O Congresso Nacional realizará o controle político sobre o Decreto de intervenção expedido pelo Presidente da República no prazo de 24 horas (art. 36, § 1º). No caso de recesso parlamentar, deve ser feita convocação extraordinária, também no prazo de 24 horas (art. 36, § 2º).
Nas hipóteses dos artigos 34, VI e VII e 35, IV, ficam dispensadas a apreciação prévia pelo Congresso Nacional, vale dizer, o controle exercido será posterior. Nesses casos, o Decreto limitar-se-á a suspender a execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade (art. 36, § 3º).
O Congresso Nacional aprovará ou rejeitará a intervenção, sempre por Decreto Legislativo, suspendendo a execução do Decreto interventivo, se for o caso (art. 49, IV).
Caso ocorra a suspensão da execução do Decreto interventivo, o Presidente da República deverá cessar a intervenção imediatamente, sob pena de cometer crime de responsabilidade (art. 85, II).
Por fim, cessados os motivos que deram ensejo a intervenção, as autoridades afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo impedimento legal (art. 36, § 4º).
DE OLHO NA PROVA
(FGV/XVI Exame de Ordem Unificado) Determinado Governador de Estado, inconformado com decisões proferidas
pelo Poder Judiciário local, que determinaram o fechamento de diversos estabelecimentos comprovadamente envolvidos com ilícitos, decidiu que os órgãos estaduais a ele subordinados não cumpririam as decisões judiciais. Alegou que os negócios desenvolvidos nesses estabelecimentos, mesmo sendo ilícitos, geravam empregos e aumentavam a arrecadação do Estado, e que o não cumprimento das ordens emanadas do Poder Judiciário se justificava em razão da repercussão econômica que o seu cumprimento teria. Das opções a seguir, assinale a que se mostra consentânea com a Constituição Federal.23
A) O Presidente da República, após a requisição do Supremo Tribunal Federal, decretará a intervenção federal, dispensado, nesse caso, o controle pelo Congresso Nacional.
B) O Governador de Estado, tendo por base a inafastável autonomia concedida aos Estados em uma organização federativa, está juridicamente autorizado a adotar o indicado posicionamento.
C) O Presidente da República poderá decretar a intervenção federal, se provocado pelo Procurador-Geral da República e com autorização prévia do Congresso Nacional, que exercerá um controle político.
ele próprio, a intervenção federal, que será posteriormente apreciada pelo Congresso Nacional.
(FGV/XIV Exame de Ordem Unificado) O instituto da intervenção é de extrema excepcionalidade, razão pela qual
restam minuciosamente delineadas as hipóteses na CRFB/88. Assinale a opção que contempla, à luz da CRFB/88, hipótese correta de intervenção.24
A) O Estado X, sob o pretexto de celeridade e efetividade, vem realizando somente contratações diretas, sem a aplicação da Lei Federal de Licitações e Contratos Administrativos – Lei n. 8.666/93. Nessa situação, poderá a União intervir no Estado X para prover a execução de lei federal.
B) O Município Y, localizado no Estado Z, não vem destinando nos últimos seis meses o mínimo exigido da receita municipal na manutenção das escolas públicas municipais, sob o fundamento de que a iniciativa privada realiza melhor ensino. Nesta hipótese, tanto a União quanto o Estado Z, à luz da CRFB/88, poderão intervir no Município Y para garantir a aplicação do mínimo exigido da receita municipal na aludida manutenção.
C) Nos casos de desobediência à ordem ou decisão judiciária, a decretação de intervenção independe de requisição judicial.
D) O Município Z, em razão de problemas orçamentários, em 2013, decidiu, excepcionalmente, pela primeira vez na sua história, não realizar o pagamento da sua dívida fundada. À luz da CRFB/88, poderá o Estado W, onde está localizado o referido Município, intervir no ente menor para garantir o pagamento da dívida fundada.
QUADRO SINÓTICO
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO
Conceito de Estado: sociedade politicamente organizada formada pela reunião de um povo, em um território
determinado, dotado de um governo soberano.
Povo: conjunto de pessoas que integra o Estado, ligadas a ele pelo vínculo jurídico-político de direito público interno
denominado nacionalidade.
Território: limite espacial sobre o qual o Estado exerce soberanamente o poder de império sobre as pessoas e os bens
nele existentes, formado pelo espaço terrestre, pelo mar territorial e pelo espaço aéreo sobrejacente.
