SCHOOL AUTONOMY: FROM NORMATIVE EXERCISE TO CONSTRUCTED PRACTICE
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
As escolas partilham com outras organizações requisitos comuns de gestão, mas simultaneamente têm de dar resposta à realidade política que enfrentam. É um lugar de aprendizagem, de desenvolvimento de competências e de responsabilidade partilhada. É o contexto escolar democrático que confere
-92-
a acessibilidade aos alunos, professores, pais e demais elementos da comunidade.
Constituiu a centralidade da análise teórica, conceptual e prática desta investigação, a relação entre os procedimentos das diretoras escolares e as diretrizes político-administrativas vigentes em Portugal que se transferem na elaboração de projetos que promovam a autonomia das suas escolas e proporcionam uma maior qualidade do serviço educativo prestado.
Pela interpretação dos dados obtidos através das entrevistas, é possível inferir, de forma sucinta que os estilos de liderança das diretoras revelam semelhanças que se manifestam pelas práticas de autonomia e de unidade institucional e pelos princípios democráticos. As diretoras têm sentido de missão coletivo e incentivam à criação de uma cultura de participação, para alcançar o sucesso organizacional. Durante o processo de construção dos projetos na escola, são valorizados os objetivos definidos pela tutela, mas as políticas europeias têm influência, principalmente na organização e gestão da escola, no nível de participação das pessoas e nos processos de autonomia.
As líderes procuram inovar, inspirar confiança, coadjuvar o poder, ter uma visão a longo prazo e implicar as pessoas no processo de autonomia. Neste pressuposto, assumem várias funções, entre as quais se realça: revitalizar a organização, mobilizar o compromisso com as novas visões e definir valores através das capacidades técnicas de planificação, de organização, de coordenação e de avaliação.
Este estudo permite concluir fundamentalmente, que uma forte e esclarecida liderança promove o envolvimento e a participação crítica de toda a comunidade no desenvolvimento dos vários projetos, em particular, o projeto educativo de escola. Pela singularidade de um projeto educativo, desenvolvido numa unidade educativa complexa inserida, por sua vez, num espaço social, este pode e deve impulsionar a criação de sinergias de compromisso e de coerência
-93-
que traduzam práticas concretas e não apenas metas pura e ingenuamente bem- intencionadas, entre as quais se realça a de uma designada «educação pluralista».
A organização escolar deve ter a capacidade de satisfazer, de antecipar e de exceder as expectativas e as necessidades explícitas ou implícitas de todos os seus intervenientes e participantes. Esta mudança implicará que a administração educativa auxilie as escolas através do incremento da autonomia, da descentralização das decisões e do investimento na formação das pessoas. A conceção de políticas e de práticas eficazes, poderá alterar as estruturas básicas, os papéis, as relações, as atitudes e as convicções de todos os acima designados. Neste quadro de territorialização política da ação educativa, pressupõe-se, ainda, um movimento de desenvolvimento integrado que valorize de igual modo os projetos estabelecidos fora da organização escolar (coletividades, empresas, autarquias e outras). A uniformização da administração educativa é um caminho a evitar. Outras direções se encontram em aberto, desde que estejam assentes numa coerência pluridimensional.
Desta perspetiva, se reconhece que a instituição escolar se converte num dos pilares em que se sustenta o desenvolvimento social. Em consequência, os líderes devem dinamizar sistematicamente «todos os processos» que conduzam ao vínculo escola-comunidade.
BIBLIOGRAFIA
Arnal, J., Ricón, D., & Latorre, A. (1994). Investigação educativa. Fundamento y
metodologia. Barcelona: Labor Universitaria.
Arfwedson, G. (1990). Estudar problemas. In: E. Leite, M. Malpique, & M. R. Santos.
Trabalho de projecto. 2. Lecturas comentadas. Porto: Edições Afrontamento, 19-29.
Azevedo, M. (2009). Teses, relatórios e trabalhos escolares: sugestões para estruturação
da escrita (7.ª ed.). Lisboa: Universidade Católica Editora.
