2.2 MATERIAIS
2.2.2 Cores
Segundo Farina (1990), a palavra “cor”, na antiga Roma, chamava-se “Color”, para os franceses era “couleur”, para os espanhóis “color” e, para os italianos “colore”, “tudo para expressar uma sensação visual que nos oferece a natureza através dos raios de luz irradiados em nosso planeta” (FARINA 1990, p. 21). Para Pedrosa (1982, p. 17):
A cor não tem existência material: é apenas sensação produzida por certas organizações nervosas sob a ação da luz – mais precisamente, é a sensação provocada pela ação da luz sobre o órgão da visão. Seu aparecimento está condicionado, portanto, à existência de dois elementos: a luz (objeto físico, agindo como estímulo) e o olho (aparelho receptor, funcionando como decifrador do fluxo luminoso, decompondo-o ou alterando-o através da função seletora da retina).
Silva (2000) define que as cores possuem significados diferentes e podem se relacionar com sentimentos, experiências vividas e acontecimentos, ações ou com ambientes. Nesse contexto, as cores podem se tornar uma grande aliada no desenvolvimento de projetos se tornando uma forma de conquistar o cliente visualmente e atendendo suas necessidades psicológicas. Para GURGEL (2007, p. 47) “usar as cores a favor dos usuários, e não contra eles, deve ser o alvo de qualquer projeto de interiores”. Segundo Farina (1990), uma composição pode ser equilibrada ou desiquilibrada dependendo das cores contidas nele. O equilíbrio vem das sensações que as cores provocam, sendo necessário adequar cada uma delas de acordo com o espaço a ser ocupado.
Silva (1995) afirma que o estudo das cores é essencial na ergonomia no que se refere à adaptação do ambiente ao trabalho, podendo influenciar de forma positiva, proporcionando bem-estar, saúde e segurança aos usuários.
Neste contexto, é essencial definir as cores adequadas para cada ambiente, por isso faz-se necessário utilizar ferramentas que auxiliem nessa escolha, a fim de conseguir uma harmonização. Segundo Pedrosa (1982, p. 143):
Desde suas origens grega e latina, o termo harmonia foi bastante impreciso, significando proporção, ajustamento e arranjo. Só bem mais tarde ganharia um sentido definido: disposição bem ordenada das partes de um todo. “Quando mesmo dentro da tonalidade percebem os elementos que a integram, cabe dominá-la harmonia” (Goethe). Estas partes poderão estar em repouso (acordes- harmonia em repouso) ou desencadeadas (harmonia em movimento).
Complementando a ideia de Pedrosa (1982), Gurgel (2012) afirma que nos esquemas harmônicos as cores não competem entre si e no contrastante as cores se encontram opostas ao círculo cromático². (Figura 27)
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²O círculo cromático é composto por doze cores: amarelo, azul e vermelho (cores primárias), laranja, violeta e verde (cores secundárias) e seis cores terciárias vindas das misturas das cores secundárias . É uma ferramenta usada para o estudo de cores e escolha adequadas destas. (PEDROSA, 1982).
Figura 27: Círculo cromático
Fonte: TodaMatéria (2016)
2.3 TENDÊNCIAS
Segundo Caldas (2013), o termo tendência deriva do latim “tendentia”, significando “tender para”, “inclinar-se para” ou ser “atraído por”, tendo pouco uso até o século XVII. Segundo Caldas (2013), o conceito que mais se expandiu foi “aquele ligado a construir uma visão de futuro”, sempre acompanhando esse jogo de “hoje e amanhã”.
Numa sociedade cada vez mais complexa é necessário fazer previsões e planejamentos, obtendo assim experiências e controlando as mudanças. Para Oliveira (2006), entender as tendências é antes de tudo lançar um olhar amadurecido para o futuro, se dotando de observações criteriosas, pois tais definições podem influenciar um grupo de pessoas ou uma sociedade inteira.
