4. APRESENTAÇÃO DOS DADOS
4.1. CONTEXTO DO SETOR HOTELEIRO
Nos últimos anos, o turismo tornou-se uma das mais importantes atividades econômicas do mundo. Muitos países consideram o turismo como importante e complexa estratégia de desenvolvimento, em função da geração de emprego e renda provenientes das atividades turísticas (KÖHLER; DURAND, 2003). De acordo com o EMBRATUR/FGV (2005), no Brasil, mesmo com as inconstâncias apresentadas pela economia, o turismo se vem destacando como importante fonte geradora de empregos e de receitas, com grande destaque para as viagens de turistas estrangeiros ao Brasil.
Como um dos mais importantes setores da atividade do turismo, o parque hoteleiro nacional é formado atualmente por cerca de 25 mil meios de hospedagem, dos quais cerca de 18 mil são hotéis e pousadas. No geral, estima-se que 70% são empreendimentos de pequeno porte. Este montante representa mais de um milhão de empregos e a oferta de aproximadamente um milhão de apartamentos em todo o território brasileiro, com um faturamento da ordem de U$$ 2 bilhões de dólares por ano (ABIH, 2006).
Conforme dados do EMBRATUR (2006), os meios de hospedagem têm tido papel de destaque na geração de empregos, com cerca de 300 mil postos de trabalho ofertados pelas diversas instituições que compõem a cadeia produtiva do setor. Surgem ainda como grandes consumidores de bens industriais. São milhares de televisores, aparelhos elétricos e eletrônicos, roupas de cama e banho e tantos outros itens, que movimentam a economia de Estados e Municípios.
Os estabelecimentos hoteleiros com até 19 pessoas ocupadas figuram como os principais compradores de equipamentos e mercadorias duráveis, responsáveis pela aquisição de mais da metade do estoque de 615 mil unidades de TVs, contrapondo-se aos empreendimentos com mais de 100 funcionários, que absorvem somente 46 mil desses equipamentos (EMBRATUR, 2006).
Segundo a EMBRATUR (2006), o custo da geração de emprego na hotelaria é um dos mais baixos da economia brasileira, exigindo um valor de produção de R$
16 mil. Se comparado com outros setores como o da construção civil ou o têxtil, o valor para geração de emprego requer quase o dobro (cerca de R$ 28 mil). O setor da siderurgia é outro exemplo, apresentando um custo quatro vezes maior (R$ 68 mil).
O ano de 2005 pode ser considerado o melhor ano da história do turismo brasileiro, com a entrada de US$ 360 milhões com turistas estrangeiros no Brasil em dezembro (número igual ao de agosto deste mesmo ano, que havia sido o melhor mês da série histórica). O ano fechou com um total de US$ 3,861 bilhões, um crescimento de 19,83% em relação a 2004, que fechou com US$ 3,222 bilhões. Este valor representa o maior em um mesmo ano apresentado pelas atividades do turismo internacional (ABBT, 2006).
Na tabela 1 pode-se observar a distribuição dos hóspedes das empresas do setor hoteleiro brasileiro segundo a sua origem. Ao se observar os dados, percebe-se um significativo potencial de demanda estrangeira que pode percebe-ser explorado pelos empresários do setor.
Tabela 1 – Nacionalidade dos Hóspedes por Categoria.
ANO ORIGEM (%)
BRASILEIROS ESTRANGEIROS TOTAL
2002 75,3 24,7 100
2003 76,0 24,0 100
2004 77,3 22,7 100
Fonte: Embratur (2006).
Segundo o EMBRATUR/DPF (2005), o número de turistas que visitaram o Brasil no ano de 2003 foi de 4.132.847, passando para 4.793.703 em 2004, o que
representou um aumento de 15,99% no fluxo de turistas de um ano para o outro. A via de acesso aérea foi responsável por 69,7% do fluxo de turistas, a via fluvial por 0,4%, por via terrestre foram 24% e 1,1% do total de turistas que entraram no país utilizaram a via marítima.
