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Total 41 empresas Média de IGC Desvio padrão 8,37 3,21 16,07%

4.5 Correlação entre IGC e desempenho superior

Para atendimento ao objetivo geral da pesquisa, que busca a relação entre o desempenho superior e persistente, tanto no enfoque de desempenho financeiro, quanto no de valor de mercado, e o nível de governança corporativa (IGC), foi realizada a correlação entre

as variáveis DSPF e IGC e DSPV e IGC, com base nos grupos criados de empresas com desempenho superior e persistente para cada métrica. Inicialmente, também foi verificada a relação entre as variáveis de referência do desempenho superior (ROAS e VMS) e o IGC para verificar o comportamento de toda a população. O tratamento dos dados foi realizado através do software estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS)®.

Cabe ressaltar que o conceito de desempenho superior e persistente foi desenvolvido com base nas observações de Besanko et al. (2012), que tratam que a empresa possui desempenho superior a persistente quando possui superioridade comparada à média do desempenho das outras empresas que competem no mesmo mercado, criando uma vantagem competitiva. Vasconcelos e Brito (2004) associam a vantagem a um intervalo de tempo especificado. Nesta pesquisa, foi considerado o intervalo de quatro anos (2010 a 2013), a exemplo do prazo utilizado por Carvalho, Kayo e Martin (2010).

Destarte, considerando as duas métricas no enfoque econômico para o desempenho superior, a saber, a de desempenho financeiro e a de valor de mercado, adaptadas de Villalonga (2004), Carvalho, Kayo e Martin (2010), Besanko et. al. (2009) e Cardoso (2013), foram construídas as variáveis DSPF e DSPV, decorrente das médias aritméticas no período de 2010 a 2013, respectivamente, das variáveis ROAS e VMS.

A correlação é calculada entre as variáveis para evidenciar seu relacionamento e o grau de associação, sem, contudo, implicar em algum efeito direito ou indireto entre elas (MARTINS; DOMINGUES, 2001; STEVENSON, 2001; BRUNI, 2011, 2012). Assim, a análise desenvolvida procura evidenciar que, se o coeficiente de correlação observado for positivo, existe uma relação direta entre as variáveis, sendo que uma movimenta-se positivamente em relação ao movimento da outra. Ao contrário, negativo, a relação é inversa, sendo que uma variável decresce em relação ao crescimento da outra. O grau da relação é evidenciado por Dancey e Reidy (2006), que versam sobre as faixas de valores do coeficiente para designação como relação fraca, moderada ou forte.

Inicialmente, verificando-se a normalidade dos dados relacionados das variáveis de referência do desempenho superior, ROAS e VMS, e o nível de governança, IGC, é resumida na Tabela 52.

Tabela 52 – Teste de normalidade para IGC e desempenho superior no período Variável Período Df Kolmogorov-Smirnov Z Sig. Komogorov-Smirnovª Sig.

IGC - 221 2,336 0,000 0,157 0,000

Variável Período Df Kolmogorov-Smirnov Z Sig. Komogorov-Smirnovª Sig. ROAS 2011 221 2,129 0,000 0,143 0,000 ROAS 2012 221 2,909 0,000 0,196 0,000 ROAS 2013 221 3,371 0,000 0,227 0,000 ROAS 2010-2013 884 5,604 0,000 0,188 0,000 VMS 2010 221 5,511 0,000 0,371 0,000 VMS 2011 221 5,644 0,000 0,380 0,000 VMS 2012 221 5,797 0,000 0,390 0,000 VMS 2013 221 6,840 0,000 0,460 0,000 VMS 2010-2013 884 13,655 0,000 0,459 0,000

Nota: a. Teste com correção de significância de Lilliefors. Fonte: Dados da pesquisa.

Observa-se que nenhuma variável se comporta como uma distribuição normal. As distribuições das variáveis ROAS e VMS foram analisadas por ano, com 221 observações cada, e ao longo de todo o período, com 884 observações. Em qualquer espectro, com estatísticas do p-value baixo, foi rejeitada a hipótese nula do teste, tanto pelo primeiro teste de Kolmogorov-Smirnov, quando pelo teste mais preciso, com correção de Lilliefors.

Considerando a ausência de normalidade entre as variáveis, o teste de correlação de Spearman para a análise inicial entre o nível de governança corporativa (IGC) e as variáveis de referência do desempenho superior é apresentada na Tabela 53.

