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Capítulo II – 3 Contexto Actual

3.2. Contexto Social Actual

A casa é reflexo de quem vive nela, a forma desta reflecte os hábitos de quem nela habita. No entanto, ninguém vive sem conforto e este está dependente do espaço. A casa consegue nos oferecer prazer, apesar de grande parte das pessoas não estarem satisfeitas com o espaço onde vivem. A maioria das pessoas sente falta de espaço generoso, espaço liberto, de adequar o espaço e se as tendências continuarem, nas décadas seguintes iremos ver as pessoas a viver em menos espaço, em áreas urbanas pelo mundo fora.

Quando o arquitecto projecta uma habitação, deverá imperiosamente responder às necessidades dos utilizadores, algo problemático e difícil de cumprir de forma eficaz, tanto no caso da habitação unifamiliar como multifamiliar. Hoje em dia, não existe uma família padrão, assiste-se a uma diminuição na configuração familiar: é cada vez menor o número de pessoas que compõem a família e cada vez maior a diversidade dos grupos familiares. Assiste- se à diminuição do número de casamentos, ao aumento do número de uniões consensuais, a um incremento de divórcios, a casamentos tardios, ao crescente numero pessoas que moram sozinhas e para além disso testemunha-se o facto de muitos casais a optarem por não ter filhos. No entanto, a condição social é muito dinâmica, salientado o facto de que os arquitectos deveriam conseguir projectar de um modo a quês os espaços não sejam tão limitadores. Para além disso, o habitante deverá ter uma relação não só funcional mas também emocional com a habitação. Para a maioria das pessoas a casa envolve muitas memórias importantes da vida familiar e tem um significado pessoal.

Ilsemarie Rojan-Sandvoss é da opinião que o interior doméstico deve ser preparado para diferentes etapas da vida, assim como diferentes tipos de agregado familiar, preferências individuais e formas de vida. Por exemplo, o nascimento de um filho constitui um acontecimento importante na vida, trazendo consigo mudanças para a família, que pode necessitar de ajustes, ou seja, uma nova adaptação tem que acontecer.1

É evidente que hoje em dia a oferta existente com base no prototipo de uma família padrão, tem pouco a ver com uma realidade plural, caracterizada pelo fluxo constante de novas pessoas de diferentes línguas e culturas, a diversidade de grupos sociais, pelo rápido desenvolvimento das tecnologias informáticas que revolucionam não apenas os hábitos de trabalho, mas também a família ou um panorama de emprego menos estável, entre muitos outros factores.2

Uma arquitectura modular poderá oferecer oportunidades de adaptabilidade, sendo uma mais-valia só por si, mesmo no caso da habitação unifamiliar, pois os ocupantes desta poderão não ser os de amanhã. Os próprios moradores mudam, como é o caso da criança, que passará de bébé a adolescente, mais tarde a adulto e por fim será um sujeito idoso.

1Antje Flade, “Psychological Considerations of Dwelling”, Weil-am-Rhein, “Living in Motion: Design and

Architecture for Flexible Dwelling”, 2002, pag. 221.-237.

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Cada vez mais existe menos distinção entre sectores como o trabalho ou lazer na habitação. Mudando os padrões de trabalho e das tecnologias direccionadas para a habitação, é necessário constituir uma nova organização espacial. O sujeito moderno trabalha cada vez mais em casa nos últimos anos. Hoje em dia, se o sujeito moderno americano passar quatro horas acordado em casa durante a semana de trabalho, está a cima da media. A maior parte das pessoas acabadas de se licenciar passam mais de 15 horas por semana no trabalho, e os pais, especialmente mães, trabalham o dobro e muito tempo gasto levando os seus filhos a actividades assim como a traze-los para casa. Milhões de casas ficam vazias durante o dia.3 A

evolução das tecnologias da informação e das comunicações teve um tal incremento que nos obriga a dizer que o mundo ficou mais pequeno. Comunicar em instantes com o outro lado do planeta, evitar deslocamentos, enviar documentos em segundos e sem a as imperfeições dos faxes, procurar cursos de pós-graduação na China ou nos Estados Unidos, ou até fazer compras sem sair de casa. Estas e outras modificações no nosso dia-a-dia foram sendo introduzidas e desenvolvidas, nos últimos tempos, através da Internet e o número de utilizadores em todo o mundo não pára de aumentar, tornando reais muitas das coisas com que há relativamente pouco tempo apenas era possível sonhar. Todo este mundo tecnológico permitiu o aparecimento do teletrabalho.

A vida e a cultura do sujeito moderno estão a sofrer constantes alterações, a comunicação e o contacto humano são maioritariamente feitos por telefone ou computador, o que nos leva a crer que estamos a ser levados por uma espécie de globalização. Também a relação entre pessoas conhecidas, amigos e família tem sofrido alterações no modo como convivem, sendo cada vez mais à distância.

Fig. 6. - Evolução do telemóvel

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L. Jankovic refere que as estradas do Reino Unido já estão congestionadas hoje em dia, e que o número de carros vai dobrar em vinte anos; pelo contrário temos a tecnologia da informação que está a permitir cada vez mais transportar as ideias das pessoas, em vez de elas próprias, aos locais de interacção laboral.4

A vida quotidiana está repleta de tecnologia, desde os electrodomésticos, o computador, o telemóvel, a televisão, o micro-ondas, assim como iluminação, sistemas de aquecimento, entre outros. Estes, são quase essenciais no nosso dia-a-dia, tornamo-nos dependentes deles. Sendo estes geradores de conforto, será necessário pensar neles para gerar uma noção de lugar ideal, incluindo-os no nosso ambiente doméstico e quotidiano.

Muitas pessoas dizem que maior é melhor. No entanto, o Homem mente no seu tamanho, e as mulheres usam sutiãs “push up” e são conduzidos grandes carros pelas grandes ruas. No sentido contrário vão os eletrodomésticos e utensílios no geral. A tendência de estes é serem cada vez de menores dimensões: os telemóveis mais pequenos, os grandes fogões foram substituídos por placas elétricas, colunas que cabem no bolso, portáteis mais finos e leves, etc. Tudo isto faz com que haja uma poupança no espaço doméstico e que nos leva a repensar os espaços mínimos necessário.

A história da habitação no mundo é uma marca de evolução, de fertilização cruzada, de estratificação, e de adaptação á mudança climática e económica. Neste processo, a tecnologia tem um importante papel, tanto como facilitador de inovação e como símbolo de estatutos e poder; mais importante, talvez, é a tecnologia que fez com que fosse possível a troca de ideias e imagens numa escala global.5 Em algumas décadas o mundo foi

profundamente modificado, alterando estilos de vida, sonhos, ideais, conceitos de design, etc. Nas áreas urbanas densas estão a surgir imensas habitações em pequena escala, estas cada vez mais atractivas e procuradas.

As pessoas mostram-se muito curiosas em experimentar habitações mecânicas e diferentes, experimentar e ver como é viver dentro de elas, mas precisam de saber como é que as coisas são financiadas, quanto tempo tem de vida a casa, como se sentem dentro delas.6

4L. Jankovic, “An Expandable and Contractible House”, Transortable Environments: Theory, Context,

Design and Tecnology”, Londres, 1998, pag. 165.

5Azby Brown, “Small Spaces”, kodansha, 1996, cit.1, pag. 89.

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