O senhor gostaria de falar algo sobre os antecedentes da Revolução de 31 de Março de 1964, no que tange o seu quartel?
A título de preâmbulo, gostaria de falar sobre uma cativante experiência que tive há pouco tempo: a preparação de um filme sobre Frei Caneca. Excelente opor-tunidade para mergulhar a fundo numa pesquisa histórica sobre esse nosso herói, na qual identifiquei uma parte muito interessante que diz respeito ao trabalho que estamos realizando nesta entrevista.
Entre os depoimentos de como teria ocorrido a execução de Frei Caneca, existe o de um senhor que escreveu, cinqüenta anos após a execução, informando que tinha sido testemunha ocular. Como tive acesso a outras fontes históricas sobre o mesmo tema, cheguei à conclusão de que muita coisa estava discrepante das fontes históricas oficiais.
Esta introdução é para reconhecer que, falando do meu depoimento, é possível que surjam certas informações imprecisas, porque 36 anos já se passa-ram daqueles fatos. Muita coisa aconteceu, alguma particularidade a gente es-quece, e remanescerá a dúvida sobre o que poderá ser tomado como historica-mente correto.
Cheguei a Recife, em 1963, jovem aspirante egresso da Academia Militar, e
tudo no I/7o RO 105 revelava-se empolgante. Quanto à política, de fato, não era
muito ligado. Nossa preocupação residia em ministrar bem as instruções, especial-mente para os recrutas.
Particularmente interessante, naquela época, o fato de a carga horária da instrução estar dividida quase meio a meio: uma parte era a regular de Artilharia, e a outra, por influência da guerra do Vietnam e da conjuntura internacional, era absor-vida pela instrução de guerra revolucionária – guerrilha, controle de tumultos etc.
A instrução foi muito intensificada, no início de 1964, coincidentemente com a chegada à Unidade de um oficial superior que passou a desempenhar as funções de S/3, o Major Hugo Caetano Coelho de Almeida, especialmente se compa-rada com a do ano anterior.
Começava com as luzes apagadas, ainda não havia nascido o Sol, e terminava lá pelas dez horas da noite, com grande ênfase, como comentei, no controle de tumultos, guerrilhas etc. Fazíamos, até mesmo, exercícios de campanha sobre tema de guerra não convencional.
Os tenentes comentavam sobre as razões do aprimoramento da instrução? Falavam nisso?
Havia comentários, mas eu não me preocupava muito, embora achasse que pudesse vir a acontecer alguma coisa. O major gostava mesmo de instrução; muito
esforçado, morava no quartel, pois viera solteiro. Preparava-nos para a ação com bastante realidade e vigor.
Insisto em referir-me à prática dos exercícios no terreno sobre guerrilha, combinados com os de controle de tumultos, porque guardam certa relação com o que viria acontecer depois.
Em um exercício realizado no Forte de Pau Amarelo, local onde havia muito mato, foi feita a limpeza a fim de balizar no terreno um arruado para a prática de
instrução de controle de tumulto em área urbana. Um repórter do Diário de
Pernambuco assistiu ao exercício e, no final – quem estava no comando era o Major João José Cavalcanti de Albuquerque, pois o Coronel Ivan Ruy Andrade de Oliveira estava de férias – o Major Hugo disse ao repórter:
– Com esse tipo de adestramento somos capazes de controlar cerca de seis mil pessoas na rua, sem que seja necessário disparar um único tiro.
Não que tenha guardado isso, naquela época, mas estive consultando os jornais, recentemente, e localizei a reportagem, muito interessante, noticiando aquele tipo de exercício que se fazia, de antiguerrilha. Lá estava, também, a infor-mação do Major Hugo: um pequeno número de soldados bem treinado teria condi-ções de controlar, numa rua, seis mil pessoas, sem que se disparasse um único tiro! Esse era o panorama, às vésperas da Revolução. Sempre lia os jornais que informavam sobre o clima de descontentamento, de balbúrdia, de confusão,
algu-mas ocorrências na cidade, envolvendo estudantes. Mas, o 7o RO não havia sido
empregado para controlar distúrbios.
