2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1 Objetivos da contabilidade
2.3 Instrumentos financeiros
2.3.7 Tipos de derivativos
2.3.7.4 Contratos de swaps
O contrato de swap pode ser definido como um acordo firmado entre as partes contratantes para trocar fluxos de caixa de um ativo financeiro ou passivo financeiro e a sua liquidação ocorre na data do vencimento, através da diferença entre as variações acumuladas dos ativos ou passivos objetos do contrato.
Segundo MARINS (2004, p. 927), os contratos de swaps constituem um dos instrumentos mais eficazes para a proteção contra flutuações indesejadas de taxas ou moedas. São operações recentes dos mercados derivativos e no mercado internacional, tiveram início nos primeiros anos da década de oitenta. No Brasil, os swaps começaram a ter volume significativo de negócios a partir da década de 90.
Como os contratos não são padronizados, as contrapartes negociam diretamente suas necessidades específicas na operação e definem as características contratuais, como o valor nocional, prazo, regime de capitalização, cláusulas para liquidações parciais com o intuito de minimizar riscos de crédito, data de início de vigência do swap, dentre outras.
Devido à variabilidade nas características contratuais, os contratos de swap são negociados no mercado de balcão e registrados em sistema de registro administrado por bolsas de valores, bolsas de mercadorias e de futuros, e por entidades de registro e de liquidação financeira de ativos, autorizados pelo Banco Central do Brasil ou Comissão de Valores Mobiliários, como a CETIP.
Na concepção de LOPES, GALDI e LIMA (2009, p. 86), o swap é tipicamente uma operação de mercado de balcão por adequar-se às necessidades específicas de cada agente e, usualmente, é realizada entre dois clientes de uma instituição financeira ou entre cliente e uma instituição financeira.
Nesse sentido, as operações de swaps geralmente têm como contraparte uma instituição financeira, pois dificilmente uma empresa encontraria outra no mercado, que apresente uma transação financeira com características inversas e próximas à sua posição, em termos de valor nocional, prazo, taxa de juros ou moedas, e que também tenha a necessidade de eliminar a exposição a descasamentos de taxas ou moedas no balanço.
Para um melhor entendimento de um contrato de swap, considere o exemplo de uma empresa “B” que possuí empréstimos atualizados com base na variação da taxa CDI e ativos financeiros remunerados com base em uma taxa de juros pré-fixada. A administração da empresa “B” deseja eliminar a exposição de uma obrigação atrelada à taxa CDI e para tanto negocia um contrato de swap trocando fluxos de caixa vinculados ao CDI por outro vinculado a uma taxa pré-fixada:
Figura 04: Diagrama do fluxo de swap
No exemplo, com a contratação da operação de swap, a Empresa “B” elimina a exposição ao descasamento de taxas do seu balanço, de forma que tanto as operações ativas quanto as passivas sejam atreladas aos mesmos indexadores, no caso a uma taxa pré-fixada e taxa CDI.
Considere agora o exemplo de uma empresa que apresenta em seu balanço um ativo financeiro com exposição a uma taxa de juros pré-fixada e, em função de perspectivas adversas nas taxas futuras de juros de mercado decide contratar uma operação de swap, trocando a exposição a uma taxa pré-fixada por uma atrelada à taxa CDI:
Valor nocional ou referencial do swap: R$ 10 milhões; Swap CDI (ponta ativa) x Swap Pré (ponta passiva); Taxa de juros pré-fixada: 9% ao ano;
Praz: 92 dias (64 dias úteis).
