1 OBJETIVOS, FINALIDADE E JUSTIFICATIVA
ELEMENTOS DA PESQUISA
3.3 Considerações Processuais
A Metodologia – meio para alcançar os propósitos – foi baseada e aplicada conforme a fundamentação teórica, objetivos, propósitos, metas e finalidades, necessidades e condições de viabilidade no momento e lugar, tempo disponível e perfil, delineamento e delimitação da pesquisa. A base de dados, no qual foi construído o inventário biograficogenealógico, fundamento ao estudo e produto da própria pesquisa, trata de assuntos notadamente relacionados com a História e Arquivologia/Arquivística: a Biografia e a Genealogia.
Quanto aos atuais métodos historiográficos, em relação às fontes biográficas, Semíramis Corsi Silva (2012, p. 10) recomenda que
as reflexões historiográficas sobre os métodos de trabalho do historiador enquanto escritor de biografias tem recebido grande atenção, mas ainda se tem muito poucas reflexões sobre os métodos de trabalho com fontes biográficas, embora estas sejam já de grande conhecimento e utilização pelos historiadores.
Quanto ao texto da dissertação, a base para contextualizar a trajetória do casal genearca e sua família foi o estudo dos cenários, notadamente sob o ponto de vista histórico e geográfico. A elaboração da dissertação, visando a reconstituição do cenário em torno da trajetória do casal genearca e a formação dos clãs derivados, fundamentou-se na busca de articulação entre a documentação das fontes primárias e a historiografia, através do estabelecimento de circunstâncias, causas, consequências e questionamentos.
Como o estudo abrangeu tanto questões biográficas como genealógicas, estreitamente relacionadas entre si, foi-se desenvolvendo o levantamento de dados praticamente de modo simultâneo. Porém, sempre um pouco à frente, iam-se descobrindo os laços de parentesco e então, em seguida, iam-se obtendo informações biográficas a respeito de cada indivíduo, identificado como descendente ou cônjuge de descendente do casal genearca.
Buscou-se, assim, ao elaborar a matriz genealógica da descendência, construir um
croqui parental, que desse suporte e servisse de guia estrutural, organizador e direcionador do
levantamento, acompanhado (de modo complementar e conforme a viabilidade) de alguns dados da ascendência (tábua de costado) do casal genearca e dos cônjuges dos descendentes. Ao mesmo tempo, enquanto se ia descobrindo os laços de parentesco e identificando os descendentes e cônjuges, o pesquisador ia obtendo as respectivas informações biográficas.
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Contudo, a busca pelos dados não foi de modo linear e sucessivo, ou seja, vencendo etapas e iniciando outras, mas sim, como o fole duma gaita, indo e voltando, de modo flexível e alternado. Os dados, enquanto iam sendo buscados e encontrados, estavam esparsamente distribuídos nas fontes, necessitando-se um vai-e-vem para poder construir o inventário biográfico sobre a estrutura da matriz genealógica. Desse modo, fazendo uma relação com a Biologia, a matriz genealógica seria o esqueleto e o inventário das súmulas biográficas os
músculos e nervos, formando assim o inventário biograficogenealógico proposto –
fundamento (ao mesmo tempo fonte e produto) da pesquisa.
De qualquer forma, o levantamento ia acontecendo, sem esperar que a matriz genealógica estivesse constituída, para acrescentar os dados biográficos. Foi meio simultâneo, ainda que a dimensão genealógica estivesse pertinentemente um pouco à frente da biográfica, para que se pudesse ir descobrindo as relações de parentesco e identificando os descendentes e seus cônjuges, para então ir obtendo e acrescentando os dados biográficos.
A construção do inventário biograficogenealógico iniciou em novembro de 2008, a partir da primeira visita à sede da Fazenda da Palma, hoje Distrito de Palma: Município de Santa Maria, atualmente propriedade do quadraneto (tetraneto) do guarda-mor, Prof. CARLOS MOZART MARQUES DE MORAES, o primeiro e um dos mais importantes informantes da pesquisa. Este estabelecimento foi fundado pelo filho do guarda-mor, JOSÉ FERNANDES PENNA (F6), a partir da herança dos pais e aquisições posteriores.
No início, as buscas iam acontecendo, muitas vezes, de modo espontâneo e improvisado; posteriormente, com o passar do tempo, foi ficando mais organizado e planejado, embora se mantivesse ainda flexível em muitos momentos e dimensões. Até há pouco tempo, as informações eram buscadas, encontradas e organizadas de modo a abranger todas as gerações, desde as primeiras até as atuais, conforme o plano original ou à medida que iam surgindo as ocasiões e oportunidades. Isto acarretou uma construção gigantesca e, ao mesmo tempo, desequilibrada da matriz genealógica, pois havia clãs, ramos e linhagens com muitos dados (normalmente os clãs com maior facilidade de encontrar informações, frequentemente advindos dos mais próximos ou maiores, bem como aos com maior visibilidade na historiografia) e outros clãs com nenhuma informação, dando inclusive uma falsa idéia do desenvolvimento destes.
