Houve uma confluência de fatores configurados no contexto político-insti- tucional da Superintendência de Recursos Humanos na Sesab favoráveis ao pro- cesso de formulação do projeto EAD SUS-BA, a começar por questões atinentes à problemática existente em termos de recursos humanos, tais como demandas por inclusão de um maior número de trabalhadores aos processos de Educação, ampliação e descentralização da oferta de cursos.No início do período estudado, que corresponde ao começo da gestão (2007), foi realizado um diagnóstico acer- ca dos problemas da área de recursos humanos em Saúde no estado da Bahia, o qual apontava para a existência de uma demanda historicamente reprimida por Educação permanente, entendida como dimensão estratégica para a construção do modelo técnico-assistencial desejado e, ao mesmo tempo, a baixa capacidade do governo para promover essa Educação. (BAHIA, 2007) De fato, a mudança no cenário político estadual, com o início da gestão Wagner, implicou a indica- ção de um secretário estadual que tinha formação política e trajetória baseadas nos princípios e fortalecimento do SUS. O compromisso político do novo secre- tário da Saúde com a reorientação do modelo de atenção e com o enfrentamen- to da problemática de recursos humanos configurou a abertura de uma “janela de oportunidade”, marcando a passagem do momento da “pré-decisão” para o momento da “decisão” da implementação de uma política de Educação em Saú- de no estado. Observa-se, portanto, que essa análise da situação existente no SUS/Bahia fundamentava-se no debate contemporâneo sobre a importância das ações de EPS. A reflexão acerca das possibilidades de utilização da Educação a distância, em consonância com a concepção de Educação permanente como ferramenta para atender a demanda de capacitação de profissionais de Saúde, encontrou condições para se desenvolver, gerando um processo de articulação de vários órgãos que se comprometeram com a construção coletiva do projeto. Nessa direção, os problemas identificados no diagnóstico realizado foram sele- cionados e priorizados para ingressar na Agenda Estratégica da Sesab em 2007, podendo-se constatar que, de acordo com o modelo teórico de Kingdon, esse
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processo contribuiu para a tomada de decisão de utilizar a EAD como um dos meios para a implementação da política. Tratava-se de uma alternativa de solu- ção colocada na agenda política da Sesab diante da problemática existente em termos de recursos humanos, especificamente a necessidade de qualificação em larga escala dos profissionais de Saúde do SUS-BA. Os resultados obtidos com o presente estudo permitiram, portanto, identificar alguns possíveis determinan- tes do processo de incorporação da EAD no âmbito da PEP da Sesab, a exemplo
da existência de um projeto institucional voltado à incorporação das tecnologias de EAD nos processos de Educação permanente para profissionais de Saúde, bem como o início de uma nova gestão, que tinha como proposta de governo priorizar a Saúde e pretendia articular estratégias de Educação permanente em torno de uma política estadual de Educação em Saúde. Assim, a disseminação da cultura EAD no âmbito da Sesab foi gradativamente alcançando um lugar nas mais diver- sas pautas e agendas institucionais naquela gestão.
Vale ressaltar a tendência no âmbito federal para a inclusão da EAD como estratégia de Educação, pois além de fatores internos ao ambiente da Sesab, as discussões nacionais no âmbito da Educação permanente e, mais especificamen- te, da Educação a distância na área da Saúde vêm apontando para um processo acelerado de difusão e incorporação de novas tecnologias educacionais.
Tem-se, portanto, um reflexo do avanço tecnológico na área de Educação, que vem produzindo mudanças nas instituições historicamente responsáveis pela formação de recursos humanos em Saúde, a exemplo das universidades e da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP). O estudo identificou diversas ini- ciativas acerca da utilização da EAD pelo Ministério da Saúde, a exemplo da Uni- versidade Aberta do SUS (UNASUS-Brasil),5 o Curso Nacional de Qualificação
dos Gestores do SUS (CNQGS)6 e o Projeto Telessaúde,7 reforçando, portanto, a
5 A Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) é uma ação da SGTES/MS, lançada em 18 de junho de 2008, em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS-OMS) que visa criar condições para o fun- cionamento de uma rede nacional colaborativa de instituições acadêmicas, serviços de saúde e gestão do SUS, destinada a atender as necessidades de formação e educação permanente do SUS.(www.universida- deabertadosus.org.br/)
6 Curso de aperfeiçoamento com meta de formação de 7.500 gestores, que contemplou as 27 unidades fe- derativas brasileiras, promovido pela ENSP em parceria com a Rede de Escolas de Saúde Pública, ou com outras instâncias formadoras em cada estado. Na Bahia, a EESP foi a instituição líder. Esse curso estava inserido no Programa Nacional de Desenvolvimento Gerencial no SUS, contemplado na dimensão de qua- lificação de quadros de gestores da política nacional de saúde, do Programa Mais Saúde: direito de todos - 2008/2011 e articulado com o Plano Regional de Educação Permanente do Pacto de Gestão do MS 7 O Programa Nacional de Telessaúde foi instituído pela Portaria nº 35 de 04 de janeiro de 2007, no âmbito
do MS. O Telessaúde Brasil tem por objetivo integrar as equipes de saúde da família das diversas regiões do país com os centros universitários de referência, para melhorar a qualidade dos serviços prestados em atenção primária. (www.telessaudebrasil.org.br).
A incorporação do ensino a distância como estratégia da política... | 167 existência de uma tendência da inclusão do ensino a distância como estratégia de Educação no âmbito federal.