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4. O local de estudo

4.3. Contexto regional de Beja

A cidade de Beja é a sede do Município e capital de um distrito que se subdivide em 14 concelhos: Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Barrancos, Beja, Castro Verde, Cuba, Ferreira do Alentejo, Mértola, Moura, Odemira, Ourique, Serpa e Vidigueira. Estrategicamente considera-se relevante uma visão prospetiva das atividades agrícolas, pecuárias e florestais associadas ao turismo de natureza e rural. O reforço da competitividade dos setores agrícola e florestal em articulação com a identificação das estratégicas agroalimentares e florestais constituem uma das principais potencialidades. O concelho de Beja ocupa a primeira posição a nível distrital no indicador per capita3

relativo ao poder de compra (CMB, 2013).

O concelho de Beja é constituído por 18 freguesias das quais, 4 são Áreas Predominantemente Urbanas, 1 é Área Mediamente Urbana e 13 são Áreas Predominantemente Rurais. As freguesias que integram a cidade são as seguintes: Salvador, St.ª Maria da Feira, Santiago Maior e São João Baptista. Sabe-se que a cidade de Beja já existia no tempo dos romanos. Considera-se que o seu ressurgimento como

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cidade tem origem com a Carta Régia de 10 de Abril de 1521. A atividade económica do concelho de Beja verifica um processo intenso de terciarização, que não tem sido acompanhado de um crescimento efetivo das atividades económicas produtivas, pelo que a tendência geral indica uma consolidação das atividades essencialmente vocacionadas para apoio e suporte ao bem-estar das populações. As principais fontes de rendimento são os serviços, o comércio e a agricultura onde se destaca a cultura do trigo, do olival e da vinha.Em relação à população empregada por ramos de atividade económica no concelho de Beja, o sector terciário detém maior número de trabalhadores, seguindo-se o sector secundário e finalmente o primário(CMB, 2009).

O Plano Diretor Municipal (2014) de Beja esclarece que no contexto regional, no Alentejo é onde a agricultura possui o maior significado em termos socioeconómicos e a população ativa agrícola possui um papel determinante nas freguesias rurais do concelho de Beja. Um dos pontos assinalado foi o de existir um “fraco espírito cooperativo entre pequenos e médios agricultores” e até um abandono paulatino ou enfraquecimento da pequena e média agricultura. Seria necessário apoio técnico relativamente à tomada de decisões, gestão e comercialização através de estruturas de associação para que a pequena agricultura consiga alguma possibilidade de concorrer no mercado com êxito, tendo em consideração a oposição dos grandes operadores comerciais.

Por não saber que população de pequenos agricultores pode ser encontrada na cidade de Beja, numa fase inicial deste estudo foi efetuado um requerimento à Direção de Finanças de Beja a pedir informação sobre o número de pequenos agricultores registados na União de Freguesias de São João Baptista e Santiago Maior (Apêndice 1) pelo qual foi facultada uma lista de sujeitos passivos (SP) em cadastro à data de 30-12-2016, onde inclui os pequenos, os médios e os grandes produtores (Anexo C). Não foi deste modo possível determinar qualquer população de pequenos agricultores. Por este motivo em futuros requerimentos a esta Direção não se torna descabido indicar todas as freguesias que integram a cidade. Para este estudo apenas são relevantes os sujeitos com a Classificação de Atividade Económica (CAE) portuguesa com produção vegetal descrita na Tabela 4.1.

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Tabela 4.1 - Sujeitos passivos em cadastro à data de 31/12/2016 na União de Freguesias de São João Batista e Santiago Maior com produção vegetal

Fonte: Direção de Finanças de Beja, 2017

4.3.1. Áreas de regadio e sequeiro

O Plano Diretor Municipal (2014) de Beja determinava uma tendência para o surgimento de pequenas e médias explorações com culturas regadas, especialmente “hortícolas, fruteiras, olival e vinha” com a ajuda do regadio permitido por Alqueva.

No estudo efetuado por Rebelo (2014) reparamos que no ano de 2014 as culturas agrícolas de regadio com maior expressão são: o Olival com 2,676 ha (60 % das culturas regadas); o Amendoal com 437 ha (10 % das culturas regadas); o Milho com 388 ha(9 % das culturas regadas); o Arroz com 377 ha(8 % das culturas regadas); o Girassol com 247 ha (5 % das culturas regadas); a Forragem com 135 ha e os Citrinos com 118 ha (respetivamente 3 % das culturas regadas); a Figueira com 51 ha e a Romã com 34 ha

(respetivamente 1 % das culturas regadas). A autora refere que as culturas como o girassol, o pimento, o melão, a melancia, as hortícolas e o trigo podem praticar regadio em menor escala, porque algumas demonstram faltas de mecanismos adequados para a

Cód.

CAE CAE Total de SP

01111 CEREALICULTURA (EXCEPTO ARROZ) 164

01112 CULTURA DE LEGUMINOSAS SECAS E SEMENTES OLEAGINOSAS 15

01120 CULTURA DE ARROZ 2

01130 CULTURA DE PRODUTOS HORTÍCOLAS, RAÍZES E TUBÉRCULOS 7

10092 OUTRAS CULTURAS TEMPORÁRIAS, N.E. 10

01210 VITICULTURA 12

01220 CULTURA DE FRUTOS TROPICAIS E SUBTROPICAIS 10

01230 CULTURA DE CITRINOS 2

01240 CULTURA DE POMÓIDEAS E PRUNÓIDEAS 11

01251 CULTURA DE FRUTOS DE CASCA RIJA 10

01252 CULTURA DE OUTROS FRUTOS EM ÁRVORES E ARBUSTOS 10

01261 OLIVICULTURA 119

01290 OUTRAS CULTURAS PERMANENTES 5

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sua comercialização. O tomate foi uma cultura bastante representativa, mas sofreu uma redução porque está condicionado ao sucesso ou fracasso das indústrias transformadoras. A estação seca restringe o desenvolvimento das culturas devido à falta de água, mesmo no inverno quando surgem meses sem chuva, sendo mais importante haver água nos meses de março, abril e maio. No entanto, a agricultura de sequeiro vai continuar e todavia ocupa grande parte da área agrícola no Alentejo, mas não irá permitir o desenvolvimento económico para investimento e emprego que a área de regadio é capaz. Na atualidade surgem investimentos que conseguem dinamizar o regadio em pequenas propriedades, mas a reconversão do sequeiro para regadio é difícil de fazer porque não é fácil “levar água até zonas de solos xistosos”.

Na Figura 4.1 é possível observar uma pequena exploração situada na União de Freguesias de São João Batista e Santiago Maior em Beja a usufruir de regadio proporcionado pela barragem do Alqueva. Na entrelinha das árvores de fruto está instalado um sistema de regadio e é aproveitada para o cultivo de hortícolas.

Figura 4.1 - Pequena exploração com regadio

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