3. O PROGRAMA PARANÁ DIGITAL: CONTEXTO DA INFLUÊNCIA
3.3 O CONTEXTO LOCAL
O Brasil passou por várias experiências a fim de alavancar as tecnologias na educação, através da criação de diretorias, grupos de trabalho, além da realização de seminários, que originaram programas como o EDUCOM (1982) e o PRONINFE (1989). As atividades nessa área intensificaram-se a partir de 1997 com a criação do ProInfo, que além de implantar laboratórios de informática nas escolas passou a disponibilizar outros recursos e a mobilizar ações de formação dos professores através do ProInfo Integrado e da TV Escola.
No Paraná as discussões em relação ao uso de tecnologias na educação ampliaram-se por volta de 1984, quando professores, estudiosos e pesquisadores do antigo CECIP/PR e CEDIPAR/PR passaram a desenvolver e divulgar seus projetos na área de Ciências, apresentando seus trabalhos em seminários e eventos nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Durante esse período, o Laboratório de Estudos Cognitivos/LEC da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), coordenado pela professora Léa da Cruz Fagundes, passou a ministrar cursos de capacitação em diversas cidades no Estado do Paraná, com apoio da Secretaria de Estado da Educação (SEED).
A partir de 1985, com a inclusão da informática educacional no Plano Estadual de Educação, o estado passou a ter uma proposta mais concreta para o tema.
Em 1987, o PRONINFE/MEC, solicitou à Secretaria de Educação do Paraná duas pessoas para um curso de especialização na UNICAMP, antevendo a criação, no estado, dos Centros de Informática na Educação. O então Secretário de Estado da Educação fez a comunicação a todo o estado, e duas professoras da cidade de
Maringá disponibilizaram-se a realizar o curso de Especialização em Informática na Educação e também a colaborar com o Projeto do CIEd no estado. Então, em
novembro de 1988, o primeiro Centro foi criado em Maringá (QUARELLI, 2004 apud
OLIVEIRA, 2006, p.14).
Em 1997, com o lançamento do ProInfo em todo o país, o Paraná inseriu-se no Programa Nacional de Informática na Educação através do Plano Estadual de Informática na Escola (PEIE), proposto pela Secretaria de Estado da Educação (SEED). Previu um investimento de US$ 32.081.400,00 para implantação dos Núcleos de Tecnologia na Educação e Centro de Referência, implantação de equipamentos, implantação de rede, capacitação de recursos humanos, estudos,
pesquisa e desenvolvimento de software, sendo que se desenvolveu no período
entre janeiro de 1997 a dezembro de 2001. Os objetivos do PEIE foram:
- Assegurar o acesso de professores, alunos, comunidade, na utilização do computador, promovendo a disseminação, divulgação e intercâmbio de experiências da aplicação da informática na educação;
- propiciar a capacitação de recursos humanos da rede pública estadual na utilização da informática na educação;
- propiciar o desenvolvimento de projetos visando à inovação pedagógica no ensino fundamental e médio;
- apoiar projetos de pesquisa e desenvolvimento para utilização da tecnologia da informação na educação;
- fornecer assessoria e acompanhamento para elaboração e a implantação do PEIE nas escolas (PARANÁ, 1997b).
Assim, ainda em 1997 foram distribuídos 2 843 computadores para o Paraná, entre os quais 2 691 para escolas públicas estaduais e 152 para escolas municipais. A implantação dos NTE ocorreu no mesmo ano, inicialmente em sete municípios, depois passando para doze: Curitiba, Ponta Grossa, Pato Branco, Cascavel, Cornélio Procópio, Guarapuava, Londrina, Maringá, Umuarama, Telêmaco Borba, Campo Mourão e Foz do Iguaçu. Num primeiro momento, foram firmados convênios para que os NTE utilizassem laboratórios prontos instalados em entidades educacionais federais, tais como o CEFET, e também em instituições estaduais.
Em 1999 foi realizado no estado o curso TV na Escola e os Desafios de Hoje, e em 2000 houve capacitações dos professores da rede em cursos de Metodologia da Informática Aplicada à Educação (100h e 80h) e dos cursos de Ferramentas (20h e 40h). Em 29 de março do mesmo ano foram estabelecidos
oficialmente os NTE de Telêmaco Borba e o Centro de Capacitação da Universidade do Professor em Faxinal do Céu.
