São vários os princípios contabilísticos subjacentes à apresentação das demonstrações financeiras e cada um deles contribui muitas das vezes para a prática de contabilidade criativa, da seguinte forma:
Quanto ao princípio de custo histórico (registo pelo valor de aquisição ou pelo justo valor, sendo este ultimo o mais suscetível de proporcionar a contabilidade criativa, bem como via revalorizações).
Principio do custo histórico, segundo os critérios de mensuração das demonstrações financeiras, presente na E.C, do normativo internacional “os ativos são registados pela quantia de caixa, ou equivalentes de caixa paga pelo seu justo valor da retribuição dada para adquiri-los no momento da sua aquisição” o desrespeito pelo princípio do custo histórico acontece por varias razões entre as quais se destaca valorização/desvalorização de inventários, registo do goodwill, classificar encargos financeiros como ativos.
O custo histórico pode para determinados ativos ser substituído pelo justo valor ou alterado através da revalorização dos ativos, o que influencia significativamente o aumento de indícios de contabilidade criativa nomeadamente pela subjetividade associada à sua determinação.
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Quanto ao princípio da prudência:
Podemos apontar possíveis consequências da contabilidade criativa no que diz respeito ao princípio da prudência o excesso ou falta de contabilização de provisões para riscos e gastos com depreciações, a reavaliação voluntária de ativos fixos tangíveis e intangiveis bem como o excesso de capitalização de gastos com pesquisas e desenvolvimento.
Mensuração dos elementos das Demonstrações Financeiras E.C do normativo
internacional.
São utilizadas diferentes bases de mensuração em graus diferentes e em variadas combinações nas demonstrações financeiras. Elas incluem as seguintes:
a) “Custo histórico – Quando os ativos são registados pela quantia de
caixa, ou equivalentes de caixa paga ou ainda pelo justo valor da retribuição dada para adquiri-los no momento da sua aquisição.
b) Custo corrente - Os ativos são registados pela quantia de caixa ou de
equivalentes de caixa que teria de ser paga se o mesmo ou então um ativo equivalente fosse correntemente adquirido.
c) Valor realizável - Os ativos são registados pela quantia de caixa, ou
equivalentes de caixa, que possa ser correntemente obtida ao vender o ativo numa alienação ordenada.
d) Valor presente – Os ativos são escriturados pelo valor presente
descontado dos futuros influxos líquidos de caixa que se espera que o item gere no decurso normal dos negócios, e finalmente pelo,
e) Justo valor – Que significa a quantia pela qual um ativo poderia ser
trocado ou um passivo liquidado, entre partes conhecedoras e dispostas a isso, numa transação em que não exista relacionamento entre elas”.
Neste domínio optando pela mensuração do justo valor é visível o grau de subjetividade e flexibilidade, pela forma de determinação de cada um dos valores.
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A questão é que quando não existe um mercado regulador a mensuração dos ativos e passivos pressupõem estimativas através de modelos e rácios financeiros bem como formulação de pressupostos.
A prudência é a inclusão de um grau de precaução no exercício dos juízos necessários ao fazer estimativas necessárias em condições de incertezas para que os ativos e rendimentos não sejam sobreavaliados e os passivos ou gastos não sejam subavaliados, E.C do Normativo internacional.
Contudo, trata-se de uma questão sensível na medida em que o que para uns pode ser considerado como um risco importante que necessita de ser acautelado, para outros pode ser um risco menor, e por isso sendo menos agressivos, ao qual não se aplica este princípio. Esta flexibilidade poderá originar situações em que a aplicação deste princípio dependa dos interesses dos próprios gestores e da entidade. Os ajustamentos e as provisões têm um caráter de incerteza o que favorece o uso de práticas de contabilidade criativa.
O princípio da prudência está assim fortemente relacionado com as estimativas que os gestores têm que fazer, sendo uma área propícia para alguma discricionariedade. Para avaliar a aplicabilidade deste princípio, o conhecimento do negócio e do enquadramento setorial são muito importantes para o auditor, sendo esta área das estimativas a mais difícil em julgar do lado do auditor, e por isso mesmo, em detetar práticas de manipulação de resultados por esta via.
Quanto ao princípio consistência (Relaciona-se com as alterações de registos contabilísticos alterações de métodos de contabilização de ativos e passivos, bem como insuficiência na definição concreta quanto ao momento de registo de resultados diferidos).
O princípio da consistência refere-se às alterações contabilísticas com efeitos materialmente relevantes, tais politicas e respetivas alterações devem ser divulgadas para informação do utilizador, o que não reduz a possibilidade de flexibilidade por parte do gestor.
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Neste contexto, podemos apontar como práticas comuns referente às alterações de políticas contabilísticas as mudanças voluntárias e injustificadas de métodos tais como métodos de valorimetria, métodos de registo de depreciações, políticas de contabilização arbitrária e por fim, mas não menos significante a omissão de informação obrigatória nas notas explicativas sobre essas alterações.
Por estas razões mais uma vez abordamos factos que favorecem as práticas da contabilidade criativa.
Neste campo, o auditor deve averiguar a correta divulgação das alterações de politicas contabilísticas, de forma a que, o destinatário da informação consiga ter informação sobre os respetivos impactos, sem necessidade, caso esteja divulgado, em lhe fazer referência na opinião de auditoria.
Quanto ao princípio da especialização:
O princípio de especialização dos exercícios está diretamente relacionado com o registo dos acontecimentos na data em que ocorrem. Entende-se indício a prática de contabilidade criativa o não reconhecimento de custos/proveitos no exercício diferente daquele a que respeitam.
Abordamos de seguida as situações mais vulneráveis e sujeitas à contabilidade criativa agora por rubrica.