O cálculo do valor diferencial de swap a receber ou a pagar com base nos valores contratados, assim como o valor justo do contrato, pode ser demonstrado como segue:
Empresa “A”
Ativo CDI Passivo Pré
Swap: Swap:
Ativo Pré Passivo CDI
Empresa “B”
Ativo Pré Passivo CDI
Swap: Swap:
Ativo CDI Passivo Pré
Contrato de Swap
Troca de fluxos
Paga variação do CDI
Troca de fluxos
Período Úteis Dias Taxa de Juros Posição do Swap (Accrual) Posição do Swap (Valor Justo) Pré CDI Ativo CDI Passivo Pré Diferencial Ativo CDI Passivo Pré Diferencial
D-0 0 9,00% 9,00% 10.000.000,00 10.000.000,00 0,00 10.000.000,00 10.000.000,00 0,00 D-30 23 9,00% 9,50% 10.083.175,36 10.078.964,38 4.210,98 10.083.175,36 10.071.462,21 11.713,15 D-60 20 9,00% 10,00% 10.159.736,73 10.148.135,74 11.600,99 10.159.736,73 10.140.415,53 19.321,19 D-90 21 9,00% 10,50% 10.244.622,91 10.221.276,63 23.346,28 10.244.622,91 10.221.276,63 23.346,28
2.3.8 Classificação
Conforme o Pronunciamento Técnico CPC 38 (IAS 39), os instrumentos financeiros são classificados em quatro categorias:
Ativo financeiro ou passivo financeiro mensurado ao valor justo por meio do resultado;
Investimentos mantidos até o vencimento; Empréstimos e recebíveis; e
Ativos financeiros disponíveis para venda.
A classificação dos instrumentos financeiros em uma das quatro categorias deve ser realizada no momento do reconhecimento inicial do ativo financeiro ou do passivo financeiro, tomando por base a intenção e os objetivos da empresa em relação aos instrumentos financeiros e a relevância da informação aos usuários das demonstrações contábeis.
Com o intuito de simplificar o processo de reconhecimento e mensuração dos instrumentos financeiros, o IASB implantou um projeto para substituir integralmente o IAS 39 – Financial Instruments: Recognition and Measurement, iniciando com a publicação do IFRS 9 – Financial Instruments em novembro de 2009, que passou a classificar os instrumentos financeiros em duas categorias para efeito de reconhecimento e mensuração:
Custo amortizado; e Valor justo.
De conformidade com as disposições do IFRS 9, a classificação de um ativo financeiro para subsequente mensuração com base no método custo amortizado ou valor justo deverá ser realizada considerando o modelo de gerenciamento da carteira de ativos financeiros da empresa ou as características do fluxo de caixa do ativo financeiro.
No contexto do IFRS 9, se o modelo de gerenciamento de uma empresa for o de manter a carteira de ativos financeiros de forma a coletar os fluxos de caixa do principal e dos juros contratados, esses ativos financeiros deverão ser avaliados com base no método do custo
amortizado, mesmo que algumas vendas desses ativos financeiros ocorram dentro de um determinado período, como decorrência da deterioração do risco de crédito do devedor, necessidade de capitalização etc. No entanto, se as vendas de ativos financeiros se tornarem frequentes, a empresa deverá avaliar se essas transações de venda são consistentes com o modelo de coleta de fluxos de caixa contratual.
Já os derivativos, por não possuírem características econômicas de juros e aumentar a variabilidade dos fluxos de caixa contratuais deverão ser mensurados com base no método do valor justo, pois tais instrumentos não atenderiam a condição de coleta de fluxos de caixa contratuais para fins de mensuração com base no método do custo amortizado.
Outros ativos financeiros cujos juros contratuais não refletem exclusivamente o valor do dinheiro no tempo e o risco de crédito do emissor, mas incluem outras variáveis como a valorização das ações do emissor, não devem ser mensurados com base no método do custo amortizado.
Considerando que as disposições do IFRS 9 passam a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2013, esse trabalho não tem por objetivo pesquisar os eventuais reflexos no processo de evidenciação nas demonstrações contábeis produzidas pelas alterações introduzidas por aquela norma regulatória. Portanto, para alcançar os objetivos desse trabalho ainda serão consideradas as normas do IAS 39, que foram utilizadas como base para a elaboração das demonstrações contábeis de empresas brasileiras em 2010.
2.3.8.1 Ativo financeiro ou passivo financeiro mensurado ao valor justo por meio do