Paralelamente às ações vinculadas às políticas nacionais de tecnologias na educação, o Paraná apresentou propostas próprias de informática na educação, através do Programa de Qualidade do Ensino Público do Paraná (PQE) e do Programa de Expansão, Melhoria e Inovação no Ensino Médio (PROEM).
O PROEM, assim como os demais projetos educacionais de 1995 a 1998, deveria orientar-se por três princípios, que de acordo com o relatório inicial do projeto faziam parte do Plano de Ação-Gestão 1995/1998 - Plano ABC da Secretaria de Estado da Educação. Eram eles:
permanência do aluno na escola, assegurando-lhe melhor
aproveitamento escolar e maior qualidade e relevância das aprendizagens;
bons professores, proporcionando-lhes permanente capacitação e
incentivos ao desempenho profissional;
participação da comunidade na condução do processo educativo,
privilegiando o processo de formação de alianças e parcerias (PARANÁ, 1997a).
Além disso, o PROEM apresentou como propósito aumentar a eficiência, eficácia e equidade da educação média. Portanto, o programa previa inúmeras ações em todas as áreas (obras, reformas, aquisição de equipamentos diversos e materiais didáticos e pedagógicos), e não exclusivamente às questões referentes a dotar as escolas com computadores ou outros recursos tecnológicos. Entretanto, essas foram também alvo do Programa, que conseguiu adquirir através de um feira realizada em Faxinal do Céu em 1998, 7 702 equipamentos de informática (entre computadores e periféricos) para a instalação de 918 laboratórios de informática em 918 colégios, com um número médio de 8 computadores por escola. (PARANÁ, 2001, p. 7).
Portanto o número de máquinas de cada laboratório era reduzido e a compra não implicou sua instalação imediata, pois em 1999 o laboratório ainda não estava funcionando em 17 escolas (PARANÁ, 2006c). A capacitação dos professores só é mencionada nos documentos a partir do ano de 2000, quando é mencionado que o Programa “capacitou 6000 professores da rede pública do estado” (PARANÁ,
2006c). Parece que a capacitação refere-se ao fato do professor ter participado de algum curso não especificamente relacionado a tecnologias na educação; o que é mais preciso a partir de 2001, quando os Núcleos de Tecnologia Educacional do Paraná deixaram de ser unidades escolares, passando a unidades descentralizadas do Centro de Excelência em Tecnologia Educacional do Paraná, da Secretaria da Educação, e os multiplicadores passaram a ser denominados capacitores, cuja ação prioritária era a formação continuada em tecnologia educacional, sendo que os 13 NTE capacitaram, até 2001, 2 626 profissionais da educação (PARANÁ, 2006c, p. 38).
Mas essa ação de compra dos computadores e a consequente instalação dos laboratórios de informática foi viabilizada até então apenas às escolas de ensino médio, excluindo-se a possibilidade das outras escolas que atendessem apenas a educação fundamental de acesso aos recursos tecnológicos. Desde 1982, entre as recomendações estabelecidas no II Seminário Nacional de Informática na Educação está a de não se atender prioritariamente as escolas de nível médio, em relação a políticas de tecnologias na educação. Entretanto o PROEM, de acordo com o “Plano de implementação para instalação, aquisição, atualização de equipamentos de informática pedagógica e administrativa para a rede de educação básica do estado do Paraná” (PARANÁ, [2003?], p. 63) não considerou escolas que tinham apenas ensino fundamental: “[...] a Feira de Informática (1998), realizada com recursos do PROEM, que beneficiou apenas Estabelecimentos de Ensino Médio, não contemplando os do Ensino Fundamental [...]”.
Ainda que o Programa deixe claro na nomenclatura que seu foco é o ensino médio, o texto do documento apresenta possibilidade de se contribuir com os outros níveis de ensino, o que de 1ª a 4ª séries ocorreria via Magistério, e no ensino fundamental: “Será adotado um novo modelo de Estabelecimento de Ensino Médio juntamente com as séries de 5ª a 8ª do Ensino Fundamental, quando a união dos dois níveis se justifique em função da demanda e do critério de eficiência” (PARANÁ, 1997a, p. 10).
