UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL UNIJUI
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E ENGENHARIAS - DCEEng CURSO DE DESIGN
Valéria Manias
CLÉ- MESA MULTIFUNCIONAL PARA USO RESIDENCIAL
Ijuí/RS 2017
Valéria Manias
CLÉ- MESA MULTIFUNCIONAL PARA USO RESIDENCIAL
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Design da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, como requisito parcial à obtenção ao título de Bacharel em Design.
Ênfase: Design de Produto
Orientador: Prof. Carlos Alexandre Alves Colomé
Ijuí/RS 2017
Valéria Manias
CLÉ- MESA MULTIFUNCIONAL PARA USO RESIDENCIAL
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Design da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, como requisito
parcial à obtenção ao título de Bacharel em Design.
Aprovada em: ____ de __________ de ____.
BANCA EXAMINADORA
________________________________________________
Prof.º Carlos Alexandre Alves Colomé- Orientador- UNIJUI
_______________________________________________
Para minha família, dedico esta e todas as demais conquistas.
Agradeço
Ao professor e orientador Carlos Alexandre Alves Colomé por aconselhar nos momentos de dúvida e compartilhar seu conhecimento.
Aos amigos, colegas ou aqueles que de alguma forma fizeram parte desta etapa, compartilhando momentos bons e ruins.
RESUMO
Os costumes e hábitos de compra da sociedade estão mudando, assim como as classes sociais que a compõem. A “nova classe c” da população é um público consumista e que movimenta o mercado. Agregado a isso, as residências estão ficando menores, necessitando de móveis que se encaixem nesses espaços. Com isso, abriu-se a possibilidade de criar uma mesa multifuncional para o uso residencial, objetivando este projeto. Com o referencial teórico foi possível salientar a importância do design industrial e como ele está inserido na vida das pessoas. Por meio de entrevistas com o público-alvo foi possível detectar algumas de suas preferências e necessidades. Para a orientação do projeto utilizou-se algumas etapas da metodologia projetual de Bruno Munari (1998), com a execução da coleta e análise de dados, a criatividade, modelos, os desenhos de construção e a solução. O projeto resultou em uma mesa simples, compacta e com materiais de qualidade, se encaixando em diversos ambientes da casa de forma harmônica, criativa e alegre.
ABSTRACT
The buying habits of society are changing, as well as the social classes that are part of it. The “new middle class” of the population is a consumer public that drives the market. Added to this, houses are getting smaller and they need furniture that fit in their spaces. That's why a possibility was opened to create a multifunctional table, the aim of this project. With a theoretical reference it was possible to emphasize the importance of industrial design and how it impacts people's lives. Through interviews with the target audience, it was found out some of their preferences and needs. The project orientation is guided by some steps from the project manegement methodology of Bruno Munari (1998), with an execution of the data collection and analysis, creativity, models, construction drawings and a solution. The study results in a simple compact table with high-quality materials. It fits in various rooms of the house in a harmonic, creative and cheerful way.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Produção Nacional do Setor ... 18
Figura 2: Móveis residenciais ... 19
Figura 3: Móveis para escritório ... 19
Figura 4: Móveis institucionais ... 20
Figura 5: cômoda criada por Ferrucio Laviani para a Montenapoleone... 22
Figura 6: Evolução cadeiras para escritório ... 22
Figura 7: Cadeira 214 de Michael Thonet ... 23
Figura 8: Etapas do processo de produção Cadeira 214 de Michael Thonet ... 23
Figura 9: Poltrona Wassily, Marcel Breuer ... 24
Figura 10: Chaise-longue de Le Corbusier, 1929. ... 24
Figura 11: Estante Target ... 25
Figura 12: Cube 6 de Naho Matsuno ... 26
Figura 13: Móvel Trick, de Sakura Adachi ... 28
Figura 14: Functional Table da BeConcept ... 28
Figura 15: Madeira maciça ... 30
Figura 16: Compensado laminado (ou multilaminado) comum ... 30
Figura 17: Compensado estrutural/aplicações pesadas ... 31
Figura 18: Compensado sarrafeado ... 31
Figura 19: Compensado blockboard ... 32
Figura 20: Madeira aglomerada (MDP) ... 32
Figura 21: Medium Density Fiberboard (MDF) ... 33
Figura 22: Oriented Strand Board (OSB) ... 33
Figura 23: Processo de conformação ... 35
Figura 24: Processos de melhoria ... 36
Figura 25: Processos de separação ... 36
Figura 26: Processos de união ... 37
Figura 27: Círculo cromático ... 39
Figura 28: Paleta de cores Pantone (2017) ... 40
Figura 29: Casa Cor Rio Grande do Sul ... 42
Figura 30: Casa Cor Rio Grande do Sul ... 42
Figura 32: Revestimentos com texturas de tecido e papel de parede ... 44
Figura 33: Porcelanatos marmorizados ... 44
Figura 34: Bricks cinza ... 45
Figura 35: Estilo cobogó ... 45
Figura 36: Revestimento ripado ... 46
Figura 37: Variáveis usadas em medidas da antropometria estática ... 48
Figura 38: As medidas do homem (vista frontal) ... 49
Figura 39: As medidas do homem (vista lateral) ... 49
Figura 40: As medidas da mulher (vista frontal) ... 50
Figura 41: As medidas da mulher (vista lateral)... 50
Figura 42: Dimensões adequadas para assentos ... 51
Figura 43: Sistema OWAS para o registro da postura... 52
Figura 44: Posições com maior e menor pressão ... 52
Figura 45: Móvel A- Mesa Multifuncional para Cozinha/ Escritório e Nichos Organizadores Elo ... 54
Figura 46: Móvel B- Mesa Para Computador com 2 Gavetas Multifuncional Movelbento .... 54
Figura 47: Móvel C- Mesa Multimóveis 5131600 Articulada ... 55
Figura 48: Móvel D- Lucy mesa parede dobrável ... 55
Figura 49: Móvel E- Tina Mesa Dobrável... 56
Figura 50: Móvel F- Mesa Dobrável para Notebook Tecno Mobili... 57
Figura 51: Móvel G- Conjunto Mesas Ninho Lateral de Apoio Centro – Formalivre ... 57
Figura 52: Profissão ... 61
Figura 53: Número de pessoas que residem na casa ... 62
Figura 54: Filhos ... 62
Figura 55: Parte da casa em que passa mais tempo ... 63
Figura 56: Recepção de amigos e/ou visitas ... 63
Figura 57: Rotina agitada ... 64
Figura 58: Mesa ... 64
Figura 60: Possuir escrivaninha, escritório ou local próprio para trabalho ou estudo... 65
Figura 62: Qualidade dos móveis no mercado ... 66
Figura 63: Padronização das cores dos móveis ... 67
Figura 64: Cores procuradas ... 67
Figura 66: Conhecimento dos móveis multifuncionais ... 68 Figura 67: Multifuncionalidade ... 70 Figura 68: Minimalismo ... 70 Figura 70: Alternativa 1 ... 72 Figura 71: Alternativa 2 ... 72 Figura 72: Alternativa 3 ... 73 Figura 73: Alternativa 4 ... 74 Figura 74: Alternativa 5 ... 74
Figura 75: Mesa CLÉ com tampo fechado ... 76
Figura 76: Mesa CLÉ com tampo aberto ... 76
Figura 77: Dobradiça invisível ... 77
Figura 78: Estrutura de metal ... 78
Figura 81: Combinações possíveis com o corpo branco ... 79
Figura 82: Chapas MDF ... 80
Figura 83: Estrutura de metal pronta ... 80
Figura 84: Montagem da mesa CLÉ ... 81
LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Informações do móvel A ... 54
Quadro 2: Informações do móvel B ... 55
Quadro 3: Informações do móvel C ... 55
Quadro 4: Informações do móvel D ... 56
Quadro 5: Informações do móvel E ... 56
Quadro 6: Informações do móvel F ... 57
Quadro 7: Informações do móvel G ... 57
Quadro 8: Análise Estrutural ... 58
Quadro 9: Análise Funcional ... 59
Quadro 10: Análise Morfológica ... 60
Quadro 11: Requisitos ... 69
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABNT- Associação Brasileira de Normas Técnicas BNDES- Banco Nacional do Desenvolvimento CBC- Comitê Brasileiro de Cores
EBC- Empresa Brasil de Comunicação S/A
EMPRAESP- Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IEA- Associação Internacional de Ergonomia
