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Construir Para a Disciplina/O Professor Como Construtor

No documento Indisciplina e violência escolar. (páginas 76-79)

CAP II – VIOLÊNCIA E INDISCIPLINA NO CONTEXTO ESCOLAR – SUPERVISÃO DO PROFESSOR

2. Definição de Conceitos

2.8. Construir Para a Disciplina/O Professor Como Construtor

Saber como actuam os professores no sentido de corrigirem ou sancionarem comportamentos, ditos desviantes, dos alunos em contexto da sala de aula é fundamental, no sentido de construírem situações necessárias de trabalho. A primeira aula é importante, pois a maneira como ela decorre poderá ser condicionante de futuras aulas. A clarificação de regras é indispensável, tanto da escola como da própria aula, visto que alguns alunos agem de forma inadequada, muitas vezes por desconhecerem o que deles se espera. Os próprios alunos podem perfeitamente ser envolvidos na elaboração dos procedimentos e das normas, especialmente quando estão relacionados com os mesmos, conforme nos refere Veiga (2007); após a sua elaboração é importante ser coerente na sua aplicação, podendo explicar-se as consequências que poderão advir do seu incumprimento.

Desde o início os alunos deverão entender que para um bom funcionamento da aula devem existir normas, e estas são para serem devidamente cumpridas. O professor deve mostrar-se sempre seguro e calmo, flexível mas coerente, e antes de repreender o aluno deve referir o que este tem de positivo (Amado & Freire, 2009). Tal como nos refere Cerezo (2001), o professor deve prestar atenção aos casos de alunos que vivem precariamente, especialmente se houver dificuldades alimentares; estar atento a possíveis alunos vítimas de maus tratos familiares; não fazer críticas em público; dar atenção a alunos

Violência e Indisciplina no Contexto Escolar tímidos e que são colocados de lado pelos colegas e receber os pais e encarregados de educação procurando pô-los ao corrente da situação dos seus educandos. Em resumo, criar uma situação significativa de conhecimento mútuo com os alunos, de modo a estes verem nele um amigo que os pode ajudar a resolver um determinado número de problemas (Ibidem).

Na sala de aula deverá existir um pequeno centro de recursos que os alunos usarão quando precisarem, como lápis, papel, manuais suplementares, … Explicar com clareza os moldes em que será processada a avaliação, ensinando-os a “saber estudar”; o aluno deve perceber que o professor se interessa por ele e pelo que faz, e deseja o seu sucesso. O uso de questionários de avaliação do professor pelos alunos (anónimos), pode fornecer ao primeiro um feedback promotor do aperfeiçoamento do seu trabalho e da relação estabelecida com os discentes (Arends, 1995).

As competências comunicacionais com os alunos, segundo Valente et. al. (1992), são fundamentais para os métodos de ensino, envolvendo tempo para pensar, extracção de opiniões, explicação de argumentos, interpretação de ideias, identificação de inconsistências, evidência de pressupostos, revisão de consequências e elaboração de alternativas.

A gestão flexível dos currículos que tem sido tão falada nos últimos anos, poderá também servir para a prevenção da indisciplina na sala. Sabemos que muitos alunos desistem da escola por não estarem interessados no que lhes é ensinado, não entendem o que lhes é dito pois não está relacionado com o que sabem. Teixeira (1995, p. 112), refere-nos que “ …o professor precisa de conhecer o aluno, conhecê-lo na sua história, no que para ele é significativo”. Isto envolve um conhecimento de cada aluno, do lugar onde mora, do seu meio de vida, dos seus valores e do seu dia-a-dia.

Se a turma é problemática deverá haver mais cuidado na preparação das aulas, com estratégias diversificadas e motivantes que envolvam todos os alunos. Estes, têm de acreditar que aquilo que o professor ensina está ao alcance de todos e que só não aprendem se não quiserem (Ibidem).

Devem ser criadas situações que permitam que o aluno observe, experimente, reflicta e discuta (Gordon, 1990), ideia reforçada por Amado (2000), referindo

Violência e Indisciplina no Contexto Escolar que são uma boa maneira de facilitar a aprendizagem e prevenir situações de indisciplina.

Observar a aula e o que nela se passa é também importante, manter o contacto visual com os alunos, falar baixo em vez de gritar com eles, uma vez que é susceptível de despertar a curiosidade daquilo que o professor diz (Ibidem).

O aluno tem de sentir que o professor o estima e o respeita por aquilo que ele é, embora o seu mau comportamento não possa ser aceite na sala. Assim, devemos falar com ele e fazer-lhe entender que o seu comportamento não é o mais adequado, tentando compreender os seus pontos de vista. É importante que ele sinta a estima e a vontade do professor em o ajudar e que saiba que tem alguém a quem recorrer se necessitar de ajuda.

Muitas vezes, mais do que os psicólogos ou os pais, os professores conseguem verdadeiros milagres com os seus discentes.

2.8.1. Procedimentos Disciplinares e Punitivos

Como referimos anteriormente, interessa saber como actuam os professores no contexto da sala de aula. Os comportamentos desviantes exigem mais atenção, mas também têm de ser corrigidos ou sancionados, não tanto no sentido de os professores se protegerem e afirmarem a sua posição pessoal face aos constrangimentos e à pressão dos alunos, mas mais no sentido de criarem situações que propiciem um favorável ambiente de trabalho.

Quando o professor tem uma reacção ao comportamento desviante do aluno, esta reacção é medida por um conjunto de factores que ao longo do tempo têm uma evolução histórica determinante do conceito de educação, conforme nos refere Estrela (1986), e de punição, referido por Prairat (1994), e entendida como todo um conjunto de valores pessoais e sociais, de princípios mais ou menos práticos de alternativas conhecidas, das características da personalidade (Boulton, 1998) e das consequências pessoais que derivam de se exercer ou não autoridade, tornando difícil estabelecer um consenso acerca do valor educativo, como afirma Domingues (1995).

Violência e Indisciplina no Contexto Escolar Boulton (1998), realizou um estudo junto de diversos professores com base na análise das suas reacções em situação de vídeo gravação e propôs uma classificação destes procedimentos disciplinares, estabelecendo uma relação com o tipo de situações causais e com a natureza de auto-estima dos seus responsáveis.

No entanto, a investigação sobre estes temas ainda é dispersa, o que não ajuda a uma exposição concisa e ordenada das principais conclusões.

Amado (1991), refere os procedimentos preventivos como fundamentais, sendo que os correctivos e os punitivos devem constar das alternativas do professor e serem empregues na ocasião devida e adequadamente, mediante a persistência e a gravidade dos problemas.

A expulsão da aula e a suspensão do aluno são procedimentos punitivos, muitas vezes bem aceites pelos mesmos em nome da ordem na aula. Mas o castigo só trava a indisciplina por um tempo curto e não produz uma mudança de comportamento que perdure muito tempo.

Verificamos que muitas vezes, os pais de alunos de meios sociais mais desfavorecidos apoiam este tipo de punição, como nos referem Coldron & Boulton (1996).

Entendido mediante um ponto de vista interactivo e contextualizado, alguns procedimentos punitivos (ainda que diferentes dos do passado), não foram colocados de lado; condições existem em que os próprios alunos os consideram justos e necessários.

Interessa é tentar corrigir estes comportamentos desviantes dos alunos, e pensarmos que a melhor forma de o fazer é a prevenção, tentando antecipar soluções para que determinadas situações sejam banidas de uma vez por todas da sala e da escola.

2.9. Supervisão como Medida Preventiva da Violência e Indisciplina

No documento Indisciplina e violência escolar. (páginas 76-79)