O senhor teria idéia de que esse treinamento de contraguerrilha era praticado, também, nas outras Unidades, como o 14o RI, nas mesmas freqüência e intensidade?
Não sei se era no mesmo ritmo, mas as outras Unidades também se preparavam; não posso assegurar que o 14o RI tivesse uma instrução mais completa do que a nossa.
A do 7o era muito puxada, tanto que às vezes preferia ficar dormindo no
quartel para não perder tempo nos deslocamentos, apesar de ter casa na cidade. Houve reunião de oficiais para comentar essa peculiaridade de treinamento? Os oficiais teriam sido informados, não da possibilidade de uma Revolução, mas da impor-tância de uma preparação com tal objetivo?
Não estou certo, mas os oficiais mais graduados, possivelmente, estivessem atentos a esse aspecto; eu, no meu “aspirantado”, 2o-tenente subalterno da 1a Bate-ria, não fui alertado.
O senhor poderia nos dizer algo sobre sua participação pessoal na eclosão da Revolução? No dia 1o de abril de 1964, bem cedo, não sei precisamente a hora, saímos do quartel, do Regimento, toda a Unidade em direção ao centro do Recife, inclusive
com os obuseiros. Passamos pela Ponte Princesa Isabel, onde já se encontravam elementos armados, não lembro bem de qual Unidade, e chegamos ao palácio.
Nossa área de atuação estendeu-se – traçando-se uma linha – da Ponte Buarque de Macedo, passando pelo Palácio da Justiça, que é fronteiro ao do Governo, atra-vessando a Dantas Barreto que naquele tempo se chamava Rua das Florentinas e fechando na Ponte Princesa Isabel.
Foi instalado um cordão de isolamento, inicialmente só o 7o RO e, depois,
mais uma Unidade, talvez o 14o RI, que ficou guarnecendo outro setor.
Havia elementos da Polícia Militar na praça?
Não, os soldados da Polícia Militar estavam recolhidos ao Palácio. Ficamos senhores da situação, sem reação alguma. Foi tomada uma decisão em relação aos pelotões de controle de tumulto, para que bloqueassem o acesso dos que viessem da cidade em direção ao palácio. Permanecemos ali um bom tempo. Aconteceram os episódios da ida de alguns oficiais ao palácio, a deposição do Governador e a rendi-ção da tropa de guarda do Palácio – substituir os policiais militares. O responsável foi o Tenente José Wilson Rodrigues que cumpriu muito bem a missão, pois não houve reação alguma.
Havia público? Civis?
No início, pouca gente; depois que correu a notícia, na cidade, da deposição do Governador, começou a aumentar a afluência de populares, que encontravam os pelotões barrando a passagem. Quando chegamos ao local mudamos o trânsito. Havia um movimento muito intenso, inclusive de ônibus, que deixaram de circular pela Praça do Campo das Princesas e passaram a utilizar a Rua Siqueira Campos. Isto favo-receu a nossa posição porque, de certa forma, impedia que o pessoal se aproximasse. Com a notícia dos acontecimentos, estudantes se deslocaram em direção ao Palácio, concentrando-se, exatamente, em frente à posição que meu Pelotão estava guarnecendo, na Rua das Florentinas. Num determinado momento, cerca de uma ou duas horas da tarde, o oficial que estava no comando, Major Hugo, resolveu aproxi-mar-se do público que passara a manifestar-se mais ruidosamente.
Vocês levavam munição real?
Sim, levávamos munição real. O Major Hugo, num repente de coragem, junto com outro oficial ou praça, não sei bem, atravessou a nossa linha e foi em direção à massa. Lá chegando, tentou dialogar com o pessoal. Essa atitude, apesar de cora-josa, foi temerária.