Parece que o documento refere-se nesse caso apenas às escolas que atendem as duas modalidades de ensino no mesmo espaço físico. Considera-se que tal ação é excludente e impossibilita o acesso dos estudantes com maior índice de
exclusão social e digital, que em muitos casos são os pertencentes às escolas com apenas ensino fundamental, pois essas normalmente estão localizadas em comunidades carentes e marginalizadas, locais de difícil acesso e de baixo IDH. Nesses lugares não há demanda para o ensino médio, pois normalmente os alunos abandonam a escola antes de chegarem ao ensino médio, sendo um dos fatores agravantes para isso a dificuldade de acesso à própria escola. O acesso a novos recursos tecnológicos nesses locais naquela época era praticamente inexistente, sendo consideradas escolas de baixa qualidade, desprovidas de recursos. Esse pode ser um dos motivos da escola não ser atraente a muitos alunos que não se sentem motivados a frequentar um espaço que não é valorizado. A decisão de não incluir essas escolas em projetos e programas de tecnologias contribui para evidenciar e aumentar a diferença social entre os que têm acesso aos meios para expandirem sua formação e aqueles que já têm acesso através de formas extraescolares.
No período de 1995 a 2002 o governo do estado do Paraná esteve sob a orientação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB): um partido político com histórico de implementar políticas neoliberais e que defendeu e implementou privatizações. Por exemplo, a do Banco do Estado do Paraná (Banestado), como também realizou várias tentativas de privatização da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (COPEL). A educação nesse período, de acordo com Nadal (2007, p. 146) foi marcada pelo:
[...] financiamento de programas educacionais com verbas internacionais; a terceirização da educação via ausência de concursos públicos para professores e servidores e a criação do Paranáeducação; a intensificação de busca pela elevação da universalização do ensino de 1º grau por meio da extensão do CBA aos municípios e escolas que ainda não haviam aderido à proposta; a adoção de educação aberta e a distância para formação de professores em nível superior; a alteração das matrizes curriculares como tarefa descentralizada para as escolas; o abandono silencioso do Currículo Básico do Paraná (elaborado no Governo Álvaro) e a utilização dos Parâmetros Curriculares Nacionais em sua substituição; a adoção de uma pedagogia de competências, inclusive com registro das mesmas nos diários de classe; a premiação de diretores e escolas mediante os resultados escolares e de gestão atingidos, foram algumas das políticas educacionais desenvolvidas na gestão Lerner.
Em 2003, após oito anos de PSDB, assume o governador eleito do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), com histórico de oposição ao PSDB
no estado do Paraná e com aliança ao PT, que apoiou o PMDB ao governo do estado, devido compartilharem propostas e ideologias, entre as quais a de diminuir as desigualdades sociais. Intenções já anunciadas quando em exercício o mesmo governador (1991 a 1994). O cenário nacional também havia se alterado em 2003 e o Partido dos Trabalhadores (PT) conseguira pela primeira vez eleger um representante do partido como presidente da república. As propostas educacionais
da campanha11 do PMDB foram construídas em conversas com líderes do PT, como
a que se apresenta a seguir, na qual se identifica um forte discurso de aproximação com as universidades para o estabelecimento de projetos de formação e valorização do professor, que incluía, inclusive a previsão da possibilidade do professor se aperfeiçoar deixando temporariamente a rotina da sala de aula:
É programa do nosso governo, é programa da nossa coligação, o mergulho no conhecimento universitário, pelo menos a cada dois anos os nossos professores devem se afastar da rotina de sala de aula, das aulas repetidas, uma atrás da outra, e mergulhar no conhecimento universitário, se aperfeiçoar se construir, se reconstruir, tomando conhecimento de novos métodos científicos, de métodos didático-pedagógicos (REQUIÃO, 2002).
