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CONTEXTO DO INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE – CAMPUS

4 O INSTITUTO FEDERAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA CATARINENSE

4.1 CONTEXTO DO INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE – CAMPUS

A conquista do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia Catarinense faz parte de uma longa história de luta dos trabalhadores que desde a década de 1980 ocuparam este território para suprirem suas necessidades básicas e para além destas, modificaram uma realidade que é imediata, mas também interferiram no jeito de pensar de toda uma sociedade, desde mais próxima, quanto mais distante possível.

Ocupar um espaço como fazem as famílias do MST é um fato relevante para mudança de estrutura de um lugar.

Em Santa Catarina, principalmente na região Oeste, a luta dos movimentos sociais do campo (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Movimentos dos Pequenos Agricultores, Movimento das Mulheres Camponesas, entre outros) iniciou-se nos anos de 1980, com a articulação dos trabalhadores por lutas e pautas específicas. Assim, a luta pela terra inicia-se com as primeiras ocupações de terras em 25 de maio de 1985, justamente no município de Abelardo Luz, que traz na sua história os conflitos pela terra desde a Guerra do Contestado (1912-1916). (INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE, 2017, p. 5).

Ao buscar entender a gênese do IFC Campus Abelardo Luz e seus desdobramentos em área de assentamentos, busco o suporte nos interlocutores/sujeitos desta pesquisa, em fontes bibliográficas que abordam estudos sobre os Institutos Federais e mesmo deste campus, bem como fontes bibliográficas que discorrem sobre Educação do Campo. Utilizo também análises de materiais

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produzidos no âmbito do Campus do IFC Abelardo Luz, que se encontram em seu acervo de documentos on-line na sua página, a exemplo do PPP da Instituição.

Caldart (2012) faz uma diferenciação entre uma instituição de educação estar no espaço do campo e de ser uma instituição de Educação do Campo, o que conceitualmente ela trata da diferenciação de no/do campo, de tal forma que estar no espaço campo não necessariamente significa que é uma instituição de Educação do Campo. O fato de estar no espaço pode não significar pensar, compreender e trabalhar pedagogicamente numa perspectiva de atendimento dos interesses desse público, pensado por estes sujeitos, com os quais se está inserido.

Neste sentido, para Caldart (2012), a Educação do Campo:

Constitui-se como luta social pelo acesso dos trabalhadores do campo à educação (e não é qualquer educação) feita por eles mesmos e não apenas em seu nome. A Educação do Campo não é para nem apenas com, mas sim, dos camponeses, expressão legítima de uma pedagogia do oprimido.

(CALDART, 2012, p. 261).

O presente capítulo perpassa fortemente por esta discussão da Educação do Campo, visto que o Instituto Federal tem uma história ligada aos movimentos sociais, também vai ser possível evidenciar a prática ou não desse pensamento educacional neste espaço.

Na sua compreensão da realidade, Mello (2020) ressalta o município de Abelardo Luz como sendo um espaço de muitas disputas desde sempre no campo das forças antagônicas de pensamento, buscando exemplificar esta disparidade citando de um lado a concentração de terras, o que levaria à pobreza de muitos e que essa separação dos que têm e dos que não têm respinga/atinge também na educação.

Veremos nesta análise se isso adentra as portas desta Instituição a qual analisamos.

Abelardo Luz tem uma disputa muito grande desde sempre, que é, tem muita fazenda digamos, tem muito fazendeiro e quando a cidade é rica, também tem uma parte muito pobre, então a disputa acontece, então tava nessa disputa (Instituto Federal), porque a educação no Brasil ela é uma disputa, quem comanda a educação? (Informação verbal)41.

Evidenciando esta mesma linha de pensamento de Mello, Landin (2020), em outro período, também elenca essas questões de concentração de terras neste

41 MELLO. Entrevista. Abelardo Luz, 2020. Informação verbal – Entrevista.

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município como uma intervenção direta na estrutura organizacional deste espaço, deste município.

Abelardo Luz ainda é um município que tem mais de 50% da população no campo, né, o tem por conta dos assentamentos, então isso é bom, é bom e precisamos melhorar, né, porque ainda tem latifúndio de dez mil hectares, é criminoso dez mil hectares regado de soja, ambientalmente não há fonte de água que resista, né, não há diversidade, tem muita terra em Abelardo Luz que fatalmente poderia ser desapropriada. (Informação verbal)42.

Buscando nos sujeitos da pesquisa os elementos para descortinar43 a realidade, percebe-se esforço em uma leitura que fazem deste ambiente, abordam temas diversificados e com profundidade de análise, são reflexões que fazem diretamente sobre a possibilidade ou não da continuidade do ser humano, de questões de saúde, de defesa da natureza, do cuidado com a água, enfim, com o habitat.

Por estas falas dos assentados é possível ir construindo hipóteses de como esses pensamentos se expressam para dentro dos diversos espaços conquistados por estes nos assentamentos e nos remete a pensar como essas ideias adentram o espaço do Instituto Federal, haja vista que este está inserido em uma realidade camponesa, de pensamento camponês, donde brota a discussão e a efetivação da Educação do Campo. Por outro lado, este espaço não se fecha para uma realidade mais ampla, esta que abarca um pensamento que a agricultura preza pelo agronegócio, como enfatiza Landin, de fazendas com dez mil hectares de soja regadas a venenos, diz ele, “não há fonte de água que resista”.

Então, esses antagonismos no campo do pensamento e das práticas possivelmente perpassam o Instituto Federal. Penso nessa ambiguidade de possibilidades, porque Mello ressalta um processo antagônico de pensamento e que isso gera disputas, enfatiza ele “[...] quem comanda a educação?”

Mas quando se trata da realidade social deste município, Dona Seni também se diz admirada com tanta terra que havia, na época em que ela foi acampar na década de 1980 e não sabia, diz ela “[...] mas eu não sabia que tinha tanta Terra disponível no nosso município de Abelardo Luz”.

42 LANDIN. Entrevista. Abelardo Luz, 2020. Informação verbal – Entrevista.

43 Esta expressão tem a finalidade de retoricamente dizer desvendar a realidade, conhecer, ao menos a ponto de ter possibilidades de análises para o referido momento e para o que nos propomos no trabalho.

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É nesta realidade mencionada neste e nos capítulos anteriores que está o Instituto Federal de Ciência e Tecnologia Catarinense, Campus Abelardo Luz.

4.2 A CONQUISTA DO INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE NO