Capítulo III Apresentação dos resultados
Dimensão 3 Quadro político-legislativo
3.3.5. Constrangimentos do professor de EE para a inclusão
Finalmente, relativamente aos principais constrangimentos sentidos pelo professor de EE na sua prática para a inclusão, constata-se uma enorme diversidade (Tabela 16). Contudo, os dois principais foram, por um lado, a falta de articulação com os colegas do ER e, por outro, o desinteresse da Direção pelo trabalho desenvolvido pela EEE.
Tabela 16- Constrangimentos do professor de EE para a inclusão
Falta de sensibilidade dos professores do ER E1 E6 E3 E5 Desvalorização do trabalho do professor de EE pelos professores
do ER
E4 E8 E5 E10
Preconceito E6 E5
Falta de articulação com os colegas do ER E8 E9 E7 E9 E10
Demasiada responsabilização do professor de EE pelo aluno com NEE
E8 E9 E5 E10
Preocupação demasiado quantitativa da escola E10 E6 E7 E8 E9
Desinteresse da Direção pelo trabalho desenvolvido pela EEE E10 E3 E5 E7 E9
Elevado número de alunos a apoiar pelo professor de EE E8 E9
Como já foi evidenciado, a principal consequência para a inclusão dos alunos é o facto de, não sendo cumpridas as ACI pelos professores do ER nem adequado o processo de ensino-aprendizagem ao perfil de funcionalidade de cada um dos alunos com NEE, as medidas educativas aplicadas não surtirão efeito. Consequentemente, poderá ser-lhes aplicada uma medida mais
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restritiva, que castrará ainda mais a sua inclusão. Foram descritas durante as entrevistas algumas batalhas nos CD/CT para que sejam esgotadas todas as metodologias possíveis, tendo em vista o sucesso escolar do aluno.
A maior parte dos professores sustentou a opinião de que o maior constrangimento se prende com a dificuldade em articular com pessoas que não têm sensibilidade para as questões ligadas à EE, sejam eles professores ou alunos.
A falta de sensibilidade por parte dos professores, que constitui a grande barreira para a inclusão. (E1)
Podem ser os próprios colegas, do ER, que não compreendem nem valorizam o trabalho da EEE. (E4)
O preconceito. O meio socioeconómico, em que a “pobreza” de espírito das famílias faz com que resistam às medidas inclusivas e ao trabalho que pretendemos fazer. (…) A falta de abertura dos professores titulares, principalmente os do 2º e 3º ciclos é também um constrangimento. (…) Nós é que temos que procurar o professor titular para tentar fazer com que o aluno beneficie realmente das medidas da EE e seja incluído. Eles não nos procuram. Eu tenho vindo a mudar a atitude de alguns professores titulares com quem trabalho ao longo deste ano, mas não de todos. Ainda há muitos professores do regular que me dizem que a inclusão é uma utopia. (E5)
Se os professores do ER tivessem uma melhor formação e sensibilidade para as dificuldades do aluno, talvez não fossem necessários tantos professores de EE. (E6)
(…) A forma como é visto pelos professores do ER, que nem sempre é positiva, em particular, na sala de aula. Não entendem que é uma pessoal que está na sala de aula para ajudar o professor titular, o aluno com NEE e os próprios alunos da turma. É uma grande dificuldade articular com os professores da turma, que não entendem que o trabalho do professor de EE incide sobre áreas específicas da EE como a atenção, concentração, organização do pensamento do aluno e não as áreas disciplinares específicas. A coordenação do PEI é o professor titular, educador ou DT. Em 99% dos casos, quem elabora o PEI é o professor de EE, dando-o a conhecer a quem o coordena, que apenas o assina. (E8)
(…) A falta de articulação dos professores das disciplinas que não nos facultam atempadamente a matéria que vão lecionar faz com que o apoio individualizado se perca. Esse apoio deveria ser dado por um professor da disciplina e não pelo da EE. (…) (E9)
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Os professores do ER são muito pressionados com os exames a que os seus alunos são sujeitos e com os rankings, e vêm os alunos com CEI como um “problema” que perturba o trabalho na turma. Daí a necessidade de a Direção impor diretrizes a toda a comunidade para aceitar e envolver os alunos com CEI nas atividades. A preocupação é ter bons resultados. (E10) Eu sou contra o mérito individual. Deveria ser em grupo. Assim, por mim, tudo bem: a melhor turma, o trabalho em equipa. Valoriza-se o trabalho individual e não o trabalho em equipa. (E2)
A grande barreira é os professores do ER. Pode também ser a falta de sensibilidade da Direção para as questões da EE. Podem também ser os AO, pelo mesmo motivo. O apoio da EEE e a formação são fatores essenciais para a sensibilização e, consequentemente, para o sucesso. (E3)
A par da opinião do participante 3, houve mais entrevistados que referiram que a falta de envolvimento da Direção condiciona o trabalho desenvolvido pela EEE em prol da inclusão.
(…) A importância atribuída pela Direção ao trabalho da EEE e aos restantes professores do Agrupamento. (E7)
O facto de a Direção não se interessar pelo trabalho desenvolvido pela EEE. (E9)
Interligando os dois constrangimentos, a Direção tem aqui um papel preponderante: caso tenha um enfoque direcionado para a inclusão dos alunos, entenderá que o aluno não pode ser responsabilizado pelo seu insucesso, logo, não permitirá a alteração da medida educativa. Caso haja o referido desinteresse da Direção pelo trabalho desenvolvido e pela EE em geral, não existirá mudança na cultura escolar em prol da inclusão e alunos com NEE continuarão a ser excluídos, sem um atendimento adequado ao seu perfil de funcionalidade e responsabilizados por um processo que não é da sua responsabilidade.
Outra questão que dificulta o trabalho desenvolvido é a da burocracia que o professor de EE tem a seu cargo relativa aos alunos com NEE, que lhe diminui o tempo disponível para trabalhar efetiva e diretamente com os alunos.
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Se os professores do ER tivessem mais tempo para fazer cumprir as ACI, essa medida surtiria um melhor efeito. Têm muitas turmas, muitos alunos e muitas horas letivas. A componente não letiva que servia para os professores conversarem sobre os seus alunos na escola, está a desaparecer. Não há tempo nem espaço para planear em conjunto a intervenção nos alunos com NEE. A preocupação do professor do ER é cumprir com o que lhe é pedido, dentro do prazo estipulado. Não há um enfoque na qualidade do seu trabalho. (E6)
A burocracia excessiva a que a EEE está sujeita. (E7)
A par da burocracia, o elevado número de alunos com NEE a apoiar foi referido com outro dos constrangimentos com que o professor de EE lida.
O número elevado de alunos que o professor de EE tem que apoiar. (E8)
O elevado número de alunos que o professor de EE tem para apoiar, não permite que seja feito o apoio individualizado. Não há tempo para trabalhar as competências específicas com alunos com ACI.
A falta de articulação dos professores das disciplinas que não nos facultam atempadamente a matéria que vão lecionar faz com que o apoio individualizado se perca. Esse apoio deveria ser dado por um professor da disciplina e não pelo da EE. (E9)