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3.3 A Formulação do Modelo de Escolha do Estilo de Liderança

3.3.3 Considerações sobre a Decisão pelo Estilo de Liderança

A definição do objetivo do problema do líder como uma minimização do risco rela- tiva ao estilo de liderança adequado à maturidade dos liderados equivale a maximizar, naturalmente, a utilidade da conseqüência (probabilística) mais desejada. Quando se diz escolha ótima, ou decisão ótima, segundo a Teoria da Decisão, refere-se à regra de decisão que maximiza a utilidade esperada do decisor, a que melhor atende às suas preferências por conseqüências incertas.

Algumas premissas se fizeram necessárias, entre elas a relação mais desejável entre estilos de liderança e nível de maturidade dos liderados. Esta é exatamente a premissa da teoria da decisão e é explicitada pela função utilidade eduzida do decisor. Sobre as conseqüências se admite existir uma ordenação de preferências do líder, indo desde a mais preferida de todas P até uma considerada a pior delas P . Todas as outras distribuições estão entre essas duas, na ordem de preferência do líder. Esta ordem de preferência será representada por uma função de utilidade que terá que ser eduzida do líder. A abordagem considerando as relações de preferência na tomada de decisão é aqui continuada, nos

termos do paradigma de von Neumann e Morgenstern. Portanto, em uma mesma situação, dois líderes distintos poderão escolher pares distintos, pois as suas preferências poderão ser, de alguma forma, opostas. Não se trata aqui de escolher a preferência “certa”. Esta é uma outra questão que envolve ética e moral.

Pode-se pensar também em uma conseqüência determinística como o resultado con- seguido ao final do processo completo, até a execução da ação indicada pela decisão. Esta conseqüência está no sentido de que somente depois de materializada é que se sabe efe- tivamente qual foi a conseqüência, ou o bem obtido. Nesse momento não há mais o que decidir, não há mais problema de decisão, pois encontra-se em um momento posterior. Só existe problema de decisão quando não se sabe exatamente o que vai acontecer, como resultado de uma ação que se escolheu, e que foi realmente implementada.

A relação entre as ações e a conseqüência, expressa pela função conseqüência, sendo portanto uma relação probabilística, não está sob o controle total do decisor do líder, mas sim parcial. Ela é parte também da “física” do processo, da natureza das coisas. Essa distribuição pode ser obtida a partir de uma teoria baseada em métodos estatísticos, observacionais, experimentais, ou ainda bayesianos. Em suma, o mecanismo probabilístico de escolha dos bens não tem a ver somente com o líder. É uma propriedade da natureza. Uma “teoria” para essa “física”, por exemplo, é a de Hersey e Blanchard (c1986), e por isso foi utilizada em conjunto com os demais conceitos. Aos quatro estilos de liderança poderão estar agregados quatro níveis de maturidade dos liderados (Hersey & Blanchard, c1986).

Com base nas definições dos elementos do problema, todas as funções de probabilidades

podem ser estimadas. Tem-se, portanto, para cada par (Mj, Ek), j e k variando entre 1, 2,

3 e 4, uma distribuição de probabilidade referente à obtenção dos bens Gi, determinada

por cada combinação de maturidade dos liderados e estilo de liderança adotado. As

distribuições de probabilidade podem ser identificadas pelo próprio par (Mj, Ek). São

estas distribuições as verdadeiras conseqüências, probabilísticas, no momento de se tomar a decisão.

Qualquer que seja o decisor ele se verá diante de atitudes distintas que podem ser

determinadas pelo par (Mj, Ek), representando o nível de maturidade do liderado e repre-

sentando o estilo de liderança do líder. Tarefas distintas impõem considerações distintas de preferência. Administrar o processamento de um produto, a realização de um serviço, organizar um bingo, fazer um programa de computação são distintas tarefas que determi-

nam para diferentes administradores uma estrutura típica de preferências na escolha. Exemplos de plausibilidade são apresentados a seguir, o primeiro sobre a edução da utilidade sobre pares maturidade para tarefa e estilo de liderança (M, E), o segundo sobre a edução do conhecimento a priori de especialista sobre a maturidade para tarefa (M).

