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1. Conceito de suporte social

1.2. Contributos da Psicologia do Desenvolvimento

O conceito de suporte social sofreu também outra grande influência ao longo do tempo: a da psicologia do desenvolvimento infantil. A teoria da vinculação de Bowlby (1980, cit. in Pinheiro, 2003) foi extremamente influente no sentido em que colocou a hipótese de o suporte social existir como uma variável de personalidade em que a base está presente na maneira como o sujeito pré-estabeleceu as suas relações precoces. Este facto fez com que a estabilidade em termos temporais da percepção do suporte social e das relações interpessoais passassem a ser vistas como a fonte mais importante do suporte social.

Segundo Sarason, Pierce, Shearin, Sarason, Waltz e Pope (1991, cit. in Pinheiro, 2003) os primeiros relacionamentos de vinculação que se verificam nas crianças encontram-se directamente relacionados com o facto de se sentirem aceites e amadas desde a adolescência, postulando ainda que o suporte social quando adultos não será mais que uma manifestação do padrão de vinculação da criança. Deste modo, a questão do conceito de suporte social deixa então de ser compreendida como unicamente cognitiva, também devido ao trabalho de Sarason e colaboradores, ao introduzirem apoio e aceitação (Coyne & DeLongis, 1986).

Embora a grande maioria da bibliografia relativa à vinculação remeter para a infância, há também quem estenda este processo a todo o ciclo de vida. Neste sentido, tal como sugerem Bartholomew e Horovitz (1991), está patente uma associação entre o interesse relativo aos processos de vinculação nos adolescentes e nos adultos e o interesse pelo desenvolvimento dos relacionamentos interpessoais de proximidade e intimidade no que concerne aos pares e relações amorosas.

Os indivíduos que vivenciam relações de fraca vinculação durante a infância têm tendência a possuir um menor número de figuras de vinculação no decorrer do

40 seu desenvolvimento ou ainda a oferecer resistência ao suporte social que lhes é consagrado, fundamentalmente se esse for de âmbito emocional (Bowlby, 1973, cit. in Pinheiro, 2003; Ainsworth, 1978, cit. in Pinheiro, 2003).

Ainsworth, Blehar, Waters e Wall (1978), citados por Rholes, Simpson e Stevens (1998) referem a existência de três modelos de comportamentos de vinculação: crianças com modelo de relacionamento seguro com os pais, crianças com modelo de relacionamento ansioso-ambivalente com os pais e por fim crianças com modelo de relacionamento evitante com os pais. As primeiras utilizam os pais como sendo uma fonte de suporte emocional e conforto, de maneira a controlarem sentimentos de angústia. As segundas, por seu lado, têm por hábito efectuar diversas tentativas no sentido da obtenção de suporte por parte dos pais mas que são, regra geral, mal sucedidas e conflituosas. No terceiro caso, as crianças não procuram, de todo, apoio nos seus progenitores quando se encontram em situações de stress, optando por lidar sozinhas com elas, numa tentativa de demonstração de alguma independência relativamente a eles.

Os investigadores Hazan e Shaver (1994), ao estudarem os padrões de vinculação em adultos, encontraram que naqueles que possuíam relações ambivalentes, havia uma necessidade constante de controlo dos seus relacionamentos e um medo enorme de serem abandonados e ainda uma obsessão quanto à disponibilidade e envolvimento das figuras de vinculação. Os mesmos sujeitos revelaram-se também adesivos, inseguros, ciumentos, controladores e autoritários. Os adultos com relações evitantes ostentavam uma enorme vontade de dependência, aliada a uma incapacidade de reconhecerem as próprias necessidades emocionais, bem como as dos outros, limitando as suas relações de intimidade. Os sujeitos com relacionamentos do tipo ambivalente e evitante possuem em comum dificuldades ao nível da obtenção de suporte social dos outros significativos pelo facto de não pedirem apoio e de muitas das vezes afastarem aqueles que lhes poderiam proporciona algum suporte social.

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1.2.1. Vinculação na transição

Relativamente ao período da adolescência, sendo aquele que representa a transição entre as vinculações da infância e a construção de relacionamentos afectivos externos ao seio familiar, os processos vinculativos foram investigados conjuntamente com as relações estabelecidas com os pares (Cooper & Ayers-Lopez, 1985, cit. in Pinheiro, 2003), a estruturação da autonomia (Bretherton, 1985, cit. in Pinheiro, 2003), da identidade (Kroger & Haslett, 1988, cit. in Pinheiro, 2003) e ainda com a emancipação dos progenitores (Soares & Campos, 1988).

A grande maioria das investigações tem sido no sentido das principais tarefas de desenvolvimento, ou seja, a construção da identidade e o desenvolvimento da identidade (Prager, 1995, cit. in Pinheiro, 2003). Dos muitos estudos que têm sido levados a cabo por diversos investigadores, encontra-se que a vinculação dos adolescentes/jovens adultos aos seus progenitores está associada de forma positiva com a auto-estima e com a adaptação social (Rice, 1990, cit. in Pinheiro, 2003). Kenny (1987, cit. in Soares, 1996, cit. in Pinheiro, 2003) afirma que em sujeitos que estejam vinculados de maneira segura, o processo de separação do seio familiar no caso da entrada para a Universidade sucede de modo em que a proximidade da relação pais/filhos serve como estímulo relativamente à exploração do ambiente e como base de apoio seguro para enfrentar situações problemáticas que possam surgir, o que vai beneficiar o jovem no que se refere à sua autonomia e competências sociais, pessoais e emocionais.

Hazan e Shaver (1987) investigaram a intimidade do ponto de vista dos relacionamentos amorosos. Os autores entenderam este tipo de relação como contendo características de relacionamentos de vinculação na infância, conferindo-lhe tarefas de conservação dos sentimentos de segurança e confiança, competência, auto-estima, autonomia e facilitação da capacidade de explorar o ambiente. Um estudo realizado pelos mesmos autores, em 1990, com estudantes universitários, concluiu que em sujeitos seguros existe menos isolamento social e mais auto- confiança e autonomia.

Na opinião de Pinheiro (2003) surgem ou acentuam-se simultaneamente novas funções de partilha, disponibilidade, mutualidade, revelação, responsabilidade,

42 confiança e aceitação incondicionais que estão directamente relacionadas com o aprofundar dos relacionamentos de intimidade, dos laços emocionais, da mutualidade e interdependência, da confiança e da coesão entre os sujeitos.