1 INTRODUÇÃO
1.1 O CONTEXTO DA PESQUISA EM JUIZ DE FORA
Esta pesquisa foi realizada com moradores do município de Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais, e para melhor entendimento da realidade dos atores investigados é necessário compreender o contexto local onde estes personagens vivem e constroem suas histórias. Este cenário ajuda a entender as opções e as escolhas dos atores em sua trajetória de vida e principalmente, as condições a que foram submetidos. Para isto foi tomado como base os dados do Anuário Estatístico 2012, do Centro de Pesquisas Sociais da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora)10, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)11, notadamente o Censo 2010 e da Prefeitura Municipal de Juiz de Fora12. Esta opção se justifica por serem organismos reconhecidamente confiáveis, oficiais e complementares, uma vez que o CPS busca dados no IBGE, mas os complementa com outros bancos locais, não comtemplados pelo instituto.
O município de Juiz de Fora, estado de Minas Gerais está localizado no sudeste mineiro, na mesorregião da Zona da Mata, com 516.247 (Censo 2010) habitantes13, com uma área total de 1.429.875 Km2, sendo 446,551 na zona urbana e 983,324 na zona rural. Apesar desta extensão rural, o município é predominantemente urbano, com 98,90% da população vivendo na zona urbana e somente 1,23% na zona rural. A densidade demográfica é de 359.59 habitantes por km2 e o crescimento populacional é de 1,89%. O número de eleitores é de 386.901.
O município está dividido em oito zonas administrativas, subdividas em 81 regiões, sendo a maior delas a zona norte, com 16 subdivisões, 63 localidades e uma população de aproximadamente 94 mil habitantes. Todas as zonas administrativas reúnem cerca de 240 localidades ou bairros. As classes sociais estão bastante diluídas em todos os pontos da cidade, não se concentrando em uma região específica. Assim convivem numa mesma região bairros de classes diferentes, muitos fazendo fronteiras. E também classes diferentes num mesmo bairro. Isto acontece principalmente em
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www.cps.ufjf.br/anuarios/Anuario2012/index.html.Acesso em 15 de março de 2013. 11
http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/home.php. Acesso em 25 de junho de 2013. 12
http://pjf.mg.gov.br/cidade/index.php. Acesso em 6 de outubro de 2013. 13
bairros muito antigos, que nasceram no início da povoação do município e em bairros de forte imigração alemã e italiana, com muitas famílias tradicionais que não perderam contato com suas regiões e acabaram construindo patrimônios preservados por várias gerações.
Em muitas zonas administrativas os contrastes são grandes, com bairros muito pobres ou muito ricos, praticamente vizinhos, como nas zonas oeste (região de São Pedro e Cidade Alta) e norte (região de Benfica), devido à expansão territorial do município em direção a estas regiões, com novos loteamentos e granjas de vários padrões, agregados a uma população já existente nestas regiões.
Outro aspecto que vem alterando esta composição dos bairros é a construção dos condomínios e loteamentos do Programa Minha Casa Minha Vida14, em várias regiões, ocupando grandes áreas ainda disponíveis. Segundo o Núcleo de Pesquisa Geografia, Espaço e Ação, do curso de Geografia da Universidade Federal de Juiz de Fora, que mantém um Banco de Programas Habitacionais15 já foram implantados na cidade nove condomínios, com 5.195 unidades entre casas e apartamentos, sendo 5 (cinco) deles na zona norte, 2 (dois) na zona sul e 2 (dois) na zona oeste.
As 81 regiões administrativas são identificadas por um grupo de bairros principais e vários outros periféricos, além de loteamentos e condomínios, reunindo cerca de 240 localidades ou bairros. A região administrativa centro não se limita ao que comumente chamamos de centro econômico da cidade, mas de um conjunto de vários bairros vizinhos geograficamente no centro da área urbana, que fazem fronteira com outras regiões geográficas mais distantes como as zonas norte, sul, oeste, noroeste e leste.
Se considerarmos os conceitos do IBGE16 e da ONU, Juiz de Fora tem 15 áreas de favelas. Para o IBGE favelas são aglomerados subnormais, conjunto de domicílios com o mínimo de 51 unidades, de ocupação desordenada e densa, em terreno de
14 http://www.brasil.gov.br/infraestrutura/2014/04/entenda-como-funciona-o-minha-casa-minha-vida. Programa criado pelo governo federal em 2009 de subsídio a famílias com renda de até R$1.600,00 e financiamento com renda de até R$5.000,00. Foram investidos R$ 183,5 bilhões e entregues 1.297.746 unidades habitacionais. Acesso em 24 de outubro de 2014.
