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Paralelo ao contexto agrícola e, inicialmente apoiado nos excedentes financeiros e conhecimentos técnicos provindos desta atividade, o setor industrial de Limeira estabeleceu-se de modo efetivo a partir da década de 1920 do século passado quando ocorreu a implantação das primeiras indústrias locais, como a Ribeiro Parada (Ripasa), empresa fabricante de papel e celulose que se instalou na cidade em 1922.

Durante a década de 1940 ocorreu evolução nos processos industriais locais e a criação de novas fábricas apoiadas na substituição das importações pelo produto nacional em conseqüência da II Guerra Mundial.

O período durante e após a guerra, marcou o início da atividade do setor de jóias e folheados em Limeira, cuja importância viria a se traduzir nos idos posteriores firmando-se como uma das principais atividades econômicas do município.

Segundo dados da Associação Limeirense de Jóias (ALJ), Eduardo Urbano Cardoso, que se dedicava ao ramo de ourivesaria, advindo da cidade São Carlos (SP) em 1938, em conjunto com seu pai, também ourives, João Martins Cardoso, instalaram relojoaria e oficina de conserto de jóias, em parceria com Sylvio Cavasin, e desta parceria surgiu a primeira indústria de jóias e folheados na cidade:

João Martins Cardoso faleceu em 1940 e o filho Eduardo, em 1945, abriu uma pequena empresa e iniciou a produção industrial de jóias em pequena escala. A fábrica funcionava em um prédio inacabado, na rua Santa Cruz. Mas o crescimento dos negócios veio rápido. Cinco anos depois, no dia 24 de junho de 1950, foi inaugurada a Indústria de Jóias Cardoso.

Naquela época, era a maior indústria do setor, no país, com mais de cem funcionários. O sucesso rápido é atribuído ao talento de Cardoso, que vinha de uma família de tradição na profissão de ourives. [...]

O trabalho na Cardoso era predominantemente manual, apesar do início da industrialização e produção em escala. Como acontece hoje, era comum o recrutamento de mulheres para a atividade de solda. [...]

A Cardoso possuía escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de um grande número de representantes em todo o estado. (JÓIAS, 2005)

O parque fabril limeirense seguiu seu ritmo de instalação, aproveitando-se nos idos pós-guerra, entre a metade da década de 1940 e o final de 50, para seguir a evolução da indústria nacional, se conectando ao setor de bens duráveis, por exemplo, e dedicando-se a produção de peças para os produtos das fábricas de automotores.

Neste período indústrias dedicadas à produção de equipamentos e máquinas para setores diversos do parque nacional optaram pela fabricação de autopeças, fato que conectou a cidade no contexto da industrialização brasileira, bem como nos processos de migração da atividade industrial no Estado de São Paulo, nas décadas posteriores.

A ampliação no ritmo de implantação industrial no município ocorreu entre as décadas de 1960 e 1970 apoiada no processo de desconcentração industrial da Grande São Paulo, ocorrência associada ao período do milagre econômico, que promoveu em Limeira a instalação de unidades industriais, como a empresa Ajinomoto Interamericana.

O fim do milagre econômico na década de 1980 paralisou parte dos processos de evolução da produção e do parque industrial nacional, fato que pôde ser observado na cidade por meio do impacto desta ocorrência, que possivelmente freou a implantação de indústrias de porte, isto é, empresas geradoras de número significativo de postos de trabalho diretos ou indiretos, no período.

Na segunda metade dos anos 1980, do ponto de vista da adaptação do mercado industrial, aconteceram as absorções de algumas fábricas com administração familiar por grupos estrangeiros, associações entre indústrias, orientação da produção à exportação e inserção dos conceitos da terceirização de processos e serviços ligados ao parque fabril.

Acompanhando as modificações no setor industrial, o ramo de folheados aproveitou-se da ampliação dos mercados de venda pelo país, e adaptou a mão-de-obra excedente de algumas áreas da produção promovendo contratação de pessoal por vezes determinada pelas condições de empregos temporários, informais e pela terceirização.

Esta opção pelo vínculo indireto do trabalhador à empresa, com análoga redução de custos diretos ao empregador, em conjunto com a especialização das indústrias e a entrada de Limeira no circuito nacional dos folheados, se constituiu em um dos fatores determinantes da ampliação do setor na cidade e que garantiu, por exemplo, determinada parcela de emprego e renda à população trabalhadora nas crises econômicas que se abateram sobre o país nos anos seguintes.

Caracterizada pelo movimento de tendência mundial do encaminhamento das empresas em direção aos certificados de qualidade internacional, a década de 1990 foi marcada em Limeira pelos processos de geração de empresas de menor porte, fornecedoras de serviços, com perfil pautado na terceirização e consultoria voltados ao suporte às plantas industriais de maior porte.

A cidade possui atualmente plantas industriais instaladas em quase todas as regiões de seu traçado urbano, como demonstra o MAPA 7, fator que caracterizou a implantação e evolução de seu parque fabril.

Segundo o Plano Diretor de 1998, a Região Administrativa de Campinas, onde Limeira está inserida, encontrava-se marcada pela indústria de transformação e de tecnologia avançada, possuindo um Produto Interno Bruto (PIB) superior ao dos Estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul e o faturamento das empresas instaladas alcança patamares superiores ao faturamento dos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e dos Estados da Região Nordeste do país. O Plano também citava que: "Na economia formal, Limeira possui

aproximadamente 1.000 indústrias, que empregam mais de 24.000 funcionários registrados, com uma significativa parcela de mão de obra especializada". (LIMEIRA, 1998, p.14).

MAPA 7. Uso do solo em 1998

Fonte: Plano Diretor de Limeira. (LIMEIRA, 1998, p. 37).

A estrutura industrial da cidade apresenta como principais ramos de atividade, o metalúrgico, mecânico, alimentício, folheados e de papel e papelão.

Considerado todo o contexto traçado pelo Plano Diretor (LIMEIRA, 1998), pode ser observado que o processo de modernização industrial, terceirização de serviços, automação, entre outros, ocasionavam decréscimo da oferta de empregos no setor, que não tem apresentava potencial para ocupar a toda a oferta atual de mão-de-obra.

Esta situação reproduziu na cidade problemas como o desemprego, o aumento da violência urbana e a ociosidade, ainda que a economia informal tenha amenizado um pouco esta tendência.

No presente momento, o campo das oportunidades pode favorecer o município de Limeira, com fatores e condicionantes já instalados, que indicam para a revitalização de seu parque industrial como, por exemplo, o prolongamento da Rodovia dos Bandeirantes, que liga a Capital ao interior do Estado.

Pode ser considerado no contexto das forças, do mesmo modo, a integração com os mercados do Cone Sul promovida pela implantação, na região, da Hidrovia que liga o Rio Tietê ao Rio Paraná, atingindo o Rio da Prata e os mercados paraguaios, uruguaios e argentinos.

Também foi fator favorável e importante a instalação do Gasoduto Brasil-Bolívia, que trouxe a alternativa do gás natural como combustível industrial, favorecendo dentre outras atividades a indústria cerâmica especializada em pisos e revestimentos.

Estas disponibilidades associadas às potencialidades e possibilidades do conjunto técnica e mão-de-obra especializada podem indicar caminhos para uma retomada do desenvolvimento do setor industrial limeirense, contudo esta ocorrência não é o que se observada atualmente e necessita de maiores estudos por parte dos agentes e atores no contexto municipal.