Tabela 53 – Relação entre IGC e desempenho superior

Correlação com IGC Período N Coeficiente de correlação (R de Spearman) (2 extremidades) Sig.

ROAS 2010 221 0,193*** 0,004 ROAS 2011 221 0,141** 0,036 ROAS 2012 221 0,140** 0,037 ROAS 2013 221 0,118* 0,080 ROAS 2010-2013 884 0,148*** 0,000 VMS 2010 221 0,575*** 0,000 VMS 2011 221 0,553*** 0,000 VMS 2012 221 0,563*** 0,000 VMS 2013 221 0,567*** 0,000 VMS 2010-2013 884 0,562*** 0,000

Nota: * A correlação é significativa no nível 0,10 (2 extremidades). ** A correlação é significativa no nível 0,05 (2 extremidades). *** A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades).

Fonte: Dados da pesquisa.

Observa-se correlação do IGC com o desempenho superior, nas duas métricas do enfoque econômico de vantagem competitiva, dentre uma das perspectivas apontadas por Rumelt (1991), ligadas ao conceito que forma o desempenho superior das empresas, como destacam Brito e Vasconcelos (2004). Pode-se afirmar que há significância do IGC com o ROAS, numa relação fraca, em todo o período, observados os coeficientes (R de Spearman) menores que 0,3, enquanto que para a métrica de valor de mercado, pelo VMS, é uma correlação moderada, estando entre 0,4 e 0,6 (DANCEY; REIDY, 2006). Portanto, há relação

entre o nível de governança corporativa (IGC) e o fato de a empresa apresentar desempenho superior em relação às rivais, em determinado ano, o que pode corroborar a uma vantagem competitiva.

Assim, cabe ressaltar que este nível de governança (IGC) pode estar correlacionado a um desempenho superior e sustentável (VILLALONGA, 2004; CARVALHO; KAYO; MARTIN, 2010; BESANKO et al., 2012), tendo como objeto de análise as empresas que sempre apresentaram desempenho superior ao longo do período do estudo, ou seja, desempenho superior e persistente, configurado no grupo 1 desta pesquisa.

Para tanto, um teste de normalidade foi realizado, considerando as empresas classificadas no grupo 1, para desempenho superior e persistente, levando em conta, inicialmente, a métrica de desempenho financeiro, mensurada pela variável operacional DSPF, conforme metodologia desta pesquisa (Tabela 54).

Tabela 54 – Teste de normalidade para IGC e DSPF das empresas do grupo 1 para o período

Variável Período Df Kolmogorov-Smirnov Z Sig. Komogorov-Smirnovª Sig.

IGC 2013 71 0,955 0,322 0,113 0,024

DSPF 2013 71 1,612 0,011 0,191 0,000

Nota: a. Teste com correção de significância de Lilliefors. Fonte: Dados da pesquisa.

Pode-se concluir que o IGC, inicialmente, não possui distribuição normal, pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. Em uma segunda análise, passa a ter distribuição normal, apesar de o nível de significância recair para 1%, quando aplicado o teste com a correção de significância de Lilliefors, para resultados mais robustos e precisos, conforme ressaltam Corrar, Paulo e Dias Filho (2014). No entanto, a variável operacional do desempenho superior e persistente, na dimensão financeira (DSPF), não possuiu normalidade para qualquer nível de significância, o que leva ao teste não paramétrico de correlação pelo coeficiente de Spearman. A Tabela 55 apresenta a análise do desempenho superior e persistente, na dimensão de desempenho financeiro, avaliando sua correlação com o nível de governança corporativa (IGC), considerando o período do estudo, para as 71 empresas classificadas no grupo 1.

Tabela 55 – Correlação geral entre IGC e DSPF das empresas do grupo 1 para o período Correlação com IGC N Coeficiente de Correlação (R de Spearman) (2 extremidades) Sig.

DSPF 71 0,169 0,158

Observa-se, com base no p-value de 0,158, que não há correlação estatisticamente significante entre o nível de governança (IGC) e o desempenho superior e persistente, sob o enfoque econômico de desempenho financeiro, embora o IGC esteja relacionado com vantagem competitiva no ano, observando especificadamente a variável ROAS, que serviu de base para o cálculo do DSPF, como demonstrado na Tabela 53.

Com a finalidade de realizar uma nova análise para a correlação entre o nível de governança e o desempenho superior e persistente, na perspectiva da dimensão valor de mercado, um teste de normalidade foi realizado, considerando também as 50 empresas classificadas no grupo 1, conforme apresentado na Tabela 56.

