3 ALTERNATIVAS PARA A DESTINAÇÃO FINAL AMBIENTALMENTE
5.3. CONDIÇÕES DE GERENCIAMENTO EM CADA FASE
5.3.1. CONTROLE AMBIENTAL (POEIRA, RUÍDO E OUTROS)
O controle dos aspectos ambientais das instalações de transbordo, tratamento e disposição final dos RCCV é uma atividade tão importante quanto às próprias operações de gerenciamento dos resíduos.
O controle ambiental se fundamenta nas seguintes premissas;
Identificação dos aspectos ambientais associados à operação proposta neste Produto.
Determinação da legislação a ser cumprida e dos requisitos e fatores que devem ser monitorados.
Implantação dos equipamentos e instalações necessários com as melhores tecnologias disponíveis para negociar as consequências ambientais derivadas da operação proposta neste Produto, que permitam garantir o cumprimento da legislação.
Treinamento e conscientização da equipe envolvida em todo o processo de gestão de todos os níveis hierárquicos.
Controle e medição dos parâmetros derivados da operação proposta e comparação com os limites legais estabelecidos.
Registro e comunicação dos resultados.
Implantação de medidas de correção, caso necessário.
Portanto, no Quadro 24 abaixo, estão identificados os aspectos ambientais derivados das instalações de transbordo, tratamento e disposição final de RCCV e algumas medidas de controle possíveis.
Quadro 24 - Aspectos ambientais derivados das instalações de transbordo, tratamento e disposição final de RCCV.
TIPO DE PLANTA ASPECTOS AMBIENTAIS MEDIDAS DE CONTROLE DOS ASPECTOS AMBIENTAIS
Plantas de triagem (seleção, classificação avaliação e separação das frações recuperáveis) e transbordo
Ocupação de solo. Consumo de água. Consumo de energia. Geração de águas residuais. Geração de ruído.
Geração de poeira. Geração de resíduos.
Controle de consumos Gerenciamento de águas. Controle de ruído e poeira. Gerenciamento adequado dos resíduos gerados.
Plantas de reciclagem
Ocupação de solo. Consumo de água. Consumo de energia. Geração de águas residuais. Geração de ruído.
Geração de poeira. Geração de resíduos.
Controle de consumos. Gerenciamento de águas. Controle de ruído e poeira. Gerenciamento adequado dos resíduos gerados. Plantas de produção de agregados reciclados Ocupação de solo. Consumo de água. Consumo de energia. Geração de águas residuais. Geração de ruído.
Geração de poeira. Geração de resíduos.
Controle de consumos. Gerenciamento de águas. Controle de ruído e poeira. Gerenciamento adequado dos resíduos gerados.
Plantas de produção de combustível derivado de resíduos (CDR) Ocupação de solo. Consumo de energia. Geração de ruído. Geração de poeira. Controle de consumos. Controle de ruído e poeira. Tratamento e controle das emissões geradas (captação e
TIPO DE PLANTA ASPECTOS AMBIENTAIS MEDIDAS DE CONTROLE DOS ASPECTOS AMBIENTAIS Geração de emissões (Compostos
Orgânicos Voláteis). Geração de resíduos.
tratamento).
Gerenciamento adequado dos resíduos gerados.
Plantas de recuperação de energia (incineração e outros tratamentos térmicos)
Ocupação de solo. Consumo de água. Consumo de energia.
Geração de emissões veiculadas. Geração de ruído.
Geração de resíduos perigosos (escórias e cinzas).
Controle de consumos. Gerenciamento de águas.
Tratamento e controle das emissões geradas (filtros, lava- gases, chaminé, etc.).
Controle de ruído.
Gerenciamento adequado dos resíduos gerados. Plantas de coprocessamento em cimenteiras Ocupação de solo. Consumo de água. Consumo de energia.
Geração de emissões veiculadas. Geração de ruído.
Geração de resíduos.
Controle de consumos. Gerenciamento de águas.
Tratamento e controle das emissões geradas (filtros, lava- gases, chaminé, etc.).
Controle de ruído.
Gerenciamento adequado dos resíduos gerados. Plantas de armazenamento e transferência de RCC Ocupação de solo. Consumo de água. Consumo de energia. Geração de lixiviados. Geração de ruído. Geração de poeira. Geração de odores. Controle de consumos. Gerenciamento de águas. Controle de ruído e poeira. Gerenciamento adequado dos resíduos e lixiviados gerados. Controle de águas superficiais e subterrâneas (drenagens, piezômetros, etc.).
Controle de odores (cobrimento dos resíduos).