De toda a forma sabíamos que a população não estava totalmente contra. Anteriormente, um grupo de senhoras da sociedade pernambucana já se dirigira es-pontaneamente ao General Comandante da Região Militar, depois do comício da
Cen-tral do Brasil, no Rio de Janeiro, pedindo que ele tomasse uma providência sobre os acontecimentos em curso. Percebiam que havia algum tipo de ameaça latente. Pen-sando nisso, acreditávamos que a população, através de um diálogo, poderia voltar às suas casas. Estou certo de que tenha sido essa a idéia do Major Hugo. Mas se ele soubes-se que o pessoal estava realmente disposto a enfrentá-lo, talvez não tivessoubes-se ido lá.
Houve enfrentamento?
Encontrava-me a uma certa distância, a uns trinta metros da multidão, e sentimos que o Major fora envolvido. Demorou um certo tempo, ele voltou bastante irritado, dirigiu-se ao meu Pelotão e ordenou:
– Vamos à frente. Comande! Vamos para o enfrentamento!
A determinação era no sentido de avançar daquela maneira que aprendemos exaustivamente, arma em guarda alta, em direção ao populacho, dispostos, real-mente, a dissolvê-lo.
Marchamos, o Major Hugo incorporou-se ao Pelotão, deslocando-se exata-mente do meu lado esquerdo, em direção à massa. Ocorreu um fato bem interessan-te e que se deve relatar: o pessoal da Polícia que tinha deixado o serviço de guarda do palácio, que fora substituído, permaneceu num alojamento que existia na Rua Ulhôa Cintra, próxima à Siqueira Campos. Notando que a nossa tropa estava se deslocando em direção ao enfrentamento, incorporou-se ao Pelotão, espontanea-mente. A Polícia juntou-se a nós voluntariamente, armada, mas de certa forma foi um risco. O risco maior que senti no momento foi a Polícia encontrar-se atrás de nós, armada. E atiraram bastante, pode-se até ver nos jornais do dia. Houve uma
cobertura fotográfica – o Jornal do Commercio fez uma reportagem detalhada dessa
nossa progressão, o jornal do dia 2, pois o fato ocorreu no dia primeiro. Acredito
que deva estar nos arquivos do Jornal do Commercio um número maior de
fotogra-fias que mostram melhor como tudo se passou. A Polícia, incorporada ao Pelotão, saiu marchando disposta a dissolver o tumulto.
Nessa ocasião, aconteceram muitos fatos que, na refrega, passaram-me des-percebidos, porque minha preocupação maior era controlar os homens. Posso re-cordar que havia bombas caseiras estourando, aquelas “cabeças-de-negro”, vi tiros batendo no paralelepípedo, mas sem saber precisamente quem teria disparado. Acre-dito que houvesse alguém atirando do outro lado, também.
Um episódio corrobora a minha observação, apesar de ninguém ter sido ferido na nossa tropa: semanas antes, irrompera uma agitação promovida por estu-dantes, na Rua do Hospício, em frente à antiga Escola de Engenharia, se não estou enganado. Foi na porta do colégio, a confusão promovida pelos estudantes, alguns de Engenharia, gritando, com aparelhos de som para perturbar ao máximo a
reu-nião de outros estudantes e alguns políticos do Sul. Na saída, foram apupados. Pedras e tomates foram jogados neles. Um dos estudantes estava armado, deu um tiro e feriu um outro que estava saindo da escola. Era estudante contra estudante. Isso eu soube por consultar jornais da época. Provavelmente eles, os que nos en-frentavam, tinham armamento e por isso houve tiros de ambos os lados.
Naquele “entrevero” que se formou morreram dois estudantes e um foi ferido
na perna. Na ocasião, não observei nada, apesar de estar na testa.1 Meu Pelotão
atirou para cima (para o alto) e eu recordo a observação que fora feita no exercício de campanha de contraguerrilha, quando o nosso instrutor, o Major Hugo, dizia para os repórteres que “o objetivo é controlar o tumulto sem disparar um tiro”.
Ninguém raciocinava em termos de alvejar alguém. Por isso, os soldados do Pelotão atiraram para cima, não havia interesse de matar, de visar um popular, mesmo porque a gente não tinha essa instrução, “atirar para matar”. Mas dois estudantes morreram.