Estudos como os de Perissinotto (2008) e Toledo e Bega (2011) trazem elementos de comparação entre as características dos governos Lerner e Requião. Entende-se como Perissinotto (2008, p. 73) que o governo Requião caracteriza-se como “disposto a defender acirradamente políticas que considera promotora da igualdade social, favorável à intervenção do Estado na economia.” Na pesquisa realizada por este autor com membros da elite administrativa do governo Requião e Lerner, nas questões referentes às políticas públicas, a única em que o governo
Lerner e Requião não discordam completamente é em relação à “universalidade da
saúde pública” e a que mais destoa é em relação a manutenção do sistema universitário público, em que apenas 17,6% dos respondentes do governo Lerner declaram-se favoráveis a manutenção dessa política contra 66,7% dos membros do governo Requião (PERISSINOTTO, 2008, p. 70).
Ao assumir o governo do estado do Paraná, o novo governador nomeou como Secretário da Educação do Estado uma pessoa que, embora tenha assumido inúmeros cargos durante sua carreira na administração pública e na política ligados
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à educação, não é professor. Formado em Psicologia, trabalhou na fase final da LDB, no período que levou à votação da criação do Fundef. Também já tinha sido presidente da Fundepar na outra gestão do então reeleito governador.
Essa pessoa permaneceu no cargo de Secretário da Educação de 2003 a 2008; entretanto, começou a participar das discussões já no período de transição, declarando em entrevista realizada em janeiro de 2014 que o governo assumira o estado com uma grande pauta apresentada pelo sindicato dos professores com as principais demandas da educação, as quais vinham na maior parte das reivindicações dos educadores. De acordo com o Secretário da Educação 2003-2008 (jan. 2014) buscou-se ampliar essa pauta para que não fosse só sindical, “mas uma pauta que incorporasse demandas mais estritamente educacionais”.
Refletindo sobre como isso poderia ocorrer, perguntando-se sobre o que seria preciso para provocar impacto na educação e ocasionar mudanças capazes de melhorar a qualidade do ensino, o Secretário da Educação 2003-2008 (jan. 2014) declarou que após pensar muito sobre a questão concluiu que uma das formas seria proporcionar ao professor acesso “a fontes”, acesso a fontes atualizadas. Estabeleceu-se então um longo debate sobre como proporcionar tal acesso, de fontes atuais aos professores. E de acordo com o entrevistado a primeira ideia foi melhorando as bibliotecas. Entretanto, ao se questionar se seria possível manter bibliotecas sempre atualizadas em todas as escolas, percebeu-se que isso não seria possível, pois com toda a burocracia que há no estado, de acordo com o Secretário da Educação 2003-2008 (jan. 2014), ainda que houvesse recursos financeiros para isso, não seria possível garantir que as bibliotecas sempre contassem com material atual.
De acordo com o entrevistado, a intenção de conectar todas as escolas à internet disponibilizando conteúdos aos educadores por meio de um portal educacional surgiu de suas reflexões sobre como proporcionar fontes de pesquisa sempre atuais nas escolas, após receber o convite do governador para assumir a Secretaria da Educação. Declarou em seguida que tais reflexões foram posteriormente debatidas com vários professores, pessoas com experiência em gestão escolar e com professores pesquisadores da universidade, entre os quais foi citada a professora da Universidade Federal do Paraná, com experiência na área da
educação, e principalmente em administração de sistemas educacionais, que foi convidada e assumiu em seguida a Superintendência da Educação do Estado.
Para a criação desse portal, inicialmente o Secretário declarou que pensou em chamar professores das universidades. Tal ideia foi redefinida a partir dos debates com os professores da universidade, que sugeriram que os materiais deveriam ser produzidos pelos próprios professores da rede, o que reafirma que o desenvolvimento do Programa sofreu forte influência de pesquisadores na área educacional.
Frente ao cenário educacional apresentado que antecedeu as discussões sobre a criação do Programa, em que era evidente o descontentamento dos professores com as políticas educacionais vigentes e em especial em relação às que envolviam a carreira do professor e sua valorização profissional, fornecer acesso a fontes atuais aos professores era uma forma de valorizá-los e ao mesmo tempo instrumentalizá-los com ferramentas com grande potencial, em especial na época em que o programa se desenvolveu. Visto que a internet era privilégio de poucos, com acesso limitado, pois ainda que houvesse meios de pagar para ter conexão de qualidade, que era muito cara na época, não estava disponível em todos os locais, ou era necessário muitas vezes aguardar grande tempo para conseguir a instalação.