MDF- Medium Density Fiberboard (Painel de Fibras de Média Densidade) OSB- Oriented Strand Board (Painel de Tiras de Madeira Orientadas) SAE- Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República SEBRAE- Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ... 13 2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 15 2.1 DESIGN ... 15 2.1.1 Design de produto ... 17 2.1.2 Ambientes ... 20
2.1.3 Móveis e ambientes multifuncionais ... 21
2.1.4 Mesas multifuncionais ... 26
2.2 MATERIAIS ... 29
2.2.1 Processos de fabricação e transformação ... 34
2.2.2 Cores ... 37 2.3 TENDÊNCIAS ... 39 2.3.1 Tendência de cores ... 40 2.3.2 Materiais ... 41 2.3.3 Revestimentos ... 43 2.4 ERGONOMIA ... 46 2.4.1 Antropometria ... 47 3 RESULTADOS ... 53
3.1 ANÁLISE DE PRODUTOS EXISTENTES ... 53
3.1.1 Análise Estrutural ... 58 3.1.2 Análise Funcional ... 59 3.1.3 Análise Morfológica ... 59 3.2 PESQUISA DE CAMPO ... 60 3.2.1 Análise de dados ... 61 3.3 CRIATIVIDADE ... 69 3.4 MODELOS ... 71 3.4.1 Escolha da alternativa ... 75 3.5 MEMORIAL DESCRITIVO ... 76 3.5.1 Protótipo ... 80 3.5.2 Desenhos técnicos ... 81 4 CONCLUSÃO ... 81 REFERÊNCIAS ... 83 APÊNDICES ... 87
1 INTRODUÇÃO
Segundo a EBC (2014), a classe média brasileira representa 54% da população. O estudo foi feito pela Serasa Experian em conjunto com o Instituto Data Popular e revela que a classe média, no ano de 2013, era composta por cerca de 108 milhões de pessoas que gastaram mais de R$ 1,17 trilhão e movimentaram 58% do crédito no Brasil. A pesquisa ainda revela que os maiores gastos foram com móveis, eletrodomésticos e utensílios domésticos, passando de 22,8%, em 2002, para 32,18%, em 2010. A pesquisa ainda divide esse grupo em outras quatro categorias: os promissores, os batalhadores, os experientes e os empreendedores. Nesse mesmo estudo definiu-se que:
Os promissores totalizam 14,7 milhões de pessoas, 19% da classe média, e formam um grupo composto por jovens, com média de idade de 22,2 anos, com maioria de solteiros (95%), 59% têm ensino médio completo e 57% com emprego formal. Entre os promissores, 72% acessam a internet e 51% admitiram que se descontrolam financeiramente. Esse grupo é responsável por um consumo de R$ 230,8 bilhões e seus membros são mais propensos em gastar em beleza, veículos, educação, entretenimento, itens para casa e tecnologia.
Os batalhadores são 39% da classe média, com 30,3 milhões de pessoas, idade média de 40,4 anos e 48% com ensino fundamental completo. Os solteiros somam 72%, e aqueles que têm registro profissional com carteira assinada são 49%. Os que acessam a internet são 41%. Por ano este grupo consome R$ 388,9 bilhões, usando o crédito focado em prioridades vinculadas ao bem-estar familiar.
Os experientes são cerca de 20,5 milhões de pessoas, o que representa 26% da classe média, com consumidores com idade média de 65,8 anos. Entre eles, 41% são viúvos, 36% autônomos e apenas 7% com acesso regular à internet. Do total, 59% têm ensino fundamental completo e 31% não têm instrução. Nesse grupo o consumo anual é R$ 274,0 bilhões e está relacionado ao turismo nacional, eletroeletrônicos, serviços de saúde, móveis e eletrodomésticos.
Os empreendedores são 16% da classe média, com 11,6 milhões de pessoas, formando um grupo mais escolarizado que os demais: 42% estão cursando ou já concluíram o ensino médio e 19% o ensino superior. Nesse perfil 60% acessam a internet e a idade média é 43 anos. Os que têm emprego formal são 43%. Este é o grupo que apresenta maior renda per capita e seu consumo anual é R$ 276 bilhões. Os principais investimentos são em educação, eletroeletrônicos, turismo internacional, tecnologia, veículos e entretenimento. (EBC, 2014).
Esse aumento do consumo pela classe C se deu, segundo a SAE (2012), principalmente por consequência do crescimento das ofertas de emprego, o reajuste no salário mínimo, o acesso ao crédito e os programas sociais do governo. Diante destes fatos, essa classe da população passou a ser chamada de “a nova classe C”. O perfil socioeconômico dessa classe mudou, o que acaba influenciando diretamente na hora da compra e da escolha por produtos que melhor os atendem.
Segundo Oliveira (2011) acontece hoje a transição de um mercado dividido em produtos de luxo e produtos populares, para um mercado que se direciona ao “novo consumidor da classe C”. Portanto, é preciso se atentar às necessidades desse tipo de
consumidor. Em entrevista à Delas Casa (2011), Edson Busin, gerente de marketing do Grupo Unicasa, ressalta que a classe C entendeu que a melhor opção é ter um móvel planejado, que seja funcional, “tenha uma estética bacana e caiba no seu bolso”.
Neste contexto, o tema abordado será multifuncionalidade, pois no mercado moveleiro ainda há poucas opções que atendam os requisitos desse tipo de produto, onde o móvel estará inserido no ambiente residencial, local que precisamos de organização e harmonia, seja na sala, dormitórios ou escritório. O móvel terá a função de se encaixar facilmente nesses ambientes, tanto pelos seus traços quanto pela sua função. O público alvo serão os indivíduos da nova classe C, compreendendo todas as idades.
Segundo Mehl, (2014), os imóveis estão cada vez menores e com espaços integrados, o que faz com que os móveis tenham que se adaptar a essa realidade, sendo necessária a versatilidade e funcionalidade dos mesmos. A rotina, o perfil e a cultura em que estão inseridas as pessoas da nova classe C também mudaram com o passar do tempo, fazendo com que esse público opte por produtos diferenciados e que atendam suas necessidades.
O objetivo geral deste projeto é desenvolver uma proposta de mesa multifuncional para uso residencial, sendo que, os objetivos específicos são: pesquisar as tendências em mobiliário; analisar os mobiliários multifuncionais existentes no mercado; levantar as necessidades dos consumidores de produtos multifuncionais e da classe c; analisar questões ergonômicas para esse tipo de mobiliário; realizar análises de materiais de baixo custo.
A estrutura deste trabalho está organizada em cinco capítulos, sendo que o primeiro capítulo aborda a contextualização da temática, os objetivos gerais e específicos além de fazer uma abordagem sobre a classe média da população no que se refere a aspectos econômicos, sociais e culturais.
O segundo capítulo é constituído pela fundamentação teórica, fazendo inicialmente uma abordagem sobre design, design industrial, móveis e ambientes multifuncionais e mesas multifuncionais. Na sequência foram tratadas questões de ergonomia e suas aplicações. Por fim, foi realizado um estudo de tendências em cores, materiais e revestimentos.
No terceiro capítulo são apresentados os resultados da pesquisa com o público consumidor, análises acerca dos produtos similares, geração de alternativas, memorial descritivo e protótipo.
No quarto capítulo apresenta-se a conclusão do trabalho expondo os resultados obtidos, as considerações finais, seguida das referências bibliográficas e apêndices.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 DESIGN
O design é uma área muito abrangente, podendo ser encontrado nos mais diferentes lugares e inserido dos mais diferentes meios. Segundo Cardoso (2008), a palavra design se origina do latim Designare, que tem como significado projetar, abrangendo a significação de atribuir, conceber, designar. Para Heskett (2008), o design engloba diversas áreas e possibilidades, sendo um dos aspectos básicos no que se diz respeito a ser um ser humano, pois ele acaba influenciando e interferindo na qualidade de vida das pessoas. Isso acaba afetando tudo e todos, das mais diferentes formas, aspectos e demais coisas que as pessoas fazem durante seu dia. Já Manzini e Vezzoli (2002, p. 18) apresentam a seguinte opinião:
Como se sabe, em sua acepção mais abrangente (correspondente ao seu significado no vocabulário inglês), o termo design diz respeito ao conjunto de atividades projetuais que compreende desde o projeto territorial, também o projeto gráfico, passando ainda pelo projeto de arquitetura até os bens de consumo.
