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Consumo e digestibilidade aparente da matéria seca

No documento FERNANDA SAMARINI MACHADO (páginas 53-56)

CAPÍTULO III – CONSUMO E DIGESTIBILIDADE APARENTE, EM OVINOS,

3.4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.4.2. Consumo e digestibilidade aparente da matéria seca

Os valores médios de consumo de matéria verde, consumo de matéria seca, consumo de matéria seca por peso metabólico, digestibilidade aparente da matéria seca e consumo de matéria seca digestível por peso metabólico das silagens dos híbridos de sorgo BRS 610, BR 700 e BRS 655 em três estádios de maturação (leitoso, pastoso e farináceo) estão apresentados na Tabela 3.

O consumo de matéria verde (CMV) variou de 2,54 Kg a 4,56 Kg por dia. No estádio leitoso o híbrido BRS 610 proporcionou maior CMV do que o BR 700, enquanto que o BRS 655 mostrou valores intermediários e semelhantes aos demais materiais. No estádio farináceo não houve diferença no CMV entre os híbridos, mas no estádio farináceo o BR 700 apresentou valores inferiores ao BRS 610 e ao BRS 655, que foram semelhantes entre si. Não houve influência do estádio de maturação sobre o CMV para todos os materiais. O parâmetro consumo de matéria verde apresenta importância na transferência de informações para os produtores rurais, mas não permite comparação adequada entre os alimentos, principalmente volumosos, já que há grande variação nos teores de umidade entre cultivares e entre estádios de maturação.

Tabela 3. Valores médios de consumo de matéria verde (CMV) em Kg/dia, consumo de matéria seca (CMS) em gramas por dia, consumo de matéria seca por peso metabólico (CMS-PM) em gramas por Kg 0,75 por dia, digestibilidade aparente da matéria seca (DAMS) em porcentagem (%) e consumo de matéria seca digestível por peso metabólico (CMSD-PM) em gramas por Kg 0,75 por dia das silagens dos híbridos de sorgo BRS 610, BR 700 e BRS 655 em três estádios de maturação (leitoso, pastoso e farináceo)

Híbridos CMNa CMSb ParâmetrosCMS-PMc DAMSd CMSD-PMe

Leitoso BRS 610 4,56 Aa 987,81 Aa 54,46 Aa 49,58 Aa 26,88 Aa BR 700 3,17 Ba 948,49 Aa 52,53 Aa 56,02 Aa 29,26 Aa BRS 655 3,90 ABa 843,33 Aa 46,18 Aa 53,65 Aa 24,64 Aa Pastoso BRS 610 4,17 Aa 991,86 Aa 56,73 Aa 56,67 Aa 32,19 Aa BR 700 3,07 Aa 1012,29 Aa 56,53 Aa 48,59 Aa 27,40 ABa BRS 655 3,40 Aa 822,23 Aa 45,90 Ba 51,76 Aa 23,85 Ba Farináceo BRS 610 4,11 Aa 1104,86 Aa 59,99 Aa 50,58 Aa 30,43 Aa BR 700 2,54 Ba 997,82 Aa 55,12 Aa 51,45 Aa 28,42 Aa BRS 655 3,71 Aa 918,44 Aa 51,20 Aa 48,53 Aa 24,72 Aa Médias seguidas por letras maiúsculas iguais, na mesma coluna e no mesmo estádio de maturação, indicam igualdade estatística entre os híbridos pelo teste SNK (p>0,05). Letras minúsculas na mesma coluna comparam o mesmo híbrido entre os estádios de maturação, sendo que letras minúsculas iguais indicam igualdade estatística pelo teste SNK (p>0,05); aCV = 21,45%; bCV = 20,75%; cCV = 11,02%; dCV = 12,22%; eCV = 14,55%.

Dessa forma, o consumo de matéria seca (CMS) apresenta-se mais adequado. Os valores de CMS variaram entre 843,33 gramas e 1104,86 gramas por dia. Não houve interação entre híbrido e estádio de maturação, sendo que todos os híbridos proporcionaram CMS semelhantes em todas as idades de corte (P>0,05). O maior teor de matéria seca da silagem do BR 700 justifica o CMS semelhante aos demais híbridos apesar do menor CMV. O consumo de matéria seca, em gramas por dia, é influenciado pela espécie do animal, bem como pelo porte do mesmo, já que há diferenças na capacidade do trato gastrointestinal, taxa de passagem, metabolismo, entre outros.

Assim, a expressão do consumo de matéria seca, bem como de outros parâmetros, por peso metabólico (PM), o qual é dado pelo peso vivo elevado a 0,75, é útil na comparação de taxas metabólicas de animais em diferentes tamanhos corporais uma vez que o PM é relativo à área de superfície corporal. Os valores de consumo de matéria seca por PM (CMS-PM) variaram de 45,90 gramas/PM/dia a 59,99 gramas/PM/dia. Não houve influência do estádio de maturação sobre o CMS-PM para todos os híbridos (P>0,05). Comparando os materiais em um mesmo corte, no estádio pastoso, o BRS 655 apresentou menor valor (45,90 g/PM) em relação aos demais híbridos (P<0,05), que foram semelhantes entre si (P>0,05). Já nos estádios leitoso e farináceo, não houve diferença estatística entre os materiais, apesar da superioridade numérica do BRS 610.

