CAPÍTULO 6 - ESTUDO DE CASOS
6.6. Considerações Finais: Uma Proposta para Avaliação de Eventos
As relações empíricas e os estudos de casos sugerem que as equações propostas nesta pesquisa podem ser utilizadas para nortear mapeamentos de áreas de risco a corridas de detritos e projetos de sistemas de estabilização e de convivência.
A possibilidade de aplicação em diferentes fases do movimento, seja na avaliação de eventos pluviométricos (sendo considerado o início do movimento), no decorrer do deslizamento ou no depósito (fase final), permite que as equações propostas sejam uma ferramenta de análise prévia para zonas de risco, avaliando a
171 periculosidade da ocorrência de um evento em uma região. Isto permite também que a ferramenta seja usada para a avaliação de expansão e planos diretores de Municípios.
De forma a sintetizar a aplicação das equações propostas no Capítulo 5 e utilizadas neste capítulo, pode-se dividir sua utilização em 3 ramos principais:
avaliação das condições pluviométricas que levarão (ou que levaram) a ocorrência da corrida, avaliação prévia de áreas de risco frente a ocorrência de corridas e a retroanálise de eventos já ocorridos para a determinação de variáveis de interesse.
6.6.1. Avaliação do Evento Chuvoso
A avaliação da pluviometria pode ser realizada tanto para eventos passados quanto para previsões futuras. A diferença reside no dado pluviométrico utilizado, pois uma retroanálise é obtida através de medições em estações pluviométricas próximas ou instalada no local de estudo, e previsões partem de hipótese sobre a pluviometria, propostas por quem está realizando as análises.
Partindo da mesma metodologia aplicada nas Seções 6.2 e 6.4.3, tem-se as seguintes etapas:
1. Avaliar a possibilidade de ocorrência de corridas de detritos na região a partir dos dados de intensidade pluviométrica média (ou de intensidade pluviométrica de pico) e duração do evento chuvoso, juntamente com os gráficos de limiar pluviométrico regional e mundial;
2. Avaliar o volume da corrida de detritos a ser mobilizado utilizando as equações propostas nesta pesquisa, caso a possibilidade seja real.
Essa metodologia pode ser aplicada também para outros limiares pluviométricos disponíveis na literatura, como é o caso do limiar proposto por D’Orsi (2011), desenvolvido para escorregamentos em geral. Para tanto, algumas medidas adicionais podem ser necessárias, o que requer maior detalhamento nas informações disponibilizadas pelas estações pluviométricas.
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6.6.2. Retroanálise de Eventos
Conforme demonstrado nos estudos abordados neste capítulo, as equações propostas por esta pesquisa sugerem uma faixa de variação para o volume deslizado durante eventos. Este volume pode ser validado por ensaios de campo, por avaliação de imagens de satélite ou por modelos digitais do local. Porém, estas estimativas são caras e demoradas.
Portanto, considerando que as corridas de detritos são movimentos de grande variabilidade, influenciados diretamente pela topografia e geologia local, a faixa disponibilizada pelas equações permite uma análise prévia de regiões afetadas pelo movimento. O conjunto de equações propostas nesta pesquisa pode ser utilizado para o cálculo de outros parâmetros ou para avaliação de modelagens em programas, como o DAN3D, conforme abordado nas nos estudos de caso.
De forma análoga, partindo da metodologia adotada, pode-se esquematizar a análise nas seguintes etapas:
1. Obtenção dos parâmetros topográficos da região e demais informações necessárias para as análises do problema;
2. Aplicação das equações propostas nesta pesquisa e avaliação dos resultados, com comparação direta dos valores obtidos pela topografia e pela área afetada;
3. Validação, conforme necessidade ou projeto, do resultado obtido pela análise numérica ou outra.
A etapa 3 pode ou não ser efetuada, pois depende diretamente do projeto a ser executado. Por exemplo, um projeto de uma área específica deve levar em consideração informações mais detalhadas do local, obtidas através de ensaios de campo, de imagens ou de modelos digitais, resultando em tempo e custos mais elevados. Isto pode ser reduzido, realizando-se análises prévias do deslizamentos e corridas ocorridos na região afetada. Já para o mapeamento e a definição de áreas de risco de um município, as etapas 1 e 2 poderão ser aplicadas diretamente aos estudos, associadas a cartas topográficas menos detalhadas.
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6.6.3. Previsão de Eventos
Uma aplicação direta das equações é a previsão de eventos futuros, em locais passíveis de ocorrência das corridas de detritos. Tais levantamentos podem auxiliar a definição de estruturas de contenção de áreas específicas ou, em maior escala, ser utilizado na definição da expansão de Municípios e delimitação de zonas de risco.
Considerando uma análise mais pontual, como, por exemplo, a ocorrência de novos movimentos no Córrego D’Antas, pode-se esquematizar a análise de duas formas:
Opção 1:
1. Obtenção dos parâmetros topográficos da região e demais informações necessárias para as análises do problema;
2. Aplicação das equações e avaliação dos resultados.
Opção 2:
1. Estimativa de um volume passível de ser mobilizado;
2. Avaliação topográfica do local, com definição da razão entre a altura e o comprimento total percorrido. Não é preciso a definição direta da altura e da distância, apenas da inclinação do maciço, para que essas variáveis sejam calculadas pelas equações propostas;
3. Aplicação das equações e avaliação dos resultados.
A segunda opção permite avaliar fatores relevantes à deposição da corrida de detritos, permitindo a definição de áreas de risco e elaboração de sistemas de alerta.
Outra aplicação possível desta metodologia corresponde à definição de estruturas de contenção. É possível obter volumes intermediários a partir das equações, facilitando a definição do local de instalação de estruturas, pois estas dependem diretamente do volume (e consequentemente, peso) do material retido.
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