Sendo assim, o design pode ser entendido como a forma de comunicar uma ideia ou um conceito, buscando a solução de problemas. Segundo Denis (2000), o design trata-se, portanto, de uma atividade que gera projetos. É por meio dele que uma ideia é concretizada.
Seguindo essa perspectiva, Löbach (2001), define o design como sendo um processo de resolução de problemas que atende às relações do homem com seu ambiente. Dada essa relação do homem com o ambiente em que ele vive, é preciso adaptar este meio levando em consideração as necessidades do usuário. Segundo Bürdek (2006) o designer deveria se voltar a satisfazer as necessidades tanto individuais quanto sociais ou coletivas, destacando a importância de tais projetos para a sociedade. O autor evidencia que a criatividade faz parte deste processo, sobre design e criatividade Bürdek (2006, p. 225) destaca:
Um processo criativo ele é, sem dúvida. A configuração não se dá em um ambiente vazio, onde se brinca livremente com cores, formas e matérias. Cada objeto de design é o resultado de um processo de desenvolvimento, cujo andamento é determinado por condições e decisões – e não apenas por configuração. Os desenvolvimentos socioeconômicos, tecnológicos e especialmente os culturais, mas também os fundamentos históricos e as condições de produção técnica tem papel importante, assim como os fatores ergonômicos ou ecológicos com seus interesses políticos e as exigências artístico-experimentais. Lidar com o design significa sempre refletir as condições sob as quais ele foi estabelecido e visualizá-la em seus produtos.
De fato, o profissional de design precisa saber lidar com diversos fatores externos e pessoais. A criatividade é algo inerente no ser humano, mas nem todos conseguem desenvolve-la, é por isso que esse fator pessoal é de extrema importância quando levamos em consideração a criação de produtos. Seguindo essa linha, o designer precisa lidar com o gosto pessoal do cliente, refletindo e considerando as condições do usuário e como tal projeto será visto e sentido por ele. O profissional também depende das tecnologias existentes, dos materiais disponíveis no mercado, de fatores econômicos e sociais que, muitas vezes, delimitam o processo de criação. Todos esses pontos convergem. Gurgel (2014, p. 25), aponta que:
Chamamos de design a arte de combinar formas, linhas, texturas, luzes e cores para criar um espaço ou objeto que satisfaça três pontos fundamentais: a função, as necessidades objetivas e subjetivas dos usuários e a utilização coerente e harmônica dos materiais.
Segundo Löbach (2001), devemos levar em consideração a significação do design através das perspectivas do usuário, do fabricante, do crítico e do designer, pois cada um possui uma visão diferente no que diz respeito ao seu significado. O usuário pode não ter muito conhecimento sobre o que realmente é design, adquirindo aquilo que necessita sem se interessar pelo significado. O fabricante possui uma visão mais voltada para a área comercial e econômica, vendo o design como uma forma de atrair compradores e otimizar os valores de uso dos produtos comercializados. Já o crítico enxerga o design como sendo voltado à venda e ao capitalismo com a exploração do empregado. Por fim, o designer que vê o design como sendo “um processo de resolução de problemas atendendo às relações do homem com seu ambiente técnico” (LÖBACH, 2001, P. 14).
Fazendo um apanhado histórico, Denis (2000) afirma que o primeiro emprego da palavra designer ocorreu no século 17, registrado pelo Oxford English Dictionary.. Apesar disso, a palavra não teve o seu uso muito frequente até o século 19, quando começou a ter uma aplicação voltada para a área profissional primeiramente na Inglaterra e depois se espalhando para outros países. Desde então a profissão não parou de crescer e se tornar cada vez mais conhecida pela a população.
O design acaba buscando a qualidade dos projetos por meio de seus ciclos, processos ou serviços, sejam no meio digital, gráfico, industrial, na moda ou nos demais campos específicos que abrangem a área do design. No presente trabalho, a abordagem é direcionada ao design de produto, com ênfase no design de móveis.
2.1.1 Design de produto
Dentro do design podemos destacar a importância do uma área que se insere nele: o design industrial. Segundo Löbach (2001), por design industrial podemos entender toda a atividade que busca transformar as ideias em produtos passíveis de fabricação a fim de atender as necessidades físicas e psíquicas de um indivíduo ou de um grupo. É o caso dos móveis fabricados para estarem presentes na nossa casa, escritórios, nas escolas e nos demais ambientes.
Neste contexto, o design de móveis é, segundo Barroso (2007), o responsável pela criação de produtos para a indústria moveleira, desempenhando um papel cada vez mais importante. Essa obrigação de adaptar os produtos às necessidades físicas e psicológicas do usuário vem crescendo, fazendo com que os móveis não tenham apenas conceitos estéticos, mas também de funcionalidade. É o que vem ocorrendo com o mobiliário residencial que ao decorrer da história já passou por diversas fases, conceitos e estilos. São neles que as pessoas dormem, se alimentam, usam seu tempo de lazer e realizam diversas atividades do dia-a-dia.
Para Löbach (2001), é necessário que o designer industrial elabore soluções novas para os produtos, tendo capacidade intelectual para juntar informações técnicas e experiências vividas para resolver os problemas de forma criativa, original e superando a competitividade e exigências do mercado.
O design de móveis possui grande importância no mercado, sendo destacado por Fiorin (2013) como elemento fundamental responsável pelo desenvolvimento das indústrias do setor, agregando identidade e personalidade aos produtos e às empresas. Isso faz com que eles se diferenciem dos demais, incorporando qualidades percebidas pelo consumidor. Esses diferenciais nos produtos faz com que a economia se movimente podendo atrair novos públicos ou fazer com que os já adeptos queiram adquirir novos itens.
O design contribui para a “elevação da taxa de exportação na medida em que desenvolve produtos que ofereçam um nível de qualidade e desempenho percebido como superior” (SEBRAE 2015), sendo que “o Brasil exporta, anualmente, cerca de US$ 290 milhões em móveis de madeira” (SEBRAE 2017). A produção nacional do setor (Figura 1) destaca que os meses de outubro e novembro apresentam maiores volumes de produção.
Figura 1: Produção Nacional do Setor
Fonte: Sebrae (2017)
Segundo o BNDES (2007), a indústria moveleira é muito ampla e se classifica por meio da matéria-prima em que os móveis são confeccionados, onde, segundo o SEBRAE (2017), 84,5% da matéria prima usada é a madeira, 8,8% é o metal, 2,3% são materiais para fabricação de colchões e outros 4,4% são utilizados na fabricação de produtos para diferentes fins, tais como: móveis residenciais (67,7%), móveis para escritório (16,3%), colchões (6,9%) e outros (9,1%). Eles são classificados também conforme suas categorias de uso, sendo: residencial (Figura 2), escritório (Figura 3) e institucional (Figura 4).
Como exemplo de móveis residenciais podemos citar aqueles que encontramos em nossas casas (mesas, cadeiras, sofás, camas, prateleiras). Eles compreendem os móveis que se fazem presentes em salas, cozinhas, quartos, entre outros cômodos da casa. Nos móveis para escritórios podemos citar aqueles que encontramos nas empresas ou em locais de trabalho, adequando as características do móvel para aquele local (mesas ou escrivaninhas, cadeiras, gaveteiros, entre outros). Os móveis institucionais são aqueles encontrados em locais considerados públicos e com maior circulação de pessoas, é o caso de escolas, hospitais, hotéis, entre outros.
Figura 2: Móveis residenciais
Fonte: Todeschini (2017)
Figura 3: Móveis para escritório
Figura 4: Móveis institucionais
Fonte: Sique Móveis Tubulares Institucionais (2017)
2.1.2 Ambientes
Como podemos ver, os móveis se inserem no meio residencial, em escritórios ou em ambientes institucionais, sendo necessário adequar cada um conforme o ambiente que o integra. Para melhor entender o que são ambientes Ferreira (1975) conceitua como sendo “o espaço, arquitetonicamente organizado e animado, que constitui um meio físico e psicológico, especialmente preparado para o exercício de atividades humanas”. Entende-se, portanto, que ambiente é todo lugar onde o ser humano realiza suas atividades, em especial, neste projeto, o ambiente residencial e o novo conceito dos espaços reduzidos que estão se tornando cada vez mais comuns nas habitações.