Considerando a necessidade de consumo mínimo para mantença de ovinos adultos de 46 g/dia por kg0,75, pelo AFRC (1993) e de 53,19 g/dia por kg0,75, pelo NRC (1985), podem ser observados valores acima dos recomendados para o BRS 610 nos três pontos de corte avaliados, com consumo entre 54,46 e 59,99 g /PM/dia. Para o BRS

655 os consumos observados nos estádios leitoso e pastoso (45,90 e 46,18 g /PM/dia) mostraram-se no limite inferior da recomendação do AFRC (1993), estando acima apenas no estádio farináceo (51,20 g /PM/dia). A variação obtida para o BR 700 de 52,53 a 56,53 g /PM/dia também encontra-se próxima às necessidades de mantença dos animais.

O menor consumo do BRS 655 em relação aos demais híbridos no estádio pastoso pode estar relacionado ao maior teor de FDN desse material nesse ponto de corte. Apesar de não haver diferença estatística, o BRS 655 apresentou menores valores numéricos de consumo também no estádio leitoso e farináceo. As sobras dos animais alimentados com silagem desse híbrido mostravam-se como um “emaranhado de fibras”, sendo seus teores de FDN (66,90%) superiores aos das sobras do BRS 610 (63,01%) e BR 700 (62,05%).

O BRS 610 mostrou maiores valores numéricos para o CMS-PM do que os outros híbridos, em todos os corte, apesar da semelhança estatística (P>0,05) observada. Assim, a ausência de taninos nesse material, bem como os menores teores de FDN em relação aos demais nos estádios pastoso e farináceo, podem ter colaborado para os maiores valores numéricos de consumo, mas as diferenças não foram suficientes para promoverem diferença estatística. Pires (2006), comparando os consumos voluntários de MS de silagens de sorgo, não observou diferença entre linhagens isogênicas de sorgo granífero, uma com e outra sem tanino. Da mesma forma, o autor obteve CMS semelhantes entre os híbridos BR 601, sem tanino, e o BR 700, com tanino. Gomide et al. (1987) observaram maior CMS para sorgos graníferos (62 g/PM/dia) em relação a variedades forrageiras (32 g/PM/dia). Pereira et al. (1993) encontraram valores médios consumo de

matéria seca de 61,3 g/PM/dia, 81,7 g/PM/dia e 74,6 g/PM/dia para sorgos de porte alto, médio e baixo, respectivamente. Martins (2000) obteve maior CMS para o BR 700 (65,0 g/PM/dia) do que o observado no presente trabalho. Pires (2003) observou menores consumos de matéria seca para sorgos forrageiros (entre 28,16 e 33,54 g/PM/dia) do que para sorgos graníferos (entre 50,85 e 51,24 g/PM/dia). Os resultados de consumo obtidos na comparação de silagens de sorgo com outros volumosos são variados. Mizubuti et al. (2002), observaram que os valores de CMS das silagens de milho (63,24 g/PM/dia) e de girassol (62,25 g/PM/dia) não diferiram entre si (P>0,05), mas foram significativamente maiores (P<0,05) que as encontradas para a silagem de sorgo (48,06 g/PM/dia). O CMS de silagens de milho, sorgo e girassol em carneiros, também foi estudado por Almeida et al., (1995), que não encontraram diferença significativa (P>0,05) para o consumo de matéria seca entre as silagens de milho (61,0 g/PM/dia) e girassol (61,0 g/PM/dia). Entretanto,

relataram que estes foram

significativamente (P<0,05) superiores ao consumo de MS da silagem de sorgo (56,7 g/PM/dia). Pereira et al. ( 1993) trabalharam com silagens de milho e sorgo de porte médio em carneiros e observaram que não houve diferença no CMS entre as silagens de milho (79,9 g/PM/dia) e de sorgo (81,7 g/PM/dia) (P>0,05).

Para as digestibilidades aparentes da matéria seca (DAMS), não houve variação entre híbridos, dentro do mesmo estádio de maturação, e entre idades de corte, para o mesmo híbrido (P>0,05). Os valores encontrados variaram de 48,53% a 56,67%. A partir desse parâmetro, podem ser obtidos os dados de consumo de matéria seca digestível por peso metabólico (CMSD- PM), que oscilaram no presente experimento entre 23,85 g/PM/dia e 32,19 g/PM/dia. Os três híbridos não

apresentaram variação no CMSD-PM com o avanço dos estádios de maturação (P>0,05). No estádio pastoso, o BRS 655 mostrou menor valor do que o BRS 610, enquanto que o BR 700 apresentou valor intermediário e semelhante aos demais. O menor consumo de matéria seca digestível para o BRS 655 nesse estádio de maturação deve-se ao menor consumo de matéria seca, já que a digestibilidade aparente da matéria seca desse tratamento foi semelhante ao demais híbridos. Nos outros estádios de maturação não houve diferenças entre os CMSD-PM dos híbridos avaliados (P>0,05).

