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CAPÍTULO 7 - CONCLUSÕES

7.1. Considerações e Conclusões

O presente capítulo tem por objetivo sintetizar as observações principais relevantes a esta pesquisa. Para melhor resumir as conclusões, dispersas ao longo do trabalho, este tópico será dividido em duas partes: estado da arte de corridas de detritos e as principais observações feitas à partir da revisão bibliográfica, e a avaliação de corridas de detritos à partir da metodologia desenvolvida ao longo desta tese.

Sobre o Estado da Arte para Corridas de Detritos

Para que o movimento se inicie, observa-se a necessidade de uma combinação de fatores, tais como condições climáticas extremas; rupturas de encostas, induzindo subsequentes movimentos; superfície rochosa exposta e/ou em processo de alteração; e drenagem ineficiente. No caso dos eventos pluviométricos, apenas tempestades de grande intensidade, associadas a períodos chuvosos também longos, farão com que a massa se mobilize, de modo a fluir e gerar as corridas de detritos.

Muitos movimentos são erroneamente classificados, bem como há uma grande diferenciação entre as classificações empregadas no mundo. Isto influencia diretamente no número de casos coletados e que poderiam servir de subsídio às análises, não excluindo àqueles casos erroneamente classificados como corridas de detritos.

Ao longo da revisão bibliográfica foram relacionadas 72 equações da literatura, sendo a maior parte as equações obtida com dados regionais, limitando sua utilização ou criando uma ressalva para sua aplicação. Neste aspecto, observa-se a escassez de equações desenvolvidas para casos brasileiros. Outro fator é a presença de equações oriundas de vulcanismo ou degelo, condições estas não presentes na realidade brasileira e de regiões tropicais. Logo, o pesquisador deve analisar as condicionantes e os dados que as originaram, e avaliar se as equações são aplicáveis.

175 A falta de informações de corrida de detritos nas regiões tropicais é perceptível.

Isto pode ser explicado pela forma inadequada de se reportar os movimentos, sem a padronização das informações, ou até mesmo a inexistência desta informação, sendo catalogado apenas de grandes movimentos como é o caso das corridas de detritos brasileiras observadas na literatura.

Em relação às informações mundiais disponíveis, destaca-se o acesso restrito às bases de dados, a presença de bancos de dados voltados para outras finalidades (por exemplo, perdas econômicas envolvidas) e apresentação das informações em línguas estrangeiras menos comuns. A forma de apresentação dessas informações também é um ponto a ser observado, pois, em geral, não separam os movimentos por tipo, com características próprias de seleção e classificação, e associam os movimentos a mapas, tornando necessário um conhecimento prévio dos locais mais susceptíveis a corridas de detritos para encontrar as informações requeridas.

Metodologia para Avaliação de Corridas de Detritos

As relações obtidas nesta pesquisa abordam as diversas fases do movimento, sendo todas as etapas interligadas pelo parâmetro de volume (V). O volume, além de ser indicador da periculosidade do movimento, é resultante da ação que o gerou e de seu desenvolvimento, sendo característica presente no depósito da corrida de detritos.

As equações desenvolvidas foram avaliadas em termos de coeficientes de determinação. Para fins desta pesquisa adotou-se que coeficientes de determinação inferiores a 0,5 são ruins, entre 0,5 e 0,7 moderados, e acima de 0,7 bons, não sendo aconselhável a utilização de equações com R² menor que 0,5. Análises regionais foram efetuadas a partir de um número reduzido de casos e, por isso, devem ser aplicadas com cautela.

Para os mecanismos deflagradores, o limiar pluviométrico das chuvas permite efetivamente dizer se um movimento está propenso ou não a ocorrer de acordo com uma dada pluviometria. Uma constatação importante é que os limiares regionais obtidos nesta pesquisa são superiores aos encontrados na literatura. Isto indica que as corridas de detritos no Brasil ocorrem com uma pluviometria mais alta que as observadas no mundo. É importante salientar que os limiares obtidos nesta pesquisa

176 visam o alerta para as corridas de detritos, e não movimentos de massa em geral. As equações para avaliação do limiar pluviométrico estão sintetizadas na tabela 7.1.

Tabela 7.1: Limiares Pluviométricos para a Avaliação d e Corridas de Detritos – Global e Brasil

Intensidade Pluviométrica Média Intensidade Pluviométrica de Pico

(Global) (Global)

(Brasil) (Brasil) D = Duração do evento pluviométrico; IMED = Intensidade pluviométrica

média; IP = Intensidade pluviométrica de pico.

Dentre os fatores de desenvolvimento do movimento, se destacam as relações entre a altura e o comprimento total da corrida; a relação entre o volume, a altura e o comprimento total da corrida, e a relação entre o volume e a descarga de pico. Para estes fatores observa-se, em geral, correlação moderada dos dados após algum tratamento. Já para as análises dos dados de depósito, todas as correlações apresentam com coeficiente de determinação bom, sendo necessário pouco ou nenhum tratamento.

O conjunto de relações propostas nesta pesquisa, conforme aplicadas nos estudos de caso, fornecem limites para o volume deslizado numa corrida de detritos.

Tomando por exemplo o estudo de caso do Córrego D’Antas, esta faixa de valores possui um intervalo de, aproximadamente, 10.000m³. Pela avaliação do banco de dados, esta faixa não está elevada, pois este apresenta eventos de grandes proporções e que fogem à média. Análises globais de risco, por exemplo, podem se utilizar destes limites para a delimitação das áreas não ocupáveis de acordo com um plano de expansão do município.

A tabela 7.2 resume as principais equações presentes nesta pesquisa, abordando aspectos do desenvolvimento do movimento e do depósito. Observa-se que:

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 A equação para determinação da descarga de pico não foi avaliada pelos estudos de caso, mais obteve coeficiente de determinação moderado sem tratamento, sendo esta equação mais indicada, pois engloba todos os casos observados;

 As equações 5.12 e 5.21 resultaram em valores muito baixos nos estudos de caso, e não serão aqui relacionadas;

 A equação que remonta à área da seção transversal do depósito não foi avaliada pelos estudos de caso, mais obteve alto coeficiente de determinação sem necessidade de tratamento;

 As equações regionais não serão aqui relacionadas.

Tabela 7.2: Relação de equações propostas por esta pesquisa para avaliação de Corridas de Detritos

Relação R²

0,63

0,61

0,54

0,51

0,52

0,60

0,87

0,79

H = altura (m); L = comprimento total da corrida (m); V = volume deslizado (m³); qt = descarga de pico (m³/s); A = área

da seção transversal do depósito (m²); B = área planimétrica do depósito (m²)

As relações devem ser utilizadas seguindo os procedimentos propostos por esta pesquisa, em conjunto ou não com outras ferramentas, para retroanálise de corridas ou análise de possibilidade de ocorrência em locais não afetados.

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