracterizando como agressão intima, que além de ultrapassar limites pessoais e profissionais afeta a dignidade da pessoa. O estudo se caracteriza como uma pesquisa qualitativa, com estratégia de estudo de casos, onde se foi realizada entrevistas com mulheres vítimas de assédio moral ou assédio sexual, escolhidas pela técnica de bola de neve. Além disso a pesquisa contou com o auxílio do software Nvivo Pro versão 12. Os resultados apontaram que a maioria das mulheres não expressou reação inicial ao seu primeiro contato com o assédio, devido ao medo que sentiam dos seus agressores, além do medo de perder seus empregos. Absorvendo o assédio sofrido e buscando companhias durante a jornada de trabalho, com o objetivo de evitar novas situações que caracteriza o assédio. Já as semelhanças encontradas entre os comportamentos adotados pelas vítimas e quais sentimentos acompanharam essas mulheres, destacam-se os sentimentos de tristeza, culpa, constrangimento, fragilidade e medo, e o posicionamento de afasta-se do agressor e não realizar a denúncia. A única diferença notada dos comportamentos analisados, foi o fato de apenas uma delas realizar a denúncia. As consequências na vida pessoal das mulheres foi a dificuldade de se relacionarem e problemas que afetaram sua saúde, e na vida profissional o medo de acontecer novamente foi a consequência mais relatada entre elas. Concluiu-se que as participantes da pesquisa reagiram de maneiras semelhantes ao assédio moral ou sexual, já que não expressaram reação inicial ao fato, calando-se perante o assédio e ao agressor.

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the workplace and the main consequences for professional and personal life. Bullying is characterized as a set of behaviors that torment an individual, dealing with any abusive conduct that may harm the integrity or dignity of the victim. Sexual harassment would be an additional situation of bullying, where the worker is subjected to undesirable behaviors characterized as intimate aggression, which beyond exceeding personal and professional limits affects the dignity of the person. The study is characterized as a qualitative research, with case study strategy, where interviews were conducted with women victims of bullying or sexual harassment, chosen by the snowball technique. In addition, the research was aided by Nvivo Pro version 12 software. The results indicated that most women did not express initial reaction to their first contact with harassment because of their fear of their abusers, as well as the fear of losing their jobs. Absorbing the harassment suffered and seeking companies during the workday, in order to avoid new situations that characterize the harassment. Already the similarities found between the behaviors adopted by the victims and which feelings accompanied these women, stand out the feelings of sadness, guilt, embarrassment, fragility and fear, and the position of moves away from the aggressor and not make the complaint. The only noticeable difference of the behaviors analyzed was the fact that only one of them made the complaint. The consequences on women's personal lives were the difficulty in relating and problems that affected their health, and in working life the fear of happening again was the most reported consequence among them. It was concluded that the research participants reacted in similar ways to bullying or sexual harassment, as they did not express initial reaction to the fact, being silent before the harassment and the aggressor.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

FIGURA 1: Nuvem de palavras referente às sensações das vítimas de assédio FIGURA 2:Nuvem de palavras referente às consequências do assédio para a vida pessoal

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QUADRO 2: Tipo de organização, tempo de serviço, assédio sofrido e origem do assédio.

QUADRO 3: Comparação entre objetivos da pesquisa e questões da entrevista QUADRO 4: Ações, sentimentos e sensações das vítimas de assédio moral QUADRO 5: Consequências para a vida pessoal

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Sumário

1 INTRODUÇÃO ... 10 1.1 ESTRUTURA DO TRABALHO ... 10 1.2 CONTEXTUALIZAÇÃO E PROBLEMA ... 11 1.3 OBJETIVOS DA PESQUISA ... 12 1.3.1 Objetivo Geral ... 12 1.3.3 Objetivos Específicos ... 12 1.3 JUSTIFICATIVA ... 12 2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 14

2.1 ÉTICA ORGANIZACIONAL NO COMBATE AO ASSÉDIO ... 14

2.2 CAMINHOS DO ASSÉDIO ... 15

2.2.1 ASPECTOS SOCIAIS E HISTÓRICOS DO ASSÉDIO ... 15

2.2.3 A MULHER NO MUNDO DO TRABALHO ... 17

2.3 ASSÉDIO MORAL ... 19

2.3.1 Formas do Assédio Moral ... 21

2.3.2 ASSÉDIO SEXUAL ... 22

3 METODOLOGIA ... 26

3.1 TIPO DE ESTUDO ... 26

3.2 UNIVERSO E AMOSTRA ... 27

3.3 COLETA DE DADOS ... 28

3.4 TÉCNICA DE ANÁLISE DE DADOS ... 29

4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS ... 30

4.1 REAÇÃO DAS MULHERES QUANDO ASSEDIADAS ... 30

4.2 COMPORTAMENTO ADOTADO EM RELAÇÃO AO ASSÉDIO SOFRIDO ... 32

4.3 SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS DO COMPORTAMENTO DAS MULHERES... 34

4.4 CONSEQUÊNCIAS DO ASSÉDIO NA VIDA PESSOAL E PROFISSIONAL ... 36

4.5 CONSEQUÊNCIAS DO ASSÉDIO NA VIDA PROFISSIONAL ... 38

5 CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES ... 40

Apêndice ... 47

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1 INTRODUÇÃO

Cada dia mais nota-se a força e visibilidade que a figura feminina vem ganhando no mercado de trabalho, entretanto o mundo dentro das organizações é relativamente complexo, e para elas o mercado de trabalho pode ser bastante feroz, visto que elas são as maiores vítimas quando o assunto se trata de assédio moral ou sexual dentro das organizações.

O presente estudo tem como objetivo analisar o comportamento das mulheres quando submetidas ao assédio no ambiente de trabalho e as principais consequências para sua vida profissional e pessoal, buscando semelhanças e diferenças em relação ao comportamento adotado por cada uma delas quando presenciaram o assédio de perto.

O assédio moral e sexual, na maioria das vezes, pode se expressar devido às relações de poder existentes dentro das empresas, entretanto, podem existir exceções. Salvador (2002) considera que o fenômeno assédio vinha sendo tratado e confundindo com outros problemas do mundo do trabalho, como estresse ou conflito natural entre colegas, com isso identificar os casos de assédio dentro das organizações são tarefas árduas para os gestores.

Dessa forma, o assédio moral e assédio sexual passaram a ser um fenômeno relativamente comum dentro das organizações, podendo refletir em indicadores como produtividade para a empresa e acarretar aspetos negativos as vítimas dessa violência. Além disso, a pesquisa busca identificar se o assédio sofrido pelas mulheres afetou suas vidas profissionais e pessoais e buscar semelhanças ou diferenças.

A discussão sobre esse assunto e sua ligação com o ambiente de trabalho reforça a necessidade que todas as organizações devem se preocupar e estarem preparadas para compreender o assédio e buscar medidas que venham inibir essas práticas violentas dentro do ambiente de trabalho.

1.1 ESTRUTURA DO TRABALHO

A presente pesquisa está estruturada como parte introdutória que abrange a contextualização do problema, objetivos e justificativa, construindo assim a primeira etapa da pesquisa.

Logo após um levantamento teórico sobre o assunto abordado para a construção do referencial teórico, seguindo para a terceira etapa do trabalho, que é composta pela metodologia onde é apresentado como será realizada a pesquisa.

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Em seguida a análise e interpretação dos resultados obtidos, e por último a conclusão, onde serão divulgados os resultados finais da pesquisa.

1.2 CONTEXTUALIZAÇÃO E PROBLEMA

A globalização e os avanços que o mundo do trabalho vem sofrendo, muitas vezes, requerem mais do trabalhador, já que nesse ambiente a competitividade vem ganhando representatividade. Com isso, comportamentos desagradáveis e excessivos tornaram-se relativamente comum dentro das empresas. Esses comportamentos, muitas vezes se expressam em forma de assédio, prática que pode prejudicar os trabalhadores interferindo na vida pessoal e profissional dessas pessoas.