Neste contexto, para Gurgel (2014) a composição dos elementos de design vai depender da função para qual o ambiente foi projetado, sendo necessário ter conhecimento das atividades que ali serão executadas, sabendo avaliar as necessidades de cada ambiente e suas funções.
Segundo Folz (2003), com o passar dos anos as plantas das habitações sofreram modificações, principalmente nas classes mais baixas da população. Na Europa, por exemplo, as habitações populares na era da revolução industrial (final do século XVIII) eram precárias, com muitas pessoas ocupando o mesmo espaço, sem preocupações com luz ou até mesmo circulação de ar. Essa população era composta basicamente pela classe operária. No século seguinte, o interior das casas era composto por poucos móveis e objetos, contendo somente o necessário, além de haver habitações subterrâneas compostas somente por um cômodo.
No Brasil, segundo Folz (2003), no final de século XIX até a década de 1930 houve uma expansão das cidades por conta das atividades econômicas. Nessa época ainda não havia os programas para financiamento da casa própria, obrigando os trabalhadores a morarem em casas de aluguel com preço variando conforme a habitação escolhida. A mais comum delas, os cortiços, continham poucos cômodos, basicamente com quarto e cozinha e sanitários nos fundos. Nas décadas seguintes o governo teve uma preocupação maior com essa classe da população, criando programas de incentivo à compra da casa própria.
Atualmente, “a perda crescente do poder de compra dos assalariados tem levado à construção e à aquisição de moradias cada vez menores” (FOLZ, 2003), segundo o IBGE (2007) 72% dos lares têm renda per capita de até dois salários. O número de pessoas que moram sozinhas também influencia no tamanho das residências, segundo dados do IBGE (2014), a quantidade de pessoas que vivem sozinhas atingiu 14,4% da população. Um levantamento feito pela Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário do Rio (2013) aponta que, em 10 anos, a metragem dos apartamentos de um e quatro quartos diminuíram em 29%. Nos outros tipos, as reduções vão de 17,9% (dois dormitórios), a 8,5% (três dormitórios). Segundo a pesquisa, o metro quadrado foi valorizado, sendo necessário diminuir o tamanho do imóvel para assim ter uma viabilidade econômica para o consumidor. Assim foi possível introduzir um novo conceito e estilo nos ambientes e na vida da sociedade.
2.1.3 Móveis e ambientes multifuncionais
Com o passar dos anos o estilo de vida das pessoas foi mudando e, assim como ele, os conceitos dos móveis e as características dos ambientes também. Podemos perceber a evolução do mobiliário no que se referem a estilos, formas, cores e materiais. Como exemplo, podemos citar a cômoda criada por Ferrucio Laviani para a Montenapoleone, a peça mostra,
no sentido horizontal, a evolução do mobiliário. (Figura 5) Ou, ainda, podemos destacar a evolução de algumas cadeiras para escritório (Figura 6).
Figura 5: cômoda criada por Ferrucio Laviani para a Montenapoleone
Fonte: Janete Krueger (2012)
Figura 6: Evolução cadeiras para escritório
Fonte: Mundo Ergonomia (2014)
Na medida em que o design foi se desenvolvendo e se inserindo na sociedade vários conceitos e estilos inovadores foram surgindo, tanto no que se refere a produtos, quanto nos processos que os envolvem, fazendo parte da cultura da população. Para Denis (2000), um
grande marco na área do mobiliário se deu durante a Revolução Industrial com a produção da cadeira 214 de Michael Thonet (Figura 7). As então “cadeiras da vovó” revolucionaram o sistema de produção da época, pois ganharam um formato curvilíneo por meio de um processo de aquecimento e molde de madeira (Figura 8).
Figura 7: Cadeira 214 de Michael Thonet
Fonte: Revista Casa e Jardim (2017)
Figura 8: Etapas do processo de produção Cadeira 214 de Michael Thonet
Fonte: Michael Thonet (2017)
Seguindo um apanhado histórico sobre estilos e conceitos da história do design e da sociedade, segundo Gurgel (2014), a escola Bauhaus, criada em 1914 na Alemanha, pregava
um design mais rígido e limpo, acabando com qualquer forma de ornamento (Figura 9). Em 1925 uma nova concepção espacial é criada pelo arquiteto Le Corbusier (Figura 10) que buscava apanhar um novo conceito de morar, ligado à era da máquina. No pós-guerra estabeleceu-se o estilo modernista, acrescentando novas formas ao mobiliário com novas tecnologias e materiais.
Figura 9: Poltrona Wassily, Marcel Breuer
Fonte: Gizmodo Brasil (2012)
Figura 10: Chaise-longue de Le Corbusier, 1929.
Fonte: Miriam Gurgel (2014)
Esses vários estilos e conceitos foram fundamentais para a construção da história do design, sendo que um desses novos conceitos foi o dos móveis e ambientes multifuncionais que se adaptam à rotina das pessoas da melhor forma possível e de acordo com as suas necessidades, acrescentando outras funções àquela já pressuposta.
Esse estilo de vida, para Mehl (2014), vem mudando a aparência dos ambientes domésticos, que estão se tornando menores, porém estão mais versáteis, ergonômicos e funcionais, fazendo com que os ambientes sejam repensados. Esses conceitos e estilos que surgem acabam por despertar o interesse do consumidor, fazendo com que o design não sirva apenas para satisfazer as necessidades das pessoas, mas também despertar essas necessidades que até então o consumidor não sabia que tinha.
Soares e Nascimento (2008, p. 71) destacam:
Seguindo essa tendência de espaços menores, o mobiliário teve que adaptar-se às necessidades do ambiente e diminuíram de tamanho. Os móveis para esse tipo de moradia devem apresentar conceitos como praticidade e multifuncionalidade para o aproveitamento do pouco espaço disponível.
Seguindo esse conceito, a agência WGSN, (empresa de tendências de consumo), apresentou em 2015 o chamado “Mobile Furniture Lifestyle”, onde, “mantendo o pensamento moderno de que podemos ter qualquer coisa a qualquer momento, móveis modulares e multifuncionais permitem que consumidores vivam em ambientes que se transformam a cada instante” (WGSN, 2015). É o caso da estante da Target (Figura 11), onde ela pode se transformar em uma banqueta a qualquer hora, otimizando espaço.
Figura 11: Estante Target
Fonte: Target (2017)
Outro exemplo que podemos dar é a criação da Cube 6, do designer Naho Matsuno (Figura 12). Aparentemente a peça parece ser apenas um cubo, porém essa ideia muda
quando descobrimos que ele esconde seis cadeiras. A solução inovadora ocupa pouco espaço nos ambientes e se transforma para acomodar mais pessoas.
Figura 12: Cube 6 de Naho Matsuno
Fonte: Dezeen (2017)
A multifuncionalidade pode ser encontrada em vários tipos de mobiliário. Seja em mesas, cadeiras ou estantes, cada um apresenta formas diferenciadas e atendem às mais diversas funções. A proposta a ser desenvolvida no presente trabalho visa utilizar a multifuncionalidade a fim de promover uma solução de mesa para espaços reduzidos, favorecendo a interação com o usuário bem como a facilidade na hora de sua utilização, se encaixando ainda em diversos ambientes da casa, não apenas em um cômodo específico.
2.1.4 Mesas multifuncionais
Seja para realizar refeições, trabalhar, estudar ou apenas vivenciar momentos de lazer, a mesa é uma peça fundamental no nosso cotidiano. Ela se encontra nas mais variadas formas e materiais, onde podemos citar alguns exemplos: mesas de cozinha, mesas de centro, mesas de estudo, podendo possuir cadeiras, bancos, banquetas, entre outros.
Segundo Bürdek (2006), a origem de produtos que possuem função pode ser encontrada até nos tempos ancestrais, é o caso de Vitruvius¹ (cerca de 80-10 AC), onde uma frase do seu livro também se inseriu na história do design: “Toda construção deve obedecer três categorias: a solidez, a utilidade e a beleza”.