15 http://www.ufjf.br/nugea/banco-das-comunidades-quilombolas/dinamicas-urbana-e-regional-em- cidades-me edias/comunidade-sao-pedro-de-cima/banco-de-programas-habitacionais-em-juiz-de- fora/.Acesso em 15 de agosto de 2015. 16 Censo Demográfico 2010.
propriedade alheia público ou particular e que não possui acesso a serviços públicos essenciais. Para a ONU favela é uma área de acesso inadequado ao saneamento básico, baixa qualidade das residências, alta densidade e insegurança quanto ao status da propriedade. O IBGE engloba no conceito de aglomerado subnormal além da favela, grota, invasão, baixadas, comunidades, vilas, mocambos, palafitas. Em todo o país são 15868 áreas deste tipo, a maioria delas na região sudeste (8.804), envolvendo uma população de 11.425.644 habitantes. São Paulo é o estado com o maior número de áreas subnormais (4132) 17.
ILUSTRAÇÃO 1 DIVISÃO ADMINISTRATIVA DE JUIZ DE FORA Fonte: http://www.pjf.mg.gov.br/cidade/mapas/mapas.phpora
O município é polo na região, constitui a maior das sete microrregiões18 da Zona da Mata, reunindo 33 municípios próximos e concentra grande número de serviços atendendo vários municípios vizinhos. Somente de fronteiras são 14 cidades19, que buscam atendimento médico, comércio e educação, além de outras cidades que não são confinantes, mas se localizam muito próximas. Somente na mesorregião são 143
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http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/imprensa/ppts/000000069600121620110017219 99177.pdf. Acesso em 23 de novembro de 2015.
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As outras microrregiões são Ponte Nova, Manhuaçu, Viçosa, Muriaé, Ubá e Cataguases. 19
Ewbanck da Câmara, Piau, Coronel Pacheco, Chácara, Bicas, Pequei, Santana do Deserto, Matias Barbosa, Belmiro Braga, Santa Bárbara do Monte Verde, Santos Dumont, Lima Duarte, Bias Fortes, Pedro Teixeira.
municípios. Esta população flutuante desenvolve algum tipo de atividade na cidade de maneira sistemática (trabalho, serviço ou educação), retornam ao final de todos os dias ou nos finais de semana para suas cidades de origem, ou utilizam de forma esporádica os serviços de comércio e saúde. A cidade atrai moradores destas cidades vizinhas que buscam recursos indisponíveis em suas cidades de origem. Muitos entrevistados possuem origem nos municípios vizinhos e aqui se estabeleceram atraídos principalmente pelas oportunidades de trabalho e educação de nível médio e superior.
Desde o ano de 2003, tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais projeto do ex-prefeito e ex-deputado Alberto Bejani, que cria a RMZM (Região Metropolitana da Zona da Mata), com sede em Juiz de Fora, incluindo 22 municípios que possuem algum tipo de dependência com esta cidade. Minas tem somente uma região metropolitana em Belo Horizonte. O projeto PLC03/2003 é polêmico e tem dividido políticos, empresários e técnicos. A principal condição para declaração de uma região metropolitana é a conurbação, quando a malha viária urbana se une e se confunde com os municípios vizinhos, o que segundo os técnicos ainda não acontece em Juiz de Fora. A FIEMG20 (Federação das Indústrias de Minas Gerais) trabalha pela aprovação do projeto, que segundo a entidade pode impulsionar a economia da Zona da Mata. Outro argumento contrário é que o Brasil tem 30 regiões metropolitanas, mas nem todas as regiões se desenvolveram como era esperado depois desta classificação. Também o deputado Antônio Jorge (PPS) apresentou novo projeto em abril de 2015. A região teria uma população de 685.729 e incluiria os municípios21 que tivessem no mínimo 15% de sua população trabalhando ou estudando em Juiz de Fora.
20 http://www.fiemg.com.br/ Acesso em 22 de abril de 2015. 21
Santos Dumont, Ewbanck da Câmara, Bias Fortes, Pedro Teixeira, Lima Duarte, Santa Bárbara do Monte Verde, Belmiro Braga, Piau, Coronel Pacheco, Chácara, Matias Barbosa, Simão Pereira, Rio Novo, Goianá, Rochedo de Minas, Bicas, Pequeri, Santana do Deserto, São João Nepomuceno, Maripá e Guarará.
