PALAVRAS FOREM PROFERIDAS FORA DO RECINTO DO PARLAMENTO. APLICABILIDADE AO CASO CONCRETO POIS AS SUPOSTAS
OFENSAS PROFERIDAS GUARDAM
PERTINÊNCIA COM O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR. 1. A regra do art. 53, caput, da Constituição da República contempla as hipóteses em que supostas ofensas proferidas por parlamentares guardem pertinência com suas 17 No mesmo sentido: STF. 1ª Turma. RE 463671 AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgado em
32 atividades, ainda que as palavras sejam proferidas fora do recinto do Congresso Nacional. Essa imunidade material tem por finalidade dotar os membros do Congresso Nacional da liberdade necessária ao pleno exercício da atividade parlamentar. 2. A atividade parlamentar, para além da típica função legislativa, engloba o controle da administração pública (art. 49, X, da CR), razão pela qual os congressistas, ao alardearem práticas contrárias aos princípios reitores da probidade e moralidade administrativas, encontram-se realizando atividade que se insere no âmbito de suas atribuições constitucionais. 3. A regra do art. 53, caput, da CR confere ao parlamentar uma proteção adicional ao direito fundamental, de todos, à liberdade de expressão, previsto no art. 5º, IV e IX, da CR. Mesmo quando evidentemente enquadráveis em hipóteses de abuso do direito de livre expressão, as palavras dos parlamentares, desde que guardem pertinência com a atividade parlamentar, estarão infensas à persecução penal. 4. Queixa rejeitada. Inq 4088, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Primeira Turma, julgado em 01/12/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-058 DIVULG 30-03-2016 PUBLIC 31-03-2016. É o que ocorre no caso em análise, em que a manifestação do Recorrido, mesmo fora do recinto da Câmara do Deputados – mas em rede social do mandato parlamentar -, se deu no exercício da atividade parlamentar, na atribuição fiscalizatória, de controle da administração pública, na defesa dos princípios reitores da probidade administrativa, na defesa do direito fundamental à saúde e à vida. Portanto protegida pela imunidade material que exclui a responsabilidade civil dos congressistas por opiniões, palavras e votos (CF, art. 53)18.
Há que se mencionar que já houve decisão do Superior Tribunal de Justiça reconhecendo o dever de indenizar de parlamentar federal (REsp 1642310/DF). Contudo, no caso julgado, constatou-se a
ausência do requisito de pertinência da manifestação com o exercício da atividade parlamentar. Logo, o precedente não é aplicável ao caso em apreço
cuja manifestação é abertamente feita em razão do exercício das funções parlamentares, reconhecida desde a inicial pelo Recorrente.
18 NOVELINO, Marcelo. Manual de direito constitucional. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2013. p. 796-797.
33 Portanto, a conduta do Recorrido não ultrajou os fundamentos jurídicos ensejadores do dever de reparar, não exorbitou os direitos e prerrogativas constitucionais que lhe são conferidas. Suas palavras estão protegidas pela imunidade material, que apesar de não ser absoluta, no presente caso não houve abusividade da prerrogativa e foram proferidas em total
pertinência com a atividade parlamentar. Logo, sua conduta não gerou a
responsabilidade civil e deve ser afastado - por respeito ao ordenamento jurídico e por justiça - o dever de indenizar.
O douto Juízo A Quo admitiu expressamente que deixou de analisar a imunidade parlamentar em relação ao pedido de danos morais e por isso condenou o Recorrente. Contudo, tendo este recurso efeito devolutivo pede-se que esta douta Turma recursal aprecie detidamente esse aspecto do caso, que fulmina por completo o requisito do dano uma vez que a conduta não é juridicamente idônea para causá-lo e tampouco para aumentar o quantum indenizatório.
No tocante ao dano, outro pressuposto da
responsabilidade civil, é sabido que se trata da lesão ao bem jurídico protegido pelo ordenamento que tem valor social razoável no caso concreto.
No caso posto o Recorrente sustenta ter sofrido dano moral sob a alegação de que a manifestação política do Parlamentar teria atingido sua honra e extrapolado os limites da liberdade de expressão.
