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O monopólio no setor postal brasileiro acarretou em uma expressiva repercussão na área jurídica e econômica do país, muito se discute ao longo das décadas a constitucionalidade deste monopólio e suas consequências (sejam benéficas ou maléficas) a sociedade brasileira atual.

Em razão de tal repercussão e de diversas posições a favor e contra a existência desse monopólio é que se faz necessária à análise de suas consequências na área econômica uma vez que, é frequentemente questionada a violação ao livre mercado e concorrência. Enquanto na área jurídica são apresentados numerosos argumentos a respeito dos impactos legais e jurídicos do monopólio da EBCT como, por exemplo, a possível violação aos princípios constitucionais.

Para Leonardo Vizeu Figueiredo (2009, p. 255) atualmente a atividade postal é um tema que vem incitando grandes debates no meio acadêmico e jurisprudencial, isto ocorre em razão da doutrina brasileira ter se revelado bastante misoneísta no que diz respeito aos avanços e conquistas na seara econômica proveniente do texto constitucional, logo as decisões da Corte Suprema e Superior tem se revelado conflitantes e até mesmo paradoxais no que tange a interpretação e aplicação de leis pré-constitucionais ao atual texto da Carta Magna.

Sendo assim, o monopólio na área do serviço postal gera opiniões distintas entre juristas e acadêmicos, fazendo com que surjam relevantes questionamentos sobre o posicionamento dos tribunais superiores a respeito deste monopólio e até mesmo as consequências geradas pela a manutenção do regime monopolístico no setor postal brasileiro.

Para muitos acadêmicos da área econômica a existência de um monopólio pode ser considerada um retrocesso para o mercado econômico, já que a presença do monopólio automaticamente impede o advento de uma concorrência perfeita.

A concorr ncia perfeita é caracterizada por um grande número de produtores e consumidores, sem poderes para influenciar o preço e as quantidades no mercado individualmente. O preço e a quantidade de equilíbrio são atingidos por meio do conjunto do comportamento dos compradores e vendedores.

Outra consequência implícita do comportamento monopolista é que não há a crença que os preços elevados cobrados pelo serviço prestado irão afugentar os consumidores, uma vez que o próprio consumidor se vê sem opção, sendo obrigado a fazer uso daquele serviço prestado por uma determinada empresa uma vez que inexiste outra concorrente oferecendo os mesmos serviços no mercado resultando no fortalecimento da figura do monopólio em determinado setor. Diante de tais circunstâncias, o monopolista detém o controle de preços no mercado, assim se a empresa detentora de monopólio em um determinado setor deseja vender mais o preço cairá se por outro lado produzir menos o preço subirá. Tal fato apontado vai contra a ideia de concorrência perfeita, que não tem condições de isoladamente a afetar o preço determinado pelo mercado (VASCONCELLOS, 2015, p. 162 - 163).

Muito se questiona os limites que o poder estatal deve observar para interferir na economia, sem que ameace ou viole a ordem econômica, preservando a livre concorrência e a livre iniciativa.

Para João Bosco Leopoldino da Fonseca (2017, p. 321), a intervenção ou a direção da economia pelo Estado nas atividades econômicas são justificadas pelo interesse público, que seria uma espécie de interesse geral. Demais o Estado utiliza dois tipos de técnicas para realizar tal intervencionismo na economia, sendo essas: planejamento e a regulamentação de preços e de créditos, também é importante assinalar que a política intervencionista ou diretiva está de fato em conformidade com o interesse geral econômico, para isso se faz necessário realização de verificações e um balanço sociológico, econômico e político.

O serviço postal monopolizado não só impede a existência de uma concorrência mais benéfica no ponto de vista econômico, como também fez surgir uma discussão bastante expressiva no mundo jurídico a respeito de sua constitucionalidade, pois o monopólio dos Correios não está previsto expressamente no texto constitucional.