Em várias fases da história o ambiente foi perdendo espaço para o mobiliário, sendo esse o destaque da época, em outros anos, ocorreu o contrário, sendo o ambiente a área de destaque, assim como coloca Bürdek (2006, p.19):
Siegfried Giedion (1987) constatou, de forma explícita, que um ambiente na Idade Média sempre parecia arrumado: mesmo quando não continha nenhuma peça de mobiliário parecia vazio, expressava-se pelas suas proporções, seus materiais e forma. Na época do Empire (cerca de 1790-1830) estabeleceu-se um movimento que teve seu ponto alto, na medida em que o mobiliário era concebido de forma a se tornar parte do ambiente. A perda de expressão dos ambientes foi percebida novamente pelos arquitetos e designers da Bauhaus no século 20. Eles projetaram então moveis com presença reduzida, de forma a novamente atrais atenção para os ambientes.
Com o passar do tempo, os estilos e o cenário cultural foram se modificando, assim como os espaços nas residências. As mesas, antes com materiais e tecnologias reduzidas tornavam-se limitadas no que se refere às formas e funções. Nos dias de hoje podemos encontrar diversos materiais e tecnologias disponíveis, abrindo novas portas ao design. É o caso das mesas multifuncionais encontradas hoje no mercado.
Com o móvel Trick, da designer japonesa Sakura Adachi, podemos encontrar uma função três em um, sendo elas: cadeiras, mesa e estante. Com essa combinação ela pode ser usada tanto como mesa para refeições quanto para trabalho, estudos e lazer, ocupando um espaço reduzido. (Figura 13).
___________________
¹Vitruvius (cerca de 80-10 AC) foi um artista e engenheiro/construtor romano. Seus “Des livros sobre arte e construção” são um dos primeiros e mais completos trabalhos sobre regras de projeto e da configuração. (BÜRDEK, 2006).
Figura 13: Móvel Trick, de Sakura Adachi
Fonte: Revista Casa e Jardim (2011)
Com a Functional Table da BoConcept (Figura 11), podemos encontrar uma mesa de centro que possui funções integradas como: guardar objetos, fazer pequenas refeições e trabalhar.
Figura 14: Functional Table da BeConcept
Podemos perceber que os móveis estão presentes na nossa rotina e que a multifuncionalidade é um novo conceito que vêm ajudando as pessoas além de agregar valor ao design. Podemos constatar a necessidade de criar uma mesa que apresentasse tais características da multifuncionalidade, atendendo as necessidades do usuário, proporcionando harmonia ao ambiente.
2.2 MATERIAIS
Quando trabalhamos em um projeto é fundamental pensarmos no material em que o objeto ou o móvel será feito bem como nos processos de fabricação que serão necessários. “É necessário entendimento do mundo real de materiais e métodos de fabricação para criar produtos de sucesso” (LESKO 2012, p.16). Podemos encontrar os materiais classificados e divididos, segundo Lima (2006), da seguinte forma:
- Cerâmicos: Cerâmicas avançadas; Cerâmicas comuns e Vidros. - Metais: Ferrosos e não ferrosos
- Naturais: Fibras; Madeira; Minerais; Outros.
- Polímeros sintéticos: Termoplásticos; Termofixos e Elastômeros.
- Compósitos: Cerâmicos + metais; cerâmicos + naturais; cerâmicos + polímeros; metais + polímeros; naturais + polímeros e polímeros + polímeros.
Um “Material natural é todo aquele extraído pelo homem da natureza, de forma planejada ou não, sendo que para a sua utilização artesanal ou industrial não tenha havido modificações profundas em sua constituição básica” (LIMA 2006, p. 85). Segundo Lima (2006), no grupo dos materiais orgânicos de fonte animais encontramos a seda, a lã, a pérola e o couro. No grupo de fonte vegetal temos as fibras de algodão, o cânhamo, linho, o sisal, as madeiras, o bambu e o âmbar (orgânico vegetal). No grupo dos materiais inorgânicos encontramos os mármores, granitos e pedras preciosas. No presente trabalho, vamos dar enfoque à madeira, material mais utilizado no mobiliário residencial.
Segundo Lima (2006), podemos encontrar a madeira de forma maciça (tábuas e pranchões) (Figura 15), porém, com a atual demanda, as reservas florestais estariam esgotadas assim como questões ligadas à sua produtividade. Outro tipo encontrado são os derivados de laminados, compreendendo os laminados decorativos e os compensados. Como analisado por Lima (2006), o compensado (madeira compensada) consiste em sobrepor diversas chapas de madeira para que suas fibras fiquem perpendiculares entre si, isso confere rigidez, resistência
à flexão e estabilidade dimensional. Os compensados podem ser classificados pela sua constituição física: laminado ou multilaminado, sarrafeado ou um blockboard; ou pela sua aplicação: para uso interno, uso intermediário ou para uso externo.
Figura 15: Madeira maciça
Fonte: Studio Volanti (2015)
- Compensado laminado (ou multilaminado) comum (Figura 16): confeccionados com lâminas de madeiras nobres, não nobres e mistas (dependendo da sua aplicação), unidas por cola branca.
Figura 16: Compensado laminado (ou multilaminado) comum
Fonte: Studio Volanti (2015)
- Compensado estrutural/aplicações pesadas (Figura 17): confeccionados com lâminas de madeiras nobres, não nobres ou mistas para fabricação da indústria naval, indústria ferroviária e rodoviária. São unidas por cola fenólica ou melamínica.
Figura 17: Compensado estrutural/aplicações pesadas
Fonte: Madeiras Pinheiro (2017)
- Compensado sarrafeado (Figura 18): Confeccionado com sarrafos de madeiras mistas unidos por cola branca ou fenólica no miolo, cada lado é revestido por camadas laminares dispostas transversalmente. É indicado para fabricação de portas, porta de móveis, estantes, entre outros.
Figura 18: Compensado sarrafeado
Fonte: Studio Volanti (2015)
- Compensado blockboard (Figura 19): Confeccionado com lâminas na forma de tiras dispostas perpendicularmente em relação às duas lâminas de revestimento. É indicado para fabricação de portas de móveis e demais componentes que exijam resistência ao empeno e estabilidade dimensional.
Figura 19: Compensado blockboard
Fonte: Faganello Compensados (2017)
Podemos encontrar também um material feito de partículas, a madeira aglomerada, (também chamada MDP) (Figura 20) cujo material é “feito a partir das partículas do tecido lenhoso que são tratadas e reaglomeradas pela adição de resinas sintéticas termofixas” (LIMA 2006, p. 104) e ação de pressão e calor. Ela contribui no aproveitamento econômico da madeira diminuindo o uso de madeiras nativas. É indicada para fabricação de móveis modulares residenciais ou de escritório e divisórias.
Figura 20: Madeira aglomerada (MDP)
Fonte: Studio Volanti (2015)
Outro material encontrado é o Medium Density Fiberboard (MDF) (Figura 21), sendo fabricado, segundo Lima (2006), a partir das fibras das partículas do tecido lenhoso que são tratadas e reaglomeradas adicionando resina sintética e ação de pressão e calor. Assim como a madeira aglomerada, também é uma grande aliada no que se refere ao aproveitamento da madeira e sua relação com o ambiente. É normalmente utilizado em mobiliário em geral, principalmente portas, tampos de mesa, gavetas, etc.
Figura 21: Medium Density Fiberboard (MDF)
Fonte: Studio Volanti (2015)
A madeira reconstituída, segundo Lima (2006), é feita de fibras vindas do tecido lenhoso que são tratadas e reaglomeradas com vapor e alta pressão por autoclave e resina sintética ou apenas lignina contida na madeira original. É muito utilizada na indústria moveleira, em brinquedos, escritórios, divisórias, ônibus, artigos escolares, entre outros. “Podemos dizer que tanto o aglomerado como o MDF também são considerados como madeiras reconstituídas.” (LIMA 2006, p. 107).
Outro tipo de material existente é o Oriented Strand Board (OSB) (Figura 22), formado, segundo Lima (2006), pela aglomeração de camadas de lascas ou fragmentos laminares de madeira reflorestada unidas com colas à base de resina fenólica, uréia-formol e melamina sob a ação de temperatura e pressão. Seu custo e aparência são um diferencial desse tipo de material, sendo encontrado principalmente em paredes e forros, carrocerias de caminhões, como estrutura de móveis, sofás, decoração, entre outros.