Os principais mercados de emissão de turistas para o Brasil no ano de 2004 foram: o Uruguai, com cerca de 300.000 turistas; Portugal, com cerca de 320.000;
Estados Unidos da América, com aproximadamente 700.000; e como o primeiro país em número de turistas visitantes ao Brasil, está a Argentina com cerca de 910.000 visitantes (EMBRATUR/DPF, 2005).
Os principais portões de entrada de turistas no Brasil em 2004 foram Rio Grande do Sul com 12%, Ceará com 2%, Rio de Janeiro com 17%, Bahia com 3%, Paraná com 12%, São Paulo com 45% e os demais pontos com 9% dos visitantes.
Pela região Sul do Brasil, deram entrada no país cerca de 1.041.663 de turistas no ano de 2003 e 1.222.806 em 2004. Desse total, o Estado do Paraná foi responsável por aproximadamente 480.837 em 2003 e 554.434 em 2004, representando cerca de 45,34% do fluxo de turistas do sul do país (EMBRATUR/DPF, 2005).
O turismo de negócios, apesar de as pessoas permanecerem menos tempo do que no turismo de lazer, tem crescido a taxas que se situam em torno de 15% ao ano (ABIH, 2006). Observa-se na tabela 2 características da segmentação da demanda brasileira por categorias de clientes.
Tabela 2 – Segmentação da Demanda por Categoria.
SEGMENTOS ANO (%)
2002 2003 2004
Comercial corporativo 45,6 43,5 43,3
Comercial individual 17,4 16,2 18,1
Turistas operadoras 11,7 12,6 11,0
Turistas individuais 9,6 12,9 12,0
Grupo de eventos 11,3 9,4 9,1
Tripulação 2,4 2,5 2,4
Outros 2,0 2,9 4,1
TOTAL 100 100 100
Fonte: Embratur (2006).
O crescimento do parque hoteleiro nacional, composto por mais de 385 mil unidades habitacionais, foi de 3,7% em 2003. A região Sudeste lidera o setor com 4.146 empreendimentos de hospedagens, um parque formado por hotéis, flats, apart-hotéis, resorts, hotéis-fazenda, pousadas e hospedarias. Os estabelecimentos de hospedagem urbanos representam 55,18% do parque hoteleiro nacional, seguidos pelos estabelecimentos de pousadas e hospedarias, 34,16%. (HOTEL ON LINE, 2004).
Segundo dados desta mesma fonte, as redes hoteleiras não representam a maioria na formação do parque hoteleiro do país. Até o final do ano de 2003, 711 empreendimentos de hospedagem eram operados por redes nacionais ou internacionais, enquanto 7.951 eram administrados pelos próprios donos. Apesar de operarem os mais importantes hotéis do país, as redes internacionais têm uma participação de apenas 2,7% no mercado, enquanto as redes nacionais representam 5,51%.
Em Curitiba, o setor hoteleiro tornou-se, na segunda metade da década de 90, em função da instalação de montadoras e da transferência de muitas empresas multinacionais, atrativo para as grandes redes hoteleiras nacionais e internacionais.
Como conseqüência, existem atualmente 19 hotéis dessas redes funcionando na capital paranaense e na cidade metropolitana de São José dos Pinhais (FAVRETO, 2005).
Segundo dados da SETU/Paraná Turismo (2005) a cidade possuía em 2004, 119 meios de hospedagem cadastrados, que ofertavam 8700 unidades habitacionais. Porém o nível de ocupação não passou de 35,10%. A solução para a estabilização do setor foi o chamado turismo de eventos. Em 2004 a previsão era de que o turismo corporativo movimentasse cerca de U$$ 44,8 milhões, um incremento de 60% em relação a 2003. Para 2005 a previsão era de que movimentasse em torno de U$$ 54 milhões, um crescimento de cerca de 21% sobre 2004 (GASPARIM, 2005).
