4.2 As empresas pesquisadas
4.2.3 Construtora Norberto Odebrecht
A Construtora Norberto Odebrecht ocupa posição de destaque no cenário nacional e internacional no segmento em que atua. Sua história é marcada por um expressivo desenvolvimento, pelo crescimento de suas operações e pela forte participação no mercado internacional.
Maior empresa em seu setor na América Latina, possui faturamento médio anual de cerca de 6 bilhões de reais. Presta serviços integrados de engenharia, suprimento, construção, montagem e gerenciamento de obras civis, industriais e de tecnologia especial. Desenvolve empreendimentos imobiliários e participa de projetos especiais nos setores de energia, infra- estrutura, mineração e serviços públicos (ODEBRECHT, 2006).
Em 1944, o recém-formado engenheiro Norberto Odebrecht fundou sua empresa individual e deu continuidade à tradição construtiva de sua família. Seu avô Emil Odebrecht foi o primeiro da família a vir da Alemanha para o Brasil. Já naquela época, participou da demarcação de terras, de levantamentos topográficos e da construção de estradas no sul do País. Emílio Odebrecht, um de seus netos e pai de Norberto, foi um dos pioneiros no uso de concreto armado no Brasil (ODEBRECHT, 2005). Nas palavras de Norberto Odebrecht:
Em 1944, quando precisei fundar uma empresa individual de construção, recebi de meu pai o mais importante ativo que uma empresa pode ter: pessoas educadas para servir. Os mestres-de-obras e suas respectivas equipes, que se dispuseram a integrar a pequena empresa que nascia, haviam sido treinados para dirigir canteiros de obras com autonomia e determinação (ODEBRECHT, 2004).
Fundada na Bahia, a Construtora Norberto Odebrecht tornou-se responsável, em seus primeiros anos, por obras de porte e foi conquistando o mercado baiano. Em 1953, conseguiu um importante cliente: a recém-criada Petrobras. Em 1959, patrocinou sua primeira publicação cultural, o livro Homenagem à Bahia Antiga.
Com a criação da Sudene em 1959, para incentivar a industrialização do Nordeste, a empresa deparou-se com novas oportunidades de crescimento. Em 1962, teve início a expansão regional dos negócios com a abertura de uma filial no Recife.
Em 1969, a empresa foi contratada para construir o edifício-sede da Petrobras no Rio de Janeiro, iniciando sua trajetória de atuação nacional. Nos anos seguintes, participou de vários projetos que marcaram a época de intenso crescimento que se viu no país. De 1973 a 1975, a empresa expandiu atividades e atou em projetos que iam do Amazonas a Santa Catarina.
O esgotamento do “milagre brasileiro” promoveu brusca redução de oportunidades de negócio e levou a empresa ao mercado externo e à diversificação. Em 1979 foi criada a Odebrecht Perfurações Ltda. (OPL), os investimentos em petroquímica foram iniciados e foram firmados os primeiros contratos internacionais, no Peru e no Chile.
Em 1980, para fortalecer a área de engenharia, a empresa incorporou a Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO), para assegurar a capacidade técnica e qualificações necessárias à sua entrada no negócio de construção de barragens. A partir dessa iniciativa entrou no negócio de construção de barragens. Em 1981, foi criada a holding Odebrecht S.A., para preservar as concepções filosóficas e direcionar os negócios da organização (ODEBRECHT, 2006).
Em 1984, teve início a atuação em Angola e em 1986 a empresa entrou no mercado argentino com a construção da Hidrelétrica de Pichi-Picún-Leufú (PPL), na Patagônia. Em 1987, prosseguindo com a expansão na América do Sul, a empresa começou a atuar no
Equador.
Em 1988, outro importante passo na internacionalização da Norberto Odebrecht: em Portugal, adquiriu a empresa portuguesa José Bento Pedroso & Filhos, rebatizada de Bento Pedroso Construções (BPC).
No início dos anos 1990, o foco internacional da Odebrecht desloca-se para o chamado Primeiro Mundo. Já em 1991, torna-se a primeira empresa brasileira a vencer uma concorrência pública nos Estados Unidos. No mesmo ano chega à Inglaterra, ao incorporar a SLP Engineering, uma das principais construtoras offshore do Reino Unido, com o objetivo de prestar serviços às empresas produtoras de petróleo e gás no Mar do Norte. Chega também à Alemanha, no segmento de construção civil (ODEBRECHT, 2005).
Em 1992, a empresa iniciou operações no México e começou a construir a barragem Los Huites, no Rio Fuerte. Em 1993, conquistou o primeiro contrato em regime de concessão fora do Brasil: a autopista do acesso oeste a Buenos Aires. Para a holding, a década de 1990 foi marcada pela ampliação dos investimentos nas demais áreas do negócio, além da continuidade dos serviços de engenharia e construção.
