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Alexandre Graham Bell

1.3. O CONTEXTO DO ESTADO DO PARANÁ

Com a finalidade de acompanhar as transformações tecnológicas e na tentativa de atender as novas exigências do processo de trabalho e de vencer a questão do desemprego, estão sendo instaladas, no país, incubadoras de empresa e, entre elas, as de base tecnológica. No Paraná, essa atividade tem apresentado um grande crescimento. No ano de 2000, o estado possuía nove (9) IEBTs associadas à REPARTE (Rede Paranaense de Incubadoras e Parques Tecnológicos), passando para dezoito (18) entidades em 2005, atuando em pré-incubação (Hotel Tecnológico) e incubação de empresas de base tecnológicas (IEBT). Essas entidades estão vinculadas às Instituições de Ensino Superior (IES), localizadas em regiões consideradas estratégicas no Estado do Paraná, conforme podemos observar no Quadro 1, que demonstra a natureza, localização e entidade gestora das IEBTs do Paraná.

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Quadro 1- IEBTs e Hotéis Tecnológicos do Paraná

Nome Instituição Área de Atuação Entidade Gestora Cidade

Incubadora Tecnológica de Curitiba- INTEC

Eletroeletrônica, metal-mecânica, tecnologia da informação, novos materiais, engenharia biomédica, alimentos, tecnologia agroindustrial,

biotecnologia da saúde, gestão ambiental, gestão do conhecimento,

design, gestão e tecnologia urbana.

TECPAR (Instituto de Tecnologia do Paraná) Curitiba Hotel Tecnológico (Pré- Incubadora) e IINCEFET - PR – (Incubadora de Inovações) ambos do campus de Curitiba da UTFPR

Mecânica, eletrotécnica, eletrônica, radiologia, química ambiental, produção civil, informática, desenho

industrial e telecomunicações. FUNCEFET-PR (Fundação de Apoio à Educação, Pesquisa e Desenvolvimento Científico e Tecnológico da UTFPR) Curitiba Nemps – Incubadora Tecnológica da Universidade Federal do Paraná Alimentos, bioinformática, biotecnologia da saúde, design,

eletro-eletrônica, engenharia biomédica, gestão ambiental, gestão do conhecimento, gestão e tecnologia

urbana, instrumentação, metal- mecânica, novos materiais, química, tecnologia agroindustrial, tecnologia

da informação e tecnologia e alimentos. FUNPAR (Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão da UFPR) Curitiba Incubadora do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP)

Base Tecnológica IEP (Instituto de Engenharia do Paraná

Curitiba

ISAE/FGV Tecnologia Centro de Inovação

Empresarial - Incubadora de Projetos de Curitiba Curitiba Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnológica da Universidade Estadual de Londrina – INTUEL

Tecnologia da informação, software e hardware, biotecnologia,

tecnologia da precisão, Instrumentação biomédica, mecatrônica, design, micro- eletrônica, tecnologia de novos materiais, tecnologia de fármaco- química e tecnologia de alimentos.

Consórcio Gernorp/Intuel

Londrina

HT do Campus de Cornélio Procópio da UTFPR

Base tecnológica FUNCEFET- PR Cornélio Procópio HT do Campus de Campo

Mourão da UTFPR

Base tecnológica FUNCEFET- PR Campo Mourão Incubadora Tecnológica de Maringá – ITM Tecnologia da informação e comunicação, biotecnologia e automação. UEM (Universidade

Estadual de Maringá) Maringá Incubadora Empresarial

Tecnológica do Iguaçu- IETI

Informática e automação ITAI (Instituto de Tecnologia em Automação do Iguaçu) Foz do Iguaçu Incubadora de Software Base Tecnológica FUNTEC (Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico Toledo Incubadora Tecnológica de Medianeira – Campus de Medianeira da UTFPR

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Quadro 1- IEBTs e Hotéis Tecnológicos do Paraná conclusão

Incubadora Gênesis de Pato Branco – IGPB e HT ambos do Campus de

Pato Branco da UTFPR

Base Tecnológica FUNCEFET-PR Pato Branco

INTEG – Incubadora Tecnológica de Guarapuava

Tecnologia da informação e

comunicação, software e serviços. UNICENTRO Guarapuava Hotel Tecnológico (HT) e

Incubadora de Inovação Tecnológica – Campus de Ponta Grossa da UTFPR

Base Tecnológica FUNCEFET-PR Ponta Grossa

Incubadora Tecnológica de Ponta Grossa

Novos materiais, metal-mecânica, alimentos e eletroeletrônica CITIPAR (Centro de Integração do Paraná) Ponta Grossa Incubadora Tecnológica em Informática e

