Realizar uma pesquisa não é tarefa fácil. Até se chegar aos resultados finais, em geral, ela sofre várias mudanças, são vários os caminhos e descaminhos que se percorrem. Talvez tenha sido nesse sentido que Ruth Cardoso (1988) afirmou "que a pesquisa é sempre uma
aventura nova sobre a qual precisamos refletir" (p. 13). É exatamente nesse processo de reflexão que situo esta cena.
Já afirmei que a construção da pesquisa se deu em duas frentes que se complementaram e se construíram de forma concomitante. Trabalhei com as leituras e a análises de romances e autobiografias, mas também com a realização de entrevistas com pessoas que se reconheciam como lésbicas, gays, bissexuais e transexuais e com um grupo focal em uma turma de graduação da Universidade Federal do Maranhão/UFMA, onde também encontrei pessoas que se afirmavam heterossexuais.
No caso das entrevistas, não pretendi coletar uma biografia, mas trajetórias de vida. Minha pretensão é tal qual a de Suely Kofes (2001, p. 13) “fazer da intenção biográfica um exercício etnográfico66”, um pouco mais abaixo retomarei a esta questão. @s sujeit@s da pesquisa, à época da entrevista, encontravam-se residindo em São Luís, Maranhão (com exceção de um transhomem), sendo universitári@s ou com cursos superiores já finalizados, mas fazendo pós-graduação. Ou seja, sem levar objetivamente, em um primeiro momento, em conta critérios raciais ou socioeconômicos, já iniciei meu trabalho de pesquisa com, pelo menos, três categorias distintas articuladas e/ou interseccionadas: sexualidades, formação superior iniciada ou continuada e localização, uma vez que os discursos levantados estão dentro do contexto social nordestino.
A partir das discussões de Adriana Piscitelli é que sustento a ideia de interseccionalidade como categoria para oferecer ferramentas analíticas que não tratam “[...] da diferença sexual, nem da relação entre gênero e raça ou gênero e sexualidade, mas da diferença, em sentido amplo para dar cabida às interações entre possíveis diferenças presentes em contextos específicos”. (PISCITELLI, 2008, p. 266).
Ao longo da pesquisa, realizei trinta entrevistas abertas, sem um roteiro de perguntas pré-definido, cada uma com um tempo médio de noventa minutos. Claro que há flutuações – alguns encontros duraram mais de cento e vinte minutos, outros quarenta. Todas elas foram transcritas e depois lidas repetidas vezes. Três entrevistas foram perdidas devido a problemas nos equipamentos de gravação, sendo uma refeita. Geralmente combinava um encontro em um espaço público, localizado próximo à pessoa, como um Café, um shopping, e a partir do nosso contato, procurávamos um espaço mais sossegado dentro do local onde estávamos, mas
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Inspirada por Kofes retomo, assim como ela, a distinção entre etnografia e etnologia proposta por Lévi-Strauss. Segundo ele (1975, p. 14) a etnografia "consiste na observação e análise de grupos humanos considerados em sua particularidade, e visando à reconstituição, tão fiel quanto possível, da vida de cada um deles". Entretanto, como já discuti mais acima, não a tomo a partir de uma perspectiva clássica como o fez, por exemplo, Malinowski.
também realizei quatro entrevistas em minha casa, neste caso, com alun@s ou ex-alun@s e outra, com um casal, na residência de um deles. Assim, trabalhei com vinte oito entrevistas divididas, a partir do reconhecimento d@s sujeit@s entrevistad@s, da seguinte forma: um homem que disse estar experimentando a sua sexualidade, cinco mulheres lésbicas, nove homens homossexuais e/ou gays, seis mulheres bissexuais e seis pessoas transexuais, sendo dois homens e quatro mulheres trans. De maneira geral os encontros foram realizados face a face, mas em dois casos realizei as entrevistas através do Skype, por motivos de preferência d@s entrevistad@s. Além disso, em duas situações entrevistei casais, me referindo a ambos @s namorad@s ao mesmo tempo. Há também uma singularidade nas entrevistas realizadas com um rapaz gay, a quem atribui o nome de Gilberto e um transhomem, cujo nome de registro mantenho, a pedido dele mesmo – Kaio – que é um dos fundadores do Abrigo Thadeu Nascimento, local que recebe pessoas trans em situação de vulnerabilidade, na cidade de Fortaleza-CE. Na verdade, nem Kaio, nem Gilberto aparecem no quadro de entrevistados que apresento abaixo porque nas duas situações não estava considerando suas trajetórias pessoais. Com Gilberto, meu encontro teve o objetivo de falar de uma empresa de eventos cuja programação era voltada para um público constituído por gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis e queer, em São Luís, que apareceu recorrentemente em algumas entrevistas como um espaço de festas onde a liberdade de expressão era mantida e incentivada sem preconceitos. No dia 08 de novembro de 2017, a página do Facebook dessa empresa publicou uma nota informando o fim de suas atividades. Apesar da notícia, decidi relatar a realização da entrevista e utilizo alguns trechos dela ao longo do trabalho. No caso de Kaio, embora sua trajetória se confunda com a própria existência do abrigo, não o coloquei no quadro por não residir em São Luís, apesar de também citar algumas de suas posições ao longo do Quarto Ato.