Tabela 56 – Teste de normalidade para IGC e DSPV das empresas do grupo 1 para o período

Variável Período Df Kolmogorov-Smirnov Z Sig. Komogorov-Smirnovª Sig.

IGC 2013 50 0,897 0,397 0,127 0,043

DSPV 2013 50 2,787 0,000 0,394 0,000

Nota: a. Teste com correção de significância de Lilliefors. Fonte: Dados da pesquisa.

Observando os dados do grupo 1, formado por 50 empresas com desempenho superior e persistente quanto ao valor de mercado, não se pode afirmar que há normalidade de dados para a variável operacional DSPV, em virtude do p-value apresentar valor menor que 0,05 e 0,01, que rejeita a hipótese nula de normalidade dos dados para a referida variável pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. Quanto ao IGC, observando a estatística Z do referido teste é possível considerar a normalidade dos dados, entretanto, quando aplicada a correção de significância de Lilliefors para maior robustez e precisão (CORRAR; PAULO; DIAS FILHO, 2014), com o p-value em 0,043, o nível de significância recai em 1% para assegurar a distribuição normal dos dados, com a aceitação da hipótese nula de normalidade no segundo teste. De todo modo, a correlação entre as duas variáveis deverá ser feita com base no coeficiente de Spearman, já que houve ausência de normalidade em, pelo menos, uma das variáveis.

A Tabela 57 apresenta a análise do desempenho superior e persistente, na métrica de valor de mercado, e sua correlação com o nível de governança corporativa, indicado pelo IGC, considerando o período do estudo, para as empresas classificadas no grupo 1 nesta perspectiva.

Tabela 57 – Correlação geral entre IGC e DSPV no grupo 1 para o período

Correlação com IGC N Coeficiente de Correlação (R de Spearman) (2 extremidades) Sig.

DSPV 50 0,174 0,226

Fonte: Dados da pesquisa.

Conclui-se que não há correlação estatisticamente significante entre o nível de governança corporativa (IGC) e o desempenho superior e persistente na dimensão do valor de mercado, apresentado por 50 empresas brasileiras listadas na BMF&BOVESPA, que compuseram o grupo 1 pela variável DSPV desta pesquisa.

A possível explicação pode ser decorrente do próprio conceito das variáveis utilizadas, tanto DSPF quanto DSPV, visto que o desempenho superior e persistente decorre do quanto uma empresa possui de vantagem competitiva em relação às empresas concorrentes do setor em determinado período (VILLALONGA, 2004; VASCONCELOS; BRITO, 2004; CARVALHO; KAYO; MARTIN, 2010; BESANKO et al., 2012), portanto, é uma medida estratificada pelo setor de atuação no mercado da BM&FBOVESPA, no caso desta pesquisa, sendo que a vantagem encontrada pelas empresas, tendo como referência o setor em que atua, não significa, necessariamente, numa vantagem global em relação às demais empresas da população.

Considerando, portanto, a característica estratificada do conceito de desempenho superior e persistente, isto é, que seu cálculo tem como referência as empresas concorrentes de determinado setor, verificou-se a possibilidade de se registrar alguma correlação entre o IGC e o desempenho superior e persistente, em cada setor de atuação da BM&FBOVESPA, levando em conta as empresas do grupo 1.

Dessa forma, em relação à dimensão financeira do desempenho superior e persistente, a Tabela 58 apresenta um resumo dos testes de normalidade por setor em paridade dos dados com o IGC.

Tabela 58 – Testes de normalidade por setor de atuação para IGC e DSPF

Variável Df Komogorov-Smirnovª Sig. Shapiro-Wilk Sig.

Bens Industriais IGC 11 0,160 0,200 0,958 0,747 DSPF 11 0,182 0,200 0,896 0,163 Construção e Transporte IGC 14 0,269 0,007 0,838 0,015 DSPF 14 0,233 0,038 0,835 0,014 Consumo Cíclico IGC 11 0,099 0,200 0,966 0,847 DSPF 11 0,295 0,008 0,677 0,000

Variável Df Komogorov-Smirnovª Sig. Shapiro-Wilk Sig. Consumo não Cíclico

IGC 6 0,190 0,200 0,882 0,277 DSPF 6 0,185 0,200 0,911 0,441 Materiais Básicos IGC 12 0,148 0,200 0,910 0,215 DSPF 12 0,160 0,200 0,849 0,035 Telecomunicações IGC 5 0,300 0,161 0,776 0,050 DSPF 5 0,204 0,200 0,906 0,447 Utilidade Pública IGC 10 0,238 0,114 0,941 0,560 DSPF 10 0,217 0,200 0,853 0,062

Notas: a. Correção de significância de Lilliefors. O SPSS® não calculou os testes de normalidade para os setores

de Petróleo, Gás e Biocombustíveis e Tecnologia da Informação, em virtude de apenas ser registrado um caso para cada setor.