Tecnologia da Informação, áreas de softwares (internet, automação e

controle, saúde, educação, multimidia, comunicação e qualidade, etc FUNDETEC (Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Cascavel) Cascavel Incubadora Tecnológica em Agroindústria

Apoiar projetos inovadores no segmento de agronegócio ativando as

principais cadeias produtivas da região. FUNDETEC (Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Cascavel) Cascavel Fonte: REPARTE (2005)

Segundo Labiak Jr. (2004), a expansão do número de IEBTs e HTs no Paraná faz parte de uma política de incentivos do SEBRAE, do Instituto Euvaldo Lodi do Paraná (IEL- PR) e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI). Labiak Jr. cita também o Programa Jovem Empreendedor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que, de 2001 a 2003, inaugurou três HTs e três novas IEBTs, como outro responsável por tal expansão.

Esses números demonstram que o estado está apresentando um grande crescimento nessa atividade, integrando-se às ações para “o fomento e consolidação do binômio inovação- competitividade e incubação-empreendimento, dentro de uma cultura tecnológica do Estado do Paraná, cuja meta final é o fortalecimento da economia paranaense e seus recursos humanos, inserindo-os no contexto do mercado global” (REPARTE, 2005).

Em relação ao vínculo formal, se observarmos o Quadro 1, a maioria das IEBTs/HTs do Paraná são vinculadas a universidades ou institutos de pesquisa públicos, evidenciando a participação pública voltada para o desenvolvimento de inovações tecnológicas via IEBTs e HTs. De acordo com Dornelas (2002, p.30), os vínculos das incubadoras de empresas com

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universidades e/ou centros de pesquisa são

importantes para que a incubadora de empresas fortaleça o seu negócio, mesmo que sejam vínculos informais. Ocorrem benefícios para ambas as partes, pois a incubadora pode se tornar um meio de transferência de tecnologia entre a universidade e o mercado, e a universidade pode ser um meio de geração de tecnologia, inovação e oferta de novos empreendedores à incubadora.

Além da estrutura física, as IEBTs do Paraná oferecem os seguintes serviços básicos às empresas incubadas:

Tabela 4 – Serviços oferecidos pelas IEBTs-PR

Serviços Freqüência (%)

Secretaria 85,7

Consultoria de Marketing 100,0

Suporte para Propriedade Intelectual 50,0

Apoio para Exportação 50,0

Apoio na Coop. Centros de Pesquisa 64,3

Orientação Empresarial 100,0 Consultoria Financeira 85,7 Assessoria Jurídica 57,0 Suporte em Informática 71,4 Laboratórios Especializados 64,3 Fonte: Labiak (2004).

Observa-se que a demanda de serviços está voltada exclusivamente para a área técnica e empresarial.

O levantamento realizado pela REPARTE no ano de 2005 nos mostra alguns índices referentes aos HTs/IEBTs do Paraná no período de 2000 a 2005, conforme pode-se observar na Tabela 5.

Tabela 5 – Índices referentes à Pré-Incubação e Incubação de Empresas de Base Tecnológica

Índices 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Número de empresas graduadas nas pré-

incubadoras e IEBTs do Paraná 11 9 20 20 29 21

Número de empresas incubadas 63 74 74 102 113 127

Número de postos de trabalho gerados 32 69 78 189 302 411

Número de produtos desenvolvidos 48 50 80 96 96 101

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Em relação ao número de empresas de base tecnológica que se graduaram nas pré- incubadoras e IEBTs do Paraná no período em questão, os dados nos mostram que foram graduadas 110 empresas de base tecnológica.

Fica evidente que há um crescimento do número de empresas pré e incubadas nos HTs e nas IEBTs do Paraná. Esses empreendimentos são respaldados com recursos de agentes de fomento, tais como FINEP, SEBRAE, CNPq, SETI, IES, entre outros parceiros jurídicos ou físicos dos Hotéis Tecnológicos e IEBTs.

A Tabela 6 mostra haver um aumento no número de postos de trabalho e podemos verificar que isso está vinculado ao número de empresas que estão utilizando esses locais. Estimando-se a criação de “postos de trabalho” gerados por esses locais, pode ser percebido que a sua média vem crescendo ano a ano, conforme pode ser observado na Tabela 6.

