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PIS – Programa de Integração Social

2. CONCESSIONÁRIA DE DISTRIBUIÇÃO: TARIFA, ENCARGOS E

2.4. Tributos Incidentes sobre a Tarifa de Energia Elétrica

2.4.1. PIS – Programa de Integração Social

O PIS – Programa de Integração Social pertence a esfera federal e tem por finalidade manter programas voltados ao trabalhador.

Art. 158 - A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos termos da lei, visem à melhoria, de sua condição social:

..

V - integração do trabalhador na vida e no desenvolvimento da empresa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, nos casos e condições que forem estabelecidos;

Por meio da Lei Complementar nº 7 de 07/09/1970 foi instituído o PIS, destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas, mediante Fundo de Participação constituído por depósitos efetuados pelas empresas na Caixa Econômica Federal.

A Lei Complementar nº 7/1970, em seu artigo 3º, estabelece que “o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas”, sendo dividido essa contribuição para o PIS entre a empresa e o governo federal:

a) a primeira, mediante dedução do Imposto de Renda devido, na forma estabelecida no § 1º deste artigo, processando-se o seu recolhimento ao Fundo juntamente com o pagamento do Imposto de Renda;

b) a segunda, com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento, como segue:

1) no exercício de 1971: 0,15%; 2) no exercício de 1972: 0,25%; 3) no exercício de 1973: 0,40%;

4) no exercício de 1974 e subsequentes: 0,50%.

Conforme estabelecido na letra “a” do artigo 3º da referida Lei Complementar, a dedução “será feita sem prejuízo do direito de utilização dos incentivos fiscais previstos na legislação em vigor e calculada com base no valor do Imposto de Renda devido, nas seguintes proporções:

a) no exercício de 1971: 2%; b) no exercício de 1972: 3%;

c) no exercício de 1973 e subsequentes: 5%.”

Segundo Pêgas (2018, p.3), “a alteração mais significativa na estrutura e no funcionamento do PIS/PASEP ocorreu por ocasião da promulgação da Constituição Federal de 1988. As principais mudanças são sintetizadas a seguir”:

a) O PIS/PASEP deixou de ser uma CONTRIBUIÇÃO PARAFISCAL, cujos recursos eram aplicados nas contas individuais dos trabalhadores, para ser uma CONTRIBUIÇÃO SOCIAL, com seus recursos direcionados para pagamento do seguro-desemprego, uma remuneração provisória (em torno de seis meses) aos trabalhadores que perdessem seus empregos.

b) O trabalhador que possuía conta individual no PIS/PASEP permaneceu com seu direito adquirido, recebendo anualmente o equivalente aos juros sobre o saldo e podendo utilizar este saldo por ocasião de sua aposentadoria. As contas não mais

receberam depósitos a partir da Constituição de 1988.

c) Já quem entrou no mercado de trabalho a partir de 5/OUT/88, não teria direito aos juros anuais, pelo simples fato da conta não receber depósitos regulares, aliás este trabalhador não teria a conta individual.

d) O empregado com carteira assinada e salário mensal de até dois salários mínimos tem direito anualmente a um abono, no valor de um salário mínimo.

Assim, com esta alteração significativa, o governo federal deixou de contribuir para o PIS. “Esse fato desagradou em muito a classe empresarial, que continuava arcando, na prática, com uma contribuição cobrada diretamente sobre o faturamento, encarecendo ainda mais os preços dos produtos e serviços.” (PÊGAS, 2018, p.4).

De acordo com Carneiro (2019, p. 109), “a partir de 01/02/1999, com a edição da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo da contribuição é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.”

O Artigo 3º da Lei 9.718/98, explicita que o faturamento referido no Artigo 2º corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. “A legislação, de forma arbitrária, modificou o conceito de faturamento, definindo-o como correspondente à Receita Bruta. E, pior, definiu receita bruta como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica.” (PÊGAS, 2018, p.4).

De acordo com Hauser (2017, p.160), o “Decreto nº 2.445 de 29 de junho de 1988, a alíquota passou a ser de 0,65% e o recolhimento mensal, como aplicado até hoje; e a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 é aplicada para o PIS na modalidade cumulativa.”

Com o advento da Lei nº 10.637 de 30/12/2002, Pêgas (2018, p.4) comenta que “o PIS passou a ser cobrado pelo método não cumulativo para as empresas que utilizam o lucro real como forma de tributação. As empresas tributadas pelo lucro presumido ou com seu lucro arbitrado permaneceram calculando PIS/PASEP no formato anterior.”

A referida Lei, no seu atual artigo 1º, dispões que “a contribuição para o PIS/PASEP, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.”

Para Pêgas (2018, p. 4) “as principais mudanças definidas para o método não cumulativo foram as seguintes:

a) A alíquota do PIS/PASEP passou de 0,65% para 1,65%; e

b) A empresa pode utilizar créditos permitidos em lei para deduzir o PIS/PASEP a pagar, com a alíquota majorada.”

tributárias. Além da alteração da alíquota também foi alterado o sistema de apuração de cumulativo para não cumulativo, onde há a compensação do PIS originária nas transações de compras de insumos e materiais.

A Lei nº 10.637/2002 é a responsável pela alteração da sistemática de apuração para não cumulatividade e da alíquota do PIS.

Hauser (2017, p. 164) comenta que com o advento da Lei nº 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS), “desde então, as contribuições passaram a vigorar nas duas modalidades: cumulativa e não cumulativa. Da mesma maneira que ocorre com o ICMS e o IPI, a não cumulatividade é direito à apropriação de créditos nas operações de entrada sujeitas à incidência das contribuições.

O regime de incidência não cumulativa permite que a concessionária de distribuição desconte os créditos apurados mensalmente, do PIS, sobre os custos e despesas, como por exemplo sobre a energia adquirida para revenda.