Pires (2006) obteve valores de DAMS para duas linhagens de sorgo granífero de 72,67% e 64,94%, enquanto que para o BR601 e BR 700, os valores foram 67,06% e 49,79%, respectivamente. Os valores de CMSD-PM observado por esse autor para o BR 700 (20,75 g/PM/dia) foi inferior ao observado no presente trabalho para o mesmo híbrido (27,40 a 29,26 g/PM/dia). Entretanto, Martins (2000) mostrou maiores valores de DAMS (52,16%) e CMSD-PM (33,86 g/PM/dia) para o BR 700.

O efeito do avanço da maturidade sobre a digestibilidade é variável entre diferentes materiais devido às variações nas proporções das partes da planta (folhas, colmo e panícula) e pelas diferenças nos valores nutricionais dessas frações, o que interfere na qualidade final das silagens de sorgo. Zago (1992) encontrou aumentos na DIVMS de silagens de sorgo com o avanço da idade, em decorrência do aumento da participação da panícula na MS da planta, que é a fração com maior digestibilidade. Entretanto, Hart (1990) e Andrade e Carvalho (1992) não encontraram diferenças na digestibilidade quando a proporção de grãos era aumentada. No presente trabalho, o avanço do estádio de maturação não promoveu variação na DAMS, o que sugere que o acúmulo de amido nos grãos de sorgo compensou a

queda na qualidade da parte vegetativa das plantas. Carvalho et al.(1992) encontrou para o BR 506 (sorgo forrageiro e de colmo doce) valores de digestibilidade aparente da MS de 61,37%, 63,70% e 61,97%, para os estádios leitoso, farináceo e duro, respectivamente.

Machado (2009), avaliando a qualidade de silagens de sorgo, confeccionadas em silos laboratoriais de PVC, observou valores de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) entre 50,73% e 55,55% para o BRS 610, entre 51,69% e 53,38% para o BR 700 e de 52,11% a 55,32% para o BRS 655. Nesse experimento, o BRS 6010 apresentou aumento da DIVMS com o avanço do estádio de maturação, enquanto que o BRS 655 mostrou queda desse parâmetro. Já o BR 700 não apresentou variação na DIVMS entre os pontos de corte avaliados. Faria Jr. (2008), avaliando o híbrido BRS 610 em oito estádios de maturação, obteve teores de DIVMS entre 45,05% e 60,52%, ocorrendo reduções significativas dos valores a partir do estádio pastoso. Araújo et al.(2007) não observaram variações na DIVMS com o avanço da idade de corte, sendo as médias de 47,2%, 50,7% e 52,2% para os híbridos BR 700, BR 701 e MASSA 03, avaliados em cinco estádios de maturação. Nos trabalhos de Corrêa (1996) e Pires et al. (2006) o efeito do estádio de maturação sobre a digestibilidade no sorgo apresentou comportamento variável para os diferentes híbridos avaliados.

Além do estádio de maturação, proporção de grãos na massa ensilada e qualidade da fibra, a digestibilidade da silagem de sorgo pode ser influenciada pela presença de taninos, que são conhecidamente inibidores da digestibilidade dos alimentos (Saba et

al., 1972; Nunez-Hernandez et al., 1991;

Zago, 1991). Entretanto, no presente trabalho não houve diferença estatística (P>0,05) na DAMS entre o BRS 610, híbrido sem tanino, e o BRS 655 e BR700, ambos com tanino. Da mesma forma, Borges (1995), avaliando híbridos com e sem tanino, não observou redução da DIVMS pela presença de taninos, ao contrário do que se esperava. Além disso, o autor mostrou que a ensilagem provocou redução significativa nos teores de tanino, apesar dessa diminuição não ter resultado em aumento na DIVMS. Já Pires (2006) relatou menor digestibilidade aparente da MS para a silagem do híbrido BR 700, com tanino, em relação ao BR 601, sem tanino, evidenciando o efeito desse composto sobre a DAMS.

Mizubuti et al. (2002) obtiveram DAMS da silagem de girassol (59,28%) superior a da silagem de sorgo (48,50%), enquanto que a silagem de milho apresentou DAMS intermediária (55,87%), sendo semelhante a ambos. Esses dados concordam com os obtidos por Pereira et al., (1993), Pimentel et al. (1998) e Nichols et al. (1998), que não encontraram diferenças (p>0,05) entre as digestibilidades das silagens de milho e sorgo.

3.4.3. Consumo e digestibilidade

No documento FERNANDA SAMARINI MACHADO (páginas 53-56)