As vítimas foram levadas para o Hospital da Restauração, um chegou morto e o outro faleceu lá. Depois ficamos sabendo o que havia acontecido: quem atirou, quem disparou. Isso é público e notório, nem posso deixar de dizer quem teria sido, porque foi dito de própria voz, às sabidas: o nosso Major; naquele afã, estava com o sangue quente por ter sido vexado na ocasião em que procurou parlamentar com o pessoal e foi repelido; aquilo tudo se somou e ele então efetuou os disparos.
Algo que considerei uma falha, inexperiência minha, talvez. Quando retornamos ao quartel não houve preocupação de saber quem do Pelotão fora o autor dos disparos.
Se alguém o fez, não fui eu; se o armeiro2 procurou saber, não sei; pode-se até consultar o Tenente Petrônio Araújo Gonçalves Ferreira que também estava muito envolvido nisso, sabe de mais coisa, era mais antigo; mas estou certo de que não houve controle do armamento. Não sabemos, com certeza, quem atirou! Apenas tomamos conhecimento, por ouvir falar, que o Major Hugo teria disparado e possi-velmente fora responsável pela morte do estudante.
O tumulto foi dominado, a massa correu e nós recuamos. Foi o tempo para chegar a Cavalaria. Os carros de combate circularam pela cidade e, de certa forma, limparam o ambiente; voltou-se à normalidade.
Na minha condição de tenente “vibrador”, senti-me um herói porque, daque-le pessoal todo que estava ali, fui eu que fiz o enfrentamento; a parte mais difícil
1Expressão comumente usada entre militares. Significa estar à frente da tropa.
aconteceu conosco, demos conta do recado e a missão foi cumprida. Estava muito orgulhoso dos meus subordinados, mesmo porque a intensificação da instrução foi tal que se conviveu com os homens muitas horas durante o dia; nunca tive subordi-nados que fossem tão intimamente ligados a mim. É claro que o chefe procura sempre apegar-se a seus homens, mas durante toda a minha vida nunca houve um período em que tivesse os comandados assim tão “à mão”.
Retornei à posição original e ficamos ali, aguardando. Chegaram alguns ofi-ciais e um tenente fez uma observação que me desagradou muito e, na ocasião, o interpelei. Era o adjunto do S/3 do Regimento.
– Atenção pessoal – disse ele para os soldados do Pelotão – da próxima vez vamos atirar para matar! Atirar para matar mesmo!
Fiquei aborrecidíssimo. O Pelotão era meu e ele não tinha nada que se meter. – Absolutamente! Negativo! – falei, aumentando o tom da voz –, o coman-dante sou eu, sei o que faço, a ordem será dada por mim. Ninguém tem que fazer coisíssima alguma independente da minha ordem.
Houve aquele constrangimento, mas terminou ali mesmo. O regresso para o quartel foi no mesmo dia?
Não estou bem seguro se regressamos ou pernoitamos no local. Mas foi isso que ocorreu nesse dia, no dia primeiro.
O senhor entende que a Revolução em si tenha aumentado a coesão no seio da tropa? Seguramente, pelo menos nos primeiros anos, a Revolução foi a razão direta
para o aumento da coesão no seio da tropa. No 7o RO, não me lembro de nenhuma
dissidência. Estavam todos irmanados, coesos, conscientes de que era aquilo mes-mo. Não havia por que pensar diferente, a partir do momento em que todos, choca-dos, viram um almirante sentado junto de marinheiros “desuniformizados” ou sen-do levasen-do nas costas.
Aliás, o pessoal que se considera revolucionário autêntico, os ufanistas, sem concessões, vem passando muito mal nesses últimos anos. Ouvem e lêem observa-ções tolas, nas quais, a todo momento, há referências do tipo: “anos de ditadura”, “foi perseguido”, “censura” etc. A maioria das vezes não foi nada disso.