Em 2003, a Odebrecht celebrou o milésimo funcionário a atingir 25 anos na empresa. Em 2004, a organização Odebrecht completou 60 anos de atividades. No mesmo ano, voltou a atuar na América Central, com a construção do Aqueduto Noroeste, na República Dominicana. Em 2004, foi para o Oriente Médio, abrindo uma base de operações nos Emirados Árabes Unidos.
Em 2005, foi criada a Odebrecht Logística e Exportações (OLEX), que, além de apoiar os contratos da Odebrecht no exterior com exportações, presta serviços de consultoria e fornece soluções de logística integrada a outras empresas exportadoras.
Em relação à estrutura empresarial da holding Odebrecht S.A., são três as grandes áreas de negócio:
a) Engenharia e construção. A Construtora Norberto Odebrecht S. A. é a empresa líder nesse segmento.
b) Química e petroquímica. Braskem S.A. é a empresa líder.
c) Investimentos em infra-estrutura. A empresa líder dessa área de negócios é a Odebrecht Investimentos em Infra-estrutura Ltda.
O grupo conta ainda com duas instituições auxiliares: Odebrecht Administradora e Corretora de Seguros Ltda. (OCS) e Odebrecht Previdência (Odeprev). No segmento de ação social, o grupo tem a Fundação Odebrecht.
Em 31 de dezembro de 2005, a Odebrecht Engenharia e Construção mantinha 27.159 postos de trabalho diretos. Ao longo do ano, 6.296 novos integrantes foram contratados. No Brasil, eram 18.019 funcionários e, no exterior, outros 9.140 (ODEBRECHT, 2005).
Em termos de exportação de serviços de engenharia e construção, a empresa tem conquistado novos contratos, ano a ano. Segundo informações do Relatório Anual de 2005, a construtora Norberto Odebrecht
continuou a crescer de forma expressiva no setor de exportação de serviços, assegurando o ingresso de mais de US$ 650 milhões em divisas para o Brasil, relativos a mais de 60 mil itens exportados, com geração de 130 mil empregos diretos e indiretos no país e criação de inúmeras oportunidades de novos negócios no exterior. Para isso, contou com o apoio de mais de 1.400 empresas (1.140 das quais pequenas e médias), fornecedoras de bens e serviços brasileiros para 14 países em 2005 (ODEBRECHT, 2005).
A Construtora Norberto Odebrecht também ganha destaque no ranking das 500
Grandes da Construção, elaborado pela O Empreiteiro. Nos anos de 2005 e 2006, ocupou a
primeira posição, conforme demonstra a TAB. 6.
TABELA 6
Norberto Odebrecht: indicadores, segundo o ranking da engenharia brasileira
Ano Posição no ranking Faturamento (R$ bilhões) Patrimônio (R$ milhões) Total de empregados Pessoal de nível universitário 2005 1ª 3,296 2,014 21.863 1.678 2006 1ª 3,849 1,909 27.159 1.686
Segundo essa mesma publicação, 56% dos contratos da empresa em 2005 foram realizados com o setor público e 43% com o setor privado. Em 2006, mantiveram-se os mesmos percentuais.
Somados a este desempenho, outros indicadores permitem dimensionar o porte da construtora Norberto Odebrecht, conforme apresenta a TAB. 7.
TABELA 7
Construtora Norberto Odebrecht e controladas: indicadores econômico-financeiros
Indicador 2002 2003 2004 2005
Receita bruta (R$ bilhões) 4,33 4,55 5,84 6,33
Contratos em carteira Brasil (R$ bilhões) n.d.* 2,97 3,60 3,78
Contratos em carteira exterior (US$ bilhões) n.d. 2,19 2,33 2,33
Contratos conquistados Brasil (R$ bilhões) n.d. 1,31 2,39 2,19
Contratos conquistados exterior (US$ bilhões) n.d. 0,91 1,41 1,81
Fonte: Relatório Anual 2003, 2004 e 2005
* n.d.: não disponível. Dados apresentados a partir do Relatório Anual de 2003.
Os indicadores econômico-financeiros evidenciam o expressivo volume de recursos gerados a partir das atividades da empresa no seu segmento de engenharia e construção. A receita bruta demonstra crescimento nos quatro anos analisados.
O ranking elaborado pela revista Exame traz indicadores acerca do tamanho da construtora e de seu desempenho. A TAB. 8 mostra que a empresa movimenta elevados valores e que nos dois anos considerados melhorou sua posição nos quesitos analisados.
