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3. CONTEXTO HISTÓRICO

3.1 Contexto histórico brasileiro

3.1.2 Contexto Econômico

No contexto internacional, o início da Segunda Guerra Mundial em 1939 teve impactos significativos na economia do país pela perda de mercados importantes e pela mudança da estrutura das exportações com o deslocamento de produtos não essenciais. Isto porque, ainda com a dificuldade já estabelecida pela queda econômica já instaurada pela crise de 1929, o comércio do Brasil com o exterior foi extremamente prejudicado, forçando o Estado brasileiro a conter fortemente os seus gastos.

Segundo Forjaz (1984), um raciocínio exclusivamente econômico não permite uma abordagem completa da questão da política econômico-financeira dos anos 30 a 45, sendo preciso sua articulação com as questões políticas vigentes do período. Primeiramente, relaciona-se com o pensamento autoritário, ideologia predominante durante os governos de Vargas e que influenciou positivamente o crescimento das indústrias20 ao legitimar a ação intervencionista do Estado. Além disso, segundo Hees (2011), a industrialização no país, tida a partir dos anos 1930 como caminho para o desenvolvimento nacional, foi condicionada pela etapa do capitalismo a qual se encontrava. Assim, pode-se dizer que este período industrial foi efetivo no país a partir da ocorrência de dois fatores principais: a oportunidade econômica para investimentos industriais, proporcionada, paradoxalmente, pela depressão econômica após a quebra da bolsa de Nova York em 1929, e pela revolução política de 1930. Houve, também, alguma flexibilização da política cafeeira, mas os resultados são de difícil avaliação pela conturbada situação política europeia.

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Hees (2011, pg. 102) salienta que a palavra “indústria” podia ser empregada, nos séculos XVIII e XIX, para designar diferentes situações e que esses usos não necessariamente correspondem ao significado contemporâneo do vocábulo. Por conseguinte, diante da multiplicidade de acepções de indústria fica comprometido o esforço para se depurar um conceito único de industrialização, que acaba sendo confundido com o de crescimento industrial.

Apesar do impulso, o processo de industrialização deu-se paulatinamente, já que o desenvolvimento da economia brasileira em um contexto monopolista-estatizante composto de grandes corporações empresariais e industriais foi gradual, deixando aos poucos de ser um país essencialmente rural-oligárquico e tornando-se de base urbana burguesa. Conforme esta transformação, o compasso do crescimento da economia passou a ser determinado pelo ritmo de expansão do setor industrial, ou seja, o desenvolvimento econômico não se encontrava mais vinculado à demanda externa, mas sim ao ritmo endógeno de acumulação de capital no setor industrial. Concomitantemente, o país vinha em uma ampliação da importância de Investimentos Diretos Externos (IDE) de origem norte-americana, que contribuiu, em grande medida, para a elevação da importância dos setores industriais na recepção de investimentos estrangeiros no país. Esse fenômeno, além de caracterizar a conjuntura econômica do Brasil a partir dos anos 1930, também reflete a conjuntura internacional, em que se destaca a consolidação da hegemonia norte-americana no plano internacional (CURADO & CRUZ, 2008).

Frente à esta tendência do desenvolvimento por meio das indústrias, os industriais conseguiram uma certa capacidade de articulação na defesa de seus interesses, assim como conseguiram sensibilizar setores das elites tecnoburocráticas para a questão do crédito industrial (FORJAZ, 1984). Na busca pela ampliação do apoio político, a fração associada às indústrias aliou-se estrategicamente para as vias de comunicação com os poderes públicos e minimizar os conflitos com outras classes vigentes. Entretanto, a diferenciação de interesses desencadeou as disputas com entre esta nova burguesia e outras camadas dominantes, principalmente os grupos agrários e os grupos importadores. Estes conflitos, segundo Forjaz, que se intensificaram com crise econômica mundial pós-29, também contribuíram para a emergência de um estado mais autoritário e centralizador (FORJAZ, 1984, pg. 38).