ILUSTRAÇÃO 2 LOCALIZAÇÃO DA MESSORREGIÃO DA ZONA DA MATA Fonte:http://www.mg.gov.br/governomg/ecp/contents.do?evento=conteudo&idConteudo=6954
7&chPlc=69547&termos=s&app=governomg&tax=0&taxp=5922
As principais atividades econômicas estão centradas nos setores de serviço, indústria e comércio, com maior volume de arrecadação de ICMS (2010), num total de R$ 894.509.768,79. Deste total, o setor de serviços arrecada R$ 448.640,961, 99, a indústria R$282.320.265,40 e o comércio R$162.951.921,73. O setor de agropecuária contribui com R$ 595.732,11.
O município tem 4.387 empresas cadastradas no Centro Industrial, com dados de 2011, a maioria concentradas nos setores de construção civil (941), metalurgia (856), vestuário (570), panificação (382), química /farmacêutica (361) e mobiliário (325). Com atuações também nos setores de calçados, alimentação, malha, torrefação, gráfico, meia e fiação e tecelagem. Desenvolve ainda atividade agropecuária (milho, cana, feijão, leite, corte, piscicultura e apicultura).
O PIB a preços correntes de mercado calculado em 2011 é de R$ 9.351.250.000,00. O PIB por habitante é de R$. 17.955,17 (IBGE, 2014).22 O PIB no país foi de R$4.143 trilhões e em Minas Gerais de R$386,2 bilhões. O custo da cesta
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http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/temas.php?lang=&codmun=313670&idtema=16&search=||s%E Dntese-das-informa%E7%F5es Acesso em 25 de junho de 2013.
básica23 por pessoa no município no mês de junho de 2014, segundo a Secretaria de Agropecuária e Abastecimento da Prefeitura Municipal de Juiz de Fora24 foi de R$ 259,70, ou 38,99% do salário mínimo, consumindo 12 dias de trabalho no mês. Uma família com quatro pessoas teve um gasto de R$ 779,10. Em Belo Horizonte, a cesta básica do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) ficou em R$ 319,00.
´ O transporte público tem uma frota de 570 ônibus, segundo dados da Secretaria Municipal de Transportes de 2011, sendo que uma nova licitação para o setor encontra- se em andamento. O IBGE aponta em 2012 uma frota de 207.943 veículos
Com relação aos meios de comunicação Juiz de Fora tem três jornais diários, três sucursais, três emissoras de televisão de rede com programação local, sete rádios FM e cinco AM. No campo da cultura a cidade tem tradição nas artes plásticas com várias galerias e escolas de pintura, assim como no campo da música e do teatro, com destaque para o Centro Cultural Pro-Música, a Sociedade Filarmônica, a Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras, o Grupo Divulgação, o Teatro Central e o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas. São 11 arquivos históricos e geográficos e vários Museus, como o Mariano Procópio, Murilo Mendes (o maior acervo de arte moderna de Minas Gerais), Crédito Real, Ferroviário, Cultura Popular, História Natural, Malacologia e Etimologia Indígena. O município tem ainda 173 imóveis tombados pelo patrimônio histórico municipal, estadual ou federal.
A população alfabetizada alcança 90,30%, ou 466.190 habitantes. De acordo com o Censo do IBGE de 2010 não sabem ler e escrever, com 15 anos ou mais, 3,3% da população, ou 13.660 pessoas. No país este índice é de 91%.
O ensino superior conta com 13 instituições privadas e uma universidade federal. O município oferece 42 cursos de pós-graduação lato sensu e dois cursos de
stricto sensu na rede privada. Na Universidade Federal de Juiz de Fora são 32 cursos stricto sensu (23 mestrados e nove doutorados), 55 lato sensu e 35 cursos de graduação
(UFJF, 2014), num total de 18.868 alunos.
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Carne, leite, feijão, arroz, farinha trigo, pão de sal, café, açúcar, banana, tomate, manteiga, batata e óleo de soja.
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http://www.pjf.mg.gov.br/noticias/view.php?modo=link2&idnoticia2=45305.Acesso em 5 de dezembro de 2015.