Porém, para que os professores tivessem acesso ao portal era necessária também uma estrutura física que desse suporte a isso, ou seja, computadores conectados à internet. E, como relatado anteriormente, a conexão com a internet não era algo simples de se conseguir, principalmente ao se pensar no acesso para todas as escolas, inclusive as do meio rural. “Mas aí o que acontece: chega para mim a ideia, a informação, não a ideia de que a Copel ela estava trabalhando já há vários anos num projeto de transmissão do sinal da internet pela corrente elétrica” (Secretário da Educação 2003-2008, jan. 2014).
Surgiu a oportunidade de levar-se conexão à internet a todas as escolas mediante uma empresa que, como dito anteriormente, estava em discussão em relação a ser privatizada. Segundo o Secretário da Educação 2003-2008 (jan. 2014), tais negociações e conversas não foram fáceis, pois algumas pessoas que faziam parte da Copel não gostavam de “compartilhar as coisas”, pois havia interesse de guardar o potencial da empresa para sua privatização:
Nas conversas é que eu fui entendendo um pouco mais e fui me dando conta de que a Copel, independente do projeto da utilização da energia elétrica, a Copel dispunha, alguém me soprou isso, a Copel dispunha de um anel ótico que interligava todas as suas usinas. Um anel de fibra ótica e alguém me disse: (nome omitido) olha, ninguém tem isso no Brasil e talvez no mundo não tenha isso, um anel público (Secretário da Educação 2003-2008, jan. 2014).
Segundo o entrevistado, a conexão das escolas à internet via fibra ótica concretizou-se graças à interferência do governador, que teve que intervir muitas vezes nas negociações.
Para comprar as máquinas necessárias para se concretizar o acesso, havia um financiamento firmado junto ao BID que estava prestes a vencer, mas cujo dinheiro não havia sido totalmente gasto, restando um saldo de mais de cem milhões de dólares. Estando, assim, o prazo de vigência do acordo de empréstimo junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento do PROEM vencendo, mas já tendo “sido iniciadas as negociações para sua extensão para viabilizar a realização de todas as ações previstas” (PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO, [2003?], p. 11), iniciou-se com o novo governo outro projeto de inclusão digital da educação básica no estado do Paraná, denominado oficialmente de Projeto BRA/03/036, mas conhecido por todos como Programa Paraná Digital ou apenas PRD, objeto em estudo nesta tese.
Embora tenham se passado mais de dez anos desde o início do programa, os computadores do PRD ainda estão em várias escolas, sendo utilizados. Assim, para coletar os dados para esta tese, por meio de entrevistas com os professores, pedagogos, diretores e adms, foram selecionadas duas escolas em que o laboratório do PRD ainda está ativo e é bastante utilizado. As questões iniciavam-se perguntando sobre a origem dos equipamentos do laboratório. Todos, com exceção de uma professora que confundiu o PRD com o ProInfo e considera que o Programa foi do governo federal, sabem que o PRD é um programa estadual, embora em alguns casos apresentem insegurança nas respostas:
O Paraná Digital é do Estadual, não é? E o ProInfo que acho que é o, ou não é, tem relação né com governo federal. Eu acredito que é, até onde eu sei né?! A questão da compra dos equipamentos, entrega, veio o pessoal
para instalação tinha aquilo que não podia mexer nas caixas e tudo, tinha um pessoal para fazer isso. E com relação a treinamento, acredito que ficou por conta dos núcleos, mas não sei se tinha uma espécie de auxílio de custo, né?! (Admlocal da “Escola da Boa Vizinhança”, jun. 2013).
Ainda que saibam a origem do Programa, não souberam responder o que o programa incluía, citando equipamentos adquiridos pela APMF ou outros recursos como sendo do PRD. Com exceção do diretor e da pedagoga da “Escola da Boa Vizinhança”, que era diretora em outra escola na época da implantação do programa PRD, nenhum outro entrevistado das escolas soube responder de onde veio o financiamento dos equipamentos. Entretanto, embora a maioria dos entrevistados das escolas declarasse que o objetivo do programa fora melhorar a qualidade da educação, verifica-se em certas respostas que não está completamente claro como contribuiria para esse objetivo, pois afirmam que simplesmente era necessário ter o Programa, como se verifica na fala do Diretor da “Escola da Boa Vizinhança”: