Benefícios Previdenciários e Assistenciais
Professora: Tatyane Karen da Silva Goes
Graduada em Direito pela Universidade Católica de Goiás, Pós-graduada em Direito Privado pela Universidade de Rio Verde, Mestre em Direito, Relações Internacionais e Desenvolvimento pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, advogada licenciada, servidora efetiva do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, ocupante do cargo de Assessora Jurídica da Diretoria-Geral, professora horista da Pontifícia Universidade Católica de Goiás da disciplina de Direito Previdenciário.
1. Sistema de Benefícios da Previdência Social.
2. Benefícios da Previdência Social.
3. Beneficiários e prestações da previdência social.
4. Benefícios.
5. Regra geral de cálculo de benefícios 6. Acumulação de benefícios
7. Regra geral do processo administrativo
1. SISTEMA DE BENFÍCIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL Inicialmente, para falar de benefícios da previdência é necessário pontuar que a Previdência Social no nosso ordenamento jurídico atual é parte da Seguridade Social, na qual se encontra, também, a saúde e a assistência social.
Neste sentido, os dispositivos da Constituição Federal que disciplinam a seguridade social aplicam-se igualmente ao sistema previdenciário, a assistência social e saúde, neste aspecto, pondera-se que a Carta Constitucional de 1988 apresenta grande cunho social, o qual é perceptível em seus primeiros artigos:
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamento:
(...)
II – cidadania;
III – a dignidade da pessoa humana;
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
(...)
O artigo citado demonstra a preocupação do legislador constituinte originário com o indivíduo, mas não um indivíduo isolado, nos termos de um Estado Liberal, mas um ser que vive em sociedade e necessita de condições para desenvolver-se nesta.
Salienta-se, o fundamento da cidadania não se limita à possibilidade de sufrágio universal, mas prolonga-se em participar ativamente
SEGURIDADE SOCIAL
SAÚDE
PREVIDÊNCIA SOCIAL ASSISTÊNCIA
SOCIAL
do Estado, em fazer cumprir os direitos do cidadão brasileiro e o dever da República Federativa do Brasil.
O inciso terceiro tão difundido e mencionado por inúmeros estudiosos do direito e das ciências sociais em geral, após trinta anos de Constituição ainda não se tem os limites de tal fundamento, no entanto sabe-se que é um valor supremo atribuído ao homem, cada ser individualmente tem sua dignidade, a qual deve ser respeitada, sendo igualmente princípio dos “pés” da Seguridade Social o alcance da dignidade da pessoa humana.
Quanto ao quarto inciso que se destaca os valores sociais do trabalho, que posteriormente no mesmo diploma legal será atribuído especial atendimento no artigo 7º e está intimamente relacionado com a seguridade social, em especial à previdência social, que em regra é precedida por relações de trabalho.
Em continuidade, o artigo 3º da Constituição:
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II – garantir o desenvolvimento nacional;
III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
A exposição destes dois artigos da Constituição Federal tem como objetivo explicitar que desde o início da Carta Constituinte vigente já havia a preocupação com a Seguridade Social, que será tratada no próprio texto constitucional a partir do art. 193 – Da Ordem Social.
Todos os objetivos do artigo 3º são também, em sentido lato objetivos da seguridade social, conforme disciplina Wagner Balera:
A Ordem Social alcançará a justiça se e quando a redução de desigualdades sociais e regionais, a erradicação da pobreza e da marginalização – objetivos da República, definidos no art. 3 º, III, da Lei Magna -, forem postas em ato. (BALERA, 2002, p. 11)
A Seguridade Social encontra-se em termos de estrutura da Constituição no Título VIII – Da Ordem Social, a qual tem como primado o trabalho, e como objetivo o bem-estar e a justiça sociais.
José Afonso da Silva, ao comentar a Ordem Social disposta na Constituição, observa:
(...) ter como objetivo o bem-estar e a justiça sociais quer dizer que as relações econômicas e sociais do país, para gerarem o bem-estar, hão de propiciar trabalho e condição de vida, material, espiritual e intelectual, adequada ao trabalhador e sua família, e que a riqueza produzida no país, para gerar justiça social, há de ser equanimente distribuída. (SILVA, p. 758, 2007)
A seguridade social, de certo modo, se confunde com o conceito de política social, pois ambos buscam alcançar os objetivos da República Federativa do Brasil elencados posteriormente.
Celso Barroso Leite, no Dicionário Enciclopédico de Previdência Social, expõe sobre seguridade social:
Assim como a previdência social é parte do todo constituído pela seguridade social, esta é parte do todo mais amplo que a proteção social constitui.
Principalmente porque o interesse individual e o interesse social são paralelos e muito próximos um do outro, proteção social e proteção individual são expressões a bem dizer sinônimas. A proteção social é, em verdade, proteção que a sociedade procura garantir ao indivíduo, ou melhor, com que ela procura cuidar do que os especialistas entendem como necessidades sociais dos indivíduos. (LEITE, p. 125, 1996)
O artigo 194 da Constituição Federal conceitua seguridade social:
Artigo 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.
Assim, diante do conceito legal e do entendimento do ilustre autor, tem-se que a seguridade social atua com o fim de proteção social das necessidades sociais em que o indivíduo se encontra e para tanto se utiliza da previdência, assistência social e saúde, garantindo um padrão mínimo de existência. Como também, explica o autor Balera:
Na verdade, a seguridade social brasileira terá duas vias de acesso aos problemas sociais, a via previdenciária (seguro social) e a via assistenciária (integrada por dois distintos esquemas de atuação: o sistema de saúde e o sistema de assistência social). (BALERA, p. 12. 2002)
Diante destas exposições iniciais, compreende-se o fundamento da atuação da Seguridade Social, com as suas prestações, por meio de benefícios (previdência e assistência social) e serviço (previdência, assistência e saúde).
2. Assistência Social
2.1 Histórico da Assistência Social
Visando elucidar a trajetória histórica da Assistência Social no Brasil, de forma sucinta, utiliza-se do texto do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) que explica:
A preocupação com a instituição de uma política nacional para a assistência é relativamente recente. Na década de 1970, o regime militar criou ou reorganizou um conjunto de agências, entre elas a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (Funabem) e o Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (Inan), que, por sua vez, se associaram à Legião Brasileira de Assistência – LBA (Arretche, 2000).
A LBA foi criada em 1942 e operava como agência assistencial em defesa da infância e da maternidade. Era financiada com recursos dos Institutos de Assistência Previdenciária (IAPs), além de donativos, sendo e dirigida pelas primeiras-damas do Brasil. Em 1966, foi transformada em fundação, sendo integrada à área previdenciária em 1974, atuando por meio de parcerias e convênios com organizações assistenciais. Também desenvolvia programas próprios, tendo atuação centralizada tanto na formulação quanto no financiamento e na execução. Suas ações não tinham nenhuma coordenação com os demais níveis de governo.
O Inan atuava também de forma caracteristicamente centralizada ao comprar alimentos diretamente e distribuí-los pelo território com apoio da Companhia Brasileira de Alimentos (Cobal).
A Funabem foi instituída em 1964, após a extinção do Serviço de Assistência ao Menor (SAM), criado em 1941, e atuava por meio das Fundações Estaduais de Bem-Estar do Menor (Febems), ligadas aos estados.
A característica desse conjunto é que, embora centralizadas, as agências não tinham comando único, não se integravam e tampouco coordenavam ações entre si e entre níveis de governo. Por outro lado, as agências privadas e organizações governamentais desempenhavam papel importante na provisão de serviços e tinham liberdade no exercício das atividades, pois não sofriam mecanismos de controle e avaliação.
Na década de 1980, surgem críticas à forma e à organização da área assistencial, além de propostas de descentralização e críticas às concepções assistencialistas, ao uso clientelista das ações, à ausência de uma política setorial e também à excessiva centralização político- administrativa e financeira. Porém, tais críticas não se materializaram em políticas.
A instabilidade dos governos Sarney, Collor e Itamar atrapalhou a implementação de reformas. LBA e Funabem, até 1988 ligadas ao Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS), passam ao âmbito do Ministério da Habitação e do Bem-Estar Social, e em 1989 para o Ministério do Interior. Em 1990, a Funabem foi extinta e substituída pela Fundação Centro Brasileiro para a Infância e a Adolescência (FCBIA) e, juntamente com a LBA, passou para o Ministério da Ação Social e depois para o Ministério do Bem-Estar Social (MBES).
Além dessa instabilidade institucional, a assistência social sempre foi utilizada como instrumento de negociação e troca política entre a Presidência da República, o Congresso Nacional e as bases estaduais e municipais, e nenhum desses entes queria abrir mão dessa moeda política.
A Constituição de 1988 mudou duas regras de prestação de serviços assistenciais: incorporou a assistência à seguridade social e criou o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que substituiu, em 1995, a renda vitalícia (criada em 1974), ambos sem necessidade de vínculos contributivos, e também sinalizou em direção à descentralização e à participação social.
A aprovação da Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) só aconteceu em 1993, depois de ter sido vetada integralmente pelo presidente Fernando Collor. Entretanto, apenas após 1995 medidas efetivas foram tomadas no sentido da descentralização e da consolidação da área.
A Medida Provisória (MP) no 813, de 1/1/1995, extinguiu o Ministério do Bem-Estar Social, bem como a LBA e a FCBIA, e criou a Secretaria de Assistência Social (SAS), vinculada ao Ministério da Previdência e Assistência Social. A preocupação central era estabelecer um "modelo não- assistencialista de assistência social", assegurado por mecanismos de participação social, mas a Loas estabeleceu uma reorganização de competências entre as esferas de governo.
A SAS ficou encarregada da transferência dos quadros de pessoal, convênios e patrimônio para os estados, municípios e outros órgãos da esfera federal.
O nível federal passou a ter função mais normatizadora e reguladora do que executiva, mas manteve o poder significativo de celebrar convênios com entidades assistenciais; os estados têm atribuições supletivas e de coordenação de ações; e os municípios organizam a prestação de serviços.
Não foram definidos claramente as modalidades e os critérios de transferência. Em conclusão, apesar da concepção inscrita na Constituição e na Loas, a área de assistência social não logrou, nos primeiros anos da década de 1990, a formação de uma coalizão reformista capaz de operar mudanças no modo tradicional de se executar a política assistencial.
O processo foi lento e apenas em 1997 instituíram-se a sistemática de repasse de recursos e a Norma Operacional Básica (NOB), o que criou condições políticas e institucionais para o início efetivo dos processos de descentralização. Essa coalizão reformista foi possível nos governos pós- Real e está associada aos mecanismos de participação social na gestão do sistema assistencial. Foram processos que alcançaram uma série de
resultados importantes, os quais podem ser percebidos nas ações sob incumbência da área de assistência social. (CHAGAS, 2003)
2.2 Assistência Social
O artigo 203 da Constituição Federal de 1988 positivou a assistência social, nos seguintes termos:
Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos:
I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;
II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;
III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária;
V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei.
A atual constituição pretende construir uma sociedade livre, justa e solidária, que erradique a pobreza e marginalização e que reduza as desigualdades sociais e regionais. Para alcançar estes objetivos a Lei Magna utiliza-se da Assistência Social, política social e econômica que beneficia os desamparados. Dentre os setores que atuará a Assistência Social, destaca-se a família, e em seus por menores mais vulneráveis a vida em sociedade, como:
criança, adolescente, gestante, idoso.
Assim, ressalta-se que a assistência social apresenta características próprias:
Independem de contribuição;
Objetivos alinhados às políticas públicas internas e externas;
Prestações: serviços e benefícios;
Lei n. 8.742, de 07.12.1993, regulamentada pelo Decreto n. 6.214, de 26.3.2007, alterado pelo Decreto n.
7.617, de 17.11.2011.
Diante do cenário da assistência, destaca-se como objeto de estudo a Lei Orgânica da Assistência Social - Lei nº 8.742/93 – LOAS que estabeleceu quatro modos de atuação que o setor programará: benefícios;
serviços; projetos de enfrentamento da pobreza e projetos de assistência social. Observa-se, ainda, que a assistência pretende garantir às necessidades básicas dos cidadãos, os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, valendo-se de serviços e benefícios.
Os serviços assistenciais são considerados pela Loas (art. 23 e Decreto no 3.409, de 10 de abril de 2000) como atividades continuadas devidas a diversos tipos de beneficiários. Destinaram-se em 2000 ao atendimento de 1.434.700 crianças em creche, a serviços de habilitação e reabilitação de 141.645 pessoas portadoras de deficiência e ao atendimento de 266.432 idosos em asilos ou atividades diárias em meio aberto. Os programas definidos pelo art. 24 da Loas devem ser estabelecidos pelos Conselhos de Assistência Social e compreendem "ações integradas e complementares com objetivos, tempo e área definidos para qualificar, incentivar e melhorar os benefícios e os serviços assistenciais".(CHAGAS, 2003)
Com a finalidade de estudo ao benefício da assistência de maior cobertura, fixa-se no Benefício de Prestação Continuada (BPC), previsto na Constituição Federal, conforme acima transcrito e disposto na Lei nº 8.742/1993.
Característica do BPC
Benefício personalíssimo;
Natureza assistencial;
Pago por meio do INSS;
Não tem abono anual;
Idoso com 65 ou mais;
Não possuir meios de prover a sua manutenção ou tê-la provida por sua família;
Requisitos cumulativos
Conceitos legais da LOAS Demais conceitos legais Pessoa idosa: inicialmente estabelecida a
pessoa com 70 anos ou mais, modificada pela Lei 12.435/2011 para a pessoa com mais de 65 anos.
Pessoa idosa: aquela com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. Estatuto do Idoso – Lei 10.741/2003.
Pessoa deficiente: aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
Pessoa deficiente: aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
Estatuto do Deficiente – Lei 13.146/2015 Família: é composta pelo requerente, o
cônjuge ou companheiro, os pais e, na ausência de um deles , a madrasta ou o padrasto, os irmãos solteiros e os menores tutelados desde que vivam sob o mesmo teto.
Família: base da sociedade, tem especial proteção do Estado, para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. (art.
226, CF/88).
Necessidade: incapaz de prover a manutenção do idoso ou deficiente cuja renda per capita seja inferior a ¼ do salário mínimo.
Decreto nº 6.214/2007 estabelece requisitos para o cálculo da renda per capita:
“renda mensal bruta familiar: a soma dos rendimentos brutos auferidos mensalmente pelos membros da família composta por salários, proventos, pensões, pensões alimentícias, benefícios de previdência pública ou privada, seguro-desemprego, comissões, pro-labore, outros rendimentos do trabalho não assalariado, rendimentos do mercado informal ou autônomo, rendimentos auferidos do patrimônio, Renda Mensal Vitalícia e Benefício de Prestação Continuada, ressalvado o disposto no parágrafo único do art. 19. ”
Necessidade: jurisprudência*
Critério de necessidade os Tribunais Superiores amadureceram o conceito legal, relativizando sua aplicabilidade, in verbis:
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA. LOAS. ASSISTÊNCIA SOCIAL. PREVISÃO CONSTITUCIONAL. AFERIÇÃO DA CONDIÇÃO ECONÔMICA POR OUTROS MEIOS LEGÍTIMOS. VIABILIDADE. PRECEDENTES. PROVA.
REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 7/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Este Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento no sentido de que o critério de aferição da renda mensal previsto no § 3.º do art. 20 da Lei n.º 8.742/93 deverá ser observado como um mínimo, não excluindo a possibilidade de o julgador, ao analisar o caso concreto, lançar mão de outros elementos probatórios que afirmem a condição de miserabilidade da parte e de sua família.
2. "A limitação do valor da renda per capita familiar não deve ser considerada a única forma de se comprovar que a pessoa não possui outros meios para prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, pois é apenas um elemento objetivo para se aferir a necessidade, ou seja, presume-se absolutamente a miserabilidade quando comprovada a renda per capita inferior a 1/4 do salário mínimo." (REsp 1.112.557/MG, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, TERCEIRA SEÇÃO, DJe 20/11/2009). 3. "Em respeito aos princípios da igualdade e da razoabilidade, deve ser excluído do cálculo da renda familiar per capita qualquer benefício de valor mínimo recebido por maior de 65 anos, independentemente se assistencial ou previdenciário, aplicando-se, analogicamente, o disposto no parágrafo único do art. 34 do Estatuto do Idoso." (Pet 2.203/PE, Rel. Min. MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, DJe 11/10/2011). 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no Ag 1394595 / SP, Min. OG Fernandes, 6ª Turma, j. de 10.2.2012)
RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. ART. 105, III, ALÍNEA C DA CF.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO ASSISTENCIAL.
POSSIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA CONDIÇÃO DE MISERABILIDADE DO BENEFICIÁRIO POR OUTROS MEIOS DE PROVA, QUANDO A RENDA PER CAPITA DO NÚCLEO FAMILIAR FOR SUPERIOR A 1/4 DO SALÁRIO MÍNIMO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 1. A CF/88 prevê em seu art. 203, caput e inciso V a garantia de um salário mínimo de benefício mensal, independente de contribuição à Seguridade Social, à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família conforme dispuser a lei. 2. Regulamentando o comando constitucional, a Lei 8.742/93, alterada pela Lei 9.720/98, dispõe que será devida a concessão de benefício assistencial aos idosos e às pessoas portadoras de deficiência que não possuam meios de prover à própria manutenção, ou cuja família possua renda mensal per capita inferior a 1/4 (um quarto) do salário mínimo.
3. O egrégio Supremo Tribunal Federal, já declarou, por maioria de votos, a constitucionalidade dessa limitação legal relativa ao requisito econômico, no julgamento da ADI 1.232/DF (Rel. para o acórdão Min.
NELSON JOBIM, DJU 1.6.2001). 4. Entretanto, diante do compromisso constitucional com a dignidade da pessoa humana, especialmente no que se refere à garantia das condições básicas de subsistência física, esse dispositivo deve ser interpretado de modo a amparar irrestritamente a o cidadão social e economicamente vulnerável. 5. A limitação do valor da renda per capita familiar não deve ser considerada a única forma de se comprovar que a pessoa não possui outros meios para prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, pois é apenas um elemento objetivo para se aferir a necessidade, ou seja, presume-se absolutamente a miserabilidade quando comprovada a renda per capita inferior a 1/4 do salário mínimo.
6. Além disso, em âmbito judicial vige o princípio do livre convencimento motivado do Juiz (art. 131 do CPC) e não o sistema de tarifação legal de provas, motivo pelo qual essa delimitação do valor da renda familiar per capita não deve ser tida como único meio de prova da condição de miserabilidade do beneficiado. De fato, não se pode admitir a vinculação do
Magistrado a determinado elemento probatório, sob pena de cercear o seu direito de julgar. 7. Recurso Especial provido. (REsp 1.112.557/MG, Rel.
Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, TERCEIRA SEÇÃO, DJe 20/11/2009)
Benefício assistencial de prestação continuada ao idoso e ao deficiente. Art.
203, V, da Constituição. A Lei de Organização da Assistência Social (LOAS), ao regulamentar o art. 203, V, da Constituição da República, estabeleceu os critérios para que o benefício mensal de um salário mínimo seja concedido aos portadores de deficiência e aos idosos que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. 2.
Art. 20, § 3º, da Lei 8.742/1993 e a declaração de constitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal na ADI 1.232. Dispõe o art. 20, § 3º, da Lei 8.742/93 que “considera-se incapaz de prover a manutenção da pessoa portadora de deficiência ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4 (um quarto) do salário mínimo” . O requisito financeiro estabelecido pela lei teve sua constitucionalidade contestada, ao fundamento de que permitiria que situações de patente miserabilidade social fossem consideradas fora do alcance do benefício assistencial previsto constitucionalmente. Ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade 1.232-1/DF, o Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade do art. 20, § 3º, da LOAS. 3.
Decisões judiciais contrárias aos critérios objetivos preestabelecidos e Processo de inconstitucionalização dos critérios definidos pela Lei 8.742/1993. A decisão do Supremo Tribunal Federal, entretanto, não pôs termo à controvérsia quanto à aplicação em concreto do critério da renda familiar per capita estabelecido pela LOAS. Como a lei permaneceu inalterada, elaboraram-se maneiras de se contornar o critério objetivo e único estipulado pela LOAS e de se avaliar o real estado de miserabilidade social das famílias com entes idosos ou deficientes. Paralelamente, foram editadas leis que estabeleceram critérios mais elásticos para a concessão de outros benefícios assistenciais, tais como: a Lei 10.836/2004, que criou o Bolsa Família; a Lei 10.689/2003, que instituiu o Programa Nacional de Acesso à Alimentação; a Lei 10.219/01, que criou o Bolsa Escola; a Lei 9.533/97, que autoriza o Poder Executivo a conceder apoio financeiro a Municípios que instituírem programas de garantia de renda mínima associados a ações socioeducativas. O Supremo Tribunal Federal, em decisões monocráticas, passou a rever anteriores posicionamentos acerca da intransponibilidade do critérios objetivos. Verificou-se a ocorrência do processo de inconstitucionalização decorrente de notórias mudanças fáticas (políticas, econômicas e sociais) e jurídicas (sucessivas modificações legislativas dos patamares econômicos utilizados como critérios de concessão de outros benefícios assistenciais por parte do Estado brasileiro). 4. Declaração de inconstitucionalidade parcial, sem pronúncia de nulidade, do art. 20, § 3º, da Lei 8.742/1993. 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento.(RE 567.985/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 18.4.2013)
4. A inconstitucionalidade por omissão parcial do art. 34, parágrafo único, da Lei 10.741/2003. O Estatuto do Idoso dispõe, no art. 34, parágrafo único, que o benefício assistencial já concedido a qualquer membro da família não será computado para fins do cálculo da renda familiar per capita a que se refere a LOAS. Não exclusão dos benefícios assistenciais recebidos por deficientes e de previdenciários, no valor de até um salário mínimo, percebido por idosos. Inexistência de justificativa plausível para discriminação dos portadores de deficiência em relação aos idosos, bem
como dos idosos beneficiários da assistência social em relação aos idosos titulares de benefícios previdenciários no valor de até um salário mínimo.
Omissão parcial inconstitucional. 5. Declaração de inconstitucionalidade parcial, sem pronúncia de nulidade, do art. 34, parágrafo único, da Lei 10.741/2003. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 580.963/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 18.4.2013)
Súmula 29 da TNU dos Juizados Especiais Federais
“Para os efeitos do art. 20, § 2º, da Lei n. 8.742, de 1993, incapacidade para a vida independente não é só aquela que impede as atividades mais elementares da pessoa, mas também a impossibilita de prover ao próprio sustento.”
Súmula 80 da TNU
“Nos pedidos de benefício de prestação continuada (LOAS), tendo em vista o advento da Lei 12.470/11, para adequada valoração dos fatores ambientais, sociais, econômicos e pessoais que impactam na participação da pessoa com deficiência na sociedade, é necessária a realização de avaliação social por assistente social ou outras providências aptas a revelar a efetiva condição vivida no meio social pelo requerente.”
Igualmente a doutrina pauta:
Incapacidade pós Lei n. 12.470/2011: deixou de considerar a incapacidade pura e simples para o trabalho e para a vida independente. As limitações físicas, mental, intelectual e sensorial agora devem ser conjugadas com fatores sociais, com o contexto em que vive a pessoa com deficiência, devendo ficar comprovado que suas limitações a impedem de se integrar plenamente na vida em sociedade, dificultando sua convivência com os demais. (SANTOS, p. 140, 2016)
• Lei n. 12.764/2012: “A pessoa com transtorno do espectro autista é considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais.”
O benefício de prestação continuada não pode ser acumulado pelo beneficiário com qualquer outro no âmbito da seguridade social ou de outro
regime, salvo os da assistência médica e da pensão especial de natureza indenizatória.
Ao INSS compete a operacionalização do BPC, ou seja, requerimento, perícia médica, pagamento.
Se indeferido, caberá recurso à Junta de Recursos do Conselho de Recursos da Previdência Social, no prazo de 30 dias, do recebimento da comunicação.
QUESTÕES RELEVANTES:
DEFICIENTE ≠ INCAPAZ
CÁLCULO DA RENDA PER CAPITA
MEIOS DE PROVAS
ACUMULAÇÃO DE BENEFÍCIO
REFORMA NA ASSISTÊNCIA (PC 287/2016)
3. PREVIDÊNCIA SOCIAL
A Previdência Social, como já mencionado, é um dos tripés da Seguridade Social, sendo este o único instituto da seguridade que necessita de contribuição.
A Previdência Social é uma contra - prestação da relação jurídica entre segurado e o Regime a qual pertence, podendo ser: Regime Geral, Regime Próprio ou Regime Complementar ou Previdência Privada1. A condição de segurado, em regra2, emana da realização de atividade remunerada, seja este segurado no Regime Geral (INSS), seja servidor público pertencente ao Regime Próprio (RPPS) ou a pessoa física que contrata com uma instituição de Previdência Complementar.
Dentre estes regimes previdenciários existentes, além da forma de filiação diferem-se pela organização financeira, pois enquanto ao RGPS e o
1 Após, a instituição da previdência complementar para os servidores efetivos do serviço público, ou seja, segurados do Regime Próprio de Previdência Social, a previdência complementar também poderá ser pública e não mais exclusivamente privada.
2 Deve-se ressaltar a figura do segurado facultativo, conforme art. 14, da Lei nº 9.213/1991.
RPPS possuem a obrigatoriedade de contribuição para um fundo comum visando o equilíbrio financeiro atuarial (ou seja, o que contribui hoje, paga-se os aposentados de hoje) – denominado sistema de repartição simples, na Previdência Complementar é uma “poupança individualizada”, em que o segurado receberá o que contribuir devidamente corrigido – sistema de capitalização.
Para fins didáticos, discorre-se, sucintamente, acerca dos princípios da previdência social, que foram transcritos no art. 2º da Lei nº 8.213/1991.
Universalidade da cobertura e do atendimento – devendo ser acessível a todos, nacionais e estrangeiros, depende de contribuição, sendo caracterizado pelo trabalhador da iniciativa privada, ou o trabalhador do serviço público não atendido por Regime Próprio de Previdência. Por fim, para resguardar a universalidade há a figura do segurado facultativo que independentemente do exercício da atividade remunerada.
Uniformidade e Equivalência às populações urbanas e rurais - Visa extinguir os planos previdenciários distintos para trabalhadores urbanos e rurais. Uniformidade é igualdade quanto ao aparato objetivo, isto é, no que se refere aos eventos cobertos. Equivalência é quanto ao valor pecuniário ou qualidade de prestação.
Seletividade e Distributividade - Reconhecimento da impossibilidade material de atender plenamente ao princípio da universalidade da cobertura e do atendimento justifica o princípio da seletividade. Seletividade diz respeito à escolha das prestações que serão dispostas e dos riscos que serão cobertos em razão da disponibilidade econômico-financeira do sistema da seguridade social. Distributividade quer dizer que alguns beneficiários recebem todos os benefícios, e outros, não.
Irredutibilidade do Valor dos benefícios – preservação do poder aquisitivo do benefício. Reajustamento dos benefícios para lhes preservar seu valor real (art. 201, §4°, CF).
Equidade na forma de participação no custeio - Aquele que mais condições financeiras possui, tanto mais deve contribuir para o financiamento da seguridade social, assim, o mais aquinhoado contribuirá com parcelas menor. Assim, a empresa com alto lucro ou grande faturamento
contribuirá mais do que outra menos abastada que contribuirá com parcela menor. Esse princípio permite que cobranças de adicionais de contribuição social aos bancos e entidades financeiras de modo geral, logo empregados com salários mais altos arquem com alíquotas maiores do que aqueles com salários mais baixos, conforme art. 195, I e §9°, CF.
Caráter democrático e descentralizado da administração - A gestão da seguridade social deve se dar mediante a participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do governo (quadripartite).
Salários-de-contribuição corrigidos monetariamente - Os cálculos do valor do benefício serão considerados, em regra, a média dos salários-de-contribuição do trabalhador, assim para que os valores dos benefícios sejam compatíveis, esses valores são atualizados monetariamente.
Diversidade da base de financiamento - Isso para diversificar as fontes de recursos que financiarão seguridade social. A própria Constituição Federal no art. 195 dispõe que a seguridade social deve ser financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos orçamentários e por meio das contribuições sociais, incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores, a receita ou o faturamento e o lucro das empresas, sobre a receita dos concursos de prognósticos.
Renda de benefícios não inferior ao salário mínimo - O art.
201, §2°, da Constituição Federal, nenhum benefício que substitua o salário-de- contribuição ou rendimento do trabalho do segurado terá valor inferior ao salário mínimo, já que pela própria Constituição é o valor mínimo para a dignidade do trabalhador, atendendo as suas necessidades básicas.
Entretanto, os benefícios de natureza complementar poderão ter valor inferior ao salário mínimo, como o salário-família e o auxílio-acidente.
3.1 Beneficiários
Os beneficiários o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) são pessoas físicas, que contribuem para o financiamento da previdência social, classificados em obrigatórios e facultativos. Sendo que o fato que torna essas pessoas segurados obrigatórios é o exercício de atividade remunerada
que filia o trabalhador à previdência social, as categorias são: empregado, empregado doméstico, contribuinte individual, trabalhador avulso e segurado especial.
Os segurados facultativos não exercem atividade remunerada que os filiem obrigatoriamente à previdência social, podendo através de contribuição filiarem-se ao RGPS.
FILIAÇÃO: vínculo jurídico, compulsório e automático.
≠
INSCRIÇÃO: ato formal.
Ressalta-se, ainda, na categoria de beneficiários da previdência que temos os dependentes, que apenas surgirão para o sistema previdenciário, em situação que caracterize benefícios a serem pagos a estes ou em razão destes.
3.1.1 Segurados Obrigatórios:
Há cinco espécies de segurados obrigatórios:
1. Empregado;
2. Empregado doméstico;
3. Trabalhador avulso;
4. Contribuinte individual;
5. Segurado especial
Ressalta-se que os beneficiários eUtilizando-se do conceito legal acerca dos beneficiEstá disciplinado no art. 11 da Lei nº 8.213/1991 e igualmente no Decreto nº 3.048/1999.
Art. 9º, I, do Regulamento da Previdência Social, dispõe quem será considerado empregado:
a) Aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;
São características do trabalhador empregado: pessoa física, prestar serviço de natureza não eventual, com subordinação jurídica e ser remunerado.
Esclarece-se que serviço não eventual é aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, a eventualidade é quanto a atividade da empresa e não do trabalhador. Não se deve confundir eventualidade com frequência ao serviço, com a jornada ou com o horário de trabalho.
Diretor empregado é aquele que participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja contratado ou promovido para cargo de direção das sociedades anônimas, mantendo as características inerentes à relação de emprego. O diretor não empregado é contribuinte individual.
b) Aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, por prazo não superior a três meses, prorrogável, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanece ou a acréscimo extraordinário de serviço de outras empresas, na forma da legislação própria.
Trabalhador temporário é aquele que contratado por empresa de trabalho temporário, presta serviço para atender à necessidade de substituição de pessoal regular e permanente ou acréscimo extraordinário de serviço de outras empresas.
O contrato entre a empresa de trabalho temporário e a tomadora, com relação a um mesmo empregado, não poderá exceder três meses, prorrogável por igual período, envolve uma relação de trabalho triangular.
Compete a empresa de trabalho temporário assinar a CTPS, conceder férias, etc. pois essa é que possui relação empregatícia com o trabalhador.
c) O brasileiro ou o estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado no exterior, em sucursal ou agência de empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sede e administração no País;
d) O brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior
com maioria do capital votante pertencente a empresa constituída sob as leis brasileiras, que tenha sede e administração no País e cujo controle efetivo esteja em caráter permanente sob a titularidade direta ou indireta de pessoas físicas domiciliadas e residentes no País ou de entidade de direito público interno;
Ambas alíneas se referem a contratação de brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar no exterior, isto porque nos dois casos o contratante possui elo com empresas sediadas no Brasil, lembra-se que a necessidade de ter empresa nacional é para tornar possível e realização do desconto e o recolhimento das contribuições de trabalhador residente fora do Brasil.
e) Aquele que presta serviço no Brasil à missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgão a elas subordinados, ou a membros desses missões e repartições, excluídos o não-brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular;
Alínea “e” diz respeito a condição de segurado obrigatório do RGPS daquele que presta serviço a missões diplomáticas ou a consulados, ou mesmo a membros dessas missões ou consulados. Exclui-se o não-brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão ou consulado.
f) O brasileiro civil que trabalha para a União no exterior, em organismos oficiais internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se amparado por regime próprio de previdência social;
g) O brasileiro civil que presta serviços a União no exterior, em repartições governamentais brasileiras, lá domiciliado e contratado, inclusive o auxiliar local de que tratam os art. 56 e 57 da Lei n 11.440, de 29.12.2006, este desde que, em razão de proibição legal, não possa filiar-se ao sistema previdenciário local;
Em ambas situações se trata de brasileiros civis prestando serviço à União no exterior, entretanto na alínea “f” o brasileiro trabalha em organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá
domiciliado e contratado, salvo se amparado por regime próprio de previdência social, tratando-se esse último do este a previdenciário do sistema do país.
E quanto a alínea “g” compreende-se o auxiliar local o brasileiro ou o estrangeiro admitido para prestar serviços ou desempenhar atividades de apoio que exijam familiaridade com as condições de vida, os usos e os costumes do país onde esteja sediada a repartição brasileira. Os auxiliares locais de nacionalidade estrangeira não são cobertos pelo RGPS.
h) O bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa, em desacordo com a Lei n 11.788, de 25.09.2008;
Ocorre que se não obedecer a lei do estágio esse será comparado ao empregado, tendo que ser assistido pelo RGPS.
i) O servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;
Cargo em comissão aquele que não exige concurso público, ficando o servidor a mercê da confiança de quem o nomeou, não tem vínculo efetivo com a Administração. Ressalva-se que se o comissionado já for segurado de outro regime previdenciário, não será segurado obrigatório do RGPS, já que a alínea se refere àquele que exerce exclusivamente cargo comissionado, o mesmo se aplica aos cargos de Ministro de Estados, Distrito ou Municipal, sem vínculo efetivo com a Administração direta ou indireta.
j) O servidor do Estado, Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e fundações, ocupante de cargo efetivo, desde que, nessa qualidade, não esteja amparado por regime próprio de previdência social;
Na presente alínea encontra-se o servidor efetivo que não tem amparo do regime próprio de previdência social, pela leitura do artigo deve-se atentar que a União não se encontra no rol, logo não se aplica aos servidores efetivos da União, isto devido a Lei 8.112/90, que ampara os servidores efetivo da União. Tal alínea é aplicada principalmente em municípios, pois no universo dos municípios brasileiros muitos deles não têm um regime próprio municipal, tendo esse servidor o amparo do RGPS.
l) o servidor contratado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem como pelas respectivas autarquias e fundações, por tempo
determinado, para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal;
Considera-se necessidade temporária de excepcional interesse público: assistência a situações de calamidade pública; combate a surtos endêmicos; realização de recenseamentos e outras pesquisas de natureza estatística efetuadas pela Fundação IBGE; admissão de professor substituto e professor visitante; admissão de professor e pesquisador visitante estrangeiro, entre outras atividades.
m) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupantes de emprego público;
n) revogado
o) o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo Regime Geral de Previdência Social, em conformidade com a Lei n 8.935, de 18.11.94;
Estabelece a obrigatoriedade de filiação como empregado do escrevente e do auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro, de acordo com o que dispõe a Lei n 8.935/94, que em seu art. 40 dispõe: “Os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares são vinculados à previdência social, de âmbito federal, e têm assegurada a contagem recíproca de tempo de serviço em sistemas diversos”. Ressalta-se que os notários, oficiais de registro são contribuintes individuais.
p) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social;
Em 1997, a Lei 9.506/97, que também extingui o Instituto de Previdência dos Congressista – IPC, houve alteração na redação das Leis n.
8.212 e 8.213/91 para passar a abrigá-los como segurados do RGPS.
Posteriormente, o STF declarou inconstitucionalidade formal, pois tal contribuição não poderia ser feita por lei ordinária, entretanto com a EC20/98, essa restrição foi afastada, sendo criada a Lei n. 10.887/04.
q) empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social.
É segurado obrigatório, salvo amparado por regime previdenciário do próprio organismo, até o Decreto n. 3.265/99, era tido como contribuinte individual.
r) o trabalhador rural contratado por produtor rural pessoa física, na forma do art. 14-A da Lei n. 5.889, de 8 de junho de 1973, para o exercício de atividade de natureza temporária por prazo não superior a dois meses dentro do período de um ano.
A Lei n. 11.718/08 permitiu a contratação de trabalhador temporário para exercer atividade de natureza temporária, como colheita de safra. Caso o tempo desse contrato seja superior a dois meses por ano, ficará convertido em contrato de trabalho por prazo indeterminado sendo segurado obrigatório, nos termos da alínea “a”.