Os 516.247 habitantes (Censo 2010) estão distribuídos em 170.535 domicílios, sendo que 92,2% deles possuem saneamento básico adequado, 7,3% semi- adequado e 0,5% inadequado. Os domicílios urbanos somam 98,5% e os rurais, somente 1,1%. A incidência de pobreza (2003) é de 12,86% e o GINI é de 0,41, próximo ao índice da capital Belo Horizonte, que é de 0,42. O IDH25 geral é de 0,778, acima do IDH do país que é de 0,744, ocupando a 147ª posição entre os municípios brasileiros. O IDH de renda é de 0,784, de longevidade, 0,844 e de educação 0,711.
Do total de 516.247 habitantes, 117.493 possui ocupação com rendimento mensal médio per capita por domicílio de R$ 630,00 na zona urbana e R$ 350,00 na zona rural. O rendimento mensal médio por domicílio é de R$ 3.212,06 na zona urbana e R$ 1.314,82 na zona rural, o que caracteriza uma população predominante de classe C, conforme estudo do CPS/FGV (Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas) de 2012, que calcula nesta classe uma faixa de renda domiciliar de R$ 1.734 a R$ 7.475. O salário médio mensal da população ocupada é de 2,4 salários mínimos e incluindo outras remunerações a renda chega a R$ 2.792,81.
Do total de 170.535 domicílios, na maioria deles ou 48.449 a renda per capita está entre de 1 a 2 salários mínimos e 3.949 não possuem nenhuma renda fixa. Somente em 16.965 domicílios a renda é superior a cinco salários mínimos e em 4.687 lares a renda é de um quarto do mínimo, segundo o Anuário Estatístico da UFJF (2012).
Segundo o IPC Maps Editora26 Juiz de Fora é a 37ª cidade do país em potencial de consumo e a quarta no estado de Minas, ficando abaixo de Belo Horizonte, Uberlândia e Contagem. O município perdeu a terceira posição para Contagem em 2015. A previsão de consumo na cidade para 2015 é de atingir R$ 13,2 bilhões, contra R$ 10,6 bilhões alcançados em 2014. O IPC (Índice de Potencial de Consumo) do município é de 0,32665 e deve chegar a 0,35382. Isto significa que em cada R$ 100,00 reais gastos no país, 32 centavos saem de Juiz de Fora. Minas Gerais é o segundo maior
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Índice de Desenvolvimento Humano varia de 0 a 1, quanto mais próximo de um mais elevado é o índice. A cidade brasileira com maior índice é São Caetano do Sul, São Paulo, com 0,862. A escala é muito alto (0,800 a 1,000), alto (0,700 a 0,7 99), médio (0,600 a 0,699), baixo (0,500 a 0,599) e muito baixo (0,000 a 0,499). Calculado pelo IPEA e PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), com base nos censos de 1991, 2000 e 2010.
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Instituto de pesquisa especializado em consumo publica anualmente desde 1997 estudo sobre o consumo no país e nas 50 maiores cidades brasileiras, incluindo Juiz de Fora. www.ipcbr.com.
estado consumidor, depois de São Paulo, com previsão de R$ 380,76 bilhões, de um total nacional de R$ 3,7 trilhões, em 2015.
O estudo IPC Maps leva em consideração que 50,5% dos domicílios de Juiz de Fora são da classe C, mas o maior potencial de consumo local está concentrado na classe B, com 42,4%, seguido da classe C, com 35,9%. O número de domicílios da classe C em Juiz de Fora é pouco maior que o índice nacional adotado pelo IPC, que é de 47,9%. O maior gasto do consumidor local é com a manutenção do lar (aluguel, água, luz, impostos), que chega a 26%, seguido de outras despesas (20%), alimentação no domicílio (10,8%), saúde (5,9%), manutenção de veículo (4,67%) e alimentação fora de casa (4,4%).
Quanto à religião, a população é de maioria católica com 332.354 pessoas, evangélica 112.107 e espírita 27.370. A maioria da população está concentrada na faixa etária de 40 a 59 anos, com 26,9%, seguida da faixa etária de 25 a 39 anos, com 23,4%.
Do total de domicílios de 170.535, a maioria deles é próprio, com 117.868 nesta condição e 40.239 alugados, o que demonstra que a maioria da população já alcançou a moradia própria independente das condições de saneamento e físicas do imóvel. Este número não garante condições de conforto e bem estar. A maioria das residências tem entre dois (24,95%) e três moradores (25,77%).