TABELA 8
Norberto Odebrecht: indicadores de desempenho, segundo a publicação Melhores e Maiores
Indicador Dados de 2005 Dados de 2004
Posição entre as 500 maiores empresas privadas 55 63
Posição entre as 500 maiores empresas 64 74
Vendas (US$ milhões) 1.709,1 1.306,5
Crescimento em vendas (%) 14,0 Não apurado
Lucro líquido ajustado (US$ milhões) 44,4 54,1
Riqueza criada (US$ milhões) 456,1 458,1
FONTE: PORTAL EXAME – Melhores e Maiores.com (2006) *n.i.: não informado
Esses e outros resultados obtidos pela empresa a colocam em posição de destaque nos mais diversos rankings, como mostra o QUADRO 6.
QUADRO 6
Norberto Odebrecht: desempenho em rankings
ANO CATEGORIA RANKING
REVISTA EXAME
2006 As 50 maiores exportadoras (por vendas) 10º
2006 As 10 maiores do setor de construção em liderança 1º
2006 As maiores do setor de construção (por receita operacional
bruta)
1º
O EMPREITEIRO
2006 Ranking da Engenharia Brasileira (construtoras) 1º
CARTA CAPITAL
2005 As mais admiradas (setor construção pesada) 1º
GAZETA MERCANTIL
2005 Ranking da construção pesada 1º
ENR – Engineering News Record
2006 As 225 maiores construtoras internacionais 21º
2006 As 225 construtoras globais 57º
2005 As 20 maiores construtoras internacionais de rodovias 7º
2005 As 20 maiores construtoras internacionais em abastecimento
de água
5º
2005 As 10 maiores construtoras internacionais em hidrelétricas 1º
2005 As 5 maiores construtoras internacionais em saneamento e
galerias pluviais
1º
VALOR
2006 As maiores empresas do setor de engenharia e construção 1º
A partir da realização de obras em diversos países do mundo, a construtora expandiu sua presença no exterior. O ranking da ENR mostra a empresa em posição de liderança em segmentos específicos de construção, o que atesta sua forte presença no mercado internacional de construção. A relação dos países em que já atuou (ou ainda atua) e o tempo de permanência no local dão provas da intensa atuação internacional:
1. África do Sul: 1994-1997 2. Alemanha: 1993-1997 3. Angola: desde 1984 4. Argentina: desde 1987 5. Bolívia: desde 1983 6. Botsuana: 1995-1997 7. Chile: desde 1979 8. Cingapura: 1991-1997 9. Colômbia: desde 1993 10.Congo: 1988-1989 11.Costa Rica: 1994-1995 12.Djibuti: desde 2004 13.Equador: desde 1988 14.Espanha: 1996-1997
15.Estados Unidos: desde 1991 16.Gabão: 1989 17.Índia: 1988-1991 18.Inglaterra: 1991-2002 19.Malásia: 1996-1997 20.México: desde 1991 21.Moçambique: 1994-1997 22.Paraguai: 1973-1977 23.Peru: desde 1979 24.Portugal: desde 1988
25.Rep. Dominicana: desde 2003
26.Emirados Árabes Unidos:
desde 2003
27.Uruguai: desde 1993 28.Venezuela: desde 1993
Dos 28 países listados, a empresa permanece atuando, desde a entrada, em 15. Em alguns, como Chile, Peru e Bolívia, está há mais de 20 anos. Em poucos casos, a presença foi esporádica, apenas para a realização de obra cujo término determinou a saída do país.
No Relatório Anual de 2004, a empresa expõe sua visão de futuro. A chamada “Visão 2010” corresponde ao projeto da empresa para a década. Nela, referências básicas foram referendadas:
- Rumo: Sobreviver, crescer, perpetuar.
- Filosofia empresarial: Tecnologia Empresarial Odebrecht. - Cenário: Interesses da sociedade.
- Agentes: Acionistas, empresário-parceiro e clientes. - Base político-estratégica: Brasil.
- Competitividade: global
A Visão 2010 inclui, ainda, os objetivos da empresa. São eles:
Ser um dos cinco maiores Grupos Empresariais Privados não-Financeiros do hemisfério sul, Líder nos segmentos em que atua, com relevante atuação internacional.
Ser reconhecida por ser a escolha dos Clientes, pela capacidade de empresariar, de atrair Talentos e de formar novos Empresários. Ter sólida Estrutura de Capital e ser referência em Rentabilidade e em Criação de Valor para os acionistas.
Ter Faturamento anual superior a US$ 15 bilhões e Valor maior que US$ 20 bilhões dos Negócios que controla ou dos quais integra o grupo de controle. Ter Imagem diferenciada nos locais de atuação e ser motivo de Orgulho Nacional no Brasil (ODEBRECHT, 2006).
Esses e os demais aspectos expostos nessa caracterização inicial oferecem uma visão ampla da Construtora Norberto Odebrecht. Outros temas serão trazidos à luz quando da apresentação das demais análises, nas próximas seções.
A Construtora Queiroz Galvão será a próxima a ser apresentada, encerrando a caracterização inicial que se propôs fazer.