EMPREGADO DOMÉSTICO
Nos termos do art. 11, II, da Lei n. 8.213/91, empregado doméstico é aquele que presta serviço de natureza contínua, mediante remuneração, a pessoa ou família, no âmbito residencial, em atividade sem fins lucrativos.
Características:
a) Natureza contínua, conforme Lei Complementar 150/2015 a continuidade se caracteriza por exercer a atividade por mais de 2 vezes na mesma semana.
b) Onerosidade (mediante remuneração) c) Serviço prestado a pessoa ou família d) Não lucratividade
Para a correta caracterização é necessário que a atividade seja contínua, não esporádica ou eventual, bem como há necessidade expressa que seja atividade sem fins lucrativos para o tomador de serviço, assim se for contratado como empregada doméstica, mas auxiliar na cozinha para venda de marmita não é mais caracterizado como empregado doméstico.
São exemplos de empregados domésticos: caseiro, enfermeira, motorista particular, entre outros.
Ressalta-se a edição da Lei Complementar nº 150/2015 que dispõe sobre o contrato de trabalho doméstico.
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL
Até a Lei nº 9.876/99, os segurados obrigatórios, ora classificados como contribuintes individuais correspondiam às categorias de empresário, autônomo e equiparado a autônomo. O intuito da lei foi agregar numa mesma categoria os segurados com direitos e obrigações semelhantes para com a previdência social.
Com a Lei nº 9.876/99 que empresários, autônomos e equiparados a autônomos passaram a ser uma única categoria, a dos contribuintes individuais. Para que se entenda quem são esses, conceitua-se:
Empresário é o que exerce sua atividade de forma profissional, gerindo ou administrando seu negócio. Enquadram-se nessa categoria o empresário individual (antigo titular de firma individual), o administrador (antigo sócio gerente) e o sócio cotista que recebem remuneração decorrente de seu trabalho nas sociedades de responsabilidade limitada, entre outros.
Trabalhador autônomo é aquele que exerce atividade econômica por conta própria. Não tem subordinação ao tomador de sue serviço, o que o afasta da categoria dos empregados, sendo seu vínculo jurídico de natureza civil e não trabalhista.
Os equiparados a autônomos são os não autônomos que contribuía como se o fossem.
Atualmente se há a figura do segurado contribuinte individual:
a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária, a qualquer título, em caráter permanente ou temporário, em área, contínua ou descontínua, superior a quatro módulos fiscais; ou, quando em área igual ou inferior a quatro módulos fiscais ou atividade pesqueira ou extrativista, com auxílio de empregados ou por intermédio de prepostos; ou ainda nas hipóteses dos §§ 8o e 23 deste artigo;
Lembra-se que módulo fiscal é medida de terra em hectares fixado para cada município, levando-se em conta a economia da região.
A exploração pode ser direta ou por intermédio de prepostos (parceiros ou meeiros).
Para que haja a caracterização deste produtor com contribuinte individual é necessário a comercialização de sua produção, gerando
rendimentos decorrentes da atividade. Pois, aquele que produz para o próprio sustento não se enquadra como segurado obrigatório, ainda que possua empregados, podendo ser como não há lucratividade trabalhador doméstico para fins previdenciários.
Além de comercializar a produção o produtor rural pessoa física deve cumprir a exigência de existir empregados, pois é com a presença deste que afastará a figura do segurado especial.
b) A pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral – garimpo –, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de propostos, com ou sem o auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua;
Não há relevância, neste caso, se há ou não empregados, pois não modifica a filiação do garimpeiro como contribuinte individual.
c) O ministro de confissão religiosa e o membro de instituição de vida consagrada de congregação ou de ordem religiosa;
Nesta alínea, entende-se como instituição de vida consagrada e confissão religiosa todas as religiões existentes e em prática no país, pois o Brasil é um país laico.
d) Revogado Lei 9.876/99
e) O brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do que o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social;
Ressalta-se que o brasileiro civil que trabalhar para a União, no exterior, em organismo oficial internacional, será empregado. Acaso contratado diretamente pelo organismo, será contribuinte individual.
O brasileiro civil, mesmo que domiciliado e contratado no exterior, será filiado ao RGPS como contribuinte individual quando trabalhar no exterior para organismo oficial internacional (ONU, OEA, etc), salvo se for coberto pelo sistema de previdência local.
f) O titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação
ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração;
Para que essas pessoas sejam enquadradas como contribuinte individual é necessário que receba remuneração decorrente do exercício de suas atividades. Caso contrário, não haverá filiação obrigatória ao RGPS.
a) Quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego;
b) A pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não;
Ambas alíneas correspondem, às figuras dos trabalhadores eventuais e autônomos propriamente ditos. Art. 9, §15, exemplifica quem enquadra-se nessas alíneas, como: o condutor autônomo de veículo rodoviário, auxiliar de condutor autônomo, pequena atividade comercial em via pública ou de porta em porta, comerciante ambulante, trabalhador associado em cooperativa que nessa qualidade presta serviço a terceiros, notário ou tabelião e o oficial de registros ou registrador, titular de cartório, pequeno feirante, pessoa física que edifica obra da construção civil, médico-residente, membros do conselho tutelar, etc.
m) o aposentado de qualquer regime previdenciário nomeado magistrado classista temporário da Justiça do Trabalho, na forma dos incisos II do §1 do art. 111 ou III do art. 115 ou do parágrafo único do art. 116 da Constituição Federal, ou nomeado magistrado da Justiça Eleitoral, na forma do inciso II, do art. 119 ou III do §1 do art. 120 da Constituição Federal.
A primeira hipótese dessa alínea é inócua, visto que não há mais juízes classistas, desde a EC 24, de 09.12.1999.
A segunda hipótese ampara aos advogados que podem ser indicados para o cargo de juízes da Justiça Eleitoral, entretanto deve ressaltar, que se ele for indicado, mas não for aposentado, seu vínculo com o RGPS mantém-se.
n) o cooperado de cooperativa de produção que, nesta condição, presta serviço à sociedade cooperativa mediante remuneração ajustada ao trabalho executado;
Lei 10.666/03 – “Considera-se cooperativa de produção aquela em que seus associados contribuem com serviços laborativos ou profissionais para a produção em comum de bens, quando a cooperativa detenha por qualquer forma os meios de produção.”
