Para iniciar as considerações finais com embasamento e coeso com a construção do trabalho, os pontos destacados por Simões devem ser analisados com o caso do fechamento das escolas estaduais no ano de 2015.
Fica claro que na percepção dos entrevistados o Governo do Estado de São Paulo tomou diversas decisões e ações que foram na contramão daquilo que está colocada como sendo de sua responsabilidade, que é a disseminação da educação no estado de São Paulo através das escolas estaduais, esta por sua vez é responsável pelo desenvolvimento do humano, social, econômico, cultural de grande parte dos cidadãos de São Paulo.
Não foi apenas a forma como o Governo durante as manifestações que resultou num fracasso do programa de reorganização das escolas do estado, mas esse fracasso começou a ser desenhado muito tempo atrás, no planejamento das ações realizadas apenas com dados técnicos e formuladas de dentro dos gabinetes do Palácio dos Bandeirantes. O Governo não buscou saber o interesse da população em relação a essa alteração do sistema publico educacional.
Com a difícil situação financeira de praticamente em todos os estados brasileiros, uma proposta que resulta em um grande corte na pasta da educação do Estado, proposta essa feita de dentro dos gabinetes do Governo, sem a consulta à população ou alunos, professores, nem se quer o sindicato dos professores foi consultado, todos eles foram informados da reorganização, fica difícil acreditar que essa decisão não é uma medida que visa apenas aliviar as contas do Estado e que pouco ou em nada beneficiaria os principais interessados. Dá a entender que a medida atende apenas do Governo
Mesmo com a medida da reorganização sendo apresentada e aplicada de forma bastante apressada, não demorou muito para que setores contrários à reorganização se mobilizassem mostrando os efeitos colaterais que a ação poderia desencadear no sistema educacional do estado como superlotação, que já acontece, demissão de professores, complicações extras para os pais e alunos das escolas afetas. A comunicação para uma mudança dessa magnitude foi bastante falha, pois muitos não estavam nem informados direito sobre a ação, quem dirá houvesse entendimento mútuo nesse período.
O tratamento do problema pelo Governo do Estado de São Paulo foi altamente criticável, pois divulgava nas coletivas com a impressa que estava aberto ao diálogo, porém nunca recebeu algum dos estudantes ou professores para uma discussão sobre a decisão tomada. Nem mesmo quando a Justiça convocou um representante dos manifestantes e do Governo para uma negociação, o Governo se dispôs a negociar, pois nem compareceu ao encontro.
Em diversas manifestações dos estudantes, nenhum representante do Governo do Estado de São Paulo apareceu, a única manifestação do Estado nos protestos foi através da Polícia Militar, que por sua vez foi bastante criticada por cota da forma abusiva que agiu para lidar com um protesto organizado por estudantes.
As decisões do Governo Alckmin foram criticadas a tal ponto de ver a porcentagem da aceitação do seu mandato cair. Uma vez que tal aceitação vem da capacidade e forma do governante exercer o poder seria natural ver tal taxa impactada pelas medidas realizadas pelo Governador. “O que faz com que o poder
se mantenha e que seja aceito é simplesmente que ele não pesa só como uma força que diz não, mas que de fato ele permeia, produz coisas, induz ao prazer, forma saber, produz discurso” (FOUCAULT, 1979, pág. 8).
As ações do Governador não só geraram o conflito como também estavam agravando a situação, colocando como questionável as suas decisões na arte de governar.
“A arte de governar, tal como aparece em toda esta literatura, deve responder essencialmente à seguinte questão: como introduzir a economia − isto é, a maneira de gerir corretamente os indivíduos, os bens, as riquezas no interior da família − ao nível da gestão de um Estado?” (FOUCAULT, 1979, pág. 8).
Do ponto de vista da função política de Relações Públicas apresentada por Simões (2001), o caso do fechamento das escolas pelo Governo do Estado de São Paulo foi um fracasso praticamente total, tendo em vista o que Simões (2001, pág. 32) aponta como função das Relações Públicas a manutenção da função política da organização. O Autor ainda classifica a função política como:
“Trata-se da função organizacional política, que quando ocorre em bom nível mantém o processo funcionando adequadamente da missão organizacional. Contudo quando se disfuncionaliza, leva a organização a não atingir a sua missão, por não ser capaz de influenciar, com êxito, os usuários diversos públicos a fim de obter cooperação." (SIMÕES, 2001, pág. 34)
Praticamente todos os pontos apresentados como importantes, tanto pelo Simões, como pelos entrevistados, foram ignorados ou mal conduzidos pelo Governo, pontos como a negociação com os interessados o que eles discordavam, relação de interesses dos professores, pais e alunos, relação de poder entre Governo e população, tomada de decisão, forma de tratamento do problema através da cooperação, real abertura ao diálogo. Em todos esses pontos a comunicação é de indubitável importância e necessidade.
Sendo a comunicação e o poder lados de uma mesma moeda, segundo Simões (2001, pág. 57), não é absurdo entender que o praticou mal a arte de governar, pois ainda como Foucault (1979, pág. 163) ser habilidoso em conservar governo, não quer dizer que o governante possui a arte de governo.
Desta forma, percebe-se que a comunicação é fundamental para o exercício do poder e, portanto, para função organizacional política e uma vez que o bom direcionamento e manutenção da política organizacional é função do Relações Públicas, tendo em vista tudo o que foi apresentado desde o inicio deste trabalho, entende-se que o profissional de Relações Públicas tem as competências para auxiliar na resolução de situações conflituosas de uma organização.
Tendo em vista a atual situação política que vivemos, com tantas disputas de interesses, escândalos acontecendo, informações e desinformações usadas com objetivos políticos, econômicos e partidários, observa-se uma enorme necessidade e oportunidade para uma atuação do relações públicas como promotor de entendimento mútuo através da negociação de conflitos.
Oportunidade que também existe no setor privado, onde um novo tipo de consumidor está emergindo. Consumidor este que vem mudando os paradigmas tradicionais da relação fornecedor-consumidor, onde não é difícil uma marca ter a imagem desgastada por conta de um consumidor insatisfeito.
Assim como Lester Thurow (1997) nos alerta, vivemos em um período de equilíbrio interrompido, onde a única certeza é a incerteza. Período este que demonstra o fracasso do sistema social vigente e cada vez mais deixa mais claro tal fracasso, por conta do esgotamento da forma que dirige o sistema.
Desse fracasso virão diversos conflitos que, cedo ou tarde, abrirá uma ruptura ideológica e tecnológica irreversível de onde emergirão novas formas de direção de pensamento, muito diferente das que estão em vigor atualmente. Porém Thurow (1997) nos deixa avisados que agir após a ruptura evoluir será muito mais doloroso para realizar as mudanças necessárias que o novo sistema exigirá e que os novos dominantes serão aqueles que previram e já se adaptaram ao novo ambiente.
Esse novo ambiente exigirá uma capacidade de resolução e prevenção de conflitos muito mais apurada daqueles que querem permanecer, ou entrar, nas disputas sócias e mercadológicas que a temos hoje.
Obviamente que para uma resolução mais efetiva o possível, são necessárias habilidades e conhecimentos muito mais extensos, complexos e profundos do que estes que foram apresentados neste trabalho.
Um melhor e mais aprofundado domínio dos temas são necessários, tais como ciência da comunicação, a influencia da comunicação no agir do individuo, relação e exercício do poder, capacidade de negociação, conhecimento sobre economia são apenas alguns temas necessários para a eficácia da solução do conflito. Temas estes que devem ser muito mais estudados e explorados em pesquisas de pôs graduação de mestrado.
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Webgrafia
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