Como se percebe neste trabalho, a importância da linguagem nas organizações merece destaque quando se analisa o uso das linguagens técnicas e de expressões importadas na comunicação entre os membros das equipes que nelas atuam. Percebe-se a forte influência de expressões em idioma inglês, expressões estas que vêm sendo incorporadas no vocabulário, e seu uso justificado pela forte presença dos EUA no cenário econômico mundial.
Alega-se que não é só a linguagem que é importada, mas também tecnologias, processos e práticas e que, muitas vezes, incorporar a expressão em língua estrangeira é mais fácil do que procurar por uma tradução que expresse o significado correto do termo. Justifica- se que nem todas as expressões possuem equivalentes em outro idioma, e a fim de evitar utilizar mais palavras para expressar a idéia, as linguagens modernas emprestam extensivamente palavras uma das outras.
Anglicismos, hispanismos e outras formas do uso de terminologia estrangeira podem enriquecer muito uma língua, mas se não utilizados com bom senso e critério também podem tornar a mensagem confusa, ridícula e esnobe.
Conclui-se com a pesquisa aplicada que a percepção dos respondentes é a de que o uso de expressões em outros idiomas parece estar difundido entre as equipes e, desta forma, não interfere na comunicação. Mas os respondentes também alegam que nem sempre se faz necessário o uso destas expressões quando há palavras similares em Português as quais descrevem perfeitamente o significado desejado.
Apesar de fazerem parte da rotina corporativa, este uso de expressões em outro idioma não impede ruídos na comunicação das pessoas, uma vez que nem todas possuem o conhecimento da totalidade das expressões utilizadas.
Atenta-se também para o fato de que uma comunicação somente será eficaz quando ela for totalmente compreendida pelo receptor, e uma das maneiras para se atingir este objetivo é utilizando-se uma linguagem apropriada e direta, evitando jargões e estrangeirismos.
O uso de expressões em outros idiomas não deve comprometer o entendimento do contexto daquilo que se pretende expressar. Ele deve servir como um complemento e facilitar a comunicação, mas o ideal é que sejam utilizadas e valorizadas as expressões já existentes no idioma corrente do país, para se evitar falhas na comunicação.
Também não se pode ignorar o fato de que nem todos do grupo possuem acesso aos conceitos destas expressões, o que pode fazer com que a linguagem fique restrita a um grupo,
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privando alguns membros do conteúdo em questão. Deve-se atentar para não se fazer da linguagem um filtro de informações, compreendida apenas por aqueles que foram iniciados tanto na linguagem quanto no contexto relacionado.
Se for tomada como base a definição de Morgan sobre poder, entende-se que a linguagem pode ser uma ferramenta de poder no sentido de que quem a domina, principalmente quando se entra no quesito do uso de termos em outros idiomas que parecem excluir alguns membros que não estão dentro daquele contexto, influenciando na questão da interação social, também como um instrumento político onde ela passa a ser usada como ferramenta de marketing pessoal, levando as pessoas a trabalhar para realizar seus interesses.
Analisando a questão do uso da linguagem como afirmação de poder na pesquisa aplicada, conclui-se que os aspectos não são dependentes, assim como não se percebeu que o uso de expressões está associado à busca de prestígio e ascensão profissional dentro da empresa, nem ao grau de conhecimento por quem as pronuncia. A percepção dos respondentes é que o uso destas expressões é normal, uma vez que já estão difundidos dentro da linguagem corporativa. Neste sentido pode-se entender que o uso de expressões estrangeiras na comunicação organizacional é bem recebido pelos colaboradores e não interferem de forma negativa na comunicação, uma vez que já estão difundidos no vocabulário usado por eles.
Neste ponto poder-se-ia ampliar a pesquisa, para saber o quão a vaidade e o orgulho influenciariam nesta questão num grupo mais amplo de respondentes.
A utilização de terminologias e expressões estrangeiras facilita a comunicação entre os membros das equipes, pois muitas vezes não há uma tradução exata dos termos e o uso evita que se utilizem muitas palavras para explicar uma determinada idéia.
Concluindo, o uso de expressões estrangeiras contribui para a comunicação eficaz dentro da organização, desde que este uso ocorra dentro de um contexto pertinente, com o público interno e externo adequados, evitando-se desta forma, a exclusão de pessoas e também desentendimentos na interpretação da mensagem por parte dos receptores. A proibição através de lei ou até mesmo o fato de se instruir as pessoas para que não façam uso destas expressões seria inviável neste momento de uma economia globalizada, onde o acesso a novos idiomas e culturas e também a troca constante de informações se faz presente dentro das organizações.
A utilização de estrangeirismos na língua é inevitável. É conseqüência do estreitamento das relações entre a sociedade em interface de suas diversas culturas através dos meios de comunicação. Se for boa ou ruim, é subjetivo. O que se deve fazer é saber utilizá-la
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de forma que não cause ruídos na comunicação, ao mesmo tempo em que está é utilizada. Um bom comunicador e profissional preparado deverá se flexibilizar em relação aos fatores macroambientais que o rodeiam.
A fim de complementar os dados levantados com esta pesquisa de amostragem não probabilística, poder-se-ia realizar uma pesquisa de caráter qualitativo a qual possa relacionar outras áreas que envolvam a questão da linguagem comparada não apenas ao poder, mas também a questões de aspectos intangíveis do ser humano, como a vaidade e outras patologias organizacionais.
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