Assim que decidi estudar a abjeção comuniquei em todas as turmas para as quais eu dava aula sobre a minha pesquisa. Nunca abordei nenhum@ alun@ diretamente, perguntando sobre a sua participação, pois não queria qualquer tipo de sentimento de obrigatoriedade em ser entrevistad@, uma vez que eu era a professora. Mais alun@s que eu esperava começaram a me procurar. Essa foi uma boa surpresa que o campo me trouxe, porque imaginava que a maioria não se sentiria à vontade para conversar com uma professora acerca de questões íntimas e, carregadas de violência, em muitas situações. Na medida em que ia sendo procurada, registrava os contatos em meu celular e esperara o semestre acabar para marcar um encontro, todos fora do ambiente da instituição de ensino em que trabalhava. Há apenas uma exceção: houve uma garota que entrevistei quando ainda estava ministrando aulas em sua
turma e nossa conversa ocorreu em uma sala privada para atendimento aos discentes. Entretanto, não senti que o fato de ser professora, ou de estarmos dentro da Instituição tenha prejudicado o diálogo. Muito pelo contrário, essa foi uma das entrevistas mais marcantes que fiz até hoje.
Comecei as entrevistas com uma aluna e seis ex-alun@s. A partir del@s, meu universo foi se ampliando, pois ao final dos encontros sempre perguntava se a pessoa conhecia alguém que pudesse me indicar. Também fiquei em busca de postagens no Facebook que me levassem a alguém, nesse caso em particular, entrei em contato com duas pessoas. Uma delas, uma mulher que se reconhecia como lésbica havia publicado em sua timeline, em 26 de julho de 2016, um grande texto em que se dizia desrespeitada não só por ter uma foto sua, em que beijava a namorada, sendo divulgada, de forma preconceituosa, em grupos de Whatsapp, mas, principalmente por ter tido sua postagem denunciada por não respeitar os padrões do Facebook e retirada. Ela então postou os prints de seu texto censurado e fez outro texto. Entre outras coisas, escreveu: “[...] mais uma vez tentam calar nossa voz e invisibilizar nossa existência. Uma postagem que falava sobre o amor e sobre a coragem de ser quem se é [...].” Como ela era amiga de Facebook de um aluno meu, que também era meu orientando de monografia, à época, pedi a ele o contato dela. Ela se mostrou extremamente disposta em conversar comigo, e, apesar de termos combinado várias vezes, o encontro nunca aconteceu. A outra, a partir de uma reportagem de um jornal local, publicada na timeline de um outro amigo de Facebook, cuja chamada da era “Jovens são agredidas em ônibus de São
Luís por estarem de mãos dadas”67
. Fui assim levada ao link da reportagem em que havia a informação de que o Ex-superintendente de Promoção e Educação em Direitos Humanos na Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular (SEDIHPOP) entrara em contato com as duas moças que tentaram fazer um boletim de ocorrência e não conseguiram. Por coincidência, ele havia trabalhado comigo em uma faculdade particular, a Unidade de Ensino Superior Dom Bosco/UNDB, e por intermédio dele, consegui o número de telefone de uma das vítimas, realizando a entrevista dias depois por meio do Skype. Não tecerei mais detalhes, pois, no Terceiro Ato, faço uma breve contextualização acerca de cada pessoa entrevistada e de como se deu nosso encontro.
