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Conta de Consumo de Combustíveis – CCC

2. CONCESSIONÁRIA DE DISTRIBUIÇÃO: TARIFA, ENCARGOS E

2.3. Encargos Setoriais

2.3.1. Conta de Consumo de Combustíveis – CCC

A Lei nº 5.899 de 05/07/1973 dispõe sobre a aquisição dos serviços de eletricidade da ITAIPU e outras providências, estipulando que a coordenação técnica compete a Centrais Elétricas Brasileira S.A. – ELETROBRAS, juntamente com representantes das empresas concessionárias listadas no Artigo 8º da referida lei, farão a coordenação operacional o uso racional das instalações geradoras de transmissão existentes e que vierem a existir nos sistemas interligados das Regiões Sudeste e Sul do Brasil.

Inicialmente, a CCC, conforme previsto no inciso III do art. 13 da Lei nº 5.899/73, teve como diretriz básica de criação o rateio dos ônus e das vantagens do consumo de combustíveis fósseis voltado à otimização da operação dos sistemas elétricos interligados.

O item III do Artigo 13 desta Lei dispõe “que os ônus e vantagens decorrentes do consumo dos combustíveis fósseis, para atender às necessidades dos sistemas interligados ou por imposição de interesse nacional, sejam rateados entre todas as empresas concessionárias daqueles sistemas, de acordo com critérios que serão estabelecidos pelo Poder Executivo.”

Segundo a ABRACE (2012), “posteriormente, a diretriz inicial foi ampliada para abranger o rateio de combustíveis, também nos sistemas elétricos isolados, nos termos do art.

8º da Lei nº 8.631/93, que previu a incidência da CCC-Isolado sobre todos os concessionários distribuidores, que atuam tanto no sistema isolado como no interligado.”

Para melhor entender o que seja o Sistema Interligado Nacional - SIN, Pinto (2018, p. 103) descreve:

...é composto por mais de 100 mil quilômetros de linhas de transmissão. É predominantemente hidrelétrico, e aproximadamente 65% da sua capacidade de armazenamento se localiza no chamado quadrilátero dos reservatórios, que compreende parte dos estados de MG, GO e SP, ao longo das áreas em que se concentram as bacias de quatro grandes rios: São Francisco, Grande, Tocantins e Paranaíba. Ter reservatórios de grande capacidade consequentemente faz com que o SIN tenha uma dependência das chuvas — onde, quando e quanto irá chover são as questões mais importantes. A administração desses fluxos de armazenamento dos reservatórios é o que leva ao atendimento de energia elétrica do SIN, que é dividido geopoliticamente em quatro subsistemas: Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e a maior parte da região Norte, que, mesmo interligados, têm características próprias de operação e planejamento. O ONS prepara diariamente um relatório energético de todo o SIN.

O SIN é considerado um sistema de produção e transmissão de energia elétrica que “é um sistema hidro-termo-eólico de grande porte, com predominância de usinas hidrelétricas e com múltiplos proprietários. O Sistema Interligado Nacional é constituído por quatro subsistemas: Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e a maior parte da região Norte.” (ONS, c2020a)

A Figura 6 mostra as linhas de transmissão brasileiras que forma o SIN.

Figura 6: Mapa com a Linhas de Transmissão que formam o SIN Brasileiro Fonte: ONS (c2020b)

Segundo o site da ONS (c2020a), “a interconexão dos sistemas elétricos, por meio da malha de transmissão, propicia a transferência de energia entre subsistemas, permite a

obtenção de ganhos sinérgicos e explora a diversidade entre os regimes hidrológicos das bacias. A integração dos recursos de geração e transmissão permite o atendimento ao mercado com segurança e economicidade.”

