Até a Lei nº 9.876/99, os segurados obrigatórios, ora classificados como contribuintes individuais correspondiam às categorias de empresário, autônomo e equiparado a autônomo. O intuito da lei foi agregar numa mesma categoria os segurados com direitos e obrigações semelhantes para com a previdência social.
Com a Lei nº 9.876/99 que empresários, autônomos e equiparados a autônomos passaram a ser uma única categoria, a dos contribuintes individuais. Para que se entenda quem são esses, conceitua-se:
Empresário é o que exerce sua atividade de forma profissional, gerindo ou administrando seu negócio. Enquadram-se nessa categoria o empresário individual (antigo titular de firma individual), o administrador (antigo sócio gerente) e o sócio cotista que recebem remuneração decorrente de seu trabalho nas sociedades de responsabilidade limitada, entre outros.
Trabalhador autônomo é aquele que exerce atividade econômica por conta própria. Não tem subordinação ao tomador de sue serviço, o que o afasta da categoria dos empregados, sendo seu vínculo jurídico de natureza civil e não trabalhista.
Os equiparados a autônomos são os não autônomos que contribuía como se o fossem.
Atualmente se há a figura do segurado contribuinte individual:
a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária, a qualquer título, em caráter permanente ou temporário, em área, contínua ou descontínua, superior a quatro módulos fiscais; ou, quando em área igual ou inferior a quatro módulos fiscais ou atividade pesqueira ou extrativista, com auxílio de empregados ou por intermédio de prepostos; ou ainda nas hipóteses dos §§ 8o e 23 deste artigo;
Lembra-se que módulo fiscal é medida de terra em hectares fixado para cada município, levando-se em conta a economia da região.
A exploração pode ser direta ou por intermédio de prepostos (parceiros ou meeiros).
Para que haja a caracterização deste produtor com contribuinte individual é necessário a comercialização de sua produção, gerando
rendimentos decorrentes da atividade. Pois, aquele que produz para o próprio sustento não se enquadra como segurado obrigatório, ainda que possua empregados, podendo ser como não há lucratividade trabalhador doméstico para fins previdenciários.
Além de comercializar a produção o produtor rural pessoa física deve cumprir a exigência de existir empregados, pois é com a presença deste que afastará a figura do segurado especial.
b) A pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral – garimpo –, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de propostos, com ou sem o auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua;
Não há relevância, neste caso, se há ou não empregados, pois não modifica a filiação do garimpeiro como contribuinte individual.
c) O ministro de confissão religiosa e o membro de instituição de vida consagrada de congregação ou de ordem religiosa;
Nesta alínea, entende-se como instituição de vida consagrada e confissão religiosa todas as religiões existentes e em prática no país, pois o Brasil é um país laico.
d) Revogado Lei 9.876/99
e) O brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do que o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social;
Ressalta-se que o brasileiro civil que trabalhar para a União, no exterior, em organismo oficial internacional, será empregado. Acaso contratado diretamente pelo organismo, será contribuinte individual.
O brasileiro civil, mesmo que domiciliado e contratado no exterior, será filiado ao RGPS como contribuinte individual quando trabalhar no exterior para organismo oficial internacional (ONU, OEA, etc), salvo se for coberto pelo sistema de previdência local.
f) O titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação
ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração;
Para que essas pessoas sejam enquadradas como contribuinte individual é necessário que receba remuneração decorrente do exercício de suas atividades. Caso contrário, não haverá filiação obrigatória ao RGPS.
a) Quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego;
b) A pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não;
Ambas alíneas correspondem, às figuras dos trabalhadores eventuais e autônomos propriamente ditos. Art. 9, §15, exemplifica quem enquadra-se nessas alíneas, como: o condutor autônomo de veículo rodoviário, auxiliar de condutor autônomo, pequena atividade comercial em via pública ou de porta em porta, comerciante ambulante, trabalhador associado em cooperativa que nessa qualidade presta serviço a terceiros, notário ou tabelião e o oficial de registros ou registrador, titular de cartório, pequeno feirante, pessoa física que edifica obra da construção civil, médico-residente, membros do conselho tutelar, etc.
m) o aposentado de qualquer regime previdenciário nomeado magistrado classista temporário da Justiça do Trabalho, na forma dos incisos II do §1 do art. 111 ou III do art. 115 ou do parágrafo único do art. 116 da Constituição Federal, ou nomeado magistrado da Justiça Eleitoral, na forma do inciso II, do art. 119 ou III do §1 do art. 120 da Constituição Federal.
A primeira hipótese dessa alínea é inócua, visto que não há mais juízes classistas, desde a EC 24, de 09.12.1999.
A segunda hipótese ampara aos advogados que podem ser indicados para o cargo de juízes da Justiça Eleitoral, entretanto deve ressaltar, que se ele for indicado, mas não for aposentado, seu vínculo com o RGPS mantém-se.
n) o cooperado de cooperativa de produção que, nesta condição, presta serviço à sociedade cooperativa mediante remuneração ajustada ao trabalho executado;
Lei 10.666/03 – “Considera-se cooperativa de produção aquela em que seus associados contribuem com serviços laborativos ou profissionais para a produção em comum de bens, quando a cooperativa detenha por qualquer forma os meios de produção.”
O cooperado como trabalhador exercente de atividade remunerada é filiado à previdência social como contribuinte individual.
o) o segurado recolhido à prisão sob regime fechado ou semi-aberto, que, nesta condição, preste serviço, dentro ou fora da unidade penal, a uma ou mais empresas, com ou sem intermediação da organização carcerária ou entidade afim, ou que exerce atividade artesanal por conta própria;
Alínea é explicativa, logo, sempre que o reeducando exercer atividade remunerada irá filiar-se obrigatoriamente como contribuinte individual, ressalta-se que essa filiação não exclui o benefício de auxílio reclusão.
p) o Micro Empreendedor Individual – MEI de que tratam os arts. 18-A e 18-C da Lei Complementar n 123, de 14 de dezembro de 2006, que opte pelo recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Sistema Nacional em valores fixos mensais.