Para preservar as identidades daquel@s que entrevistei, adotei nomes fictícios utilizando o seguinte esquema: as mulheres lésbicas têm seus nomes iniciando com a letra “L”, assim temos: Lara, Leonora, Letícia, Lígia, Luciana e Luíza. Os nove homens que se
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reconhecem como gays têm seus codinomes iniciados com a letra “G” e são chamados de Gustavo, Guilherme, Geraldo, Guido, Germano, Gérson, Getúlio, Gabriel e Gilberto. No caso das mulheres bissexuais, inicio seus nomes fictícios com a letra “B”: Bela, Berta, Berenice e Bruna. As pessoas transexuais foram marcadas a partir da primeira letra de sua designação como trans, de modo que o transhomem teve seu nome iniciado com a letra “H”, sendo chamado de Heitor e as mulheres trans com a letra “M”: Marisa, Marta e Marília. Também entrevistei um rapaz que não se reconhecia como heterossexual, pois, apesar de namorar uma garota que se diz bissexual, ele já se sentiu atraído por um único homem e afirma estar experimentando sua sexualidade, por isso lhe atribui o nome de Elias, em alusão à sua ideia de experimentar a vida. Acredito que o quadro a seguir ajudará na visualização dos nomes fictícios atrelados à maneira como se reconhecem e são reconhecidos além de outras informações68 fornecidas por el@s.
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Não menciono no quadro a classe social. Explico: talvez essa tenha sido a maior dificuldade que encontrei no processo de caracterização d@s entrevistad@s. Muitas vezes senti o desconforto com a pergunta ou até mesmo a negativa em me responder. Dessa forma preferi falar da classe já no contexto da entrevista, nos próximos Atos.
Quadro 1 – Identificação d@s entrevistad@s Nome
Fictício
Idade Racialização Religião Identificação Curso
Luciana 21 Branca Sem religião Lésbica Direito
Luíza 22 Branca Sem religião Lésbica Direito
Lígia 25 Branca Sem religião Lésbica Relações Públicas/ Mestranda Leonora 38 Branca Cristã sem religião
definida
Lésbica Direito/ Especializanda
Lara 39 Negra Espírita Lésbica Doutoranda
Gustavo 32 Branco Messiânico Gay Letras
Guilherme 23 Branco Adventista Gay Direito
Geraldo 24 Pardo Cristão sem religião definida
Gay Publicidade e Propaganda e
Direito
Guido 24 Negro Católico Gay Fisioterapia/
Especializando Germano 19 Negro Ateu Gay/Bicha preta Artes Visuais
Gérson 24 Branco Espírita Gay Publicidade
Getúlio 31 Branco Sem religião Gay Ciências Sociais
Gabriel 26 Negro Sem religião Gay Direito
Bárbara 19 Branca Cristã sem religião definida
Bissexual Arquitetura
Bela 22 Branca Cristã Bissexual Direito
Berta 26 Branca Católica não praticante
Bissexual Direito/Mestranda Berenice 22 Negra Cristã sem religião
definida
Bissexual Direito Bruna 22 Parda Católica não
praticante
Bissexual Enfermagem Brenda 23 Branca Sem religião Bissexual Medicina Beatriz 25 Parda Agnóstica Bissexual Artes Visuais
Heitor 33 Branco Agnóstico Transhomem bissexual
Ciências Sociais Aplicadas69 Marisa 20 Branca Cristã sem religião
definida
Transmulher hétero Ciências da Saúde Marina 44 Negra Cristã sem religião
definida
Transmulher hétero Ciências Sociais Aplicadas Marta 27 Negra Ateia Transmulher hétero Ciências Humanas Marília 18 Branca Ateia Transmulher hétero Ciências Humanas
Elias 22 Branco Sem religião Experimentando sua sexualidade
Medicina Fonte: Autoria própria.