Que o assédio causa desordem na vítima não é nenhuma novidade, mas suas consequências específicas podem não ser conhecidas por todos. O MTE- Ministério do Trabalho e Emprego (2010), menciona que o assédio atinge a dignidade e identidade da pessoa humana, altera valores, causa danos psíquicos (mentais), interfere negativamente na saúde e na qualidade de vida.

O MTE (2010) informa que se tratando da vítima do assédio moral, a pessoa escolhida é afastada dos demais e passa a ser isolada do grupo, sendo hostilizada, ridicularizada e desacreditada no seu local de trabalho. Já o assédio sexual é uma das muitas violências que as mulheres sofrem no seu dia a dia.

Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, várias mudanças foram impactantes, Pereira (2005) menciona que a inserção da mulher no mundo do trabalho produziu grandes efeitos nas relações sociais, já que essas mudanças provocam alterações no modelo familiar e cultural.

O site Observatório do Terceiro Setor, publicou em março de 2018 uma notícia que revela que a cada 4,6 segundos uma mulher sofre assédio sexual no local de trabalho. Dados esses que são da plataforma relógios da violência e do instituto Maria da Penha que contém dados sobre a violência contra a mulher.

Apesar das mudanças ocorridas dentro do local de trabalho e a força e espaço que a mulher ganhou no ambiente predominante masculino, o assédio cometido contra as mulheres é um dos problemas difíceis de enfrentar pelas organizações, seja ele moral ou sexual.

Higa (2016) menciona que talvez as mulheres ainda não sejam bem-vindas no mercado de trabalho, já que a independência econômica adquirida pelas mulheres,

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desfaz a submissão delas ao homem, além de confrontar setores dominados por eles e disputar cargos de maior relevância nas organizações.

Diante do contexto apresentado, apresenta-se a seguinte questão de pesquisa: Como as mulheres se comportam quando submetidas ao assédio moral e sexual no ambiente de trabalho e quais as principais consequências para sua vida pessoal e profissional?

presente pesquisa se propõe a analisar o comportamento das mulheres quando submetidas ao assédio no ambiente de trabalho e as principais consequências para a vida profissional e pessoal, além de responder à questão: De que modo às mulheres se comportam quando assediadas no ambiente de trabalho?

1.3 OBJETIVOS DA PESQUISA 1.3.1 Objetivo Geral

Analisar o comportamento das mulheres quando submetidas ao assédio no ambiente de trabalho e as principais consequências para sua vida profissional e pessoal.

1.3.3 Objetivos Específicos

• Verificar a reação das mulheres ao primeiro contato com o assédio moral ou sexual • Analisar o comportamento adotado pelas mulheres após serem submetidas ao

assédio moral ou assédio sexual

• Verificar se existe semelhanças/diferenças em relação ao assédio moral e assédio sexual

• Identificar as consequências do assédio em sua vida profissional e pessoal

1.3 JUSTIFICATIVA

Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, a discriminação em relação ao gênero se manifestou bastante nas relações profissionais e dentro do ambiente organizacional a figura da mulher ainda está mais sujeita ao assédio, segundo uma notícia publicada em 2012 pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), ainda segundo o TST isso se deve devido a “objetificação do corpo feminino”.

Uchôa (2016) menciona que a discriminação é um fator de preocupação constante em todos os aspectos, entretanto destaca que essa mesma discriminação

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que a mulher sofre em seu trabalho, se caracteriza como uma forma peculiar de abuso contra elas.

Soboll (2008) relata que a maneira como o trabalho e as tarefas são organizadas dentro da empresa, pode possuir um papel central nas ocorrências de assédio moral, estimulando ou evitando.

Pinto (2000, p.21) destaca que “As mulheres são as principais vítimas do assédio sexual, enfrentando o problema dentro e fora do trabalho.” Ainda segundo Pinto, raramente elas denunciam o crime, com medo de represálias e ainda mais perseguições dos agressores.

Higa (2016) menciona que as mulheres ainda não são bem-vindas no ambiente de trabalho, pois a independência alcançada por elas desmontou o estado de sujeição aos homens, criandoambientes hostis, ofensivos e vexatórios, nos quais a presença feminina é vista por diferentes manifestações que desvalorizam ideais de igualdade.

O TST (2012) relata que, em uma pesquisa realizada pela Força Sindical, o assédio sexual é o segundo maior problema enfrentado pelas mulheres no trabalho, ficando atrás apenas dos baixos salários.

Uma matéria publicada pelo site Destak Brasil, informa que entre os anos de 2014 a 2018 o número de denúncias sobre assédio ao Ministério Público do Trabalho (MPT) cresceu e cerca de 29 mil denúncias foram registradas.

Não faz muito tempo que um caso de assédio sexual no trabalho foi destaque em todo Brasil, onde logo após uma figurinista realizar a denúncia sobre o suposto caso de assédio sexual no trabalho, cometido por um ator, uma campanha ganhou nome e grandes proporções, a “Mexeu com uma, mexeu com todas”, onde várias atrizes se solidarizaram com a figurinista e vestiram a camisa contra o assédio sexual. E devido a toda essa movimentação nas redes sociais, o caso em questão foi levado à organização e a mesma decidiu afastar seu funcionário.

Tolfo e Oliveira (2015, p.13) relatam que, “A dificuldade em materializar as provas necessárias à efetiva reparação dos danos causados propicia certo entendimento de impunidade.”.

Dessa forma, a presente pesquisa visa analisar o comportamento das mulheres vítimas do assédio moral e sexual em seu ambiente de trabalho e identificar quais as consequências do assédio em suas vidas profissionais e pessoais.

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2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 ÉTICA ORGANIZACIONAL NO COMBATE AO ASSÉDIO

Para um convívio plausível dentro de qualquer sociedade, é de fundamental importância o respeito pelas diversidades existentes, onde para que isso seja possível, deve-se entender e respeitar o próximo.

As diferenças existentes acerca de cultura, gênero, religião e sexualidade requerem atenção dentro das relações pessoais e profissionais, onde cada um deve exercer a ética e a “boa” moral.

Vargas et.al. (2017) menciona que a preocupação da comunidade empresarial como também a da sociedade civil consumidora em relação as condutas éticas subjacentes aos negócios, vem transformando-se em um diferencial competitivo de atuação das empresas no mercado. Com organizações preocupadas em transparecer suas decisões e ações, a importância da ética é fundamental.

A importância da ética nas empresas cresceu a partir da década de 80, com a redução das hierarquias e a consequente autonomia dada às pessoas. Os chefes, verdadeiros xerifes até então, já não tinham tanto poder para controlar a atitude de todos, dizer o que era certo ou errado. Jacomino (2000, p.29).

Para Valls, a ética (1994 p.07) “É entendida como um estudo ou uma reflexão, científica ou filosófica, e eventualmente até teológica, sobre os costumes ou sobre as ações humanas”.

Ainda segundo Vargas et. al. (2017) a ética precisa ser um traço da atuação profissional e nas relações de consumo interpessoais. Fazendo agir dentro de padrões éticos claramente definidos e praticados no dia a dia, gerando percepções positivas.

As condutas e práticas de assédio dentro da empresa fogem dos princípios básicos de respeito e ética, onde essas práticas podem possuir como base a não aceitação das diferenças raciais, sociais, religiosas e sexuais. Além do abuso de poder e intimidações pela hierarquia organizacional.

O conceito de ética é usado para se referir à teoria sobre a prática moral. É uma reflexão teórica que analisa e críticas ou legitima os fundamentos e princípios que regem um determinado sistema moral, isto é, a dimensão prática de nossa vida. Ponchirolli (2014 p.19)

O assédio sofrido por qualquer trabalhador deve ser guiado pelos princípios éticos da organização e da privacidade, buscando uma reflexão científica ou filosófica

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como menciona Valls (1994), sobre as ações humanas cometidas no ambiente de trabalho.