A maioria das residências é constituída por unidades domésticas nucleares formadas por casal com filhos, representando 57%, ou 111.344 lares. As demais composições são de casais sem filho (21,1%), homens com filhos (2,5%) e mulher com filhos (19,4%). Na maioria dos lares, ou 67,6% a unidade domiciliar tem somente um único responsável. Possuem um morador 15% das casas, dois (24%), três (25%), quatro (19%), cinco (8%), seis (3%), sete (1%) oito ou mais (1%), de acordo com o censo do IBGE (2010)
O IVS (Índice de Vulnerabilidade Social) do município teve uma queda de 25% no período de 2000 a 2010, segundo o Atlas da Vulnerabilidade Social dos Municípios Brasileiros do IPEA (2015), o que levou a cidade a sair da classificação de média para baixa vulnerabilidade. Este índice era de 0,32 em 2000, passando para 0,248, em 2010. Número muito semelhante ao índice nacional que teve uma redução de 27%, passando de 0,446, para 0,326. Em Minas Gerais a queda foi de 30%.
O IVS leva em consideração três dimensões: infraestrutura urbana, capital humano e renda e trabalho. Juiz de Fora apresentou queda nos três níveis de 1,65%, 27% e 35%, respectivamente. No capital humano o destaque é para a mortalidade infantil que caiu de 22,86 em mil nascimentos para 15,42 e no analfabetismo da população com 15 anos ou mais que reduziu de 4,71% para 3,25%.
No nível de renda e trabalho, o desemprego dos maiores de 18 anos, caiu de 13,47% para 7,45%. O número de carteira assinada cresceu quatro vezes, passando de 12,69% para 55,13%. O trabalho informal duplicou saindo de 2,56% para 6,45% . Já a renda per capita teve ume evolução de R$ 828,88 para R$1.050,88.
A cidade de Juiz de Fora tem origem no povoado Vila de Santo Antônio de Paraibuna, criado às margens do Caminho Novo, estrada aberta pela Coroa para facilitar o envio do ouro das minas gerais até o Rio de Janeiro, a partir de 1703, por Fernando Henrique Halfeld. A Avenida Rio Branco, principal da cidade, faz parte do traçado original do Caminho Novo. A região antes era de mata fechada ocupada pelos índios coroados e puris. Com o Caminho Novo vários vilarejos foram se formando em torno dos pontos de cobrança de impostos e fiscalização do ouro e distribuição das sesmarias. A partir de 1850, outra estrada desta vez, a União e Indústria impulsionou o crescimento da região, construída por Mariano Procópio Ferreira Lage, que mais tarde também seria encarregado pela Coroa de instalar a linha férrea na região em troca da exploração dos serviços por um período de 30 anos. A estrada União e Indústria, atual BR 04027 serviu para encurtar a distância até o Rio de Janeiro, no transporte do café. Em 1853 a vila foi elevada a município e em 1865 recebeu o nome de Juiz de Fora, uma alusão à prática de se chamar um juiz de outra região para atender os locais onde não existiam serviços de justiça. Mariano Procópio se estabeleceu na cidade e construiu uma chácara onde recebeu a Família Real, hoje Museu Mariano Procópio, o segundo maior museu imperial do país, após o Museu Imperial de Petrópolis, tombado pelo Iphan.
Mariano Procópio também trouxe os imigrantes alemães para trabalhar na construção da estrada. Em 1857, 1162 imigrantes chegaram à cidade, representando 20% da população local, formando três colônias nos bairros São Pedro, Borboleta e Fábrica. Até hoje estes bairros possuem descendentes e características arquitetônicas e
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A maior parte da estrada original foi desviada ou ampliada, mas ainda existem pequenos trechos que atravessam pequenas cidades de Minas Gerais e Rio de Janeiro.
culturais, como festas típicas, grupos folclóricos e gastronomia. O café também prosperou na região com o trabalho escravo. Em 1855 existiam 4 (quatro) mil escravos e 2.400 homens livres na cidade. Em 1872 existiam 18 mil escravos e 11 mil homens livres. A queda do cultivo do café atingiu a cidade que já se industrializava e pode resistir à crise.
A partir destas informações sobre as condições de produção e critérios desta pesquisa e do contexto da cidade de Juiz de Fora é possível construir o cenário onde o grupo pesquisado está inserindo e como foi abordado. Para completar este contexto e estabelecer meios para comparações, proximidades e distanciamentos é necessário acrescentar os dados nacionais sobre a classe média e sua representatividade na sociedade brasileira, assim como a base conceitual que deu origem ao termo nova classe média, que serão desenvolvidos nos capítulos seguintes.