Fonte: Dados da pesquisa.

Os testes de normalidade consideraram apenas as empresas com valores para as duas variáveis conjuntamente em cada setor, excluindo as que tinham apenas registros de IGC, mas não apresentavam desempenho superior e persistente, pela variável DSPF. Em virtude do pequeno número de casos em cada setor, optou-se pela análise do teste de Shapiro-Wilk. Observa-se que há normalidade dos dados das duas variáveis, com nível de significância de 5%, nos setores Bens Industriais, Consumo não Cíclico, Telecomunicações e Utilidade Pública, e, com nível de significância em 1%, no setor Construção, e que, neste caso, são analisados, a seguir, pela correlação de Pearson. Nos setores Consumo Cíclico e Materiais Básicos não foi observada a normalidade dos dados, em que se testa a correlação, então, pelo coeficiente de Spearman.

A correlação entre as variáveis IGC e DSPF, por setor de atuação, é apresentada na Tabela 59.

Tabela 59 – Correlação entre IGC e DSPF das empresas do grupo 1, por setor de atuação, para o período

Setor N Coeficiente Tipo de Coeficiente de Correlação (2 extremidades) Sig.

Bens Industriais 11 Pearson 0,037 0,915

Construção e Transporte 14 Pearson -0,328 0,253

Consumo Cíclico 11 Spearman 0,571* 0,067

Consumo não Cíclico 6 Pearson 0,237 0,652

Materiais Básicos 12 Spearman 0,231 0,471

Telecomunicações 5 Pearson 0,024 0,969

Utilidade Pública 10 Pearson -0,011 0,976

Nota: * a correlação é significativa no nível de 0,10 (2 extremidades). Não considerado os setores Petróleo, Gás e Biocombustíveis e Tecnologia da Informação, por motivo de uma única observação em cada.

Conforme observado, para o p-value dos testes registra-se apenas correlação positiva moderada, com coeficiente entre 0,4 e 0,6 (DANCEY; REIDY, 2006), no nível de significância de 10%, para o setor Consumo Cíclico, entre o nível de governança corporativa e o desempenho superior e persistente, considerando a métrica financeira. Nos demais setores, não há correlação estatisticamente significante entre as variáveis IGC e DSPF das empresas considerando o setor de atuação, conforme classificação da BM&FBOVESPA, seguindo a ausência de correlação, apresentada para as duas variáveis, na Tabela 55.

Destaca-se que certas empresas possuem praticamente um monopólio, seja na região onde atuam, ou especificamente no segmento de atuação, como também observado na pesquisa de Moura, Mecking e Scarpin (2013), no setor econômico de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, ao analisarem 268 companhias, com os dados do banco Economática®, referentes ao período de 2008 a 2010. Os autores também verificaram oligopólio nos setores de bens industriais, financeiro e materiais básicos e uma estrutura de concorrência perfeita com leve aumento de competitividade com o passar do tempo nos demais setores.

Considerando a possibilidade de se registrar alguma correlação entre o IGC e o desempenho superior e persistente na métrica de valor de mercado, em cada setor de atuação, a Tabela 60 faz um resumo dos testes de normalidade por setor.

Tabela 60 – Testes de normalidade por setor de atuação para IGC e DSPV

Variável Df Komogorov-Smirnovª Sig. Shapiro-Wilk Sig.

Bens Industriais IGC 6 0,322 0,051 0,843 0,137 DSPV 6 0,338 0,031 0,755 0,022 Construção e Transporte IGC 7 0,214 0,200 0,943 0,663 DSPV 7 0,423 0,000 0,581 0,000 Consumo Cíclico IGC 13 0,132 0,200 0,949 0,584 DSPV 13 0,210 0,120 0,807 0,008

Consumo não Cíclico

IGC 6 0,205 0,200 0,961 0,830 DSPV 6 0,467 0,200 0,536 0,000 Materiais Básicos IGC 4 0,329 . 0,895 0,406 DSPV 4 0,432 . 0,654 0,003 Utilidade Pública IGC 10 0,232 0,136 0,881 0,133 DSPV 10 0,258 0,059 0,856 0,069

Notas: a. Correção de significância de Lilliefors. O SPSS® não calculou os testes de normalidade para os setores

de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Tecnologia da Informação e Telecomunicações, em virtude de apenas ser registrado um caso para os dois primeiros setores, e dois, para o último, insuficientes para o teste.