Com isso, ao aplicar-se a ética em casos relacionados ao assédio moral e sexual dentro das organizações, esclarece seus colaboradores o que é ética organizacional e o que é assédio, a fim de combate-lo, promovendo discussões acerca do tema criando o código de ética empresarial, onde o mesmo estaria composto por condutas éticas, além das consequências para o que é considerado antiético.

2.2 CAMINHOS DO ASSÉDIO

2.2.1 ASPECTOS SOCIAIS E HISTÓRICOS DO ASSÉDIO

Humilhações diárias, constrangimentos e até mesmo situações agressivas, são relativamente comuns no dia a dia de qualquer indivíduo, cenário esse que pode ser motivado por etnia, classe social ou orientação sexual. No Brasil, constantemente esbarra-se em notícias que expõe o cotidiano dos brasileiros, seja no ambiente escolar, de trabalho ou familiar.

Ferreira (2004) afirma que o assédio moral seria um dos mais graves problemas enfrentado pelas organizações. Sendo fruto da soma de vários fatores, como globalização econômica predatória e a busca por produção e lucro, criando uma competição agressiva dentro do trabalho e opressão aos trabalhadores, através do medo e ameaça, gerando terror psicológico na vítima, podendo atingir sua saúde física, deixando as vítimas predispostas ao desenvolvimento de doenças crônicas.

A partir da descrição de Ferreira sobre o assédio moral, foi verificado que a exposição que o indivíduo sofre durante sua jornada de trabalho, pode ser o resultado da atual sociedade que em que se vive, sociedade essa marcada pela excessiva busca de maior produtividade e lucro.

Em se tratando do assédio sexual e seu aspecto histórico, Oliveira Júnior et. al (2001) acredita que o problema é antigo, onde se disseminou nos EUA, no ano 1975, recebendo o nome de (sexual harassmente). Ainda segundo Oliveira Júnior et al (2001, p. 40) o assédio sexual: “É uma agressão à intimidade e dignidade da pessoa, pelo qual se estabelece uma relação assimétrica entre a vítima e o agente, o qual se apoia no abuso de poder”.

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Mott (1988) relata que durante o período da escravatura os corpos dos escravos pertenciam aos seus donos (senhores de engenho) como se fossem animais. Sendo assim, o homem branco desfrutava livremente sobre as negras e os negros, fazendo o que desejavam com eles.

Durante o período da escravatura no Brasil, o trabalho pesado era destinado aos negros, que também eram considerados “produtos” valiosos para seus donos, e durante esse período os negros passaram a exercer trabalho escravo nas lavouras de café, agricultura em geral e nas atividades doméstica dentro da casa grande, como afirma Kok (1997, p.06) “Por meio da violência, a escravidão transformou pessoas em mercadorias e as sujeitou à vontade do senhor.”

A partir da afirmação da Kok, compreende-se que os escravos estavam sujeitos a realizar a vontade de seus senhores, seja essas vontades ligadas a tarefas na lavoura ou tarefas mais árduas que geralmente eram desempenhadas pelas mulheres negras, como servi ao senhor sexualmente.

Para Davis (1982), as mulheres eram totalmente vulneráveis as formas de abuso sexual. Se para os homens o castigo constituía-se em mutilações e açoitamentos, para as mulheres essa violência também se dava através da violação sexual.

Durante o período da escravidão foi estabelecido uma relação de trabalho escravo por parte dos senhores de engenho, como é de conhecimento através de relatos sobre esse período como: filmes, livros e artigos, inclusive no livro de Davis, “Mulher, Raça e Classe” que relata os trabalhos e tarefas desenvolvidas pelas mulheres negras durante a escravidão no Brasil.

É válido destacar que durante essa época existia uma relação de trabalho bem diferente da que conhecemos hoje, já que durante a escravatura homens e mulheres deviam se sujeitar a vontade de seus senhores, como citado anteriormente.

Com os relatos de Kok e Davis nota-se que os escravos e escravas eram castigados, humilhados e abusados sexualmente, mas será que os acontecimentos dessa época refletiram nas relações de trabalho de hoje? Não podemos afirmar que as ações praticadas na escravatura possam ser consideradas práticas que avaliadas na visão de mercado de trabalho do mundo atual, resultariam atos que caracterizam o assédio moral e sexual.

No casos das mulheres negras além dos seus corpos serem pertencentes ao seu senhor como menciona Mott (1988) anteriormente, elas exerciam trabalhos na

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lavoura, cozinha ou nos cuidados com as crianças brancas, elas também eram vítimas de situações rodeadas de maus tratos e abuso sexual, como relata Ângela Davis em seu livro “Mulher, Raça e Classe”, como é citado a seguir:

Mas as mulheres também sofreram de maneiras diferentes, porque eram vítimas de abuso sexual e outras barbaridades de maus tratos que apenas podem ser infligidas às mulheres. Os comportamentos dos donos de escravos para as mulheres escravas eram: quando era rentável explorá-las como se fossem homens, sendo observadas, com efeito, sem distinção de género, mas quando elas podiam ser exploradas, castigadas e reprimidas em formas ajustadas apenas às mulheres, elas eram fechadas dentro do seu papel exclusivo de mulheres. Davis (1982, p. 11).

A partir desse breve resumo histórico, é possível identificar que práticas de assédio dentro do ambiente organizacional podem ser mais comuns do que a maioria acredita, sendo um problema antigo, delicado e difícil combate-lo.

2.2.3 A MULHER NO MUNDO DO TRABALHO

As desigualdades rodeiam a sociedade brasileira, sejam elas ligadas a religião, classe social, cor da pele ou gênero. Neste tópico será discutida a desigualdade relacionada ao gênero nas relações profissionais. Como ideia central a inserção da mulher no mercado de trabalho, e quais as dificuldades elas sofrem em seu dia a dia na busca de espaço e reconhecimento profissional.

Quando refere-se a inserção da mulher no mercado de trabalho, geralmente é instantâneo pensar apenas nas relações profissionais existentes hoje e como a mulher fez para conseguir seu papel dentro de um ambiente dominado pelo homem. Entretanto a figura da mulher brasileira em especial sempre esteve presente, como destaca Franciscani (2010):

Se pensarmos as mulheres como força de trabalho no Brasil Colônia poderemos vêlas como mão de obra escrava, dividindo o espaço com os homens na colheita da cana de açúcar. Ao mesmo tempo trabalhando na casa grande, nos serviços domésticos, cuidando de crianças ou como mucamas das senhoras. Franciscani (2010, p. 14).

Na busca por espaço no mercado de trabalho, as mulheres foram submetidas a várias situações, incluindo assédio sexual durante a escravatura, como destaca Fonseca et al. (2001, p. 131) “As primeiras trabalhadoras a serem assediadas no local de trabalho foram as escravas, que não tiveram nenhuma proteção legal.”

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Vários obstáculos entraram no caminho das mulheres na busca pela sua inserção no mercado de trabalho, como afirma Franciscani (2010) destacando que um dos principais vilões que acompanhou lado a lado as mulheres durante o processo de inserção no mundo do trabalho foi o preconceito, já que a mulher estava quebrando barreiras e padrões sociais estabelecidos.

Esse preconceito que acompanhou as mulheres gerou comportamentos desagradáveis sobre elas dentro das empresas, não sendo uma tarefa fácil fazer-se respeitar quando chega dentro das organizações, já que brincadeiras grosseiras, gestos obscenos são feitos direcionados as mulheres (HIRIGOYEN,2002).

