4.4 COMPARAÇÃO DAS EXPERIENCIAS PEDAGÓGICAS
4.4.1 Constantes metodológicas no professor ‘A’
Em todos os semestres foram organizados quatro painéis coletivos de apresentação que marcavam o final e o começo de cada etapa de projeto. As etapas eram: análise do tema,
conceituação do tema, partido geral, e entrega final. Esses painéis funcionavam com a turma toda reunida em redor de um trabalho que era apresentado pela equipe de alunos autores. Foram os momentos de debate e síntese do conhecimento criado até esse momento.
O professor ‘A’ passa para os alunos uma metodologia que permite operar com programas complexos apoiando-se no estudo de referenciais, na conceituação que o aluno constrói sobre o tema, das diretrizes sugeridas pelo lugar escolhido e sua relação com a estrutura interna da cidade e finalmente a tecnologia. O próprio professor vai elaborando o tema num processo paralelo ao dos alunos de maneira tal que vai construindo junto com eles aquela conceituação. Assim se constitui num participante ativo do processo de projeto acompanhando e orientando o aluno no momento mais crítico da tomada das decisões gerais. Portanto não é o tipo de professor que se coloca fora do processo de projeto que desenvolve o aluno e fica observando, esperando o resultado, para intervir criticamente sobre ele.
Muitas vezes a participação do autor foi a de quem assiste à relação docente-aluno- produto e intervém complementando-a através da construção de um texto síntese procurando articular o processo educativo com o processo de projeto. Ao longo desses seis semestres essa complementaridade foi amadurecendo ao ponto de definir uma maneira de orientar que incluía a identificação e a explicitação, em cada momento, dos diferentes procedimentos projetuais desenvolvidos pelos alunos e a pertinência ou não dos mesmos à luz dos trabalhos apresentados.
Era visível o esforço por integrar, no ateliê da disciplina, os conhecimentos advindos dos campos do urbanismo e da arquitetura tratados separadamente no extenso currículo do Curso através de exercícios e práticas independentes e muitas vezes repetitivas. Isto cria, no aluno, uma dificuldade na hora de aplicar o conhecimento adquirido na análise das escalas regional e urbana, na definição das diretrizes norteadoras do partido.
‘A’ é um professor acostumado a lidar com as fases avançadas do Curso que segundo as ementas devem desenvolver equipamentos urbanos de grande porte.
Podem-se sintetizar as principais constantes metodológicas do professor ‘A’ nas seguintes:
1. Papel do professor:
• Visão do profissional de escritório. Transposição de práticas consagradas no ambiente do trabalho para o ambiente do ateliê, ou seja, reproduz processos testados por ele no seu escritório;
• Visão crítica das regras do mercado e da gestão do planejamento da cidade. • Experiência em concursos de projeto;
• Formação docente autodidata;
• No ateliê da escola reproduz processos testados por ele no seu escritório;
• Não impõe ou induz uma determinada linguagem arquitetônica embora suas obras estejam presentes no cotidiano da cidade e do próprio campus universitário e tenham uma forte influência do Brutalismo Paulista dos anos 60 e 70;
• Valoriza o papel do assessor externo ou especialista em outras áreas do conhecimento; • Quanto a sua contribuição ao debate pedagógico do Curso vem, desde há muito tempo,
insistindo na necessidade de um ateliê que integre os conteúdos das disciplinas meio (principalmente da área de tecnologia) e as experiências dos diferentes professores pára terminar com o modelo do Ateliê Ilha;
• Propõe um ateliê que funcione vinte e quatro horas, ou seja, um espaço de convívio e experimentação exclusiva para projeto;
2. Relação professor-aluno:
• Valoração do conhecimento prévio do aluno: respeito pelas vivências e os saberes que o aluno leva para o ateliê como sua bagagem pessoal;
• Identifica o perfil do aluno, através da observação, durante o exercício de pesquisa de repertório;
• Incentiva a participação dos alunos em concursos de projeto a partir dos exercícios desenvolvidos no ateliê;
• Relaciona as propostas dos alunos entre si e com a sua própria experiência no tema do semestre;
• Uma valorização natural que o aluno sente pela prática profissional (ao fim ele quer se formar para trabalhar como arquiteto) faz aceitar uma relação mestre-discípulo com relação ao professor que tem uma prática consistente no mercado;
3. Organização do trabalho no ateliê (metodologia de ensino):
• Planejamento flexível do semestre segundo os requerimentos do processo de projeto, mas dentro de uma metodologia de ensino baseada em etapas;
• Processo de projeto não linear, pode se re-iniciar em qualquer etapa. Ênfase na concepção tecnológica do projeto;
• Valoriza a participação do aluno na sala de aula: o aluno deve produzir em forma intensiva durante o horário do Ateliê;
• Diferencia os momentos de orientação coletiva na hora de tratar conteúdos e conceitos da disciplina, dos individuais para tratar problemas específicos de cada projeto;
• Propõe o contato com profissionais, técnicos e usuários;
• A produção de conhecimento vai sempre do geral (proposta urbano e regional) para o particular (proposta arquitetônica);
• Adapta uma metodologia de ateliê integrado vivenciada no Uruguai às condições de ensino existentes no ARQ-UFSC;
4. Conteúdo da disciplina:
• Escolha de temas e áreas recorte que estão no foco do debate público da cidade;
• Introdução ao tema através da pesquisa dos precedentes arquitetônicos como referencial teórico do projeto;
• Propõe conteúdos e exercícios de projeto elaborados a partir de situações-problema reais vinculadas à prática profissional;
• Repete o tema em dois ou mais semestres: acumulação do conhecimento e retomada de conceitos pelos alunos da turma seguinte;
• Articula, através do projeto, as escalas regional, urbana e arquitetônica; 5. Avaliação:
• Valoriza o processo, mas a ênfase é colocada no resultado (ver Anexo C);
• Entrega as notas acompanhadas pela conceituação do projeto indicando os pontos positivos e negativos de cada proposta (ver Anexo C);