Há algo que preciso destacar acerca do grupo entrevistado e que me moveu em busca de informações em várias situações e circunstâncias: embora tenha buscado, não encontrei pessoas que se reconhecessem travestis na universidade para entrevistar! Inicialmente fui informada de que a Marta se reconhecia como travesti – talvez por que não faça uso de hormônios e nem tenha passado por qualquer mudança cirúrgica do corpo – porém ao primeiro contato ela já me disse que não. Amara Moira diz que esta é uma crença muito
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Como a quantidade de pessoas trans é menor e, algumas delas, têm mais visibilidade devido às lutas políticas que travam, não utilizo o curso e sim a grande área no quadro de identificação, para dificultar a possibilidade de reconhecimento imediato por parte daquel@s que com el@s mantêm algum contato. Faço isso, sobretudo, para manter o acordo de sigilo que estabeleci com aquel@s que entrevistei.
corriqueira no senso comum e que a travesti é pensada como aquela pessoa que não quer operar, pois se sente bem com o seu próprio corpo, o que não passa de uma mera generalização. Talvez pelo processo de estigmatização que o próprio termo sofre em oposição à pureza do termo médico “transexual”, seja menos perigoso admitir-se transexual em um espaço de poder-saber como é o espaço universitário. Mas há também no âmbito acadêmico algumas que utilizam o termo travesti como uma forma de se posicionar politicamente, já que além de questões médicas há também questões de classe e de espaços de trabalho reservado às travestis, o que reforça o preconceito e dificulta a entrada delas no espaço universitário. Amara Moira afirma que gosta “de usar ‘travesti’ porque é a palavra que menos se espera. Eu
espero que essa palavra ocupe mais espaços na sociedade” porque ainda hoje, de alguma
forma, “o corpo e a existência travesti diz coisas que [te] desabonam enquanto uma pessoa capaz”. (MOIRA, 2018, p. [?]).
Como já mencionei também é importante pensar a questão de classe, nela inseridos os espaços sociais onde se permite ou não a presença de travestis, geralmente consideradas aptas para a prostituição ou para trabalhos realizados em salões de beleza. Entretanto, a realidade tem mudado pelo Brasil afora. Algumas travestis oriundas da várias regiões do país já passaram pela graduação e pela pós-graduação, tendo hoje o título de doutoras. Porém foi em Fortaleza, no ano de 2012, a defesa da tese da primeira travesti, Luma Nogueira de Andrade, doutora em Educação70. Mais recentemente, já há noticias na mídia de que na Universidade Federal do Recife há travestis estudando e se destacando71. Chamo atenção para essa ausência em São Luís, e justifico que a próxima página estará em branco, como uma forma de alertar que o espaço das travestis nas universidades e faculdades de São Luís ainda está por ser escrito. O universo do saber universitário precisa desconstruir esses processos de exclusão dos espaços para travestis. É preciso perturbar a “ordem”, provocar esse silêncio, ou melhor, deixar ecoar a necessidade premente da escrita de histórias como a de Luma, dentre outras, também na educação superior ludovicense.
70
Em 11 de dezembro de 2013, o Terra Educação publicava uma matéria on-line cujo título foi Primeira
professora travesti do Brasil toma posse em universidade do Ceará: Luma Nogueira de Andrade é a única travesti a ter o título de doutora no País (PRIMEIRA..., 2013). Em 2015, em uma entrevista publicada pelo Centro de Referências Educação Integral, já como professora da Universidade da Integração Internacional da
Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Luma conta um pouco da sua existência e re-existência (Ana Luíza BASÍLIO, 2015).
71
Sobre a temática ler a reportagem de José Coutinho Júnior intitulada Trans e travestis que passaram no
Também realizei um grupo focal em uma turma de segundo período noturno de Ciências Sociais da UFMA. O grupo focal é uma técnica de investigação considerada qualitativa, e se constitui pela:
[...] coleta de dados por meio das interações grupais ao se discutir um tópico especial sugerido pelo pesquisador. Como técnica, ocupa uma posição intermediária entre a observação participante e as entrevistas em profundidade. Pode ser caracterizada também como um recurso para compreender o processo de construção das percepções, atitudes e representações sociais de grupos humanos. (Sônia Maria Guedes GONDIM, 2003, p. 151). Interessante comentar como cheguei à decisão de utilizar a técnica. Um aluno do curso de Ciências Sociais, que tem convívio comigo em um grupo de estudos do qual fazemos parte, me falou que sua turma era muito heterogênea, havia uma transmulher – a Marília, que apesar de não estar na turma no momento do grupo focal, acabei entrevistando dias depois –, gays, bissexuais, homossexuais, além de heterossexuais, dentre eles, um pastor evangélico. Também me informou que uma das professoras que havia feito parte da minha banca de qualificação do projeto de doutorado ministrava aula nessa turma. Resolvi pedir a ela que me permitisse realizar o grupo focal, e ela, de pronto, aceitou. Marcamos o encontro para o dia 09 de janeiro de 2017, no horário de sua aula, mas resolvemos não avisar à turma antecipadamente. No dia, quando a professora Martina me apresentou, expliquei os motivos da minha ida, deixei livres as pessoas que quisessem se retirar, passei um vídeo intitulado, em tradução livre, A maldição dos obstáculos72, disponível no YouTube. Sua escolha se baseou no fato de ser de curta duração, mas apesar disso trazer imagens pontuais de alguns espaços onde os processos sociais de abjeção acontecem.