Disposição de resíduos inertes em aterros Classe A Ocupação de solo. Consumo de água. Consumo de energia. Geração de lixiviados. Geração de ruído. Geração de poeira. Geração de odores. Controle de consumos. Gerenciamento de águas. Controle de ruído e poeira. Gerenciamento adequado dos resíduos e lixiviados gerados. Controle de águas superficiais e subterrâneas (drenagens, piezômetros, etc.).
Controle de odores (cobrimento dos resíduos).
Fonte: Elaboração própria, Consórcio IDP-FR, 2015.
A legislação e as normas técnicas brasileiras definem vários requisitos de controle ambiental:
a) NBR 15112: se indica que, para o controle da poluição ambiental no processamento de resíduos, os equipamentos e a instalação devem ser dotados de: sistema de controle de poeira, ativo tanto nas descargas como no manejo e nas zonas de acumulação de resíduos; dispositivos de contenção de ruído em veículos e equipamentos; sistema de drenagem superficial com dispositivos para evitar o carregamento de materiais e revestimento primário do piso das áreas de acesso, operação e estocagem, executado e mantido de maneira a permitir a utilização sob quaisquer condições climáticas.
a) NBR 15113: se indica que para prevenir e controlar a poluição ambiental a instalação deve ser dotada de:
Acondicionamento do terreno: o aterro deve ser executado sobre uma base capaz de suportá-lo, de forma a evitar sua ruptura.
Sistema de monitoramento das águas subterrâneas, no aquífero mais próximo à superfície, podendo esse sistema ser dispensado, a critério do órgão ambiental competente, em função da condição hidrogeológica local. O sistema de poços de monitoramento, instalado na área do empreendimento, deve ser constituído de, no mínimo, quatro poços, sendo um a montante e três a jusante, no sentido do fluxo de escoamento preferencial do aquífero. Os poços devem ser construídos de acordo com a NBR 13895.
Sistema de proteção das águas superficiais respeitando-se faixas de proteção de corpos de água e prevendo-se a implantação de sistemas de drenagem compatíveis com a macrodrenagem local, capazes de suportar chuvas com períodos de recorrência de cinco anos, e que impeça:
- O acesso, no aterro, de águas precipitadas no entorno;
- O carregamento de material sólido para fora da área do aterro.
b) NBR 15114: indica-se que, para o controle da poluição ambiental no processamento de resíduos, os equipamentos e a instalação devem ser dotados de sistemas de controle de vibrações, ruídos e poluentes atmosféricos; sistema de drenagem das águas de escoamento superficial na área de reciclagem, capaz de suportar uma chuva com período de recorrência de cinco anos, compatibilizado com a macrodrenagem local, c) A Resolução CONAMA nº 264/1999, dispõe sobre Licenciamento de fornos
rotativos de produção de clínquer para atividades de coprocessamento de resíduos e especifica:
O coprocessamento consiste no reaproveitamento de resíduos nos processos de fabricação de cimento. O resíduo é utilizado como substituto parcial de combustível ou matéria-prima e as cinzas resultantes são incorporadas ao produto final, o que deve ser feito de forma controlada e ambientalmente segura.
O tempo de residência e a temperatura do forno de cimento (normalmente entre 1400 e 1500ºC) são adequados para destruir termicamente a matéria orgânica. Esses fornos também devem ter mecanismos de controle de poluição atmosférica para minimizar a emissão de particulados, SOx e NOx para a atmosfera.
d) A DN 154 de agosto de 2010 estabelece: PCI mínimo de 2800 kcal/kg para 2000 kcal/kg, limites de entrada de metais no forno; ampliação dos parâmetros que precisam ser monitorados e disponibilização dos dados de monitoramento online para as Autoridades ambientais e ensaios trimestrais de lixiviação do clínquer. Dessa maneira, o controle dos aspectos ambientais é um dos elementos básicos da gestão dos resíduos. Portanto, acredita-se que seja conveniente não só comunicar às administrações, funcionários, população e outras partes interessadas o compromisso com a gestão ambiental e com a prevenção da contaminação, mas entende-se que este compromisso deve trabalhado como um objetivo constante.
Diante disso, sugere-se que seja promovida a implantação, durante todo o processo de gerenciamento dos RCCV, de sistemas de gestão certificáveis por terceiros de acordo com a Norma ISO 14001.
Isso porque, essas certificações comprovam que a organização possui certo controle sobre suas interações com o meio ambiente, e, ainda, executa ações concretas no sentido de prevenir a contaminação, cumprir com os requisitos legais e outros requisitos que sejam necessários, melhorar continuamente o sistema de gestão ambiental para conseguir a melhora de seu desempenho ambiental global.
A implantação deste tipo de instrumentos precisa ser progressiva, e poderia ser incentivada mediante pontuações extras nas licitações públicas, ou mediante benefícios fiscais para as empresas ou organizações que fizessem a sua implantação.
É importante que a Administração Pública seja exemplar quanto à realização destes procedimentos.