Em virtude do pequeno número de casos em todos os setores, optou-se pela análise do teste de Shapiro-Wilk. Observa-se que há normalidade dos dados das duas variáveis no setor Bens Industriais, com nível de significância de 1%, e Utilidade Pública, com significância em 5%, que são analisados, a seguir, pelo coeficiente de correlação de Pearson. Nos demais setores, não foi observada a distribuição normal dos dados, o que leva ao teste da correlação pelo coeficiente não paramétrico de Spearman.

A correlação entre as variáveis IGC e DSPV das empresas, por setor de atuação, é apresentada na Tabela 61.

Tabela 61 – Correlação entre IGC e DSPV das empresas do grupo 1, por setor de atuação, para o período

Setor N Coeficiente Tipo de Coeficiente de Correlação (2 extremidades) Sig.

Bens Industriais 6 Pearson 0,865** 0,026

Construção e Transporte 7 Spearman 0,486 0,269

Consumo Cíclico 13 Spearman 0,014 0,964

Consumo não Cíclico 6 Spearman -0,279 0,592

Materiais Básicos 4 Spearman 0,949* 0,051

Utilidade Pública 10 Pearson 0,409 0,241

Nota: * a correlação é significativa no nível de 0,10 (2 extremidades). ** a correlação é significativa no nível de 0,05 (2 extremidades). *** a correlação é significativa no nível de 0,01 (2 extremidades). Desconsiderados os setores de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Tecnologia da Informação e Telecomunicações, em virtude de apenas ser registrado casos insuficientes para a análise estatística.

Fonte: Dados da pesquisa.

Considerando o p-value dos testes, foi encontrada forte correlação entre as variáveis IGC e DSPV, com coeficiente maior que 0,7, no setor Bens Industriais, no nível de significância de 5%, e moderada correlação no setor de Materiais Básicos, com coeficiente entre 0,40 e 0,60, no nível de significância de 10% (DANCEY; REIDY, 2006). Nos demais setores, não houve correlação estatisticamente significante entre as variáveis, seguindo a ausência de correlação geral para o grupo 1 das empresas com desempenho superior e persistente por valor de mercado, já apresentada na Tabela 57.

O comportamento da relação entre o nível de governança, representado pelo IGC, e o desempenho superior e persistente, tanto no enfoque pela métrica do desempenho financeiro quanto pelo de valor de mercado, não é percebido na maioria dos setores de atuação, segundo a classificação da BM&FBOVESPA, o que corrobora a não relação entre as duas características foco do objetivo geral desta pesquisa (governança corporativa e desempenho superior e persistente), rejeitando-se as hipóteses H1a e H1b desta pesquisa.

O Quadro 16 apresenta um resumo das correlações analisadas nesta pesquisa entre níveis de governança e desempenho.

Quadro 16 – Resumo das Correlações

Foco Variáveis p-value Tipo de Coeficiente Correlação

População (N=884)

IGC e ROAS p  5% e 1% Spearman Positiva fraca

IGC e VMS p  5% e 1% Spearman Positiva moderada

Grupo 1 de DSPF

(n=71) IGC e DSPF p   Spearman H1a não confirmada

Grupo 1 de DSPV

(n=50) IGC e DSPV p   Spearman H1b não confirmada

Bens Industriais IGC e DSPV p  5% Pearson Positiva forte

Consumo Cíclico IGC e DSPF p  10% Spearman Positiva moderada

Materiais Básicos IGC e DSPV p  10% Spearman Positiva forte

Fonte: Dados da pesquisa.

Portanto, verifica-se que, na relação entre nível de governança corporativa e desempenho superior, em cada ano, por qualquer medida (ROAS e VMS), há correlação positiva. No entanto, a hipótese H1a e H1b deste estudo, que se referem à correlação entre IGC

e o desempenho superior e persistente, nas duas métricas de desempenho, não puderam ser confirmadas, em cada agrupamento de empresas com desempenho sustentável nos quatro anos da pesquisa.

Pode-se, portanto, resumir os resultados das hipóteses testadas e os objetivos da pesquisa no Quadro 17.