Exemplo 1 - Utilidade (v(p))

Por exemplo, se o decisor é um médico e a tarefa é conduzir uma cirurgia, uma ordem de preferência poderia ser:

(M4, E3) Â (M4, E2) Â (M4, E1) Â (M4, E4) Â (M3, E3) Â

 (M3, E2)  (M3, E1)  (M3, E4)  (M2, E3)  (M2, E2)  (M2, E1) Â

 (M2, E4)  (M1, E3)  (M1, E2)  (Ml, El)  (M1, E4) (3.3.28)

onde “” significa “mais preferível do que”. O aspecto de maior racionalidade, se o decisor deseja o melhor resultado possível para o paciente, pelo que se sabe da prática médica, impõe:

• Uma cirurgia exige um comportamento de tarefa baixo e um relacionamento alto

(os pares com estilo E3 estão entre os mais preferíveis);

• Uma cirurgia exige mais um relacionamento alto do que um relacionamento baixo

(os pares com E3 e E2 são mais preferíveis do que os com E1 e E4);

• Uma cirurgia exige um nível de maturidade alto com reconhecida capacidade e

disposição para a tarefa (os pares com nível de maturidade M4 são mais desejáveis);

• Uma cirurgia veda um nível de maturidade baixo sem reconhecida capacidade e

disposição para a tarefa (os pares com nível de maturidade M1 são os menos dese-

jáveis).

Tais preferências impõem uma função utilidade que poderia se apresentar de modo plausível conforme Tabela 3.3.5 (atenção: não foi eduzida de nenhum líder, apresentando apenas o aspecto de admissibilidade e portanto aceitável enquanto contextualização do problema). Esta função utilidade é uma propriedade do decisor, isto é, do líder. Portanto, os parâmetros desta função são os parâmetros do líder. Ela é obtida por um processo de

Tabela 3.3.5: Exemplo plausível da função utilidade (Mj, Ek) (Mj, Ek) (Mj, Ek) (Mj, Ek) (M4, E3) = 1/1 (M4, E2) = 1/2 (M4, E1) = 1/3 (M4, E4) = 1/4 (M3, E3) = 1/5 (M3, E2) = 1/6 (M3, E1) = 1/7 (M3, E4) = 1/8 (M2, E3) = 1/9 (M2, E2) = 1/10 (M2, E1) = 1/11 (M2, E4) = 1/12 (M1, E3) = 1/13 (M1, E2) = 1/14 (M1, E1) = 1/15 (M1, E4) = 1/16

edução. No caso, como os espaços são discretos, a função é apresentada sob a forma de uma tabela. Também se registra que é uma decisão pontual no tempo, não havendo transições entre estilos a serem tomados. A Figura 3.3.1 a seguir é ilustrativa do exemplo acima, onde cada ponto é uma distribuição de probabilidade (função conseqüência).

Figura 3.3.1: Exemplo de função utilidade plausível

Exemplo 2 - Conhecimento a priori π(θ)

A título de simulação foi aplicado em engenheiro eletricista, professor universitário com mais de trinta anos de magistério em diversas áreas de graduação e de pós-graduação (mestrados/doutorados) em engenharias diversas, o questionário de edução sobre à ma- turidade para a tarefa “pesquisa”, considerando um seu determinado aluno, ora em tra- balho de pesquisa para doutorado em engenharia elétrica. Estabeleceu-se que 1 represen- taria a Faixa I, e 0 representaria a Faixa II.

1 0 1 0 1 1 1 1 1 0 1 1 1 1 1 (3.3.29) onde o primeiro número, no caso o número 1, refere-se à primeira pergunta, o segundo número, no caso o número 0, refere-se à segunda pergunta, e assim sucessivamente. Com tais indicações, o professor especialista em educação e pesquisa, e por força de sua ativi- dade ou tarefa líder, deu ao mundo o resultado sobre a maturidade do aluno, seu liderado, conforme Tabela 3.3.6, a seguir, apresentando uma precisão de 77% e uma vagueza de 33% no seu resultado (Nadler Lins & Campello de souza, 2001), (Campello de Souza, 2002), (Moraes, 2003).

Tabela 3.3.6: Nível de maturidade para a tarefa (pesquisa) do liderado (aluno) eduzido do líder (professor)

Codificação Maturidade Observada Distrib Mínima Distrib Máxima

M1 Baixa 50% 33%

M2 Baixa a Moderada 50% 33% M3 Moderada a Alta 0% 16,7%

M4 Alta 0% 16,7%