Garcia e Tolfo (2011, p.47) destacam que “Na medida que a mulher se inseri no mercado de trabalho, aumenta também sua exposição ao risco de assédio”. Com essa afirmativa, fica claro entender que quando a mulher procurou reconhecimento e novas experiências que não estalavam relacionadas a tarefas domesticas, elas acabaram se colocando em foco, correndo o risco de ser assediada em seu ambiente de trabalho, além de não possuir respeito, confiança e credibilidade perante seus colegas do sexo oposto. A conquista do direito ao voto, igualdade de gênero são frutos do movimento feminista, entretanto esse movimento buscava proporções maiores, como afirma Pinto:

O feminismo aparece como um movimento libertário, que não quer só espaço para a mulher – no trabalho, na vida pública, na educação –, mas que luta, sim, por uma nova forma de relacionamento entre homens e mulheres, em que esta última tenha liberdade e autonomia para decidir sobre sua vida e seu corpo. Pinto (2010, p.16).

Tié Lenzi (2018) afirma que a primeira onda feminista aconteceu no final do século XIX e o século XX, onde o objetivo era igualar os direitos políticos, já à segunda onda ocorreu entre os anos 60 e 90 que buscava a igualdade social e dos direitos, além de abordar questões relacionadas liberdade sexual e maternidade. E por fim, a terceira onda feminista que iniciou nos anos 90 com a procura de liberdade total sobre suas vidas e escolhas.

Entre os pontos defendidos no feminismo, destacados por Tié Lenzi (2018), destacam-se os que se encaixam na discussão:

● Fim da desigualdade salarial (na prática) entre homens e mulheres;

● Igualdade da participação das mulheres no cenário político do país, tanto na ocupação de cargos políticos como na tomada de decisões;

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● Combate aos diferentes tipos de assédio, como o moral e o sexual;

A luta das mulheres começa com o objetivo de acabar com a desigualdade existente entre gêneros e pela busca de direitos que até então faziam parte apenas do cotidiano dos homens.

Uchôa (2016) acredita que por muito tempo existiu uma dominação do sexo masculino sobre o feminino.

A história da dominação masculina sobre a mulher remonta aos primórdios da organização familiar, quando, por um instinto maternal, até mesmo de necessidade de sobrevivência da espécie, a mulher precisou permanecer no lar ao lado da cria, enquanto o homem se punha fora do local de morada a buscar alimentos e defender o espaço domiciliar. Uchôa (2016, p.25)

Atualmente a representação feminina é forte, entretanto insuficiente já que por muito tempo a figura masculina dominou a figura feminina em vários aspectos sociais como afirma Uchôa, levando as mulheres a serem as principais vítimas de práticas preconceituosas, machistas e desigualdade salarial.

2.3 ASSÉDIO MORAL

O assédio moral se tornou um problema organizacional bastante complexo para as empresas, já que se trata de humilhações e constrangimentos repetitivos e prolongados dentro do ambiente de trabalho, onde a vítima em questão muitas vezes é pressionada e exposta pelo seu agressor durante toda a jornada..

Já para Hirigoyen (2002, p. 65) o assédio moral se trata de “toda e qualquer conduta abusiva manifestando-se, sobretudo por comportamentos, palavras, atos, gestos, escritos que possam trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa.”

O assédio moral seria comportamentos que buscam atormentar a vítima em questão, durante sua jornada de trabalho, chegando a produzir momentos desagradáveis e violentos, como afirma Soboll (2008, p.21).

Uma situação extrema de agressividade no trabalho, marcada por comportamentos ou omissões, repetitivos e duradouros. Tem como propósito destruir, prejudicar, anular ou excluir e é direcionado a alvos escolhidos (uma ou mais pessoas em especial). Caracteriza-se por sua natureza agressiva, processual, pessoal e mal-intencionada. Pode ter efeito de gestão disciplinar sobre o coletivo, como um resultado secundário e não como propósito final do processo de hostilização.

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Com isso, as organizações tornaram-se locais onde o assédio ganhou espaço e esses comportamentos agressivos, repetitivos e humilhantes fizeram-se bem comuns no mercado de trabalho, essas características descritas pelos autores desenham o que é o assédio moral e como ele se manifesta dentro do ambiente de trabalho.

Uma cartilha elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego- MTE (BRASIL, 2010) afirma que embora o assédio moral atinja todos os sexos, o aspecto diversidade presente nas organizações ainda causa certa rejeição, fazendo com que as causas do assédio estejam ligadas a etnia racial e gênero. Ainda segundo a cartilha do MTE a maioria das vítimas são mulheres, especialmente as negras.

Situações isoladas ou comportamentos que não são repetitivos dentro do trabalho contra um indivíduo ou grupo não pode ser considerado assédio moral, já que como os autores citam, o assédio moral se caracteriza a partir do momento que esses eventos passam a ser repetitivos.

Soares e Oliveira (2012) acreditam que o assédio moral traz para as organizações consequências catastróficas e para o indivíduo essas consequências são devastadoras, já que o assédio é considerado um dos fatores mais estressores nas empresas. Hoel e Cooper (2000) ressaltam que as vítimas do assédio moral atravessam uma devassidão física e mental ao serem equiparadas a aqueles que não foram vítimas do assédio moral.

Em outra cartilha, essa elaborada pelo Senado Federal (BRASIL, 2011) menciona que o assédio moral não é um fator recente, e que o estimulo da competitividade dentro das empresas alimentam essa prática, além da qualidade de vida e a produtividade serem afetadas, e que sequelas emocionais como retirada de autonomia, humilhações, a tentativa de exclusão social, agressões verbais e tentativa de controle sobre a vítima, são práticas bastante comuns do agressor sobre sua vítima.

Goldschmidt e Crusaro (2011) menciona que o assediador possui prazer em ver sua vítima sofrer, fazendo com que o medo gere obediência a ele, não apenas da vítima, mas de todos a sua volta, com a finalidade de dominar a equipe e controlar os colegas de trabalho.

O assédio moral no trabalho caracteriza-se como uma violência contra o colaborador, onde o não combate a essa prática dentro das organizações pode gerar uma cultura inebriante, prejuízos as empresas e aos colaboradores, além disso não

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combater essa prática pode fazer com que outros membros da empresa sintam-se à vontade para praticar o assédio.

2.3.1 Formas do Assédio Moral

Sabe-se o que é assédio moral, como geralmente ele se manifesta e como é praticado dentro das empresas, entretanto o assédio moral possui diferentes formas como assédio moral descendente, assédio moral vertical ascendente e o assédio moral horizontal e o misto como afirma Tolfo e Oliveira (2015).

Sobre esses quatro tipos de violência praticados e a origem da ocorrência do assédio moral no ambiente de trabalho, Hirigoyen (2005) os classificou como:

• Assédio vertical descendente: o agressor em questão é a chefia e a vítima subordinado;

• Assédio vertical ascendente: os agressores são um ou mais subordinados e a vítima é um superior hierárquico;

• Assédio horizontal: o agressor são os próprios colegas que exercem a mesma função;

• Assédio misto: os agressores são colegas e chefias;

Goldschmidt e Crusaro (2011) falam que o assédio vertical descendente é praticado por aquele que hierarquicamente está acima da vítima, onde existe uma relação de poder. Nessa forma de assédio o assediador faz uso de seu poder com a finalidade de prejudicar seu subordinado. Hirigoyen cita:

O assédio perverso, praticado com o objetivo puramente gratuito de eliminação do outro ou valorização do próprio poder; o assédio estratégico, que se destina a forçar o empregado a pedir as contas e assim contornar os procedimentos legais de dispensa; e o assédio institucional, que é um instrumento de gestão do conjunto pessoal. Hirigoyen (2002, p. 112)

O assédio horizontal é praticado por colegas que estão na mesma posição hierárquica dentro da empresa, sem que exista relação de subordinação ou poder entre o assediador e a vítima. Tolfo e Oliveira (2015) acreditam que o assédio horizontal acontece quando o colega de trabalho desmoraliza outro. O assédio moral horizontal revela a individualidade e descriminação pro parte do agressor em relação a seu colega, como cita Lima Filho.