Necessitou-se, então, por questões de prazo e acesso às informações, delimitar o estudo, definindo-se por cobrir as primeiras gerações (até os bisnetos). Assim, foi dado um corte no inventário biograficogenealógico, em elaboração, tornando-se aquele momento um
levantamento, até chegar nas gerações atuais. O local de registro dos dados que, desde então, iam emergindo e sendo registrados em um arquivo, bifurcou-se em dois destinos de arquivos.
Os dados referentes às primeiras gerações (até os bisnetos) foram separados em outro arquivo e, à medida em que os dados referentes a estas gerações (agora prioritários) fossem chegando, iam sendo registrados no novo arquivo, para poder ir preenchendo as lacunas. Os outros dados que por ventura fossem chegando, os referentes às gerações mais novas (dos trinetos em diante), que deixaram de ser prioridade no momento, passaram a ser registrados em separado, para não misturar e, ao mesmo tempo, não perder a ocasião de anotá-los. Mesmo não sendo ocupados diretamente nesta pesquisa, eles serão estudados posteriormente.
Devido à necessária delimitação (fundamentalmente até os netos), conseguiu-se dar ao inventário mais unidade, coesão e coerência, equilíbrio no delineamento, em seu formato, tamanho e abrangência; além do que pôde viabilizar o levantamento de dados. Contudo, pela maneira inicial, não muito organizada, de ir construindo o inventário espontaneamente, possibilitou, por outro lado, uma visão geral e mais real de determinados clãs.
À medida que se iam descobrindo e identificando os descendentes e cônjuges e obtendo os respectivos dados biográficos, descobriam-se os lugares por onde eles residiam, trabalhavam ou iam passando, enfim, sua trajetória. Então, buscou-se nos bispados e arquivos públicos e particulares, correspondentes aos lugares pertinentes, ou agendar entrevistas com pessoas que potencialmente pudessem ser úteis. Às vezes, só se tinha informação a respeito do município, sem saber a paróquia, distrito ou localidade, dificultando seguir naquela linhagem por esta determinada via, necessitando buscar caminhos alternativos. Por outro lado, devido à mobilidade espacial nas famílias (NEVES ALVES; TORRES, 1994) e o estabelecimento em lugares pertencentes a diversas paróquias, bispados, distritos, municípios e comarcas, isto acabou dificultando as buscas, devido aos fatores tempo, dinheiro e energia.
As estratégias da coleta de dados para construir o inventário biograficogenealógico fundamentaram-se, em muitas vezes, no seguir o planejado, conforme a elaboração prévia do:
Plano de busca de locais de coleta de dados/informações,
Plano de busca de fontes a serem usadas,
Plano de busca de pessoas a serem entrevistadas,
Plano de entrevista (indicação de roteiro),
Ficha de leitura (indicação do conteúdo),
Formulário/questionário a ser aplicado na entrevista,
Formulário para listagem de lugares a serem visitados,
Formulário para listagem gradual de pessoas a serem entrevistadas,
Formulário para listagem das fontes consultadas,
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No entanto, em muitas vezes, o processo de execução do levantamento de dados seguiu um curso de modo espontâneo, sem seguir a risca o planejado, portanto ocasional e circunstancial.
Quanto à configuração e formatação do texto do inventário biograficogenealogico, os descendentes estão escritos em negrito e caixa alta (em maiúsculo); os cônjuges, em negrito em minúsculo (com exceção das iniciais: a primeira letra de cada palavra do nome). Sendo que cada geração está posta, na configuração do texto, em um recuo distinto – à medida que vai avançando a geração (para o presente), a margem vai avançando. Na Dissertação, optou-se pela escrita em caixa alta do nome do casal genearca e os descendentes referidos no trabalho.
Quanto ao método adotado para a numeração dos descendentes do casal genearca, em um primeiro momento, optou-se pelo criado pelo Coronel Salvador de Moya, por ser mais prático, embora existam outros usados por grandes genealogistas, notadamente em Portugal, Espanha e Alemanha, ou ainda o idealizado pelo Barão de Vasconcelos, posteriormente simplificado por Silva Leme (LANGENDONCK, 1970, p. 22).
O método de Moya consiste em numerar, seguidamente, dentro de cada geração, os filhos precedentes da letra: F1, F2, F3, etc.; os netos: N1, N2, N3, etc; os bisnetos Bn1, Bn2, Bn3, etc; os trinetos: Tn1, Tn2, Tn3, etc; os quadranetos (quadrinetos ou tetranetos): Qn1, Qn2, Qn3, etc; os pentanetos: Pn1, Pn2, Pn3, etc; os hexanetos: Hxn1, Hxn2, Hxn3, etc; os heptanetos: Hpn1, Hpn2, Hpn3, etc, e os octanetos: Ocn1, Ocn2, Ocn3, etc. (LANGENDONCK, 1970, p. 22).
Este método tem a vantagem por ser mais simples e enxuto. Com o método, fica visualmente claro a geração a que pertence o descendente, em relação ao casal genearca. Todavia, possui a desvantagem de não identificar/explicitar a que ascendente exatamente a pessoa descende. Por fim, optou-se por aplicar um método aproximado (adaptado ou mesclado), para melhor satisfazer os propósitos do inventário, para que se tenha uma precisão da linha ascendente de cada descendente, ao simples golpe de vista com intuito de localizar determinado descendente, necessitando de numeração detalhada.