Já os Sistemas Isolados, segundo PINTO (2018, p. 104):

... (dispostos juridicamente pela Lei no 12.111 de 9 de dezembro de 2009) se conectaram ao SIN e compreendiam os estados do Amazonas, Amapá, Roraima, Pará (exceto a cidade de Belém), Mato Grosso e a ilha de Fernando de Noronha. Em 2008, a comunidade de Batavo, em Balsas (MA), e a ilha de Camamu (BA) entraram para o SIN. Depois, em 2009, os estados do Acre e de Rondônia também se interligaram.1 Esses sistemas eram abastecidos majoritariamente por usinas térmicas movidas a diesel e óleo combustível e, em menor escala, por PCH, CGH e termelétricas movidas a biomassa. Apesar de estarem localizados em 45% da área territorial brasileira, com cerca de 1,2 milhão de consumidores, os sistemas isolados respondiam apenas por 3,4% da energia elétrica produzida no país (2010). Após a interligação do Acre e de Rondônia, o mercado dos sistemas isolados alcançou, no primeiro semestre de 2010, 1,6% do total do mercado nacional. Em 2013, com a interligação de Manaus e Macapá ao SIN, chegou a menos de 1% de participação.

“Atualmente, existem 235 localidades isoladas no Brasil. A maior parte está na região Norte, nos estados de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Amapá e Pará. A ilha de Fernando de Noronha, em Pernambuco, e algumas localidades de Mato Grosso completam a lista. Entre as capitais, Boa Vista (RR) é a única que ainda é atendida por um sistema isolado. O consumo nessas localidades é baixo e representa menos de 1% da carga total do país. A demanda por energia dessas regiões é suprida, principalmente, por térmicas a óleo diesel.” (ONS, c2020c)

A Figura 7 apresenta as localidades isoladas no Brasil (Sistemas Isolados), conforme descrito pela ONS.

Figura 7: Mapa com a Localização dos Sistemas Isolados do Brasil Fonte: ONS (c2020b)

Para Barros et al (2014, p. 13):

Construir o SIN são necessárias muitas linhas de transmissão. Devido à dificuldade de construção dessas linhas na Floresta Amazônica, parte da Região Norte do país historicamente possuía uma rede isolada. Na atualidade, porém, há um plano do governo para interligar essa parte da rede ao SIN. As técnicas construtivas desenvolvidas recentemente permitem a redução do impacto ambiental provocado pela edificação desta infraestrutura, através da utilização de torres mais altas e mais espaçadas entre si. Com a interligação do sistema isolado ao SIN espera-se aumentar a confiabilidade do fornecimento de energia elétrica para a Região Norte e, ainda, obter uma redução nas despesas com a geração. Essa redução de custos é resultado da diminuição do uso de geradores movidos a óleo combustível, os quais são os responsáveis principais pela geração de energia no Sistema Isolado.

De acordo com Carneiro (2019, p. 131), a CCC “constitui reserva financeira para cobertura do custo de combustíveis fósseis funcionando como conta de compensação, por meio da qual se realiza o rateio dos ônus e das vantagens da geração térmica do respectivo sistema interligado. Desta forma, as despesas referentes aos combustíveis fósseis utilizados na geração de energia elétrica nos sistemas interligados são reembolsadas com recursos da CCC.”

A ANEEL discorre que a “CCC é uma conta cuja arrecadação é usada para cobrir os custos do uso de combustíveis fósseis (óleo diesel, por exemplo) para geração termelétrica nos sistemas Interligado e Isolado. A Conta é rateada entre todos os consumidores instalados no sistema interligado de energia elétrica do País. As distribuidoras de energia são obrigadas a recolher, mensalmente, sua quota, que, por força da legislação atual, tem que ser homologada pela ANEEL. O valor da quota é proporcional ao mercado atendido por cada empresa.” (ANEEL, s.d.)

A Lei nº 12.783 de 11/01/2013, ao alterar Lei nº 10.438 de 26/04/2002, trouxe mudança para a CCC, onde a Conta de Desenvolvimento Energético - CDE (objeto de estudo no item 3.2.2) passou a encampar suas principais atribuições. Desta forma, a arrecadação para a CCC diretamente vinculada a fixação dos valores das quotas pela ANEEL, foi extinta, podendo ser transferidos recursos da CDE para a CCC visando atender suas finalidades.

Pela Medida Provisória nº 735/2016 (convertida em Lei nº 13.360/2016), a partir de maio de 2017 a CCEE – Câmara de Comercialização de Energia Elétrica assumiu a gestão financeira e operacional da CCC.