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O assédio moral horizontal é aquele praticado entre colegas de trabalho e costuma acontecer quando o empregador tolera o clima não ético e, em regra, é revelado por práticas individualistas, de discriminação pela reprodução e o fomento de rumores e ‘rasteiras’ entre colegas do mesmo patamar hierárquico. Este tipo de assédio costuma acontecer contra pessoas de orientação sexual diversa do padrão predominante, negros, mulheres, trabalhadores com algum tipo de deficiência, idosos e outros segmentos historicamente discriminados. Lima Filho (2010, p. 70).

O assédio vertical ascendente se manifesta quando os subordinados exercem assédio sobre um superior hierárquico, esse tipo de assédio é bastante raro se manifestar, entretanto pode ser que aconteça como mostra Barreto 2007.

Pode acontecer de o assédio ser praticado pelo subordinado contra o superior hierárquico. Caso esse ambicioso subordinado exerça maldosa e maliciosamente certa liderança sobre o grupo, ao almejar a posição ocupada pelo seu chefe, pode ardilosamente manipular as pessoas de forma que a equipe concentre a sua liderança e anule a pessoa do chefe a ponto de induzi-lo a desistir, a aposentar-se ou, até mesmo, alimentar a sua depressão por não ser aceito no grupo. Barreto (2007, p. 53)

E por último o assédio moral misto, onde esse é praticado por colegas de trabalho e superiores, nesse tipo de assédio é necessário a existência de três pessoas, o assediador vertical, o horizontal e a vítima, como afirma Goldschmidt e Crusaro (2011):

Quando uma pessoa se acha em posição de bode expiatório, por causa de um superior hierárquico ou de colegas, a designação se estende rapidamente a todo o grupo de trabalho. A pessoa passa a ser considerada responsável por tudo que dê errado. Bem depressa ninguém mais a suporta e, mesmo que alguns não sigam a opinião do grupo, não ousam anunciar. Hirigoyen (2002, p. 114)

2.3.2 ASSÉDIO SEXUAL

Na maioria das vezes que escuta-se a palavra assédio sexual sempre nota-se uma referência a figura da mulher sendo assediada por homens, seja no trabalho, na rua, transporte público ou faculdade. Esses comportamentos importunos podem acontecer com qualquer pessoa, seja homem ou mulher, entretanto suas maiores vítimas são as mulheres. Como afirma Hirigoyen (2002), que embora o assédio sexual possa acontecer tanto com homens e mulheres, suas principais vítimas são as mulheres.

O assédio sexual é senão um passo a mais na perseguição moral. Tem relação com os dois sexos, mas a maior parte dos casos descritos, ou de que há queixas, refere-se a mulheres agredidas por homens, frequentemente por seus superiores hierárquicos. Hirigoyen (2002, p.80)

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Diferentemente do que acontece no assédio moral, que tem como propósito acabar com a autoestima e dignidade do assediado, além de isolá-lo dos demais membros da organização, o assédio sexual tem como objetivo possuir/conquistar a vítima em questão.

Para Gonçalves et al. (2001 p.55). o assédio sexual é “Abuso de poder, piadas, toques indesejados”, caracterizando-se como agressão intima, que além de ultrapassar limites pessoais e profissionais, afeta a dignidade da pessoa.

Lopes et al. (2001, p.15.) o assédio sexual “Ocorre no ambiente de trabalho e pressupõe uma intimidação por parte de um superior contra um subordinado, exigindo favores que podem até chegar a exigências sexuais, muitas vezes sob a ameaça de dispensar ou de prejudicar a vítima na carreira”.

O assédio sexual no trabalho seria uma condição que o trabalhador em questão é posto, onde ele venha a se deparar com comportamentos indesejáveis de um superior ou colega de trabalho, onde esses comportamentos tornam-se cada vez piores devido os avanços com interesses sexuais.

Pinto (2000, p.10) caracteriza o assédio sexual como “comentário sexual, um gesto, um olhar, palavras sugestivas repetidas e não desejadas ou um contato físico, considerado repreensivo, desagradável ou ofensivo e que nos incomoda em nosso trabalho.” Ainda segundo Pinto (2000) o assédio sexual pode se caracterizar de forma

verbal, visual e física.

O assédio verbal consiste em olhares maliciosos, flertes, cantadas indesejadas e comentários importunos, com o objetivo de constranger a vítima, já o visual seria gestos obscenos, fotografias ou pôsteres com conteúdo sexual e por fim o assédio físico seria toques, carias e palpitações sem consentimento da vítima.

Geralmente essas características que compõe o assédio sexual manifesta-se através da hierarquia estabelecida dentro das organizações, já que os maiores cargos ainda são ocupados por homens nas empresas. No Brasil o decreto-lei nº 10.224, de 15 de maio de 2001, acrescenta o artigo nº 216-A ao Código Penal Brasileiro reflete o assédio sexual em “ Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.”

Seria o assédio sexual um elogio ou cantada recebida no ambiente de trabalho? Como destacado anteriormente por Gonçalves et al. (2001) o assédio sexual é se

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define como um abuso de poder, quando alguém faz uso de seu poder dentro da organização para tirar proveito da outra

Entretanto Freitas (2011) acredita que nas relações organizacionais é impossível que as empresas venham a inibir as relações afetivas que acontecem dentro das organizações, visto que as pessoas passam bastante parte do seu dia dentro delas, mas o que está em jogo é esclarecer o que é o assédio sexual e inibir suas práticas dentro do trabalho, e não dessexualizar as pessoas, visto que é da nossa natureza ser sexuais.

Ainda para Freitas (2011) As pessoas dentro das organizações são ainda seres sexuais, com desejos e fantasias; é impossível dessexualizar as pessoas, mesmo quando se usa um ambiente asséptico e estéril como no caso das empresas. O que está subjacente a essas ideias é o fato de alguém usar as suas prerrogativas, sua posição na organização e os instrumentos que domina para chantagear com fins pessoais. Freitas (2001, p.14). No Brasil, o assédio sexual não é um problema novo e pertinente ao público específico, como destaca Gonçalves et al (2001):

O assédio sexual é um problema antigo. As relações entre homens e mulheres brasileiros sempre foram marcadas por forte assimetria. Os homens, por possuírem mais poder nos campos profissional e econômico, muitas vezes extrapolavam sua condição para praticar abuso sexual. Muitas mulheres chegavam a considerar normal o avanço dos homens em sua privacidade sexual. (Gonçalves et al. 2001, p.57)

Fonseca et al. (2001, p.131) acredita que “embora assédio sexual seja um conceito novo, as primeiras trabalhadoras a serem assediadas no local de trabalho foram as escravas”.

Lopes et al. (2001, p.14) destaca que o fenômeno de assédio sexual vem crescendo no mundo todo e que “No Brasil, sua incidência é preocupante, pois segundo pesquisas, mais da metade das mulheres, economicamente ativas, alvo principal dos assediadores, já foram assediadas”.

O resultado histórico e social da sociedade brasileira, resultou uma cultura machista onde a figura da mulher sempre é vista e posta como objeto sexual, Born et al. (2001, p.153), ressalta que “Existem padrões, que foram colocados em nossa cabeça, de que a mulher não responde à altura ás exigências da sociedade.”

A consequência da prática do assédio sexual nas empresas é a criação de um ambiente de trabalho hostil, humilhante e nefasto, deixando a vítima exposta a todos

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além do agravamento de problemas profissionais como queda na produtividade e pessoais como a depressão.

Além disso, Pinto (2000, p.21) destaca que “As mulheres são as principais vítimas do assédio sexual, enfrentando o problema dentro e fora do trabalho.” Ainda segundo Pinto, raramente elas denunciam o crime, como medo de represarias e ainda mais perseguições dos agressores.