Cumpre reiterar, que a manifestação do Recorrido jamais teve a intenção de atingir a pessoa do Recorrente. Sua fala trouxe para o centro dos comentários da crítica política os personagens envolvidos na denúncia do órgão jornalístico: o Governador do Estado, a ex-Diretora da FVS, o Prefeito de Manaus e como parte envolvida com o Poder Público no combate a pandemia do coronavírus, a empresa SAMEL, do qual é Diretor o Recorrente. Veja-se que a crítica foi feita ao Particular investido em múnus público, à delegatária da prestação de serviço público de saúde. Não se dirigiu à pessoa física per si do Recorrente.
Desse modo aplica-se ao caso o princípio da impessoalidade, pois o Parlamentar-Recorrido, no dever de fiscalização da coisa pública, se manifestou referindo-se aos atores públicos (Governador, ex-Prefeito, ex-Diretora) e atores privados investidos na função pública (Empresa SAMEL e seu Representante).
Nesse raciocínio, o dano alegado não se sustenta, posto que na condição de delegatária de serviço público - que fez parceria com
34 o poder público no combate a pandemia - a crítica política não foi dirigida à pessoa humana, não há ataque ao indivíduo, mas uma crítica contundente à declaração precoce da pessoa jurídica e acerca dos valores envolvidos na contratação, pouco transparente, à época, com o Município de Manaus.
Portanto, o dano alegado não subsiste, seja porque a conduta do recorrido não extrapolou os limites da liberdade de expressão de Parlamentar, no exercício de suas funções – imunidade material constitucional -, seja porque não foram dirigidas para atingir a honra subjetiva e objetiva do Recorrente como pessoa física per si.
Por conseguinte, o nexo causal é elemento imaterial ou virtual da responsabilidade civil19. A relação causa e efeito entre a conduta e o dano suportado por alguém, o liame necessário entre a origem e o resultado pois,
Para que se concretize a responsabilidade é indispensável se estabeleça uma interligação entre a ofensa à norma e o prejuízo sofrido de tal
modo que se possa afirmar ter havido o dano
porque o agente procedeu contra o direito20.
Com tais premissas-fundamentos, e de acordo com os fundamentos já expostos quanto aos demais elementos caracterizadores da responsabilidade civil, de plano se mostra claro que houve um corte no nexo
de causalidade, pois a conduta do Recorrido, por ter sido exercida nos limites
da liberdade de manifestação ampliada conferida ao Parlamentar, no exercício de suas atribuições, não ensejou dano ao demandante.
Ademais, como se fundamentou não se sustenta o dano moral em razão de manifestação crítica sobre uma denúncia pública feita por um órgão jornalístico investigativo. Portanto, resta rompido o nexo de causalidade, por não haver interligação, por sequer haver conduta/causa ensejadora de dano moral.
Destarte Excelências, estão ausentes os
pressupostos essenciais ao dever de indenizar: a conduta do Recorrido está
protegida constitucionalmente pela liberdade de expressão ampliada e não teve potencialidade de causar dano à pessoa, pois foi dirigida a pessoas públicas e particulares (pessoa jurídica) investidos na função pública que têm, em razão dessa condição, proteção diminuída a direitos de personalidade. Desse modo e
19 TARTUCE, Flávio. Manual de direito civil. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2012. p. 444. 20 PEREIRA, Caio Mario da Silva. Responsabilidade civil, apud TARTUCE, Flávio. Manual de direito civil. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2012. p. 444.
35 assim sendo, também não há nexo de causalidade, não há responsabilidade civil, não há dever de reparar do Recorrido.
Cumpre destacar por fim que, o Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral no RE 632115/CE reconheceu questão constitucional relevante definir se a inviolabilidade civil e penal assegurada aos parlamentares, por suas opiniões, palavras e votos, afasta a responsabilidade civil objetiva do Estado, como se destaca:
Ementa: Direito Constitucional. Recurso Extraordinário. Responsabilidade Civil do Estado
por atos protegidos por imunidade parlamentar.
Presença de Repercussão Geral. 1. A decisão recorrida reconheceu a responsabilidade civil objetiva do Estado e condenou o ente público ao pagamento de indenização por danos morais decorrentes de atos protegidos por imunidade parlamentar. 2. Constitui
questão constitucional relevante definir se a inviolabilidade civil e penal assegurada aos parlamentares, por suas opiniões, palavras e votos, afasta a responsabilidade civil objetiva do Estado, prevista no art. 37, § 6º, da Constituição. 3.
Repercussão Geral reconhecida.
