Uma das maiores dificuldades da modelagem desta pesquisa foi a de fazer a inclusão e exclusão seletiva de temas e informações, uma vez que houve abundância no material coletado, tanto nas pesquisas exploratórias, como na pesquisa de campo. Por esse motivo, a abertura conceitual se mostrou fértil na sugestão de pesquisas futuras, relacionadas a seguir.
No campo do comportamento do consumidor, extrapolou o escopo dessa pesquisa associar a alta freqüência de viagens aéreas ou o tempo que o indivíduo utiliza os serviços aéreos com os níveis de expectativa e prazer produzidos por esse consumo. Suspeita-se que à medida que os indivíduos percebem a viagem aérea como parte da rotina profissional, haja uma perda das percepções relativas ao ineditismo do consumo, bem como as transformações destas, coloca-se que o estudo dessa relação merece ser aprofundado.
A função psicológica do produto viagem aérea merece ser estudada com maior profundidade, uma vez que os consumidores time sensitives demonstraram uma conceituação bastante singular deste produto. Essa abertura pode contemplar um aprofundamento sobre os novos passageiros das viagens aéreas, posto que o trabalho sugere uma diferença em relação aos passageiros do passado recente.
O trabalho utilizou informações do campo jurídico, que também podem ser aprofundadas posteriormente. No campo da psicologia, sugere-se investigar a origem do medo de voar nos consumidores, e suas correlações com aspectos de ordem racional, emocional, considerando as imposições da vida moderna e o dilema de colocar a vida em risco para atender ao papel profissional.
Sugerem-se pesquisas posteriores que atestem possíveis diferenças entre o passageiro executivo e o passageiro turista eventual a lazer, para avaliações comparativas e modelagens de novos produtos mais adequados a cada um dos perfis. Cabe investigar como se processa a percepção sobre a qualidade percebida nos consumidores que tiram suas conclusões sobre a manutenção da frota e fazem livres associações com a empresa e sua marca.
A barrinha de cereal oferecida como refeição pode derivar um estudo sobre a sua representação social, já que neste trabalho o termo “barrinha de cereal” por vezes foi utilizado como metáfora para o empobrecimento do setor aéreo e a redução dos serviços prestados.
Sugere-se, a partir da definição do turismo, apurar, por exemplo, a população que viaja por vôos domésticos no Brasil, qual o percentual que pernoita no local, ou ainda, qual a representatividade do quadrilátero do Sudeste com a ponte aérea (Rio/SP, Rio/BSB, SP/BSB, SP/BH, RJ/BH) no mercado doméstico com e sem pernoite, desenvolvendo análises para uma maior compreensão do setor no país que comprova que o transporte aéreo depende do turismo. Um debate a ser aprofundado diz respeito a apurar em quanto o setor aéreo impacta a economia brasileira. São estudos dessa natureza que os Estados Unidos e Europa fazem com muita rapidez e produzem dados que permitem realizar a gestão do setor, e, conseqüentemente, do próprio país, tais como: a redução de x% das linhas aéreas de um determinado aeroporto impactará em quanto na economia local? São pesquisas que devem germinar de dados estruturados em institutos econômicos, tais como IPEA ou IBGE.
Abre-se aqui a possibilidade de novos estudos para responder aos questionamentos sobre a quem caberia a formatação do produto viagem aérea, se ele se configura como uma responsabilidade da esfera pública na tentativa de fomentar a economia regional, e/ou da esfera privada das empresas aéreas que interagem diariamente com os consumidores e que coletam informações sobre suas necessidades prementes. A limitação da pesquisa não permitiu inferir e definir em que medida as respostas foram dadas pelo consumidor ou pelo cidadão. Outra sugestão é a produção de um ensaio que indique a quem caberia a responsabilidade de fazer com que o consumidor se sinta seguro, se esse papel caberia aos órgãos reguladores ou às empresas aéreas prestadoras de serviço.
No campo da crise e das mudanças sociais, sugere-se investigar futuramente a relação entre o setor aéreo e as questões ambientais, objetivando a busca de dados e inventários de emissões de CO2 por deslocamento do transporte aéreo e viário contra as tonelagens de CO2 emitidas pelo setor industrial.
Como a delimitação do estudo não pretendeu aprofundar questões da esfera pública ou de infra-estrutura na proposta tripartite do setor aéreo, esses dois vértices podem ser mais detalhados em estudos futuros.
Esse debate sugere novas pesquisas para apurar em que medida o consumidor percebe as companhias aéreas como representantes dos valores de um país. O material coletado poderá ainda ser desdobrado nas análises sobre o posicionamento das marcas e suas relações com a crise aérea.
Sugerem-se mais estudos em dois elementos de confiança: i) o papel dos funcionários das empresas aéreas nas relações de consumo, e ii) os simbolismos que a frota de aeronaves disponibilizadas pelo setor aéreo pode representar.
Para os estudiosos sobre crises organizacionais, o trabalho não foi capaz de remontar historicamente a crise aérea brasileira e as responsabilidades diretas de cada ator envolvido, sendo esta uma sugestão para um trabalho futuro. Os dados apurados, aqui, não são suficientes para desenhar o ciclo de vida da crise, uma vez que a espiral dos acontecimentos duraram meses e seus efeitos ainda devem ser investigados como causalidade ou simplesmente fatores de correlação. Outras informações que surgiram na mídia na fase de encerramento do trabalho, como a falência da empresa aérea Alitalia divulgada pela autoridade civil da aviação italiana - Enac, apontam para uma possível crise mundial da aviação.
A falta de opções, a inexistência da conveniência na oferta de passagens aéreas e o forte desejo do consumidor de ter mais liberdade no ir e vir, ou mais mobilidade, pode gerar novas pesquisas a cerca destas frustrações, considerando as duas etapas de consumo apontadas neste trabalho.