O vídeo da Interassociation Lesbian, Gay, Bi and Trans/Inter-LGBT, com quase nenhum diálogo e muitas cenas fortes, mostra alguém correndo em uma tentativa desesperada de fuga, recebendo olhares de censura e lutando em uma lama escura para chegar até uma casa onde há um homem com olhar austero e uma mulher com lágrimas no rosto. Muitas portas se fecham, aparecem pessoas com posturas acusatórias e a corrida continua. O vídeo por fim termina com a frase “até que a sociedade progrida, continuaremos avançando73”,
também em tradução livre. As cenas, que retratam em sua maioria situações de violências que corporificam os processos sociais de abjeção, são impactantes, por isso escolhi esse vídeo para começar a discussão, pois com apenas dois minutos, ele consegue prender a atenção e tirar o fôlego daquel@s que o assistem. Reproduzo algumas prints de tela que fiz dele, para demonstrar, ainda que minimamente, sua perspectiva.
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No original The obstacle curse.
Figura 4 – Cena do vídeo A maldição dos obstáculos demonstrando a inadequação de uma garota em uma festa
Fonte: Inter-LGBT/YouTube, 25 mar. 2016.
Figura 5 – Cena do vídeo A maldição dos obstáculos apresentando pessoas em um dormitório, agredindo alguém
Figura 6 – Cena do vídeo A maldição dos obstáculos mostrando pessoas tentando ajudar alguém em perigo
Fonte: Inter-LGBT/YouTube, 25 mar. 2016.
Figura 7 – Cena do vídeo A maldição dos obstáculos mostrando alguém com os pés na lama
Figura 8 – Cena do vídeo A maldição dos obstáculos mostrando uma família à mesa
Fonte: Inter-LGBT/YouTube, 25 mar. 2016.
Figura 9 – Cena do vídeo A maldição dos obstáculos mostrando a mulher sentada à mesa se despedindo de alguém sujo de lama
Figura 10 – Cena do vídeo A maldição dos obstáculos mostrando uma porta fechada
Fonte: Inter-LGBT/YouTube, 25 mar. 2016.
A partir desse contato inicial, da explicação rápida do que era a abjeção e da pergunta “o que nesse vídeo que chama a atenção de vocês?” abrimos uma roda de conversa, sem mais perguntas pré-definidas, que tratou de situações de preconceito, abjeção, alteridade, dentre outras e durou cinquenta e cinco minutos.
Por meio de uma lista que passei, na qual pedia além do nome, a idade, a religião, o sexo de nascimento e a orientação sexual, cheguei aos seguintes dados: estavam presentes vinte e oito pessoas, dezoito mulheres e dez homens, sendo que dezessete se identificaram como heterossexuais, quatro como bissexuais (todas mulheres), três como homossexuais74 (sendo uma mulher), um homem como bicha, dois homens apenas se reconheceram como seres humanos e uma mulher afirmou estar “em experiência”. Em relação à classe social, quatorze se consideraram de classe média, um da média alta, dois da média baixa e os outros apenas responderam “média”. Quanto à religião, uma pessoa se considerou ateia, quinze afirmaram não ter religião, três se identificaram como protestantes, outras três como evangélicas, mais três como cristãs, duas católicas e uma messiânica. Ao longo do Segundo e do Terceiro Atos utilizo algumas falas que foram extraídas dessa experiência dialogal muito positiva, enriquecedora e respeitadora.
Na verdade, depois desse, pretendia realizar mais dois grupos focais: um com uma turma de oitavo período de medicina também da UFMA e outro com alun@s que