Freitas (2011, p.16) menciona que “O assédio sexual é um caso que provoca tristeza, revolta e indignação. Entristece pelo seu lado patético, pequeno, mortal, miserável, revolta pela facilidade com que ocorre e provoca indignação pela impunidade que o cerca.”

Ainda segundo Freitas (2011, p.14) “o assédio sexual é entre desiguais, não pela questão de gênero masculino versus feminino, mas porque um dos elementos da relação dispõe de formas de penalizar o outro lado.”

Com isso, pode-se concluir que o assédio sexual são comportamentos que possuem como propósito ganhar vantagem sexual, além de deixar a vítima amedrontada com a situação, ofendendo a honra e a dignidade da vítima, sucumbindo a ética e moral profissional.

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3 METODOLOGIA

O presente capítulo abordará a metodologia que será adotada para a realização da pesquisa e no procedimento de coleta dos dados. A pesquisa é de natureza qualitativa, com a estratégia de estudo de caso utilizando-se da técnica bola de neve, onde realizou-se de entrevistas com mulheres da cidade de Natal/RN.

As entrevistas foram realizadas entre o período de 21 a 26 de outubro de 2019, na residência das entrevistadas ou em local de maior comodidade para elas, como Shopping Midway Mall, e posteriormente transcritas pela pesquisadora em forma de texto. As entrevistas foram analisadas pelo conteúdo, que compreende um agrupamento de técnicas e busca sentido no documento analisado, nesse caso, nas entrevistas.

É posto, uma interpretação das entrevistas a partir das relações entre si e com a teoria abordada ao longo da pesquisa, havendo possibilidade de tomar conhecimentos mais profundos sobre as questões de assédio moral e sexual envolvendo as mulheres em seu ambiente de trabalho. As participantes da pesquisa foram classificadas como letras A, B, C, D, E, F e G.

3.1 TIPO DE ESTUDO

A pesquisa possui como natureza a área de ciências sociais aplicadas, onde procura resultados que possam analisar o comportamento das mulheres quando submetidas ao assédio no ambiente de trabalho e as principais consequências para sua vida profissional e pessoal. Com isso, a pesquisa caracteriza-se como um estudo qualitativo, fazendo uso da técnica história de vida.

Nogueira et al (2017) menciona que a técnica história de vida participa da metodologia qualitativa, onde o pesquisador escuta por meio de entrevistas não diretivas, gravadas ou não, o relato da história de vida do entrevistado e no final da entrevista o material colhido é transcrito onde o pesquisador irá realizar um aprofundamento analítico para buscar pista que venham a resolver as questões de sua pesquisa.

Gerhardt e Silveira (2009) afirma que a pesquisa qualitativa não leva em consideração a representatividade numérica, mas sim a compreensão do grupo social em que a pesquisa é direcionada., partindo assim de uma abordagem interpretativa do mundo através dos resultados.

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3.2 UNIVERSO E AMOSTRA

Os sujeitos da pesquisa do presente trabalho foram mulheres que durante sua trajetória profissional foram expostas ao assédio moral ou sexual dentro do seu ambiente de trabalho.

Nesta pesquisa, a população irá compreender as mulheres da cidade de Natal/RN, onde será realizado a aplicação de entrevistas semi-estruturadas que buscará resultados que possam descrever e identificar o comportamento das mulheres partindo da abordagem interpretativa do mundo através dessas entrevistas, como citado anteriormente por Gerhardt e Silveira (2009).

Para uma melhor visualização do perfil das participantes da pesquisa, foi elaborado um quadro que facilita essa visualização. A seguir, o quadro 1 apresenta dado sobre idade, estado civil e o grau de escolaridade das entrevistadas.

Quadro 1 – Perfil das entrevistadas

Entrevistadas Idade Estado Civil Grau de Escolaridade

A 24 Solteira Superior incompleto

B 26 Solteira Superior incompleto

C 30 Separada/Divorciada Médio completo

D 25 Solteira Médio completo

E 25 Solteira Médio completo

F 36 Casada Superior incompleto

G 31 Solteira Superior completo

Fonte: Elaborada pelo autor (2019)

Observa-se que a maior parte das entrevistadas são mulheres solteiras, onde sua faixa etária se concentra dos 24 a 31 anos, onde a maioria delas possuí nível médio.

Quadro 2 – Tipo de organização, tempo de serviço, assédio sofrido e origem do assédio

Tipo de organização

Tempo de serviço

Assédio sofrido Origem do assédio

Privada 1 ano e 4 meses Assédio sexual Supervisor (vertical descendente)

Privada 6 meses Assédio moral Supervisor (vertical

descendente)

Privado 3 meses Assédio sexual Supervisor (vertical

descendente) Privada 1 ano Assédio sexual Colega (horizontal)

Privada 1 ano e 3 meses Assédio moral Supervisor (vertical descendente)

Público 9 meses Assédio moral Supervisor (vertical

descendente)

Público 31 anos Assédio moral Superior (vertical descendente) Fonte: Elaborado pelo autor (2019)

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Em relação ao tipo de organização onde as entrevistadas prestam ou prestaram serviço, houve um maior grau de casos nas empresas do âmbito privado, ressaltando que todas as vítimas de assédio sexual no trabalho correspondem ao setor privado, além disso, a maioria das vítimas sofreu assédio de um superior.

O estudo se caracteriza como uma pesquisa qualitativa, com estratégia de estudo de casos, realizada com mulheres vítimas de assédio moral ou assédio sexual, escolhidas pela técnica de bola de neve.

3.3 COLETA DE DADOS

Gerhardt e Silveira (2009, p.56) menciona que “a coleta de dados compreende o conjunto de operações por meio das quais o modelo de análise é confrontado aos dados coletados”. Correspondendo assim, ao ato de pesquisar e buscar dados e informações sobre o determinado tema, para que logo após seja possível realizar uma análise desses dados e informações.

A presente pesquisa teve como técnica de coleta de dados entrevistas semi-estruturadas com mulheres que em algum momento de sua vida profissional foram alvos do assédio moral ou sexual, fazendo uso da técnica “história de vida” que permitem ao pesquisador uma maior compressão sobre o comportamento adotado dessas mulheres.

Quadro 3 – Comparação entre objetivos da pesquisa e questões da entrevista

OBJETIVOS QUESTÕES ENTREVISTA

Analisar o comportamento das mulheres quando submetidas ao assédio no ambiente e trabalho, e as principais consequência para sua vida profissional e pessoal.

Todas

Verificar a reação das mulheres ao primeiro contato com o assédio moral ou sexual

1. Você já foi vítima de assédio moral ou sexual no ambiente de trabalho? Como reagiu quando o fato ocorreu?

Analisar o comportamento adotado pelas mulheres após serem submetidas ao assédio moral ou assédio sexual

2. Quando assediada, qual comportamento você tomou em relação ao fato e o agressor? 3. Como se sentiu diante a situação?

Verificar se existe semelhanças/diferenças em relação ao assédio moral e assédio sexual

Analise das respostas da questão 2 e 3.

Identificar as consequências do assédio em sua vida profissional e pessoal

4. Quais as consequências do assédio em sua vida profissional ou pessoal para você? Quais?

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3.4 TÉCNICA DE ANÁLISE DE DADOS

O tratamento dos dados foi de forma qualitativa para permitir um maior aprofundamento nos discursos dos sujeitos, se dando através da transcrição do conteúdo mencionado pelas entrevistadas.

O método utilizado foi análise de conteúdo com o suporte do software Nvivo Pro versão 12.

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4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS

Após apresentação dos procedimentos metodológicos da pesquisa, será apresentado os resultados encontrados e discussões.

Para auxiliar a análise e interpretação dos resultados, a pesquisa contou a ajuda do software Nvivo Pro versão 12, que buscou as palavras mais relatadas pelas entrevistadas, criando-se assim as nuvens de palavras.

E para a interpretação dos resultados obtidos, a pesquisa contou a ajuda da técnica história de vida.

