CP V ARI Cimento Portland de alta resistência inicial C10, ,C80 Classe de resistência à compressão
CONCRETO ESTRUTURAL
3.8 Controle de qualidade do concreto pela ABNT NBR 12655 (2006) 1 Abrangência e complexidade do controle de qualidade do concreto
“A organização e a implementação do controle da qualidade da construção civil devem envolver um mecanismo duplo de ação: o controle de produção e o controle de recebimento. O controle de produção é exercido por quem gera produtos em uma das etapas do processo, tratando-se de um controle interno. O controle de recebimento é exercido por quem fiscaliza e aceita os produtos e os serviços executados nas várias etapas do processo” (HELENE; TERZIAN, 1993).
O controle de qualidade para a produção do concreto deve ser entendido como um conjunto de procedimentos que tem por objetivo fornecer esse material com uma qualidade especificada, ao mínimo custo possível, com metodologia organizada através de conceitos da Engenharia e da Estatística.
“Um bom controle da qualidade tem por objetivo garantir um nível preestabelecido de qualidade de um determinado produto. Não pode ser confundido com qualidade, como se estivesse implícito que ao fazer um controle de qualidade obrigatoriamente obter-se-ia produtos de alta qualidade. Não é objetivo do controle da qualidade elevar ou abaixar a qualidade, e sim, manter uma qualidade” (HELENE, 1981).
No controle de recebimento do concreto, as exigências mínimas são a avaliação das condições da nota fiscal; análise da trabalhabilidade e da quantidade de água através do ensaio de abatimento e a avaliação da resistência à compressão a 28 dias de idade.
Embora, Helene (1993) tenha apontado para critérios de qualificação dos concretos e para a proteção de armaduras, baseados em propriedades físicas como o índice de vazios e a absorção de água, não houve até hoje a interpretação ou confirmação suficiente para esses critérios, nos trabalhos consultados e nem nas normas em foco nesta pesquisa.
Logo, persiste o paradigma da especificação do concreto estrutural tão somente por critérios empíricos de durabilidade, através da dosagem por limite de relação a/c e pelo fck.
93 empírico da porosidade do concreto, mas podem não ser suficientes para a comparação, a diferenciação técnica ou o controle de recebimento do concreto estrutural.
3.8.2 Controle da consistência pelo abatimento
A ABNT NBR 12655 (2006) recomenda a realização de ensaios de consistência pelo abatimento de tronco-de-cone ou pelo espalhamento do tronco-de-cone, já descritos anteriormente.
Para o concreto preparado pelo executante da obra, devem ser realizados ensaios de consistência sempre que ocorrerem alterações na umidade dos agregados; na primeira amassada do dia; ao reiniciar o preparo após uma interrupção da concretagem de pelo menos 2 horas; na troca dos operários e a cada vez que forem moldados corpos-de-prova.
Para concretos preparados por empresas de serviço de concretagens a norma recomenda a realização de ensaio de consistência a cada caminhão-betoneira entregue à obra.
3.8.3 Controle da resistência à compressão
O controle de resistência à compressão do concreto mais freqüente é apenas um ensaio de recebimento e visa à comprovação daquilo que está sendo executado frente ao que foi especificado no projeto de estrutura.
A amostragem do concreto para ensaios de resistência à compressão, deve ser feito dividindo-se a estrutura em lotes, volume este homogêneo de concreto e que se analisa de uma só vez, como mostra a Tabela 23. De cada lote deve ser retirada uma amostra, conjunto de “n” exemplares, que se admitem como representativos do lote, sendo cada exemplar formado por dois corpos-de-prova moldados de uma mesma porção de fornecimento (volume preparado em betoneira estacionária ou em caminhão-betoneira).
Tabela 23 - Valores para formação de lotes de concreto (ABNT NBR 12655, 2006)
Volume de concreto Número de andares Tempo de concretagem 1 1 3 dias de concretagem
Solicitação principal dos elementos da estrutura
Limites superiores Compressão ou
Compressão e flexão Flexão simples
94 A ABNT NBR 12655 (2006) prescreve para determinação do fckest (resistência
característica estimada à compressão) por amostragem parcial, para lotes com número de exemplares entre 6 e 20, a Equação 20 a seguir:
fckest = 2 [ (f1 + f2 + ...+ fm-1) / (m-1) ] - fm (Equação 20)
Onde,
n = número de exemplares;
m = n/2. Despreza-se o valor mais alto de n, se for ímpar;
f1, f2,...fm = valores das resistências dos exemplares, em ordem crescente.
Segundo esta fórmula não se deve tomar para fckest valor menor que “ψ6.f1” adotando-se
para ψ6 um valor tabelado pela norma em questão, em função das condições de preparo do
concreto e número de exemplares do lote, conforme a Tabela 24.
Tabela 24 – Valores de ψψψψ6 (ABNT NBR 12655, 2006)
2 3 4 5 6 7 8 10 12 14 ≥16 A 0,82 0,86 0,89 0,91 0,92 0,94 0,95 0,97 0,99 1,00 1,02 B ou C 0,75 0,80 0,84 0,87 0,89 0,91 0,93 0,96 0,98 1,00 1,02 Condição de preparo Número de exemplares (n)
Para amostragem total (100%), prescreve a determinação do fckest, pela Equação (21) e
Equação (22):
Para n ≤ 20, fckest = f1; (Equação 21)
Para n > 20, fckest = fi1; (Equação 22)
Onde,
n = número de exemplares;
i = 0,05n. Quando o valor de i for fracionário, adota-se o número inteiro imediatamente superior; f1, f2, ..., fm = valor das resistências dos exemplares, em ordem crescente.
Os lotes de concreto devem ser aceitos, quando o valor estimado da resistência característica, calculado conforme Equações 20, 21 ou 22, satisfazer a relação:
fckest ≥ fck
Recomenda-se fazer o rastreamento do concreto juntamente com a amostragem total, pois, é possível reduzir custos de ações corretivas em eventuais não conformidades, recuperando apenas os lotes com problema.
95 A ABNT NBR 6118 (2003) recomenda algumas ações corretivas no caso de não- conformidade do concreto, ou seja se a resistência estimada à compressão resultar inferior ao valor do fck.
No caso de existência de não-conformidades, devem ser adotadas as seguintes ações corretivas:
a) “revisão do projeto para determinar se a estrutura, no todo ou em partes, pode ser considerada aceita, considerando os valores obtidos nos ensaios;”
b) “no caso negativo devem ser extraídos e ensaiados testemunhos conforme disposto na ABNT NBR 7680, se houver também deficiência na resistência do concreto cujos resultados devem ser avaliados de acordo com a ABNT NBR 12655, procedendo-se a seguir a nova verificação da estrutura visando a sua aceitação;”
c) “constatada a não-conformidade final de parte ou do todo da estrutura, deve ser escolhida uma das seguintes alternativas: determinar as restrições de uso da estrutura, providenciar projeto de reforço, decidir pela demolição parcial ou total”. Pelo menos é necessário assegurar que o concreto empregado atenda às especificações de projeto, que possam ser mais importantes para a durabilidade das armaduras, nas classes mais agressivas de exposição, já que a resistência à compressão não pode responder diretamente pelas propriedades de transporte dos agentes e processos mais comuns envolvidos na corrosão de armaduras, vistos no Capítulo 2.
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CAPÍTULO 4
4 PROGRAMA EXPERIMENTAL PARA PROSPECÇÃO DE CONTROLE