QUANDO 29 CORRELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA DAS TRANSFERÊNCIAS E IFDM
2 MARCO REFERENCIAL TEÓRICO 28
2.5 CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO 70
Parece haver unicidade de discurso entre os chefes do poder executivo dos pequenos municípios no sentido de que eles têm problemas em executar as políticas públicas, ou seja, promover a materialização do Estado face aos aspectos relacionados à falta de recursos financeiros, recursos humanos ou capacidade gerencial, sendo apontado por Silva (2012, p.24) “como um dilema aos governos brasileiros, especialmente municipais”.
A política pública é o meio pelo qual o Estado age para intervenção em determinada área, intervenção essa que pode ser econômica, social, etc. A rigor, as políticas são implementadas para longo prazo e seus resultados devem refletir no desenvolvimento local.
Um dos primeiros atos de um chefe do executivo municipal após a eleição é a transformação da sua plataforma eleitoral em um Plano de Governo, tendo em vista o dispositivo constitucional que obriga a elaboração do Plano Plurianual (PPA) a ser executado efetivamente um ano após findo o primeiro ano do mandato. Neste plano são traçadas as diretrizes que irão conduzir a atuação do governo.
Durante o primeiro ano de mandato a execução orçamentária obedece ao que foi concebido no governo anterior. Desse modo, existe uma continuação das ações em curso. Deve ser salientado que existem alguns problemas com esse modelo, não ficando assegurada uma continuação das ações pelos governos que se sucedem, comprometendo uma ação de longo prazo, isto é, que ultrapasse o período de quatro anos.
Apesar de existir a possibilidade de reeleição, os governos nos entes federativos efetivamente executam seus planos prevendo um período de quatro anos. Dessa forma, uma visão de planejamento a longo prazo é dificultada e, com isso, as Políticas Públicas assumem um caráter temporário, como regra geral.
Mesmo com as dificuldades apontadas sobre o planejamento, os gastos com Educação e Saúde são contínuos e devem obedecer a aplicações de percentuais mínimos estabelecidos legalmente, além de investimentos públicos em outras áreas.
Na literatura pertinente foi identificado de forma positiva o crescimento econômico por meio do governo local, conforme Oliveira et al. (2009), enquanto Costa, Lima e Silva (2014, p.11) destacam os gastos públicos em educação, cultura, saúde e saneamento como principais fatores de explicação da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto Per Capita.
Em termos conceituais é necessário fazer uma distinção entre Crescimento Econômico e Desenvolvimento Econômico, pois os termos não são sinônimos e podem levar a erros de interpretação em análises.
Como afirmam Adelman (1972) e Souza (2011) não é fácil construir uma definição sobre o Desenvolvimento Econômico, bem como uma definição universalmente aceita, contudo, devido à importância de um conceito, a primeira autora o expressa da seguinte forma:
Como o processo pelo qual uma economia cuja taxa de crescimento da renda
per capita é pequena ou negativa é transformada numa economia em que uma taxa significativa de crescimento autossustentado da renda per capita é uma característica permanente a longo prazo. (ADELMAN, 1972, p.1).
Em relação ao Crescimento Econômico, Brue (2006, p.459) faz a seguinte definição
[...] é o aumento da produção real de um país (PIB) que ocorre durante determinado período, ele resulta de (1) maior quantidade de recursos naturais, humano e capital, (2) melhorias na qualidade dos recursos e (3) avanços tecnológicos que impulsionam a produtividade.
Ainda, Souza (2011) aponta que existem economistas que consideram crescimento como sinônimo de desenvolvimento e outros que o crescimento é condição indispensável para o desenvolvimento, entretanto não é uma condição suficiente.
Jaguaribe (1972, p.13) expressa que “o desenvolvimento é um processo social global, só por facilidade metodológica, ou em sentido parcial, se podendo falar em desenvolvimento econômico, político, cultural e social” e, complementando suas ideias, diz que ao crescimento econômico atribui-se ao simples aumento do produto per capita ou aumento quantitativo da riqueza, enquanto o desenvolvimento está relacionado ao sentido de um aperfeiçoamento qualitativo da economia.
Para efeito desta dissertação será considerado apenas o Crescimento Econômico, tendo por base o Produto Interno Bruto (PIB) dos Municípios da amostra selecionada, bem como o Produto Interno Bruto per capita.
Assim, é possível distinguir alguns papéis exercidos pela Administração Pública Municipal, sendo o primeiro de participar do Produto Interno Bruto (PIB) municipal, pela execução do orçamento em despesas públicas em custeio e investimento.
O segundo papel está relacionado às despesas em determinadas áreas, como Educação e Saúde, que possibilitam o crescimento e desenvolvimento socioeconômico, porém a longo prazo.
A Administração Pública local exerce o terceiro papel como indutora do crescimento por meio de instrumentos jurídicos para disciplinar a atividade produtiva, conforme exposição a seguir:
Na Constituição Cidadã está prevista para os Municípios, por meio dos artigos 182 e 183, a política de desenvolvimento urbano, sendo que a Lei n.º 10.257 de 10 de julho de 2001 (Estatuto da Cidade) regulamentou esses artigos. Deve ser observado que a lei estabelece que o Plano Diretor é obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes.
O governo municipal dispõe de alguns instrumentos que possibilitam iniciativas para o desenvolvimento local, sendo que a própria lei orgânica pode conter dispositivos
nesse sentido e que estão alinhavados com a função do Estado, compreendendo a atividade social abrangendo a Educação, Saúde, Assistência Social, Esporte, Lazer e Recreação. A atividade econômica abrange o comércio, indústria, serviços e agricultura. Na Lei Orgânica pode ser recepcionado dispositivo sobre o ordenamento territorial e o plano diretor (BRASIL, 1988).
Sob uma abordagem de ordem econômica o ordenamento territorial pode prever a destinação de áreas para instalações industriais ou de serviços, com o intuito de atração ou desenvolvimento de atividades comerciais que beneficiem economicamente o município pela geração de empregos e tributos.
Ainda, a administração municipal pode combinar o ordenamento territorial ou atração de novos investimentos na área industrial, serviços e comércio com incentivos fiscais, entretanto tais incentivos estão condicionados aos preceitos da Lei de Responsabilidade Fiscal e legislação municipal.
Deve ser evidenciado que a Lei Orgânica Municipal oferece diretrizes para a atuação do governo local, entretanto muitas iniciativas dependem da pró-atividade política do chefe do executivo para dar legitimidade e sustentabilidade para a sua execução, bem como respaldo político do legislativo municipal a tais iniciativas.