Possuo um livro de contos escrito pelo Professor Rubem Pincovisky. É uma obra muito interessante, onde se lê a narrativa sobre um cara que, por ocasião do período revolucionário, amigo dele, fazia tudo para ser preso. Ele tinha a mania de fingir-se subversivo, mas não tinha jeito. Muita gente imita esse procedimento, hoje em dia.
No meu ambiente de cineasta – considero-me cineasta por vocação – havia um pessoal que fazia cinema super-8: eram os “superoitistas”. No final da década de
1960, houve um surto de cinema super-8. Freqüentava o grupo, de certa forma até com reservas, porque poderia ser encarado como alguém que estaria ali infiltrado. Mas não era isso; eu e mais o Athos Eichler Cardoso, companheiro que servia no CPOR, queríamos realmente fazer cinema.
Pois bem, esse pessoal, que fazia “cineminha” naquela época, quando tem oportunidade de falar, reporta-se à questão da censura e diz que os filmes deles foram censurados... não sei o quê...
Coisíssima nenhuma! Acompanhei bem de perto tudo aquilo e não houve absolutamente essa censura, assim, a troco de nada. É claro, sabe-se que houve uma censura, não se pode negar, mas não com essa intensidade de que todos se arvoram em falar, nos dias de hoje. Isso é um despropósito.
No meu hábito de consultar, ultimamente, os jornais da época, estive no
arquivo público, peguei os números de março a junho do Jornal do Commercio e
Diário de Pernambuco e constatei uma coisa interessante: as pessoas que, hoje em dia, jogam pedras naquele período dos militares, o chamam de “anos de chumbo”, se tivessem o cuidado de pesquisar os órgãos de imprensa, veriam que não havia outro caminho a não ser aquele mesmo que trilhamos.
O acerto da atitude tomada em 1964 é algo que se comprova, até hoje em dia, especialmente o desmoronamento do comunismo no mundo. Num dos últimos números de uma revista de circulação nacional, viu-se uma mulher, na Colômbia, com um colete de dinamite no pescoço.
Será que é isso que esse pessoal queria? Tortura a preso político?
Particularmente, não vi coisa alguma que se possa considerar tortura física ou até psicológica; não tive esse desprazer, a minha palavra é essa mesma, esse desprazer. A pessoa tem obrigações a cumprir, mas existe as suas convicções pró-prias, as quais permanece fiel. Não se deve deixar convencer pelas tendências e atos em que não acredite.
Não tive o desprazer de assistir tortura, em absoluto. Muito pelo contrário,
quero dizer que alguns presos – estiveram presos no quartel do 7o RO 105, por
exemplo, o prefeito, o vice-prefeito – gozavam de certa regalia. Alguns recebiam um tratamento melhorado, porque ficavam em alojamentos de oficiais, faziam as refeições no cassino de oficiais. Não testemunhei torturas.
O senhor teria algo mais a acrescentar, alguma lembrança, alguma colocação a res-peito da nossa Revolução de 31 de Março?
Quando falei que seria interessante que as pessoas, hoje em dia, consultas-sem os jornais da época, para compreenderem o que realmente ocorreu, poderia se alegar que os jornais eram facciosos. Bem, observei que não eram.
No dia 3 ou 4 de abril de 1964, vi um manifesto, publicado, parece, no Jornal do Commercio, enorme, quase meia página, dizendo o seguinte: “Nós, abaixo-assi-nados, nos apresentamos como solidários ao Governador Miguel Arraes de Alencar.” Era uma espécie de manifesto das pessoas que se sentiram prejudicadas – faziam parte do Governo – publicado nesse jornal, com a assinatura de todos. Isso prova que não havia coerção de qualquer espécie. As notícias corriam livremente.
Nessa mesma edição do jornal existe até uma foto de D. Helder Câmara ao lado do General Joaquim Justino Alves Bastos, os dois rindo e o Arcebispo, clara-mente empolgado, erguendo a chave da cidade. Significa, sem dúvida, uma concor-dância e solidariedade aos fatos acontecidos. D. Helder estava recém-chegado ao Recife, vindo do Rio de Janeiro, para assumir a Arquidiocese local.