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Consignação em pagamento

No documento Pratica - Direito Constitucional (páginas 93-98)

Procedimentos Especiais

5.1 Consignação em pagamento

Segundo De Plácido e Silva, consignação é derivado do latim consignatio, de consignare (dotar por escrito, depositar uma soma em dinheiro). Teve a sua origem no Direito Romano e era utilizada pelo devedor quando o credor não podia ou se recusava a receber o que lhe era devido.

Esclarece Plácido e Silva que, “possui, originariamente, o sentido de pro- va escrita, documento assinado, ou depósito feito.” Continua o autor a afirmar que na linguagem jurídica sempre se tem o sentido de entrega de alguma coisa, feita por uma pessoa a outra, para determinado fim.

A consignação em pagamento é uma forma de extinção da obrigação, com o pagamento indireto da prestação, sendo uma faculdade do devedor, e não um dever. É bom lembrar que a forma normal de extinção das obrigações é o paga- mento, mas a lei civil prevê outras atípicas onde se encontra a consignação em pagamento.

Como escreve Daniel A. Assumpção Neves, consignação em pagamento é “utilizada quando o pagamento não puder ser realizado em virtude de recusa do credor em recebê-lo ou dar quitação ou, ainda, quando existir um obstáculo eficaz.” Existe um direito do devedor em quitar a sua obrigação, a consignação em pagamento vem para evitar as consequências deste com a mora.

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CURIOSIDADE

O Código Civil/02, artigo 335, admite cinco possibilidades de pagamento em consignação, são elas: se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma; se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil; se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; se pender litígio sobre o objeto do pa- gamento.

A lei civil ainda elucida que o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida é considerado o pagamento e a extinção da obrigação, artigo 334 do CC/02.

Art. 334. Considera-se pagamento, e extingue a obrigação, o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida, nos casos e forma legais. Art. 335. A consignação tem lugar:

I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma;

II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e con- dição devidos;

III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil;

IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento;

V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento.

No âmbito processual civil, a consignação em pagamento é procedimento especial disciplinado nos artigos 539 a 549 do Novo CPC. Como disciplina, a regra processual condita no artigo 539 do CPC, nos casos previstos em lei, po- derá o devedor ou terceiro requerer, com efeito de pagamento, a consignação da quantia ou da coisa devida.

Art. 539. Nos casos previstos em lei, poderá o devedor ou terceiro requerer, com efeito de pagamento, a consignação da quantia ou da coisa devida.

CURIOSIDADE

O Novo CPC prevê a consignação extrajudicial §§ 1º ao 4º do artigo 539. Sendo a obrigação a ser paga em dinheiro, poderá o valor ser depositado em estabelecimento bancário, oficial onde houver, situado no lugar do pagamento, cientificando-se o credor por carta com aviso de recebimento, tendo este o prazo de 10 dias para a manifestação de recusa. Transcorrido esse prazo, contado do retorno do aviso de recebimento, sem a manifestação de recusa, considerar-se-á o devedor liberado da obrigação, ficando à disposição do credor a quantia depositada.

Se a recusa for manifestada por escrito pelo credor ao estabelecimento ban- cário, poderá ser proposta pelo devedor, dentro de 1 mês, a ação de consigna- ção, instruindo-se a inicial com a prova do depósito e da recusa. Caso o devedor não proponha a ação nesse prazo, ficará sem efeito o depósito, podendo levan- tá-lo o depositante.

Art. 539. Nos casos previstos em lei, poderá o devedor ou terceiro requerer, com efeito de pagamento, a consignação da quantia ou da coisa devida. § 1o Tratando-se de obrigação em dinheiro, poderá o valor ser depositado em

estabelecimento bancário, oficial onde houver, situado no lugar do pagamen- to, cientificando-se o credor por carta com aviso de recebimento, assinado o prazo de 10 (dez) dias para a manifestação de recusa.

§ 2o Decorrido o prazo do § 1o, contado do retorno do aviso de recebimento,

sem a manifestação de recusa, considerar-se-á o devedor liberado da obriga- ção, ficando à disposição do credor a quantia depositada.

§ 3o Ocorrendo a recusa, manifestada por escrito ao estabelecimento ban-

cário, poderá ser proposta, dentro de 1 (um) mês, a ação de consignação, instruindo-se a inicial com a prova do depósito e da recusa.

§ 4o Não proposta a ação no prazo do § 3o, ficará sem efeito o depósito, po-

dendo levantá-lo o depositante.

A Consignação deverá ser requerida no lugar do pagamento, cessando para o devedor, à data do depósito, os juros e os riscos, salvo se a demanda for julgada improcedente, artigo 540 do Novo CPC. Neste sentido o critério de competência territorial da ação de consignação em pagamento será o lugar do pagamento.

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Art. 540. Requerer-se-á a consignação no lugar do pagamento, cessando para o devedor, à data do depósito, os juros e os riscos, salvo se a demanda for julgada improcedente.

