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CONSIDERAÇÕES FINAIS

No documento 1001 (páginas 37-42)

As diferentes definições de investimento estrangeiro di- reto têm elementos em comum, sendo marcante o envio de ati- vos para uma empresa estabelecida em solo estrangeiro e o inte- resse de quem investe em influenciar a gestão do empreendi- mento no estrangeiro, mantendo relação duradoura com o pro- jeto e contribuindo na geração de riqueza local.

A ausência de proteção dos direitos de propriedade dos investidores estrangeiros incentivou em tempos passados certos Estados receptores de investimentos a agirem em benefício de seus próprios interesses políticos e econômicos e sem preocupa- ção genuína com os empreendimentos de capital estrangeiro, co- locando-os em risco, portanto.

72 Lei da Arbitragem (Lei nº 9.307/1996):

Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de eqüidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública.

Os riscos de investir em países com ambiente político conturbado estavam a prejudicar, de um lado, o progresso eco- nômico de regiões em desenvolvimento e com bom potencial para atrair investimentos73 e, de outro lado, a encurtar as oportu- nidades disponíveis aos investidores desejosos de atuar em ou- tras economias. Tornou-se fundamental encontrar uma solução para tornar mais atrativo investir em outros Estados.

Os seguros de risco político surgiram em resposta à falta de eficiência na tarefa de proteção dos investimentos estrangei- ros diretos em Estados com riscos políticos, consistindo até hoje em instrumentos dos mais decisivos para transferir riscos políti- cos. Seguramente, seu surgimento deriva dos esforços de Esta- dos economicamente mais desenvolvidos, especialmente a partir da atuação de organizações de iniciativa pública, da década de sessenta em diante.

Considerando o porte econômico dos provedores acima examinados, além da expressiva significação de outras organi- zações que lhes reconhecem e representam – sendo a Berne Union a mais expressiva organização de representação dos pro- vedores de seguros de investimento –, é certo que os seguros de risco político constituem instrumento de transferência de risco consagrado na realidade global dos investimentos estrangeiros diretos, sendo indispensáveis a manter o bom desempenho eco- nômico de diversos Estados receptores. Nesse sentido, são co- nhecidos os exemplos de países em desenvolvimento com

73 Os principais riscos políticos são: (a) crenças ideológicas; (b) ascensão ao poder de

governos com posturas políticas contrárias àquelas assumidas por seus antecessores; (c) sentimentos nacionalistas xenofóbicos, tendentes a expulsar a iniciativa privada estrangeira do território ou, a pretexto de ideais nacionalistas, promover expropriações e nacionalizações; (d) alianças entre investidores e minorias étnicas do país receptor de investimentos; (e) mudanças nos padrões de uma indústria que provocam no Estado receptor de investimentos o desejo de alterar suas relações com os investidores; (f) manobras governamentais para alterar contratos; (g) criação de mecanismos para re- gular a economia; (h) restrições à transferência e conversibilidade de moedas; (i) pre- ocupações do país receptor de investimentos com direitos humanos e meio ambiente; (j) descontrole da criminalidade no país receptor de investimentos.

extensas reservas de riquezas naturais, como petróleo e gás, por exemplo, mas com ambientes políticos conturbados, que exigem atenção da comunidade investidora.74

Outra circunstância que confirma a larga difusão dos se- guros de risco político na prática de investimentos estrangeiros diretos são as distintas atuações dos provedores, sendo exemplo a comparação que se pode fazer entre os provedores públicos e privados. Os primeiros, atuando comumente segundo pautas po- lítico-regionais de desenvolvimento econômico, usualmente exercendo significativa influência política nos Estados recepto- res, e não raro procurando cobrir mercados comercialmente me- nos viáveis. Por outro lado, os provedores privados vêm atuando com crescente nível de especialização, sendo profundos conhe- cedores de certas áreas de investimento estrangeiro direto ou cer- tos riscos políticos.

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74 A Venezuela é conhecida por suas significativas reservas de petróleo e igualmente

pelas constantes oscilações em seu ambiente político, podendo ser citada como exem- plo de país sul-americano que exige atenção dos investidores estrangeiros. Da mesma forma, o Iraque pode ser lembrado por seu importante papel no mercado de petróleo mundial, possuindo, porém, situação política conturbada, especialmente nos últimos anos.

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