Tribunal Pleno. Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO. Julgamento: 22/06/2017. Publicação: 29/06/2017
No recurso, o Estado do Ceará objetiva afastar condenação sofrida ao pagamento de indenização por danos morais decorrentes de atos protegidos por imunidade parlamentar. Observe-se que a questão constitucional foi reconhecida para que a Corte Suprema analise se a responsabilidade do Estado será ou não afastada em razão de atos protegidos pela inviolabilidade civil e penal assegurada aos parlamentares.
Destarte, por raciocínio lógico-jurídico, em conformidade com o julgado, é cristalino que a responsabilidade civil decorrente de manifestações dos Parlamentares, no exercício do cargo, é do Estado e não do Parlamentar, como corolário do estabelecido no artigo 2° da Constituição Federal. Assim, o Recorrido não seria sequer parte legítima para figurar no polo passivo da ação originária, mas sim a União. Portanto mais uma razão para que seja negado provimento ao presente recurso.
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D) INEXISTÊNCIA DE DANO MORAL. QUANTUM INDENIZATÓRIO. CARÁTER REPARADOR E PEDAGÓGICO PRESENTE. DANO MORAL CONTRAPOSTO
O Recorrente pleiteia ainda o aumento do quantum indenizatório arguindo que o valor arbitrado não pune o Recorrido nem compensa o Requerido e que deseja destinar as verbas da reparação para “instituição de caridade”. Insiste que o valor deve ser punitivo.
Com esse argumento verifica-se que o Recorrente, mantendo seu espírito belicoso, não quer reparação. Quer vingança!
Contudo, essa pretensão característica de “justiceiros” não tem agasalho no Processo civil constitucional atual. Este não é meio hábil para vingança, mas de concretização da justiça, fundamentada nos valores fundamentais da Constituição – especialmente o processo justo. E, o processo justo não serve para se vingar, serve para distribuir justiça às partes e privilegia a conciliação e o diálogo em detrimento da beligerância.
Nesse raciocínio cumpre registrar que o Recorrente no seu direito de resposta transforma-se de, suposto ofendido, em ofensor, causando ao Recorrido o denominado dano moral contraposto, pois diferentemente do vídeo produzido pelo Recorrido, o do Recorrente é ofensivo e injurioso à sua honra. Qualquer pessoa que tenha assistido ao vídeo veiculado pelo Recorrido, pode por questões políticas dele discordar, mas jamais concluirá que ele tenha usado de ofensas pessoais, mentiras, engodos, falácias.
Segue, abaixo, a degravação do vídeo resposta do Recorrente. Nele se nota, data vênia, que não deveria ter autorização para publicação, posto que ofensivo à honra do Recorrido. Vide abaixo, com as partes ofensivas grifadas:
VÍDEO DO LUIS ALBERTO NICOLAU – DIREITO
DE RESPOSTA
Olá! Eu vim aqui, ocupar esse espaço que me foi concedido pela justiça do Estado do Amazonas como direito de resposta ao deputado federal e candidato a prefeito, José Ricardo. José Ricardo fez um vídeo muito longo, que eu não vou aqui repeti-lo todo, mas, vou pegar os pontos principais.
Um dos pontos que ele se baseia, é querendo saber como é que se deu a forma do convênio da Samel com o hospital de campanha Gilberto Novaes, que a
37 Samel, inclusive, teria ganho muito dinheiro ganhou milhões com o covid e com esse convênio.
Eu quero lhe dizer, não é a você, José Ricardo que eu não devo prestar conta a você, mas, as pessoas que lhe escutam, lhe assiste, que a Samel muito pelo contrário, não ganhou nada. Ela fez o que a maioria não fez, ela doou. Ela doou, por exemplo, um milhão de reais para a conta da prefeitura (mostra um comprovante com o valor, afirmado), para abrir esta conta. Conseguiu com vários outros empresários, mais doações. Conseguiu com outro empresário toda alimentação do hospital. E conseguiu com outro empresário um investimento muito grande também no hospital.
A Samel reformou toda aquela escola (aparecem imagens de homens trabalhando na suposta reforma) e transformou em um hospital. Começamos em 4 (quatro) dias. Tudo com recursos próprios fruto de trabalho, trabalho de décadas.
A Samel não só fez isso no hospital de campanha, como também, fez, em mais de 50 (cinquenta) municípios (Mostra um mapa).
A Samel e a família Nicolau, a minha família a qual, eu tenho muito orgulho ô, Zé Ricardo! Eu nunca precisei mudar de nome, nunca mudei o sobrenome do meu pai. Eu tenho muito orgulho de pertencer à família Nicolau.