Para Kotler (1998), tendência é uma orientação ou um processo contínuo que acontece em um dado momento e que assegura durabilidade. Podemos encontrar uma tendência no cenário da moda, em cores, inserido na beleza e até tendências de comportamento. Elas se originam com o passar do tempo e na medida em que a as tecnologias vão se desenvolvendo, novos materiais vão surgindo e a sociedade vai se modificando culturalmente. Segundo Kakuta, Ribeiro (2011, p. 1):
Se tendência é um movimento, isso sugere que é algo dinâmico, não estanque e nem imutável, ou seja, é um fenômeno que se processa na medida em que há o deslocamento de uma situação qualquer. Por exemplo: o fato de os brasileiros, em geral, serem apaixonados por futebol não é uma tendência, é uma realidade histórica. Mas se pudermos identificar que as mulheres estão se interessando mais por futebol, isso se constitui numa tendência.
Podemos dizer que tendência é um estilo, uma preferência ou um costume que marca determinada época podendo, muitas vezes, ser antecipadas a fim de analisar o sucesso ou o fracasso de um produto. É por esse motivo que uma análise de tendências é necessária para a realização do presente projeto, objetivando analisar as mudanças nos cenários socioculturais e comerciais.
2.3.1 Tendência de cores
O Instituto Pantone (2017) expôs a tendência de cores para o ano de 2017, as paletas podem ser usadas tanto para moda, beleza, produto e design gráfico. (Figura 28).
Figura 28: Paleta de cores Pantone (2017)
Segundo o Comitê Brasileiro de Cores³ (CBC) (2017), as tendências de cores e o que a sociedade deseja nos dias atuais podem ser divididos em três grupos de pessoas:
- Transformação: pessoas que sonham, possuem um mundo de fantasias muito desenvolvido. São pessoas românticas, que vivem com seus pais por muito tempo e não querem deixar de estudar. O perfil de cores para este público é caracterizado como cores líquidas, que variam entre o azul e o rosa, fluidas como a aquarela, dando um efeito sombré.
- Solarização: são pessoas preocupadas com o meio ambiente, esportistas, que gostam de aventuras e se interessam por carros grandes e rústicos. A tendência de cores para este público é o laranja, amarelo, vermelho, cobre, tons de areia. Cores que tem a ver com essa
naturalização
- Expansão: uma turma ligada à tecnologia, antenados na internet rápida, na praticidade do dia a dia, no computador mais sofisticado; são pessoas intelectualizadas que não compram
qualquer coisa e que preferem ter poucos itens, porém de qualidade. Os tons desse grupo são prata, aço, preto, sempre com toques de vermelho ou azul marinho.
2.3.2 Materiais
Segundo a EMOBILE (2017), a madeira é um dos destaques na Casa Cor Rio Grande do Sul⁴, como pode observar nas figuras 29 com a mesa, painel e teto de madeira e na figura 30 com detalhes de madeira compondo o ambiente. A madeira também foi destaque da Casa Cor São Paulo, onde podemos observar a mesa em madeira maciça e a estante com divisórias (Figura 31). Ela pode ser encontrada na arquitetura e decoração. Além de transmitir uma atmosfera acolhedora, a matéria-prima é uma alternativa neutra, aceitando vários estilos para a composição do ambiente.
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³O CBC tem como objetivo fundamental a pesquisa e aplicações de cores à produção industrial brasileira e é composto por 30 especialistas que fazem um panorama nacional e internacional para chegar às cores tendências do momento, apresentadas através da Cartela de Cores CECAL
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⁴A Casa Cor Rio Grande do Sul expõe projetos e soluções propostas pelos principais nomes de arquitetura, decoração e paisagismo do Rio Grande do Sul. No ano de 2017 o tema apresentado foi “Foco no Essencial”, o evento tem o objetivo de apresentar o que é mais essencial para viver bem em espaços tão diversos quanto os profissionais e visitantes. (EMOBILE 2017).
Figura 29: Casa Cor Rio Grande do Sul
Fonte: EMOBILE (2017) Figura 30: Casa Cor Rio Grande do Sul
Figura 31: Casa Cor São Paulo
Fonte: Casa Claudia (2017)
2.3.3 Revestimentos
Para o ano de 2017 podemos encontrar diversas tendências no que se refere à revestimentos. A Expo Revestir, feira que reúne os principais lançamentos entre revestimentos, louças e metais, deu destaque para revestimentos com texturas de tecido e papel de parede (Figura 32), porcelanatos marmorizados (Figura 33), bricks cinzas (Figura 34), estilo cobogó⁵ (Figura 35), e revestimento ripado (Figura 36).