Figura 22: Oriented Strand Board (OSB)
Fonte: Arte da Marcenaria Moderna (2017)
Segundo Lima (2006), os metais já eram utilizados desde 5000 a 4000 a.C principalmente na fabricação de adornos, utensílios, ferramentas e armas e se dividem em
metais ferrosos (predominância do ferro em sua composição), onde podemos encontrar o ferro fundido e demais tipos de aços; e não ferrosos que “indicam o grupo de metais nos quais a presença do elemento ferro é muito pequena em sua composição” (LIMA 2006, p. 50), onde podemos encontrar, segundo Lesko (2012), o alumínio, o cromo, o ouro, o bronze, o latão, a prata, o cobre, o zamak e o titânio.
Segundo Lima (2006), as cerâmicas são materiais inorgânicos não metálicos e se originam do aquecimento da mistura de certas matérias primas. Os cerâmicos são classificados principalmente pelo grau de vitrificação (classificadas em: brancas, estruturais, refratários, esmaltes e vidros) e pela aplicação do produto final (classificadas em: cerâmica vermelha, materiais de revestimentos, cerâmica branca, refratários, isolantes térmicos, cerâmicas avançadas, fritas e corantes e vidros).
Segundo Lima (2006), os polímeros sintéticos são divididos em: Termoplásticos Termofixos e Elastômeros, sendo que, dentro de cada um deles estão listados diversos polímeros usados na fabricação de utensílios, objetos, componentes, entre outros. Segundo Lesko (2012), o termo polímero deriva do nome grego para “muitas partes”, pois suas moléculas são compostas de unidades repetidas. Segundo Negrão e Camargo (2008) os polímeros são materiais com baixo custo de produção, possuem resistência, menor peso e é muito versátil, mas em contrapartida, leva mais tempo para se degradar. Além disso, a cada dia novos polímeros surgem para incrementar esse grupo.
Um compósito “é o resultado da união de dois (ou mais) materiais distintos que, por consequência, resulta no somatório das diferentes propriedades, o que lhe confere desempenho superior ao que estes materiais, separadamente, não conseguiriam atingir” (LIMA 2006, p. 16), por exemplo, a junção de cerâmicos + metais (vidro+ tela metálica) ou naturais + polímeros (resina poliéster + MDF), entre outras combinações.
De acordo com Negrão e Camargo (2008), cada material possui suas propriedades mecânicas, térmicas, químicas e óticas, a escolha do material adequado para a fabricação de um produto é de extrema importância a fim de conseguir excelência em qualidade e estética.
2.2.1 Processos de fabricação e transformação
Cada material necessita de um processo de fabricação ou de transformação adequados, respeitando suas propriedades. Neste contexto, esses processos foram divididos em quatro grupos, sendo eles, segundo Lima (2006): conformação, melhoria, separação e união.
Lima (2006) afirma que a conformação é a categoria onde o material é submetido a algum tipo de esforço ou ação que venha a alterar sua geometria inicial. Para Lesko (2012), o processo de conformação pode ocorrer com a matéria na forma líquida, plástica ou sólida, com ou sem a ação do calor (Figura 23).
Figura 23: Processo de conformação
Fonte: LIMA (2006, p.22)
Os processos de melhoria (Figura 24) também são chamados de acabamentos e ‘’buscam o aprimoramento do aspecto final visual e /ou tátil de uma peça, conjunto ou do produto pronto”. (LIMA 2006, p. 23)
Figura 24: Processos de melhoria
Fonte: LIMA (2006, p. 23)
Segundo Lima (2006), o processo de separação (Figura 25) envolve a subtração de parte da matéria-prima que está sendo trabalhada.
Figura 25: Processos de separação
Os processos que envolvem a união (Figura 26) são os que visam “juntar, fixar, duas ou mais partes para obtenção de componentes, conjuntos ou do próprio produto final”. (LIMA 2006, P. 25). Tal processo é fundamental, pois, de acordo com Lesko (2012), a maioria dos produtos existentes são montagens, necessitando de processos que unam os diferentes materiais que vão fazer parte do produto.
Figura 26: Processos de união
Fonte: LIMA (2006, p. 25)
2.2.2 Cores
Segundo Farina (1990), a palavra “cor”, na antiga Roma, chamava-se “Color”, para os franceses era “couleur”, para os espanhóis “color” e, para os italianos “colore”, “tudo para expressar uma sensação visual que nos oferece a natureza através dos raios de luz irradiados em nosso planeta” (FARINA 1990, p. 21). Para Pedrosa (1982, p. 17):
A cor não tem existência material: é apenas sensação produzida por certas organizações nervosas sob a ação da luz – mais precisamente, é a sensação provocada pela ação da luz sobre o órgão da visão. Seu aparecimento está condicionado, portanto, à existência de dois elementos: a luz (objeto físico, agindo como estímulo) e o olho (aparelho receptor, funcionando como decifrador do fluxo luminoso, decompondo-o ou alterando-o através da função seletora da retina).
Silva (2000) define que as cores possuem significados diferentes e podem se relacionar com sentimentos, experiências vividas e acontecimentos, ações ou com ambientes. Nesse contexto, as cores podem se tornar uma grande aliada no desenvolvimento de projetos se tornando uma forma de conquistar o cliente visualmente e atendendo suas necessidades psicológicas. Para GURGEL (2007, p. 47) “usar as cores a favor dos usuários, e não contra eles, deve ser o alvo de qualquer projeto de interiores”. Segundo Farina (1990), uma composição pode ser equilibrada ou desiquilibrada dependendo das cores contidas nele. O equilíbrio vem das sensações que as cores provocam, sendo necessário adequar cada uma delas de acordo com o espaço a ser ocupado.
Silva (1995) afirma que o estudo das cores é essencial na ergonomia no que se refere à adaptação do ambiente ao trabalho, podendo influenciar de forma positiva, proporcionando bem-estar, saúde e segurança aos usuários.
Neste contexto, é essencial definir as cores adequadas para cada ambiente, por isso faz-se necessário utilizar ferramentas que auxiliem nessa escolha, a fim de conseguir uma harmonização. Segundo Pedrosa (1982, p. 143):
Desde suas origens grega e latina, o termo harmonia foi bastante impreciso, significando proporção, ajustamento e arranjo. Só bem mais tarde ganharia um sentido definido: disposição bem ordenada das partes de um todo. “Quando mesmo dentro da tonalidade percebem os elementos que a integram, cabe dominá-la harmonia” (Goethe). Estas partes poderão estar em repouso (acordes- harmonia em repouso) ou desencadeadas (harmonia em movimento).
Complementando a ideia de Pedrosa (1982), Gurgel (2012) afirma que nos esquemas harmônicos as cores não competem entre si e no contrastante as cores se encontram opostas ao círculo cromático². (Figura 27)
___________________
²O círculo cromático é composto por doze cores: amarelo, azul e vermelho (cores primárias), laranja, violeta e verde (cores secundárias) e seis cores terciárias vindas das misturas das cores secundárias . É uma ferramenta usada para o estudo de cores e escolha adequadas destas. (PEDROSA, 1982).
Figura 27: Círculo cromático
Fonte: TodaMatéria (2016)
2.3 TENDÊNCIAS
Segundo Caldas (2013), o termo tendência deriva do latim “tendentia”, significando “tender para”, “inclinar-se para” ou ser “atraído por”, tendo pouco uso até o século XVII. Segundo Caldas (2013), o conceito que mais se expandiu foi “aquele ligado a construir uma visão de futuro”, sempre acompanhando esse jogo de “hoje e amanhã”.
Numa sociedade cada vez mais complexa é necessário fazer previsões e planejamentos, obtendo assim experiências e controlando as mudanças. Para Oliveira (2006), entender as tendências é antes de tudo lançar um olhar amadurecido para o futuro, se dotando de observações criteriosas, pois tais definições podem influenciar um grupo de pessoas ou uma sociedade inteira.