4.1 REAÇÃO DAS MULHERES QUANDO ASSEDIADAS

Sobre se em algum momento da vida profissional já tinham sido vítimas de assédio, e como reagiram ao fato, as entrevistadas afirmaram que já tinha passado por uma situação que caracteriza o assédio e algumas delas descreveram como ocorreu o fato. A entrevistada A fez a seguinte declaração “Sim, fui vítima de assédio

sexual e a minha reação foi de afasta-lo e cheguei a denunciar na empresa só que não me identifiquei e acredito que não fizeram nada”. Tolfo e Oliveira (2015)

mencionam que a constituição de provas, dificulta a reparação dos danos causados e causa sentimento de impunidade nas vítimas, devido essa falta de provas.

A entrevistada B relatou que sofreu com assédio moral em seu trabalho em um call center, onde sua inexperiência a deixou acreditar que o assédio moral era visto apenas nos filmes.

Sim, não tive ação, não reagi os comentários. Logo quando comecei a trabalhar no meu primeiro emprego era muito inexperiente não sabia nem que isso existia no ambiente de trabalho, apesar de se ver em alguns filmes muitas vezes não associamos a vida real. Ocorreu numa troca de supervisão da minha equipe, não demorou muito pra ele começa a fazer certas coisas, conversas particulares ameaçando demissão por coisas pequenas, já chegou gritando comigo uma vez que eu estava sentada por um problema que eu não tinha nada a ver e claro demonstrava que queria complicar minha vida num ambiente estressante como Call Center, na hora eu me sentia mal, mas por ele ser supervisor e está num Call Center à corda deveria se arrebentar para o lado fraco. Eu conversava com o pessoal do meu lado, meus amigos, eles também achavam errado, porém não faziam nada, então comecei a tentar evitar ele, coisa bastante difícil já que era meu supervisor.

Segundo Goldschmidt e Crusaro (2011), o assediador possui prazer em ver sua vítima sofrer, onde ele consegue gerar medo e obediência tanto de sua vítima como todos a sua volta, buscando controlar a equipe e seus colegas de trabalho através do medo estabelecido, justamente como o fato descrito pela entrevistada B.

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Para as entrevistadas C e D, houve reações bastante distintas, a entrevistada C informou que foi vítima do assédio sexual e que no exato momento não expressou nenhuma ação ao ocorrido, como descrito logo a seguir:

sim, fiquei desnorteada, sem ação, constrangida e com vontade de chorar, normalmente ele dava em cima de todas as meninas do hospital, mas um certo dia eu pedi pra ele pegar uma sonda, me falou que era difícil de conseguir mas ia da seu jeito, depois de um tempo ele me chamou pra ir na sala de urgência falou que conseguiu a sonda, quando fui pegar a sonda ele fechou a porta, me encostou na parede, como ele viu que fiquei com medo, abriu a porta e saiu de lá como se nada tivesse acontecido, acredito que na cabeça dele seria uma troca de favores. Não cheguei a denunciar ele com medo de perder a chance de ser efetivada no trabalho. (C)

A entrevistada D relatou que sua primeira reação ao assédio sofrido foi agressiva, ela foi vítima do assédio sexual, como exposto logo em seguida:

Sim, reagi de forma agressiva, empurrando-o. O fato ocorreu no meu primeiro emprego, eu tinha 19 anos era aprendiz nessa empresa no ramo de hotelaria, o meu setor só tinha eu de mulher e o restante era de homens. Dois deles já tinham soltado uma piada ou outra, mas nunca passou pela minha cabeça que eles estavam com outras intenções, afinal era meu primeiro emprego e eu nunca tinha ouvido falar sobre isso (assédio sexual).

Até que certo dia um desses dois resolveu me “ajudar”. Foi comigo nos bares, contou e até então tudo ok, só que quando chegamos ao deposito ‘ele’ começou a querer fechar a porta, apaga a luz, e eu comecei a reclamar para ele parar com aquilo e foi quando ele me puxou e me segurou junto ao corpo dele, tentou me beijar, e eu tentando me soltar bati nele, até que ele me soltou, mas fiquei assustada, nervosa, envergonhada e com medo, não ficava mas sozinha com ele em qualquer ambiente e nem mantive contato.

A situação das entrevistadas configurou assédio sexual, entretanto as reações iniciais das vítimas foram divergentes, a entrevistada C relatou que não conseguiu reagir ao fato, ficou apenas com vontade de chorar, além medo em denunciar o agressor e perder uma chance futura de ser efetivada, chance essa que ela não conseguiu mesmo se calando perante o ocorrido.

Já a entrevistada D reagiu de forma diferente das demais, onde a mesma adotou uma postura agressiva para afasta-se do agressor, entretanto ela não chegou a realizar a denúncia, apenas se retraiu e evitou encontrar-se com o assediador.

A entrevistada E relatou que foi vítima do assédio moral e menciona que em seu último emprego sofreu com o assédio de sua coordenadora, além disso a mesma informou que era comum esse tipo comportamento dela.

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Sim. Ocorreu no meu último emprego. Eu era operador de caixa, mas, além disso, eu tinha que limpar os caixas e arrumar. Isso todos os dias. Mas o fato aconteceu quando eu estava atendendo uma cliente. Como não tinha ninguém na fila e tinha mais duas caixas, não fiz com tanta rapidez a embalagem de presente. Nisso a minha coordenadora estava do meu lado, e acredite, ela não esperou a cliente ir embora pra poder falar comigo, ela simplesmente me repreendeu na frente dela (a cliente), dizendo que eu tinha que ser mais rápida, que eu era lenta. Eu fiquei paralisada na hora. Nem pra “cara” da cliente eu tive coragem de olhar de tanta vergonha que eu estava. Eu não podia errar um dia se quer que ela já vinha com a arrogância dela. As entrevistadas F e G relataram que foram vítimas do assédio moral e ambas não tiveram reação inicial, como mencionaram nas entrevistas, F mencionou que “Sim, assédio moral, ocorreu durante expediente de trabalho, reagi de forma silenciosa mais isso ficou na minha mente até hoje.”

Já a entrevistada G relata que “Sim. Eu fiquei sem ação e com medo de ser prejudicada, baixei a cabeça, me senti mal e depois comecei a chorar. Passei alguns dias com pressão alta”.

Verifica-se que cinco das entrevistadas, B, C, E, F e G não reagiu ao primeiro contato com o assédio, seja ela moral ou sexual, onde as mesmas acreditavam que isso jamais poderia acontecer com elas, e não realizaram a denúncia por medo. Apenas uma das entrevistadas, a “A” denunciou o acontecido, entretanto não houve punição para o agressor, já a entrevistada “D” reagiu de forma agressiva, mas não denunciou o agressor, com receio de não acreditarem nela.

Outro aspecto percebido, foi que na maioria dos casos de assédio relatados pelas entrevistadas o agressor possuía um cargo de chefia, caracterizando o assédio vertical descendente, onde o agressor em questão é a chefia e a vítima é o subordinado, como classifica Hirigoyen (2005).

4.2 COMPORTAMENTO ADOTADO EM RELAÇÃO AO ASSÉDIO SOFRIDO

O comportamento adotado pelas vítimas representa como elas se posicionaram ao assédio e ao agressor. Foi identificado que a maioria delas não se impôs e o medo dominou a situação, medo esse relacionado a perda do emprego, onde algumas delas relataram que também sentiram medo de julgamentos por parte de colegas, amigos e familiares.

A seguir será mencionado as falas de cada uma das entrevistadas ao serem questionadas sobre qual comportamento elas adotaram em relação ao fato e ao agressor.

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A entrevistada A fez o seguinte relato “passei a andar pela empresa ao lado de outras pessoas, mas nunca sozinha”, já a entrevistada C relatou que apenas chorou e demonstrou sensação de “medo” ao seu agressor, sem saber como comportaria-se perante ao fato e ao agressor, comportamento bem parecido com as entrevistadas E, F e G, com exceção ao relato da A , que buscou companhia durante todo o tempo que passava no trabalho.