Tabela 6 – Média/empresa de postos de trabalho gerados em cada período nas empresas das IEBTs e Hotéis Tecnológicos do Paraná

Períodos 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Média de “postos de trabalho” 0,51 0,93 1,05 1,85 2,67 3,24

Os empreendimentos incubados e pré-incubados são responsáveis pela geração de “postos de trabalho”, incluindo-se aí sócios, colaboradores, estagiários, bolsistas, entre outros. Segundo dados da REPARTE (2005), a taxa de sucesso6 das empresas ou projetos que entram no processo de incubação ou pré-incubação é de 89,70%, dado que reflete um bom desempenho das incubadoras no aprimoramento da gestão empreendedora. Ano a ano, a criação e/ou desenvolvimento de produtos pelas pré-incubadoras (HTs) e incubadoras de empresa de base tecnológica (IEBTs) vem crescendo, fato que, segundo dados da REPARTE, tem possibilitado às empresas e projetos, sucesso e visibilidade através de seus produtos pelo mercado alvo.

As IEBTs/HTs paranaenses apóiam projetos nas seguintes áreas: Software e Hardware, Biotecnologia, Agronegócios, Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), Games, Eletroeletrônica, Automação, Alimentos, Área de Saúde, Serviços, Energia, Mecatrônica, Designer, Cooperativas e Meio Ambiente.

As incubadoras de empresas de base tecnológica caracterizam-se pela geração e apoio aos empreendimentos de base tecnológica assumindo o papel fundamental de agente de desenvolvimento industrial que têm como objetivo fazer emergir novas empresas, com

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produtos e mercados definidos, para que possam iniciar, com sucesso, os empreendimentos nelas "hospedados".

Os dados do GEM (Global Entrepreneurship Monitor, 2003) mostram que o Brasil ocupa atualmente o 7º lugar no ranking mundial de empreendedorismo, com 13,5% de sua população envolvida em alguma atividade empreendedora. A maior taxa de empreendedorismo é observada entre pessoas de 25 a 34 anos. Os dados desse órgão sugerem também uma relação complexa entre empreendedorismo e crescimento econômico. Um importante aspecto nesta equação é a transformação de avanços tecnológicos em produtos e serviços com sucesso comercial, os quais, quando alavancados pela incubadora de empresas,

aumentam as chances de dar certo. Segundo dados do Instituto Euvaldo Lodi (2001, p.11)

O empreendedor tecnológico tem o seu perfil caracterizado pela familiaridade com o mundo acadêmico, por uma busca de oportunidades de negócios na economia digital e do conhecimento, por uma cultura técnica que o leva a arriscar-se investindo em nichos de mercado em que a taxa de sobrevivência é baixa, e pela falta de visão de negócios e conhecimento das forças de mercado.

Hoje já existe uma literatura externa que aponta um perfil do empreendedor, ou seja suas qualidades, virtudes e formação. Em pesquisa realizada pela empresa Mc Ber & Company de David McClelland situada em Boston, especializada em análise de competência profissional e estudos de padrões de comportamento – e a Management Systems International (MSI), uma empresa de consultoria localizada em Washington, uniram-se para desenvolver instrumentos destinados à seleção e capacitação de empreendedores. O resultado desse projeto foi a identificação de 10 competências e habilidades que o empresário deve ter para ser um empreendedor de sucesso. (GEM, 2003)

Assim, determinam-se as competências para se identificar um empreendedor de sucesso hoje. São elas: buscar oportunidades e ter iniciativa, ser persistente, ser comprometido, ser exigente quanto à qualidade e eficiência, correr riscos calculados, estabelecer metas, buscar informações, planejar e monitorar sistematicamente, persuadir e manter rede de contatos.

É neste contexto que surgem as empresas de base tecnológica criadas via incubadora e hotel tecnológico, que procuram recrutar pessoas cujo perfil revelem sólidos conhecimentos de tecnologia e negócios, apostem na criatividade através do desenvolvimento de competências e ataquem o futuro com agressividade. No entanto, é necessário aprender o

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significado social da ciência e da tecnologia para que elas não se desenvolvam ao acaso, sob o impulso de interesses privados, restritivos e deturpadores.

Bernal (1969, p.1301) argumenta que “O novo conhecimento da natureza e dos poderes das ciências não pode ser posto de lado, mas a sua aceitação implica a responsabilidade social de fazer progredir e imprimir uma direção a todas as ciências”. Portanto, falar do contexto social da inovação tecnológica é o foco do próximo tópico.