Para Kotler (1998), tendência é uma orientação ou um processo contínuo que acontece em um dado momento e que assegura durabilidade. Podemos encontrar uma tendência no cenário da moda, em cores, inserido na beleza e até tendências de comportamento. Elas se originam com o passar do tempo e na medida em que a as tecnologias vão se desenvolvendo, novos materiais vão surgindo e a sociedade vai se modificando culturalmente. Segundo Kakuta, Ribeiro (2011, p. 1):
Se tendência é um movimento, isso sugere que é algo dinâmico, não estanque e nem imutável, ou seja, é um fenômeno que se processa na medida em que há o deslocamento de uma situação qualquer. Por exemplo: o fato de os brasileiros, em geral, serem apaixonados por futebol não é uma tendência, é uma realidade histórica. Mas se pudermos identificar que as mulheres estão se interessando mais por futebol, isso se constitui numa tendência.
Podemos dizer que tendência é um estilo, uma preferência ou um costume que marca determinada época podendo, muitas vezes, ser antecipadas a fim de analisar o sucesso ou o fracasso de um produto. É por esse motivo que uma análise de tendências é necessária para a realização do presente projeto, objetivando analisar as mudanças nos cenários socioculturais e comerciais.
2.3.1 Tendência de cores
O Instituto Pantone (2017) expôs a tendência de cores para o ano de 2017, as paletas podem ser usadas tanto para moda, beleza, produto e design gráfico. (Figura 28).
Figura 28: Paleta de cores Pantone (2017)
Segundo o Comitê Brasileiro de Cores³ (CBC) (2017), as tendências de cores e o que a sociedade deseja nos dias atuais podem ser divididos em três grupos de pessoas:
- Transformação: pessoas que sonham, possuem um mundo de fantasias muito desenvolvido. São pessoas românticas, que vivem com seus pais por muito tempo e não querem deixar de estudar. O perfil de cores para este público é caracterizado como cores líquidas, que variam entre o azul e o rosa, fluidas como a aquarela, dando um efeito sombré.
- Solarização: são pessoas preocupadas com o meio ambiente, esportistas, que gostam de aventuras e se interessam por carros grandes e rústicos. A tendência de cores para este público é o laranja, amarelo, vermelho, cobre, tons de areia. Cores que tem a ver com essa
naturalização
- Expansão: uma turma ligada à tecnologia, antenados na internet rápida, na praticidade do dia a dia, no computador mais sofisticado; são pessoas intelectualizadas que não compram
qualquer coisa e que preferem ter poucos itens, porém de qualidade. Os tons desse grupo são prata, aço, preto, sempre com toques de vermelho ou azul marinho.
2.3.2 Materiais
Segundo a EMOBILE (2017), a madeira é um dos destaques na Casa Cor Rio Grande do Sul⁴, como pode observar nas figuras 29 com a mesa, painel e teto de madeira e na figura 30 com detalhes de madeira compondo o ambiente. A madeira também foi destaque da Casa Cor São Paulo, onde podemos observar a mesa em madeira maciça e a estante com divisórias (Figura 31). Ela pode ser encontrada na arquitetura e decoração. Além de transmitir uma atmosfera acolhedora, a matéria-prima é uma alternativa neutra, aceitando vários estilos para a composição do ambiente.
___________________
³O CBC tem como objetivo fundamental a pesquisa e aplicações de cores à produção industrial brasileira e é composto por 30 especialistas que fazem um panorama nacional e internacional para chegar às cores tendências do momento, apresentadas através da Cartela de Cores CECAL
___________________
⁴A Casa Cor Rio Grande do Sul expõe projetos e soluções propostas pelos principais nomes de arquitetura, decoração e paisagismo do Rio Grande do Sul. No ano de 2017 o tema apresentado foi “Foco no Essencial”, o evento tem o objetivo de apresentar o que é mais essencial para viver bem em espaços tão diversos quanto os profissionais e visitantes. (EMOBILE 2017).
Figura 29: Casa Cor Rio Grande do Sul
Fonte: EMOBILE (2017) Figura 30: Casa Cor Rio Grande do Sul
Figura 31: Casa Cor São Paulo
Fonte: Casa Claudia (2017)
2.3.3 Revestimentos
Para o ano de 2017 podemos encontrar diversas tendências no que se refere à revestimentos. A Expo Revestir, feira que reúne os principais lançamentos entre revestimentos, louças e metais, deu destaque para revestimentos com texturas de tecido e papel de parede (Figura 32), porcelanatos marmorizados (Figura 33), bricks cinzas (Figura 34), estilo cobogó⁵ (Figura 35), e revestimento ripado (Figura 36).
___________________
⁵o cobogó foi criado no século XX em Recife, pelo engenheiro Antônio de Góes, o comerciante português Amadeu Oliveira Coimbra, e o empreendedor alemão Ernst August Boeckmann, cujas iniciais de seus sobrenomes deram nome ao elemento. Inicialmente os blocos fazados eram feitos de concreto e hoje se encontram em diversos materiais. (BORBA 2012)
Figura 32: Revestimentos com texturas de tecido e papel de parede
Fonte: Nina Martinelli (2017) Figura 33: Porcelanatos marmorizados
Figura 34: Bricks cinza
Fonte: Nina Martinelli (2017)
Figura 35: Estilo cobogó
Figura 36: Revestimento ripado
Fonte: Casa Vogue (2017)
2.4 ERGONOMIA
Segundo Iida (1990), a ergonomia teve seu “nascimento” em 12 de Julho de 1949, onde cientistas e pesquisadores se reuniram na Inglaterra a fim de discutir e formalizar a existência dessa nova área do conhecimento. A palavra é formada pelos termos gregos ergo (trabalho) e nomos (regras, leis naturais) e tem como objetivo a adaptação do trabalho e, consequentemente, do ambiente ao homem, preservando sua integridade física, mental e social. A definição formal da Ergonomia adotada pela IEA (International Ergonomics Association), segundo Dul, Weerdmeester (2004, p. 1):
Ergonomia (ou fatores humanos) é uma disciplina científica que estuda as interações dos homens com outros elementos do sistema, fazendo aplicações da teoria, princípios e métodos de projeto, com o objetivo de melhorar o bem-estar humano e o desempenho global do sistema.
A ergonomia é uma área muito ampla e suas aplicações são de extrema importância para a vida das pessoas, agindo diretamente na sua saúde física e cognitiva, melhorando o bem estar do indivíduo. Segundo Gomes Filho (2003, p. 17):
A ergonomia objetiva sempre a melhor adequação ou adaptação possível do objeto aos seres vivos em geral. Sobretudo no que diz respeito à segurança, ao conforto e a eficácia de uso ou operacionalidade dos objetos, mais particularmente, nas atividades e tarefas humanas. Nesse contexto, compreende-se a palavra objeto num sentido bem amplo e, portanto, significando produtos de uso em geral: máquinas, equipamentos, ferramentas, postos de trabalho, postos de atividades, ambientes, sistemas de comunicação e de informação, e assim por diante.
Com o surgimento do termo houve melhorias na vida cotidiana, onde podemos destacar sua aplicação em diversos locais de trabalho, tornando este mais adequado e seguro ao trabalhador; mais segurança e conforto na área do mobiliário e utensílios domésticos, bem como os sistemas informatizados que estão mais eficientes, de fácil uso e entendimento do usuário. Neste contexto, segundo Munari (2001, p.342):
Muitas pesquisas e aplicações práticas são realizadas em vários setores: nos transportes públicos e nos lugares de condução e comando de qualquer veículo, a fim de melhorar as condições de segurança e reduzir acidentes; nos postos de trabalho; nos escritórios; setores urbanísticos, [...]
No presente trabalho, o papel da ergonomia é facilitar o uso e manejo da mesa pelo usuário fazendo com que ele execute tal atividade de maneira segura e sem esforço físico inadequado.
2.4.1 Antropometria
A principal aplicação da ergonomia ocorre através do uso da antropometria e da captura de dados antropométricos, que, de acordo com Lawson (2013) determina as medidas da mobília e ergonomia em assentos. Segundo Moraes e Mont’Alvão (2009), uma das áreas do ergonomista compreende as características antropométricas, envolvendo a altura, larguras e comprimentos dos diferentes segmentos corporais. “A antropometria é a ciência que estuda as medidas do corpo humano (sobretudo as medidas lineares e periféricas), a fim de estabelecer diferenças e proporções entre indivíduos e grupos de indivíduos.” (GOMES FILHO, 2003, p. 72).