O cooperado como trabalhador exercente de atividade remunerada é filiado à previdência social como contribuinte individual.
o) o segurado recolhido à prisão sob regime fechado ou semi- aberto, que, nesta condição, preste serviço, dentro ou fora da unidade penal, a uma ou mais empresas, com ou sem intermediação da organização carcerária ou entidade afim, ou que exerce atividade artesanal por conta própria;
Alínea é explicativa, logo, sempre que o reeducando exercer atividade remunerada irá filiar-se obrigatoriamente como contribuinte individual, ressalta-se que essa filiação não exclui o benefício de auxílio reclusão.
p) o Micro Empreendedor Individual – MEI de que tratam os arts. 18-A e 18-C da Lei Complementar n 123, de 14 de dezembro de 2006, que opte pelo recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Sistema Nacional em valores fixos mensais.
TRABALHADOR AVULSO
O art. 11, VI, da Lei n 8.213/91, define o trabalhador avulso como aquele que presta, à diversas empresas, sem vínculo empregatício, serviços de natureza urbana ou rural definidos em regulamento, e o RPS estabelece que avulso é aquele que, sindicalizado ou não, presta serviço de natureza urbana ou rural, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, com a intermediação obrigatória do órgão gestor de mão-de-obra – OGMO ou do sindicato da categoria (art. 9, VI, RPS)
Características:
a) Desnecessidade de ser sindicalizado b) Prestação de serviço a diversas empresas;
c) Inexistência de vínculo empregatício;
d) Intermediação obrigatória do OGMO ou sindicato.
Um ponto a que se difere o trabalhador avulso do autônomo é que o primeiro apresenta vínculo de subordinação, o segundo é ausente esse vínculo.
O RPS, art. 9, VI, arrola trabalhadores avulsos:
a) Trabalhador que exerce atividade portuária de capatizia, estiva, conferência e conserto de carga, vigilância e bloco;
b) Trabalhador de estiva de mercadorias de qualquer natureza, inclusive carvão e minério;
c) Trabalhador em alvarenga (embarcação para carga e descarga de navios)
d) Amarrador de embarcação
e) Ensacador de café, cacau, sal e similares;
f) Trabalhador na indústria de extração de sal;
g) Carregador de bagagem em porto;
h) Prático de barra em porto;
i) Guindasteiro; e
j) Classificador, o movimentador e o empacotador de mercadorias em portos.
SEGURADO ESPECIAL
Obteve especial atenção do legislador constituinte originário, que com a EC 20/98, concedeu a redação para o art. 195, §8, da CF:
“O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei.”
A figura do segurado especial abarca o pequeno produtor que labora em economia familiar, para a sua subsistência. A Lei 11.718/08, alterou o dispositivo do art. 12, VII, da Lei 8.212/91 e no art. 11, VII, da Lei n. 8.213/91, considerando segurado especial. A pessoa física residente no imóvel rural ou em aglomerado urbano ou rural próximo a ele que, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de terceiros, na condição de:
a) Produtor, seja proprietário, usufrutuário, possuidor, assentado, parceiro ou meeiro outorgados, comodatário ou arrendatário rurais, que explore atividade:
1. Agropecuária em área de até quatro módulos fiscais;
2. De seringueiro ou extrativista vegetal que faça dessas atividades o principal meio de vida;
b) Pescador artesanal ou a este assemelhado que faça da pesca profissão habitual ou principal meio de vida; e
c) Cônjuge ou companheiro, bem como filho maior de 16 anos de idade ou a este equiparado, do produtor ou do pescador artesanal ou a este equiparado.
Características:
a) Exercício de atividade agropecuária como produtor, proprietário ou não, limitando-se a propriedade até 4 módulos fiscais.
b) Possibilita o enquadramento aquele que exerce atividade de seringueiro ou extrativista vegetal, baseado na coleta e extração, de modo sustentável, de recursos naturais renováveis, e que faça delas o principal meio de vida.
c) Além do pescador artesanal que utiliza-se dessa como meio de vida. Considerando pescador artesanal aquele que: não utiliza embarcação ou embarcações até seis toneladas de arqueação bruta, ou como parceiro em embarcação de até dez toneladas e arqueação bruta, acima desses critérios será contribuinte individual.
d) Os cônjuges, companheiros, filhos ou equiparados maior de 16 anos do segurado especial, desde que comprove que trabalhe no grupo familiar.
e) Regime de economia familiar atividade em que o trabalho dos membros da família é indispensável à própria subsistência e ao desenvolvimento socioeconômico do núcleo familiar e é exercido em condições de mútua dependência e colaboração, sem utilizar de empregados permanentes.
Ressalva-se que não descaracteriza o segurado especial:
a) Outorga por contrato escrito de parceria, meação ou comodato de até 50% de imóvel rural cuja área não ultrapasse a quatro
módulos fiscais, desde que os contratante permaneçam exercendo suas atividades, nos mesmos moldes.
b) Exploração de atividade turística da propriedade rural.
c) Participação em plano de previdência complementar instituído por entidade classista a que seja associado em razão da condição de trabalhador rural ou de produtor rural em regime de economia familiar;
d) Ser beneficiário ou fazer parte de grupo familiar que tem algum componente que seja beneficiário de programa assistencial oficial
e) Utilização pelos familiares de processo de beneficiamento ou industrialização artesanal
f) Associação em cooperativa agropecuária
O segurado especial perderá essa característica se possuir qualquer outra fonte de rendimento, exceto:
I – benefício de pensão por morte, auxílio acidente ou auxílio reclusão, até um salário mínimo;
II – benefício previdenciário pela participação em plano de previdência complementar nas condições já expostas.
III – exercício de atividade remunerada em período entressafra não superior a 120 dias, corridos ou intercalados, no ano civil;
IV – exercício de mandato eletivo de dirigente sindical de organização da categoria de trabalhadores rurais
V – exercício de mandato de vereador do Município em que desenvolve a atividade rural ou de dirigente de cooperativa rural constituída, exclusivamente, por segurados especiais;
VI – parceria ou meação outorgadas até 50% de imóvel rural cuja área não ultrapasse a quatro módulos fiscais, desde que os contratante permaneçam exercendo suas atividades, nos mesmos moldes;
VII – atividade artesanal desenvolvida com matéria-prima produzida pelo respectivo grupo familiar, podendo utilizar matéria-prima de outra origem, desde que a renda mensal obtida não ultrapasse a um salário mínimo;
VIII – atividade artística, desde que o valor mensal não ultrapasse a um salário mínimo.