Quadro 17 – Resumo das hipóteses testadas nesta pesquisa

Objetivo Hipótese testada N Variáveis Estatística Análise Referência de validade p-value Resultado

Objetivo geral H1a 71 (grupo 1 DSPF) IGC e DSPF Correlação de Spearman p-value  5% 0,158 confirmada Não H1b 50 (grupo1 DSPV) IGC e DSPV 0,226 confirmada Não 1º objetivo específico H2a 71 (grupo 1 DSPF) IGC e DSPF Anacor p-value  10% 0,057 Confirmada H2b 50 (grupo 1 DSPV) IGC e DSPV 0,760 confirmada Não H3a 71 (grupo 1 DSPF) IGC, DSPF e setor de atuação Homals (não testada) p-value  5% - Não confirmada H3b 50 (grupo 1 DSPV) IGC, DSPV e setor de atuação Não confirmada H4a 71 (grupo 1 DSPF) IGC, DSPF e estrutura de propriedade Não confirmada

Objetivo Hipótese testada N Variáveis Estatística Análise Referência de validade p-value Resultado H4b 50 (grupo 1 DSPV) IGC, DSPV e estrutura de propriedade Não confirmada 2º objetivo específico H5a 221 (grupo 1 DSPF e grupo 2 sem DSPF) IGC Teste de Mann- Whitney p-value  5% 0,284 confirmada Não H5b 221 (grupo 1 DSPV e grupo 2 sem DSPV) IGC 0,000 Confirmada

Fonte: Dados da pesquisa.

De um modo geral, entende-se que o nível de governança não tem relação direta com o desempenho superior e persistente, considerando o enfoque econômico financeiro, evidenciado na correlação. No mesmo sentido, não foi observada diferenciação da adoção de boas práticas de governança no grupo de empresas com desempenho sustentável financeiro em relação ao grupo sem desempenho superior e persistente, através da análise do teste de média não paramétrico de Mann-Whitney, resumido no Quadro 15.

No enfoque de valor de mercado, embora não haja correlação significante entre o nível de adoção de boas práticas de governança corporativa e desempenho superior e persistente, pode-se observar que há diferença na média de IGC entre empresas com desempenho sustentável, sendo maior do que as empresas que não possuem tal desempenho, o que indica que há alguma relação entre o nível de governança corporativa e a vantagem competitiva (desempenho) das empresas em relação aos seus rivais no setor, durante o ano.

Em relação à análise de correspondência, não foi encontrada associação estatística no nível de significância de 5% do IGC com as variáveis de desempenho sustentável. No entanto, assumindo um nível de significância de 10%, diminuindo o nível de confiança da pesquisa para 90%, observa-se uma associação entre o nível de governança e o desempenho superior e persistente financeiro (DSPF). Dentro do grupo de 71 empresas com desempenho superior e persistente, pode-se observar também a associação entre a categorização de DSPF e o setor de atuação. Em outras análises realizadas com a Anacor, houve apenas correspondência do IGC com o setor de atuação, considerando toda a população, apresentado no mapa perceptual da Figura 11.

Tem-se que, mesmo que alguns setores de atuação tenham apresentado associação com quartis mais baixos de IGC, as empresas de tais setores podem ter mensurado, ainda assim, desempenho superior e persistente elevado, visto que a definição desta condição se encontra pela comparação com o desempenho da concorrência, que ocorre somente dentro de cada setor de atuação da BM&FBOVESPA.

Assim, embora a literatura tenha registrado convergência de que o nível de governança corporativa, pelos diversos índices construídos, favorece um melhor desempenho econômico (BOREN; ODEGAARD, 2003, 2006; BROWN; CAYLOR, 2004; CARVALHAL-DA- SILVA; LEAL, 2005; LAMEIRA, 2007; LAMEIRA et al., 2010; LAMEIRA; NESS JR., 2011), maior valor de mercado (DURNEV; KIM, 2005; LEAL; CARVALHAL-DA-SILVA, 2005, 2007; BLACK; JANG; KIM, 2006; SILVEIRA; BARROS; FAMÁ, 2006; MELLO, 2007) e menores riscos (LAMEIRA, 2007; LAMEIRA et al., 2010; LAMEIRA; LAMEIRA, 2012), não se pode afirmar que, categoricamente, as empresas com maior nível de adoção de práticas de governança, analisado segundo os critérios definidos nesse estudo e obtidos na documentação das empresas disponível ao público investidor, possam registrar também uma