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⁵o cobogó foi criado no século XX em Recife, pelo engenheiro Antônio de Góes, o comerciante português Amadeu Oliveira Coimbra, e o empreendedor alemão Ernst August Boeckmann, cujas iniciais de seus sobrenomes deram nome ao elemento. Inicialmente os blocos fazados eram feitos de concreto e hoje se encontram em diversos materiais. (BORBA 2012)
Figura 32: Revestimentos com texturas de tecido e papel de parede
Fonte: Nina Martinelli (2017) Figura 33: Porcelanatos marmorizados
Figura 34: Bricks cinza
Fonte: Nina Martinelli (2017)
Figura 35: Estilo cobogó
Figura 36: Revestimento ripado
Fonte: Casa Vogue (2017)
2.4 ERGONOMIA
Segundo Iida (1990), a ergonomia teve seu “nascimento” em 12 de Julho de 1949, onde cientistas e pesquisadores se reuniram na Inglaterra a fim de discutir e formalizar a existência dessa nova área do conhecimento. A palavra é formada pelos termos gregos ergo (trabalho) e nomos (regras, leis naturais) e tem como objetivo a adaptação do trabalho e, consequentemente, do ambiente ao homem, preservando sua integridade física, mental e social. A definição formal da Ergonomia adotada pela IEA (International Ergonomics Association), segundo Dul, Weerdmeester (2004, p. 1):
Ergonomia (ou fatores humanos) é uma disciplina científica que estuda as interações dos homens com outros elementos do sistema, fazendo aplicações da teoria, princípios e métodos de projeto, com o objetivo de melhorar o bem-estar humano e o desempenho global do sistema.
A ergonomia é uma área muito ampla e suas aplicações são de extrema importância para a vida das pessoas, agindo diretamente na sua saúde física e cognitiva, melhorando o bem estar do indivíduo. Segundo Gomes Filho (2003, p. 17):
A ergonomia objetiva sempre a melhor adequação ou adaptação possível do objeto aos seres vivos em geral. Sobretudo no que diz respeito à segurança, ao conforto e a eficácia de uso ou operacionalidade dos objetos, mais particularmente, nas atividades e tarefas humanas. Nesse contexto, compreende-se a palavra objeto num sentido bem amplo e, portanto, significando produtos de uso em geral: máquinas, equipamentos, ferramentas, postos de trabalho, postos de atividades, ambientes, sistemas de comunicação e de informação, e assim por diante.
Com o surgimento do termo houve melhorias na vida cotidiana, onde podemos destacar sua aplicação em diversos locais de trabalho, tornando este mais adequado e seguro ao trabalhador; mais segurança e conforto na área do mobiliário e utensílios domésticos, bem como os sistemas informatizados que estão mais eficientes, de fácil uso e entendimento do usuário. Neste contexto, segundo Munari (2001, p.342):
Muitas pesquisas e aplicações práticas são realizadas em vários setores: nos transportes públicos e nos lugares de condução e comando de qualquer veículo, a fim de melhorar as condições de segurança e reduzir acidentes; nos postos de trabalho; nos escritórios; setores urbanísticos, [...]
No presente trabalho, o papel da ergonomia é facilitar o uso e manejo da mesa pelo usuário fazendo com que ele execute tal atividade de maneira segura e sem esforço físico inadequado.
2.4.1 Antropometria
A principal aplicação da ergonomia ocorre através do uso da antropometria e da captura de dados antropométricos, que, de acordo com Lawson (2013) determina as medidas da mobília e ergonomia em assentos. Segundo Moraes e Mont’Alvão (2009), uma das áreas do ergonomista compreende as características antropométricas, envolvendo a altura, larguras e comprimentos dos diferentes segmentos corporais. “A antropometria é a ciência que estuda as medidas do corpo humano (sobretudo as medidas lineares e periféricas), a fim de estabelecer diferenças e proporções entre indivíduos e grupos de indivíduos.” (GOMES FILHO, 2003, p. 72).