Governo: conjunto de funções necessárias à manutenção da ordem jurídica e da condução da Administração Pública.
Soberania: poder decisório supremo no plano interno, bem como a não subordinação a qualquer outro Estado, na órbita
internacional.
Formas de Estado: unitário; federado; confederação.
Forma de Governo: república; monarquia.
Sistema de governo: presidencialismo; parlamentarismo.
Regime de governo: democracia; autocracia.
União: pessoa jurídica de direito público interno, parte integrante da federação brasileira dotada de autonomia. Possui
capacidade de auto-organização (Constituição Federal), autogoverno (arts. 44, 76 e 92), autolegislação (art. 22) e autoadministração (art. 20).
Estados-membros: pessoas jurídicas de direito público interno, dotados de autonomia, em razão da capacidade de
auto-organização (art. 25, caput), autoadministração (art. 26), autogoverno (arts. 27, 28 e 125) e autolegislação (art. 25, §§ 1º, 2º e 3º).
Distrito Federal: ente federativo com competências parcialmente tuteladas pela União, conforme se extrai dos arts. 21,
XIII e XIV; 22, VII; e 48, IX. Por ser considerado um ente político dotado de autonomia, possui capacidade de auto- organização (art. 32, caput), autogoverno (art. 32, §§ 2º e 3º), autoadministração (art. 32, §§ 1º e 4º) e autolegislação (art. 32, § 1º).
2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24
elencar a União, os Estados-membros, o Distrito Federal e os Municípios como integrantes da federação brasileira. Como pessoas políticas também dotadas de autonomia, possuem auto-organização (art. 29, caput), autolegislação (art. 30), autogoverno (incisos do art. 29) e autoadministração (art. 30).
Territórios Federais: possuem natureza jurídica de autarquias territoriais integrantes da Administração indireta da
União. Por isso, não são dotados de autonomia política.
Vedação aos entes federados: art. 19 da CF/1988.
Intervenção: é uma excepcional possibilidade de supressão temporária da autonomia política de um ente federativo.
Suas hipóteses integram um rol taxativo previsto na Constituição Federal.
1 Resposta: “C”.
MOTTA FILHO, Sylvio Clemente da. Direito constitucional: teoria, jurisprudência e questões. 22. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. p. 10.
MOTTA FILHO, Sylvio Clemente da. Direito constitucional: teoria, jurisprudência e questões. 22. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. p. 395.
Resposta: Errado. Resposta: Errado.
Art. 41 da Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Civil. Resposta: Errado.
Resposta: Certo. Resposta: Certo.
Art. 41 da Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Civil. Resposta: Certo.
Resposta: Certo. ADI 2.650/DF. Resposta: “C”.
Art. 41 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Civil. Art. 41 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Civil. Resposta: “D”.
ADI 2.240/BA.
Art. 41 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Civil. Resposta: Errado.
Resposta: Certo.
MOTTA FILHO, Sylvio Clemente da. Direito constitucional: teoria, jurisprudência e questões. 22. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. p. 672.
Resposta: “A”. Resposta: “A”.
17.1
17.2
17.3
Capítulo 17
Repartição de Competências
Introdução
Conforme estudado no capítulo antecedente, o Estado brasileiro é composto por quatro espécies de entes políticos: a União, os Estados-membros, o Distrito Federal e os Municípios, todos dotados de autonomia que lhes garantem o poder de autolegislação, coexistindo, dessa forma, no território nacional, mais de uma ordem jurídica (a ordem jurídica federal, a ordem jurídica estadual e a ordem jurídica municipal). É nesse contexto que emerge a repartição de competências constitucionais, que busca organizar a produção legislativa no Brasil.
Vaticinam Gilmar Mendes, Inocêncio Coelho e Paulo Gustavo Gonet1 que: “como no Estado Federal há mais de uma ordem jurídica incidente sobre um mesmo território e sobre as mesmas pessoas, impõe-se a adoção de mecanismo que favoreça a eficácia da ação estatal, evitando conflitos e desperdício de esforços e recursos. A repartição de competências entre as esferas do federalismo é o instrumento concebido para esse fim”.
Portanto, para que não haja conflitos de atribuições dentro do território nacional, a Constituição Federal estabelece a repartição de competências, considerada como uma técnica de distribuição de competências administrativas, legislativas e tributárias aos entes federativos.