A Samel colocou o seu tratamento, principalmente, com a cápsula Vanessa em mais de 50 (cinquenta) municípios do Estado do Amazonas.
A Samel esteve presente em várias capitais, eu, pessoalmente, eu, inclusive, meu irmão, a minha família, meus colaboradores, aqui da Samel (aparece imagem do Luís Alberto Nicolau e de outras pessoas, provavelmente, os colaboradores citados), nós tivemos no Acre, em Roraima, em Roraima, nós ajudamos a abrir um hospital de campanha (imagem
38 de pessoas com sombrinhas, pessoas com farda do exército).
Nós tivemos vários profissionais nosso. O nosso protocolo está lá, até hoje. Nós tivemos no Estado do Pará, nós tivemos em Mato Grosso, Santa Catarina. Doamos cápsula pro Brasil inteiro. Nós quebramos a patente da cápsula. Nós não tivemos interesse comercial nenhum. Então, Zé Ricardo, essa foi a agenda da Samel.
Agora, eu queria saber, José Ricardo, de você qual foi a sua agenda para o covid? Qual foi? O que você fez de prático para o covid?
Agora você quer aparecer, na época da eleição,
como você disse, como candidato, agora você está preocupado? Nós sempre tivemos preocupados com a saúde das pessoas. Nós salvamos milhares de
vidas, milhares, milhares, coisa que você nunca fez! E quando você tá falando da Samel, você está
desrespeitando mais de 1.500 (mil e quinhentos) profissionais que trabalharam e que trabalham em busca de salvar vidas. Então, você respeite as pessoas! Não, não seja leviano, não seja leviano! E você tá dizendo aí, no seu vídeo, também, segundo informações de profissionais da saúde e, e o pessoal da Fiocruz e não sei mais de quem. Ah e que essa, e também queria dizer que essa denúncia foi da mídia nacional. Não foi da mídia nacional, não seu Zé Ricardo. Foi de um site ligado a esquerda. Um site chamado Intercept, tá. Não foi a mídia nacional, não. Então, seu Zé Ricardo, que nós estamos vivendo uma segunda onda, tanto de, de casos confirmados, quanto de morte. Isso é uma mentira, isso, é uma
leviandade, não seja irresponsável! Essas coisas,
é que fazem com que as pessoas fiquem em pânico. Causa, a imprensa irresponsável, irresponsáveis
como você, é que fazem com que as pessoas fique
em pânico. Fale a verdade! Faça como nós sempre fizemos. Fale, preste conta todos os dias! Não venha
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que não tem ideia nem pra sua eleição, rapá. Você precisa tirar ideia do Praciano da Kombi, pra ser o Zé Ricardo da Kombi, que Muda de nome!
Eu quero saber da sua agenda pro covid! Tou lhe dizendo algumas coisas do que a Samel fez e do que a família Nicolau fez! Por que, diferente de você, nós
tamos preocupado com a vida, nós estamos
preocupados em salvar vidas. Salvamos de milhares de pessoas!
Então, não vivemos segunda onda. E a Samel reafirma como falei em julho! É óbvio Zé Ricardo, você não é nenhum imbecil! É óbvio que não tem como se resolver totalmente o problema do covid, enquanto não tivermos a vacina. Se o mundo inteiro não resolveu, não seria ninguém, nem eu e nem ninguém aqui de Manaus que iríamos resolver! Então, e mesmo assim, quando tivermos a vacina, ainda vamos ter casos de contaminação.
O que precisamos investir, é em tratamento, em resolver os casos! Não tivemos locdown. Não tivemos segunda {ininteligível} em julho, agosto, setembro. E por pelos dados que se apresentam até o momento, não teremos também, outubro. E aquilo que eu disse desde o início, se tivermos eu serei o primeiro a falar, como sempre fui.
Então, não venda o terror! A Samel é contra sim, o lockdown, contra sim. A minha opinião e a opinião das pessoas que aqui trabalham, é que o lockdown é desnecessário, desnecessário, infundado. E, esses dados que você tá criando, você tinha que apresenta-lo.