De acordo com Iida (1990) a antropometria diz respeito às medidas físicas do corpo humano, sendo importante destacar que essas medidas variam de acordo com o sexo, etnias, religiões e culturas. As medidas antropométricas são realizadas diretamente, tendo assim uma amostra de quem serão os usuários. Primeiro é preciso determinar os objetivos, definindo onde e para quê as medidas serão utilizadas, por isso é importante definir quem será o público
alvo, aplica-se assim a antropometria estática ou dinâmica. Ainda de acordo com Iida (1990), a antropometria estática é aquela em que as medidas se referem ao corpo parado ou com poucos movimentos. A antropometria dinâmica mede os alcances dos movimentos.
Segundo Iida (2003, p. 116) “uma das tabelas de medidas antropométricas mais completas que se conhece é a norma alemã DIN 33402 de junho de 1981”, nela encontramos 54 variáveis de medidas do corpo (Figura 37) (9 em pé, 3 sentado, 22 da mão, 3 dos pés e 7 da cabeça).
Figura 37: Variáveis usadas em medidas da antropometria estática
Fonte: Iida (2003, p. 118)
Visto que a mesa será manejada por adultos de todos os sexos, iniciando com a classe dos Promissores (média de 22,2 anos de idade), definido anteriormente, é indispensável realizar um estudo do corpo humano com a maioria da população a fim de certificar-se que o produto estará adequado ergonomicamente. As figuras indicam as medidas de homens na vista frontal (Figura 38) e lateral (Figura 39); das mulheres na vista frontal (Figura 40) e lateral (Figura 41) dos percentis 99, 50 e 1, que representam a maioria da população, a média da população e a mínima.
Figura 38: As medidas do homem (vista frontal)
Fonte: Tilley e Associates (2005, p. 28)
Figura 39: As medidas do homem (vista lateral)
Figura 40: As medidas da mulher (vista frontal)
Fonte: Tilley e Associates (2005, p. 30)
Figura 41: As medidas da mulher (vista lateral)
No presente trabalho, a antropometria se aplica em relação ao manejo da mesa pelo usuário, visto que este será feito por adultos de todos os sexos sendo necessário haver a análise da postura na hora de manusear a mesa da mesma maneira que esta deve ter medidas e peso adequados para não sobrecarregar fisicamente o indivíduo.
A ABNT (2007) afirma que para o trabalho que será realizado sentado os assentos deverão ter a altura de acordo com o indivíduo e do trabalho que será realizado, deverá ter formas arredondadas na borda frontal do assento, encosto ajustável para não sofrer lesões na lombar e, ainda, evitar conformação na base do assento. (Figura 42)
Figura 42: Dimensões adequadas para assentos
Fonte: Iida (2003, p. 143)
De acordo com a ABNT (2007), para o trabalho que será feito manualmente, sentado ou em pé, o móvel deverá proporcionar ao trabalhador condições de boa postura (Figura 43). É o que acontece quando o usuário realizará o manejo da mesa multifuncional ou ocupar as mais funções oferecidas por ela.
Figura 43: Sistema OWAS para o registro da postura
Fonte: Iida (2003, p. 88)
Couto (1995) ainda trás as posições que sofrem maior ou menor pressão ao realizar certas atividades (Figura 44).
Figura 44: Posições com maior e menor pressão
Tal definição de ergonomia aplicada ao mobiliário residencial faz com que ele tenha uma boa perspectiva de mercado, pois o consumidor não é atraído somente por características estéticas do móvel, mas também pela segurança, conforto e atendimento de suas necessidades ou limitações pessoais. Neste contexto, segundo Iida (2003), todos os produtos, indiferente do seu tamanho, servem para satisfazer as necessidades das pessoas, estando sempre em contato com o homem. No entanto, para que eles funcionem de maneira adequada é importante que os projetos devam seguir os seguintes requisitos:
- Qualidade técnica: é a parte que faz o produto funcionar, onde sua energia realiza cortes, soldas, dobragens, entre outras. Deve-se considerar a eficiência do produto e a capacidade de não realizar ruídos e vibrações, sua facilidade de limpeza, manutenção, entre outros.
- Qualidade ergonômica: está relacionado ao fácil manuseio, antropometria adequada, a clareza nas informações, segurança e conforto.
- Qualidade estética: tem por finalidade fazer um produto agradável visualmente, combinando cores, formas, texturas, materiais, entre outros.
3 RESULTADOS