Há uma controvérsia a respeito dos serviços públicos, em virtude de que a Constituição Federal de 1988 não fornece uma resposta explícita para a questão fazendo com que surja a necessidade de investigar a sua estrutura para obter algum entendimento juridicamente aceitável. Desse modo, para que fosse viável a instituição por lei do serviço público não previsto no texto constitucional, seria imprescindível a interpretação

constitucional onde explicitaria ou evidenciaria um conceito definitivo de serviço público, por sua vez o referido conceito seria aprendido pelo legislador ordinário que converteria uma atividade econômica em sentido estrito em serviço público, sendo assim, autorizada pela Constituição. Contudo, o artigo 173 previsto na Magna Carta de 1988, que prevê que o Estado pode exercer determinadas atividades econômicas desde que observe os imperativos de segurança nacional ou o relevante interesse coletivo em conformidade com a previsão legal, porém a expressão “atividade econ mica” previsto no texto do referido artigo refere-se à atividade econômica em sentido estrito desempenhado pelo Estado em regime de competição, em razão de que as atividades em sentido estrito são de competência privadas podendo ser exercida pelo Estado em situações excepcionais, ademais o artigo 175 da Constituição determina os serviços públicos a serem prestados pelo Estado (AGUILLAR, 2016, p. 344 - 345).

Para Luís Roberto Barroso (2000, p. 209):

A natureza jurídica de atividade econômica não monopolizada também encontra amparo no próprio artigo 21, X, da Constituição Federal. Ao estabelecer que compete à União manter o serviço postal, a Carta Magna impôs que tal atividade seja obrigatoriamente exercida pelo Poder Público federal, tendo em vista a importância do serviço para a integração nacional, mas em nenhum momento afastou a possibilidade de que os particulares também a explorem, se assim lhes convier. Quis assegurar o mínimo e não impedir o mais. Entendimento diverso violaria toda a lógica da interpretação constitucional que, como já registrado, se orienta pela liberdade de iniciativa, e não pela intervenção estatal.

Tal debate jurídico e acadêmico relacionado à existência do monopólio do setor postal são de tamanha relevância, principalmente diante do espectro político e econômico atual, aonde o tema “privatizações” vem sendo frequentemente mencionado, como resultado a constitucionalidade do monopólio da ECT tem sido questionada cada vez mais.

É bem oportuno que a jurisprudência das Cortes Superiores tem oscilado no que tange a existência do monopólio e o regime de serviço público no setor postal, não chegando a uma pacificação quanto ao tema abordado. Tradicionalmente o Superior Tribunal de Justiça (STJ) optou por estender os serviços postais e as prerrogativas inerentes a Fazenda Pública concedendo-lhe o tratamento de regime de direito público, uma vez que é considerado que o monopólio com previsão na Lei n. 6.538/1975, fora recepcionada pela Constituição de 1988. Deve ser destacado a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 46- 7, que em julgado do Supremo Tribunal de Federal (STF), foi analisado se a atividade de

serviços postais, prevista no rol do artigo 21 da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB) estaria ou não sob o regime de monopólio, tendo como decisão final a legitimação do monopólio no setor postal brasileiro. Também merece destaque que o questionamento do monopólio estatal da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos pode ser considerada como um dos casos mais relevantes na área de direito econômico decidido pela Suprema Corte (FIGUEIREDO, 2016, p. 115).

Diante do que fora exposto, o artigo 21, incisos X e XI da Constituição Federal de 1988 dispõe:

Art. 21. Compete à União: [...]

X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;

XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços de telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos serviços, a criação de um órgão regulador e outros aspectos institucionais; [...]

Indubitavelmente o artigo 21 da Magna Carta tem fomentado diversos debates a respeito da constitucionalidade do monopólio do setor postal, de tal maneira que mesmo após o julgamento da ADPF nº 46, os debates em relação a esta temática vem se prolongado até os dias atuais, afinal os anseios constantes pela privatização de empresas públicas e a redução da máquina estatal, enaltece cada vez mais o desejo do mercado financeiro em ter uma concorrência mais ampliada e a diminuição do intervencionismo estatal na economia nacional.

Logo tal discussão a respeito da possibilidade do particular realizar a prática de atividades econômicas no setor postal, levanta inúmeros questionamento e expectativas no mercado financeiro brasileiro, pois a abertura desse setor traria consequências benéficas para a econômica e pacificaria a discussões jurídicas envolvendo tal temática.