Eu tenho sempre falado aqui sobre os números da Samel e sobre os números de sepultamentos. Então, ninguém tem com esconder morte, por que as pessoas, infelizmente, precisam ser enterradas. Então, vamos respeitar as famílias que estão, algumas ainda sofrendo com essa doença, que
40 perderam parentes, que perderam pessoas próximas e vamos ser sério nos nossos posicionamentos. E, você querer dizer que a Samel é responsável pelas decisões do Governo e pelo aumento de covid, pelas mortes! Pare de brincadeira! Zé Ricardo, isso é
uma palhaçada sua. A Samel só pode ser
responsabilizada por ajudar as pessoas, por salvar vidas, por falar a verdade, por ter transparência, por ter criado o melhor método de tratamento, muito possivelmente, do mundo e que compartilhou com todo mundo. Não só com Manaus, não só com o amazonas, não só com o Brasil, como com a Bolívia. E estamos agora, mais de 4 (quatro) dias, também na Colômbia! Então, não seja leviano! Pare. Se você
quer subir na sua Kombi, se você quer ganhar seus votos, ganhe, mas, de forma limpa, transparente. Não queira subir nas costas dos outros! Então, me respeite e pare de falar mentiras!
Como se constata, o direito de resposta exercido desce da dimensão de agente público/político – diferente do que fez o Réu - e parte para dimensão privada, ataque ao Réu, levando o direito de resposta ao patamar de “briga de vizinho”.
Nesse ponto, impede colacionar a advertência da doutrina:
Importante é destacar que, em qualquer hipótese, o direito de resposta não poderá cobrir ilícitos, de modo a converter o ofendido em ofensor (...)
Quanto à sua titularidade, também o direito de resposta tem como sujeito toda e qualquer pessoa física, nacional ou estrangeira, de modo a guardar a necessária simetria com a liberdade de expressão, devendo ser também atribuído às pessoas jurídicas (coletivas).33421
Destarte, o direito de resposta não pode servir para ataque ao direito de personalidade do suposto ofensor, convertendo o ofendido
41 em ofensor e deve guardar a necessária simetria com a liberdade de expressão e a proporcionalidade com a possível ofensa.
Como se evidenciou, nas várias expressões destacadas na resposta do Recorrente, estão presentes acusações e ofensas desferidas contra a pessoa do Recorrido em viés altamente agressivo e
belicoso que findam por caracterizar o dano moral contraposto em favor do
Recorrido, o qual se pede seja observado como óbice ao pedido de
majoração do quantum indenizatório.
Assim, considerado que o quantum indenizatório não se presta para vingança e que o Recorrido sofreu dano contraposto, o aumento pedido é incabível.
Ademais, alerta-se que o argumento de doação das verbas para instituição de caridade não é fundamento legal para justificar qualquer aumento, pois se o Recorrente deseja destinar recursos a instituições de assistência social não precisa esperar pelos valores da condenação desse processo. Pode, com o poder econômico da SAMEL, estabelecer um projeto ou programa continuado da Empresa para tornar sistemático o apoio a tantas instituições assistenciais que realmente precisam muito desses valores para atender pessoas mais vulneráveis socialmente.
Portanto, diante da inexistência aberta de dano moral no caso, concordando num ponto com a decisão do A Quo entende o Recorrido que no contexto fático-jurídico, o valor da condenação se mostra condizente com o caráter reparador e pedagógico da medida, que por justiça só deve, no máximo, ser mantido.
E) CUMPRIMENTO DA LIMINAR. INAPLICABILIDADE DE MULTA. DIREITO DE RESPOSTA. DESRESPEITO AO RITO LEGAL. CUMULAÇÃO DE PEDIDOS INCOMPATÍVEIS PELA LEI. DANO MORAL CONTRAPOSTO
O Recorrente invocou o direito de resposta previsto na Lei nº 13.188/2015, assegurado ao ofendido em matéria divulgada, publicada ou transmitida por veículo de comunicação social ou retificação, gratuito e proporcional ao agravo.
Ocorre que o exercício deste direito obedece a um rito específico, estabelecido no art. 3º, da Lei 13.188/2015, in verbis:
Art. 3º O direito de resposta ou retificação deve ser
exercido no prazo decadencial de 60 (sessenta) dias,
contado da data de cada divulgação, publicação ou transmissão da matéria ofensiva, mediante
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correspondência com aviso de recebimento
encaminhada diretamente ao veículo de comunicação social ou, inexistindo pessoa jurídica constituída, a quem por ele responda, independentemente de quem seja o responsável intelectual pelo agravo.
O rito da Lei nº 13.188/2015 impõe ao ofendido que se dirija ao ofensor (veículo de comunicação ou quem responda pelo veículo). Recebida o pedido de direito de resposta terá o veículo de comunicação social, ou quem por