A entrevista B relatou que em alguns momentos chegou a cogitar a possiblidade de realmente está errada, como seu superior mencionava.

Nenhum, até pensei em denunciar ele, mas fiquei com medo de não acreditarem em mim. Então me calei, mas ele me amedrontava dizendo que ele estava certo e eu errada e que se eu fosse ele tinha provas de que eu que era péssima funcionária e iria pra rua, ele só não denunciava porque ele não queria. (B).

É como afirma Soboll (2008) que situações agressivas no trabalho são marcadas por comportamentos ou omissões, repetitivos e duradouros, caracterizando-se por natureza agressiva, processual e pessoal.

A entrevistada E fez o seguinte relato “simplesmente nenhum. Porque ninguém ali de dentro da empresa achava que ela estava extrapolando e como na maioria dos casos eu me calei”.

A entrevistada F mencionou o seguinte “não tomei nenhuma atitude, precisava do trabalho fiquei calada e no outro dia sua atitude foi que não tina acontecido nada,” já a entrevistada “G” informou que sua postura foi “uma posição de medo, evitava vê-lo e evitava ir na sala dele.”

Nota-se que a maioria das entrevistadas não tomou nenhuma atitude em relação ao agressor e ao ocorrido, cada uma absorveu aquilo pra si mesma, e o medo, a impotência e o silêncio foram sensações e sentimentos que acompanharam estas mulheres durante todo o tempo que foram expostas.

Fazendo relação direta com o que Pinto (2000) menciona que as mulheres vítimas de assédio, raramente denunciam o crime com medo de represarias e ainda mais perseguições dos agressores.

Durante o relato das vítimas, a D vítima de assédio sexual informou como o fato ocorreu e, além disso, ela disse que por algum tempo questionou-se sobre o assédio sofrido e se em algum momento ela poderia ter sido mais severa em relação as “brincadeiras” de seus colegas.

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Na verdade, o comportamento adotado foi de impotência. Por mais que eu soubesse que não tinha culpa nenhuma eu parei de falar de certos assuntos, principalmente com ‘ele’ próprio. Já não conversava tanto com ‘ele’, evitava ter contato direto com ‘ele’. E eu não levei aos meus superiores, acredito que por medo de não acreditarem na minha palavra até porque não tinha câmeras no local onde ocorreu. (D)

Freitas (2001) acredita que o assédio sexual é um caso que provoca tristeza, revolta e indignação das vítimas, e que revolta pela facilidade com que ocorre e provoca indignação pela impunidade que o cerca do ocorrido, entretanto esse comportamento mencionado por Freitas não se limita apenas para o assédio sexual, as vítimas de assédio moral também expressaram um comportamento de revolta, tristeza e impotência por não terem conseguido fazer nada para acabar com o assédio sofrido.

Durante as entrevistas, foi percebido que quase todas as entrevistadas sentiram-se envergonhadas, intimidas e oprimidas, pois segundas elas, o assédio sofrido era por alguém que pela hierarquia organizacional era superior. Então elas não poderiam denunciar, pois provavelmente não acreditariam nelas, além do medo que tinham de perder seus empregos.

4.3 SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS DO COMPORTAMENTO DAS MULHERES Quando perguntadas sobre quais sentimentos e sensações vivenciaram quando assediadas, a maioria das entrevistadas relataram que sofreram medo, tristeza e constrangimento, como apresenta a quadro 4.

Quadro 4 – Ações, sentimentos e sensações das vítimas de assédio moral ou sexual

Vítimas Ações iniciais Sentimentos/Sensações Tipo de assédio

A Afastou o agressor Medo, nojo Assédio sexual

B Sem reação Estresse, inútil, decepcionada, tristeza e culpa

Assédio moral C Sem reação Intimidação, humilhação, fragilidade,

medo e indignação.

Assédio sexual D Afastou o agressor Constrangimento, insegurança,

medo e culpa.

Assédio sexual

E Sem reação Humilhação e opressão Assédio moral

F Sem reação Tristeza e constrangimento Assédio moral

G Sem reação Medo, incompetência e impotência. Assédio moral Fonte: Elaborada pelo autor (2019)

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Diante dos comportamentos das assediadas, foi notado que todas as vítimas de assédio sexual sentiram medo diante do ocorrido, apenas uma dentre as três vítimas denunciou o agressor, entretanto não identificou-se para a empresa e relatou que nada foi feito. Duas das entrevistadas relataram que o agressor em questão era um superior, como destaca Oliveira Júnior (2001), quando menciona que o assédio sexual seria uma agressão a dignidade da pessoa, onde o abuso de poder se estabelece devido a relação assimétrica entre agressor e vítima.

Hirigoyen (2002) relata que as queixas e casos descritos, refere-se as mulheres agredidas por homens e geralmente por superiores hierárquicos, como foi o caso das entrevistadas, onde todas vítimas de assédio sexual foram assediadas por homens, e duas das três por um superior hierárquico. As vítimas também mencionaram que sentiram constrangimento, humilhação, insegurança e fragilidade quando assediadas.

Diante das semelhanças entre as vítimas de assédio sexual, notou-se que todas elas sentiram medo, que em todos os casos o agressor era do sexo masculino, e a maioria das vítimas era subordinada, onde o agressor possuía um cargo mais elevado na organização.

Outros aspectos em comum entre elas foram que todas procuraram afastar-se e evitar o agressor sempre que possível, onde todas relataram que tiveram medo de perder seu emprego ou de não acreditarem caso denunciasse, além disso, todos os casos relatados de assédio sexual ocorreram em empresas privadas.

A única diferença notada foi o comportamento da entrevistada A, onde apenas ela de todas as mulheres que sofreram com assédio sexual denunciou o ocorrido, e a mesma relatou durante a entrevista que chegou a ter nojo dela mesma.

As mulheres vítimas de assédio moral, a maioria relatou que ficou triste e constrangida com o assédio sofrido, e todas elas sofreram agressões morais de um supervisor, ocasionando o assédio vertical descendente.

A entrevistada B relatou que pensou em denunciar, mas o medo de não acreditarem nela não a deixou fazer a denúncia, onde por algum tempo pensou que realmente estava errada, e que não conseguiu fazer nada correto.

Já a entrevistada E informou que perdeu a vontade de ir trabalhar por não conseguir mais olhar na cara da sua coordenadora, e a F falou que passou alguns dias abatida, e por fim a G disse sentia-se incompetente.

As semelhanças percebidas entre os casos de assédio moral foram medo em realizar a denúncia. O assédio sofrido foi em sua maioria por homens com posição

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hierárquica superior a elas, como mencionado anteriormente por Goldschmidt e Crusaro (2011), quando falam que assédio vertical descendente é o aquele praticado por quem hierarquicamente está acima da vítima.

A seguinte nuvem de palavras extraída dos discursos:

Figura 1 – Nuvem de palavras referente as sensações das vítimas de assédio

Fonte: Dados da pesquisa, out. 2019.

4.4 CONSEQUÊNCIAS DO ASSÉDIO NA VIDA PESSOAL E PROFISSIONAL

Sobre as consequências do assédio em suas vidas pessoais e profissionais, a maioria das entrevistadas relatou que o assédio dificultou seus relacionamentos com outras pessoas, principalmente pessoas do sexo masculino.

Duas das entrevistadas informaram que o assédio sofrido gerou problemas de saúde para elas, como pressão alta, síndrome do pânico e agravamento da depressão, como citado por Soares e Oliveira (2012), que mencionam que o assédio moral traz consequências devastadoras para o indivíduo.

A seguir, as consequências do assédio sofrido para as vítimas em seu aspecto pessoal, conforme quadro 5.

Referências

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