Assim, o empresariado industrial é compreendido como um ator social ativo no processo de modernização capitalista pós-1930 (BARBOSA, 2013) para impulsionar o processo de desenvolvimento industrial, sem, entretanto, superestimar a autonomia de um Estado considerado peça chave na construção do capitalismo no país. A atuação deste empresariado é percebida principalmente no estado de São Paulo, não somente pela região ser, já em 1940, o maior Estado brasileiro em população, a principal fonte de impostos do governo central e o foco de industrialização do país (FORJAZ, 1984), mas também pelo fato destes empresários

terem origem nas famílias imigrantes de classe média, e não originárias das famílias herdeiras do café21 (BARBOSA, 2013).

Ainda que o governo de Getúlio abordasse o nacionalismo como principal política, notou-se neste contexto um reforço da tendência, já anteriormente vislumbrada, do aumento da participação dos investimentos de origem norte-americana e da concomitante redução dos investimentos de origem britânica. Este aspecto reforça a relação entre o nacionalismo do governo Vargas, predominante pela política do “nacional-desenvolvimentismo”, e a atração de investimentos estrangeiros como pontos convergentes, e não paradoxais (como já exposto), já que as políticas nacionalistas durante o Estado Novo nunca significaram qualquer restrição ao capital estrangeiro. Como exemplo, durante o primeiro mandato de Vargas (1930-1945), o momento culminante na economia foi a decisão do Estado de criar as indústrias de base, que se deu principalmente devido a duas limitações do setor privado: a incapacidade financeira para financiar e a inexperiência para gerir esse tipo de empreendimento. Desse modo, a partir de capital e recursos tecnológicos norte-americanos, foram fundadas a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 1941, e a Companhia Vale do Rio Doce, em 1942, visando a atender à demanda por armas e equipamentos bélicos das nações aliadas durante a Segunda Guerra Mundial (ABREU, 2008).

Curado afirma que o crescimento das atividades industriais foi sobretudo relevante até o início da Segunda Guerra Mundial, a partir do qual diversas medidas favoráveis à indústria foram adotadas, como a criação de infraestrutura, transferência de recursos e proteção alfandegária (CURADO & CRUZ, 2008). Como característica marcante desse período, cujos principais polos do desenvolvimento industrial brasileiro eram São Paulo e Rio de Janeiro (CURADO, 2001), predominou o intenso processo de diversificação das atividades industriais, em que se destacam a redução da participação dos chamados setores de bens de consumo não-duráveis e o concomitante incremento de setores da indústria pesada.

Desse modo, nos anos de 1950, cujo período correspondeu à industrialização mais pesada do país, os investimentos externos diretos (IDE), marcados pela realização de um bloco de

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Segundo Cano (BARBOSA, 2013, pg. 394), o desenvolvimento das indústrias no Estado de São Paulo também foi destacado por possibilitar uma acumulação de capital para permitir transformação técnica no desenvolvimento industrial, já que a tendência da industrialização no Brasil era não seguir a clássica e gradativa transformação da produção manufatureira para uma produção mecanizada para os mercados, mas originar-se de atividades mais associadas à prestação de serviço.

investimentos concentrados, desempenhou papel fundamental no desenvolvimento das indústrias (CURADO, 2001; CURADO & CRUZ, 2008; HEES, 2011). Não é à toa que o período imediatamente posterior à guerra foi de afirmação crescente da indústria na economia do país, principalmente porque além dos fatores econômicos externos, as associações industriais foram fortalecidas, favorecendo acordos tarifários. Como resumo, Curado (CURADO & CRUZ, 2008, pg. 424) aborda:

“Portanto, além de um cenário internacional bastante favorável à ampliação dos IDEs, liderados pelos interesses de expansão das grandes empresas norte- americanas, o Brasil apresentou-se como uma opção atrativa para o fluxo de IDEs; isto é, havia disposição e interesse político do governo brasileiro em propiciar as condições necessárias para a atração do investimento estrangeiro direto [...]”.

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