Barroso, J. (1996). Princípios e propostas para um programa de reforço da autonomia
das escolas. Lisboa: Editorial do Ministério da Educação.
-94-
Bobbio, N. (2000). O futuro da democracia. São Paulo: Paz e Terra.
Bordallo, I., & Ginestet, J. P. (1993). Pour une pédagogie du projet. Paris: Hachette- Education.
Bogdan, R., & Bilken, S. (1994). Investigação qualitativa em educação. Porto: Porto Editora.
Costa, J. A. (2003). Imagens organizacionais da escola. Porto: ASA Editores. Dewey, J. (1916). Democracia y Educación, Buenos Aires: Losada.
Doron, R., & Parot, F. (2001). Dicionário de Psicologia. São Paulo: Ática.
Estêvão, C. A. (2001). A administração da Educação no contexto da globalização. Fragmentos de globalização na administração da educação e o lugar da escola nas políticas globais. In: Primeiro Seminário Estadual da ANPAE/RJ. Administração da Educação. Momentos & Movimentos, Rio de Janeiro, 9-27.
Ferreira, H. (2007). Teoria política, educação e participação dos professores - A
administração da educação primária entre 1926 e 1995. Lisboa: EDUCA.
Formosinho, J. (1986). A Regionalização do Sistema de Ensino. Cadernos Municipais,
Revista de Acção Regional e Local, 38-39.
Formosinho, J., & Ferreira, F. I. (2000). O pragmatismo burocrático: um contributo para o estudo da política educativa no quotidiano. In: J. Formosinho, F. I. Ferreira, & J. Machado. Políticas Educativas e autonomia das escolas, 77-115. Porto: Edições ASA. Formosinho, J. (2005a). A construção da autonomia das escolas: lógicas territoriais e lógicas afinitárias. In: J. Formosinho et al. Administração da Educação – Lógicas
burocráticas e lógicas de mediação. Porto: Edições ASA.
Formosinho, J., & Machado, J. (2007). Anónimo do século XX: A construção da pedagogia burocrática. In: J. Formosinho, T. Kishimoto, & M. Pinazza. Pedagogia(s)
da Infância: Dialogando com o passado construindo o futuro, 293-328. Porto-Alegre:
Artmed.
Lorente, J. R. (1998). La mediación y el mundo laboral. Educación social: Revista de
intervención socioeducativa, (8), 49-57.
Sousa, J. M. (2000). Education policy in Portugal: changes and perspectives. Education
Policy Analysis Arquives, 8 (5).
Santos Guerra, M. A. (1994). Entre bastidores: el lado oculto de la organización escolar. Málaga: Aljibe.
Verdasca, J. L. C. (2010a). Programa Mais Sucesso Escolar: um desafio na afirmação da autonomia da escola. Revista Alentejo Educação, 31-34.
Verdasca, J. L. C. (2010b). Temas de educação, administração, organização e política. Lisboa: Edições Colibri.
Yin, R. K. (2001). Estudo de caso: planejamento e métodos. (2a ed.). Porto Alegre:
Bookman.
Zay, D. (1996). A Escola em Parceria: Conceito e Dispositivo. In: J. Barroso (Org.). O
-95-
REFERÊNCIAS LEGISLATIVAS Lei n.º 46/86, de 14 de outubro
Decreto-Lei n.º 408/71, de 27 de setembro Decreto-Lei n.º 176/74 de 29 de abril
Decreto-Lei n.º 735-A/74, de 21 de dezembro Decreto-Lei n.º 769-A/76, de 23 de outubro Decreto-Lei n.º 43/1989, de 3 de fevereiro Decreto-Lei n.º 172/91 de 10 de maio Decreto-Lei n.º 75/2008 de 22 de abril Decreto-Lei n.º 115-A/98 de 4 de maio Portaria n.º 677/77 de 4 de novembro
-96-