ATENÇÃO

Ainda quanto ao critério de competência na ação de consignação em pagamento, o Enuncia- do n. 59, do IV Encontro do Fórum Permanente de Processualistas Civis (dez/2014) destaca que: “Em ação de consignação e pagamento, quando a coisa devida for corpo que deva ser entregue no lugar em que está, poderá o devedor requerer a consignação no foro em que ela se encontra. A supressão do parágrafo único, do art. 891, do Código de Processo Civil de 1973 é inócua, tendo em vista o art. 341 do Código Civil.”

O antigo Código de Processo Civil de 1973 fazia previsão expressa em seu artigo 891, parágrafo único, que quando a coisa a ser consignada (devida) for corpo que deva ser entregue no lugar em que está, poderá o devedor requerer a consignação no foro em que ela se encontra.

Art. 891 CPC/73. Requerer-se-á a consignação no lugar do pagamento, ces- sando para o devedor, tanto que se efetue o depósito, os juros e os riscos, salvo se for julgada improcedente.

Parágrafo único. Quando a coisa devida for corpo que deva ser entregue no lugar em que está, poderá o devedor requerer a consignação no foro em que ela se encontra.

Na petição inicial, o autor requererá (artigo 542 do Novo CPC) o depósito da quantia ou da coisa devida, a ser efetivado no prazo de 5 dias contados do deferimento, ressalvada a hipótese do art. 539, § 3º, inciso II, e a citação do réu para levantar o depósito ou oferecer contestação. Não realizado o depósito pelo autor, no prazo de 5 dias, o processo será extinto sem resolução do mérito, pa- rágrafo único do artigo 542 do CPC.

Art. 542. Na petição inicial, o autor requererá:

I - o depósito da quantia ou da coisa devida, a ser efetivado no prazo de 5 (cinco) dias contados do deferimento, ressalvada a hipótese do art. 539, § 3o.

II - a citação do réu para levantar o depósito ou oferecer contestação. Parágrafo único. Não realizado o depósito no prazo do inciso I, o processo será extinto sem resolução do mérito.

Na contestação, o réu poderá alegar que não houve recusa ou mora em rece- ber a quantia ou a coisa devida, ou que foi justa a recusa, ou que o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar do pagamento, ou ainda que o depósito não é integral, artigo 544 do Novo CPC.

Art. 544. Na contestação, o réu poderá alegar que: I - não houve recusa ou mora em receber a quantia ou a coisa devida. II - foi justa a recusa. III - o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar do pagamento. IV - o depósito não é integral.

Caberá também a demanda quando houver prestações sucessivas, nesse caso, consignada uma delas, pode o devedor continuar a depositar, no mesmo processo e sem mais formalidades, as que se forem vencendo, desde que o faça em até 5 dias contados da data do respectivo vencimento, artigo 541 do Novo CPC.

Art. 541. Tratando-se de prestações sucessivas, consignada uma delas, pode o devedor continuar a depositar, no mesmo processo e sem mais formali- dades, as que se forem vencendo, desde que o faça em até 5 (cinco) dias contados da data do respectivo vencimento.

Se a sentença julgar procedente o pedido do autor, o juiz declarará extinta a obrigação e condenará o réu ao pagamento de custas e honorários advocatícios. O juiz procederá do mesmo modo se o credor receber e der quitação, artigo 546 do Novo CPC.

Art. 546. Julgado procedente o pedido, o juiz declarará extinta a obrigação e condenará o réu ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

Parágrafo único. Proceder-se-á do mesmo modo se o credor receber e der quitação.

Contudo, se a sentença do magistrado concluir pela insuficiência do depó- sito esta determinará, sempre que possível, o montante devido e valerá como

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título executivo, facultado ao credor promover-lhe o cumprimento nos mesmos autos, após liquidação, se necessária, artigo 545, § 2º do CPC.

Art. 545. Alegada a insuficiência do depósito, é lícito ao autor completá-lo, em 10 (dez) dias, salvo se corresponder a prestação cujo inadimplemento acarrete a rescisão do contrato.

[...]

§ 2o A sentença que concluir pela insuficiência do depósito determinará, sem-

pre que possível, o montante devido e valerá como título executivo, facultado ao credor promover-lhe o cumprimento nos mesmos autos, após liquidação, se necessária.

CURIOSIDADE

No CPC de 1973 a consignação em pagamento foi o primeiro procedimento especial a ser previsto na parte do código que dispõe sobre os Procedimentos Especiais, essa regra se manteve no Código de Processo Civil de 2015, onde a consignação em pagamento inaugura o Título III, do Livro I, da Parte Especial.

Quando da elaboração da peça profissional da Ação de Consignação em Pagamento, deve-se observar o que dispõe a regra contida no artigo 319 do CPC quanto à petição inicial, destacando nessa demanda as regras inerentes à con- signação, consagradas nos artigos 539 a 549 do CPC. Aqui, o legitimado ativo será denominado na peça prático-profissional de autor, e o legitimado passivo de réu.

Esqueleto da peça prático profissional

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