De acordo com Iida (1990) a antropometria diz respeito às medidas físicas do corpo humano, sendo importante destacar que essas medidas variam de acordo com o sexo, etnias, religiões e culturas. As medidas antropométricas são realizadas diretamente, tendo assim uma amostra de quem serão os usuários. Primeiro é preciso determinar os objetivos, definindo onde e para quê as medidas serão utilizadas, por isso é importante definir quem será o público
alvo, aplica-se assim a antropometria estática ou dinâmica. Ainda de acordo com Iida (1990), a antropometria estática é aquela em que as medidas se referem ao corpo parado ou com poucos movimentos. A antropometria dinâmica mede os alcances dos movimentos.
Segundo Iida (2003, p. 116) “uma das tabelas de medidas antropométricas mais completas que se conhece é a norma alemã DIN 33402 de junho de 1981”, nela encontramos 54 variáveis de medidas do corpo (Figura 37) (9 em pé, 3 sentado, 22 da mão, 3 dos pés e 7 da cabeça).
Figura 37: Variáveis usadas em medidas da antropometria estática
Fonte: Iida (2003, p. 118)
Visto que a mesa será manejada por adultos de todos os sexos, iniciando com a classe dos Promissores (média de 22,2 anos de idade), definido anteriormente, é indispensável realizar um estudo do corpo humano com a maioria da população a fim de certificar-se que o produto estará adequado ergonomicamente. As figuras indicam as medidas de homens na vista frontal (Figura 38) e lateral (Figura 39); das mulheres na vista frontal (Figura 40) e lateral (Figura 41) dos percentis 99, 50 e 1, que representam a maioria da população, a média da população e a mínima.
Figura 38: As medidas do homem (vista frontal)
Fonte: Tilley e Associates (2005, p. 28)
Figura 39: As medidas do homem (vista lateral)
Figura 40: As medidas da mulher (vista frontal)
Fonte: Tilley e Associates (2005, p. 30)
Figura 41: As medidas da mulher (vista lateral)
No presente trabalho, a antropometria se aplica em relação ao manejo da mesa pelo usuário, visto que este será feito por adultos de todos os sexos sendo necessário haver a análise da postura na hora de manusear a mesa da mesma maneira que esta deve ter medidas e peso adequados para não sobrecarregar fisicamente o indivíduo.
A ABNT (2007) afirma que para o trabalho que será realizado sentado os assentos deverão ter a altura de acordo com o indivíduo e do trabalho que será realizado, deverá ter formas arredondadas na borda frontal do assento, encosto ajustável para não sofrer lesões na lombar e, ainda, evitar conformação na base do assento. (Figura 42)
Figura 42: Dimensões adequadas para assentos
Fonte: Iida (2003, p. 143)
De acordo com a ABNT (2007), para o trabalho que será feito manualmente, sentado ou em pé, o móvel deverá proporcionar ao trabalhador condições de boa postura (Figura 43). É o que acontece quando o usuário realizará o manejo da mesa multifuncional ou ocupar as mais funções oferecidas por ela.
Figura 43: Sistema OWAS para o registro da postura
Fonte: Iida (2003, p. 88)
Couto (1995) ainda trás as posições que sofrem maior ou menor pressão ao realizar certas atividades (Figura 44).
Figura 44: Posições com maior e menor pressão
Tal definição de ergonomia aplicada ao mobiliário residencial faz com que ele tenha uma boa perspectiva de mercado, pois o consumidor não é atraído somente por características estéticas do móvel, mas também pela segurança, conforto e atendimento de suas necessidades ou limitações pessoais. Neste contexto, segundo Iida (2003), todos os produtos, indiferente do seu tamanho, servem para satisfazer as necessidades das pessoas, estando sempre em contato com o homem. No entanto, para que eles funcionem de maneira adequada é importante que os projetos devam seguir os seguintes requisitos:
- Qualidade técnica: é a parte que faz o produto funcionar, onde sua energia realiza cortes, soldas, dobragens, entre outras. Deve-se considerar a eficiência do produto e a capacidade de não realizar ruídos e vibrações, sua facilidade de limpeza, manutenção, entre outros.
- Qualidade ergonômica: está relacionado ao fácil manuseio, antropometria adequada, a clareza nas informações, segurança e conforto.
- Qualidade estética: tem por finalidade fazer um produto agradável visualmente, combinando cores, formas, texturas, materiais, entre outros.
3 RESULTADOS
3.1 ANÁLISE DE PRODUTOS EXISTENTES
Devido à variedade de mesas encontradas no mercado e pelo projeto atender uma mesa multifuncional que se encaixa nos diferentes ambientes da casa, a pesquisa por produtos já existentes atendeu por exemplificar aquelas encontradas nesse meio residencial como: mesas de cozinha, sala de estar, escritório, mesas auxiliares, entre outras. Tal pesquisa é de extrema importância para entender os produtos que já estão sendo fabricados, seus materiais, processos, cores e dimensões a fim de desenvolver uma proposta que se adeque melhor aos requisitos estabelecidos.
As análises foram feitas com base nas figuras 45, 46, 47, 48, 49, 50 e 51, sendo que os preços foram pesquisados no mês de outubro de 2017.
Figura 45: Móvel A- Mesa Multifuncional para Cozinha/ Escritório e Nichos Organizadores Elo
Fonte: Ponto Frio (2017)
Quadro 1: Informações do móvel A
Materiais MDP 15 e 25 mm. Acabamento FF
texturizada fosca
Dimensões 86x90x80 cm. 32 kg
Formato Retangular
Cores disponíveis Branco
Valor aproximado R$ 300,00
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 46: Móvel B- Mesa Para Computador com 2 Gavetas Multifuncional Movelbento
Quadro 2: Informações do móvel B
Materiais MDP 15 mm. Acabamento UV
Dimensões 82x160x45 cm. 32 kg
Formato Retangular
Cores disponíveis Branco, Grigio
Valor aproximado R$ 400,00
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 47: Móvel C- Mesa Multimóveis 5131600 Articulada
Fonte: Benoit (2017)
Quadro 3: Informações do móvel C
Materiais MDP. Acabamento UV
Dimensões 160,5x63x107 cm. 22,5 kg
Formato Retangular
Cores disponíveis Branco
Valor aproximado R$ 350,00
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 48: Móvel D- Lucy mesa parede dobrável
Quadro 4: Informações do móvel D
Materiais MDP. Revestimento em laminado melamínio
de baixa pressão e bordas em PVC
Dimensões Aberto: 57,4x80,4x55 cm. Fechado:
60,4x80,4x22 cm. 22,5 kg
Formato Retangular
Cores disponíveis Branco
Valor aproximado R$ 500,00
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 49: Móvel E- Tina Mesa Dobrável
Fonte: TokStok (2017)
Quadro 5: Informações do móvel E
Materiais Tampo em MDP laminado e estrutura em
madeira maciça de reflorestamento (Pinus Elliotti). Acabamento Encerado
Dimensões Mínima: 72x24x80 cm. Máxima: 72x100x80
cm. 17.5 kg.
Formato Oval
Cores disponíveis Branco lavado, Amêndoa
Valor aproximado R$ 900,00
Figura 50: Móvel F- Mesa Dobrável para Notebook Tecno Mobili
Fonte: Tecno Mobili (2017) Quadro 6: Informações do móvel F
Materiais MDP 15mm. Revestimento BP. Pés com
rodízios de PVC
Dimensões 73x80x40 cm. 9,55 kg
Formato Retangular
Cores disponíveis Branco, amêndoa, carvalho, fresno, tabaco
Valor aproximado R$ 125,00
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 51: Móvel G- Conjunto Mesas Ninho Lateral de Apoio Centro – Formalivre
Fonte: FormaLivre (2017)
Quadro 7: Informações do móvel G
Materiais MDF Laqueado
Dimensões Mesa Pequena: 34x38x30 cm
Mesa Média: 38x44x32 cm Mesa Grande: 42x50x35 cm
Formato Retangular
Cores disponíveis Branco, preto, amarelo, azul, vermelho
Valor aproximado R$ 450,00