Segundo dados da EMBRATUR/ABIH (2004), Curitiba recebe um número de visitantes por ano equivalente à sua população. São cerca de 1,6 milhão de visitantes por ano na capital paranaense, sendo 900 mil para negócios e eventos. A rede hoteleira da cidade cresceu 53,6% nos últimos cinco anos. Os principais mercados emissores de turistas para Curitiba são o próprio Estado do Paraná e São
Paulo. Em 1995 o Estado de São Paulo apresentava-se como o principal emissor, com cerca de 32,1% dos turistas; contudo, nos anos seguintes, até 2005, o próprio Estado do Paraná configura-se como o principal pólo emissor de visitantes para a capital paranaense, seguido sempre de perto pelo Estado de São Paulo (SETU/PARANÁ TURISMO, 2005). O gráfico 1 ilustra a procedência dos turistas brasileiros que visitaram Curitiba no ano de 2005.
São Paulo 26%
Santa Catarina Estrangeiros 14%
5%
Paraná 36%
Rio de Janeiro 4%
Outros Estados 11%
Rio Grande do Sul 4%
Fonte: SETU/Paraná Turismo (2005).
Gráfico 1 – Procedência dos Turistas de Curitiba.
Como a hotelaria engloba os meios de hospedagem responsáveis pela estada da maioria das pessoas que visitam uma localidade, pode-se observar, segundo dados da SETU/Paraná Turismo (2005) na tabela 3, que o meio de hospedagem mais utilizado pelos turistas de Curitiba são as residências de parentes e de amigos na cidade, por ser o próprio Estado o maior emissor de turistas para a capital.
Tabela 3 – Meio de Hospedagem Utilizado.
MEIO DE HOSPEDAGEM ANOS (%)
2001 2003 2005
Hotelaria 42,8 43,8 41,2
Casa de Parentes/Amigos 42,8 42,1 47,5
Outros 14,4 14,1 11,3
TOTAL 100 100 100
Fonte: SETU/Paraná Turismo (2005).
Acompanhando a tendência dos grandes centros financeiros e comerciais do
Brasil, destaca-se que grande parte dos turistas que desembarca na capital paranaense tem como objetivo principal a realização de negócios, o que promove a cidade a um local de destaque na vitrine de investimentos do setor (SETU/PARANÁ TURISMO, 2005). Contudo, conforme dados da tabela 4, observa-se leve redução no número de turistas que visitaram a cidade para participar de eventos e negócios.
Por sua vez, o turismo de lazer apresentou grande crescimento, dobrando de 2001 para 2005.
Tabela 4 – Motivos da Viagem.
MOTIVOS
ANOS (%)
2001 2003 2005
Compras - 0,5 0,5
Eventos 12,3 9,9 6,6
Negócios 44,5 38,5 33,9
Parentes/Amigos 22,2 23,0 30,3
Tratamento Saúde 9,8 7,2 6,3
Lazer 9,2 16,6 19,3
Outros 2,0 4,3 3,1
TOTAL 100 100 100
Fonte: SETU/Paraná Turismo (2005).
No país foram realizados 106 eventos de nível internacional no ano de 2004.
Desse total, a cidade do Rio de Janeiro se destacou por ter sediado 34 eventos e São Paulo 16. Curitiba ocupou a nona colocação geral, tendo sediado apenas 3 eventos, ficando ainda à frente de cidades como Natal e Recife com 2 eventos (EMBRATUR, 2005).
O Brasil vem posicionando-se como um destino de negócios, com destaque para as áreas de telecomunicações, biotecnologia, finanças e moda. No que se refere à realização de eventos, a profissionalização do setor e as opções de lazer relacionadas à diversidade dos recursos naturais e culturais são alguns dos fatores para o crescimento do segmento (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2006, p. 45).
Conforme observa Cunha (2004), uma vez que os turistas de eventos gastam de duas a três vezes mais do que os turistas de lazer, é tarefa dos gestores dos hotéis formar parcerias para atrair eventos nacionais e internacionais, para incrementar o setor de Curitiba, movimentando a economia, uma vez que, segundo
estimativas da prefeitura, a participação do turismo no Produto Interno Bruto (PIB) na capital cresceu de 6% para 8%.