• Nenhum resultado encontrado

2 APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA, OBJETIVOS E JUSTIFICATIVAS

3.3 Conceitos Básicos

3.3.3 Criação do Conhecimento

Davenport e Prusak (2003, p. 6-7) já diziam: “o conhecimento se produz em mentes que trabalham”. O conhecimento existe na mente das pessoas, faz parte da complexidade e imprevisibilidade humanas. Pode ser visto tanto como um processo como um ativo para organização. O conhecimento deriva da informação da mesma forma que a informação deriva de dados. E para que a informação se transforme em conhecimento, é imprescindível a utilização de seres humanos nesse processo.

Para Davenport e Prusak (2003), o processo de transformação de informação em conhecimento deriva de quatro palavras iniciadas com “C”:

1) Comparação – de que forma as informações relativas a essa situação se comparam a outras situações conhecidas?

2) Consequências – que implicações essas informações trazem para as decisões e tomadas de ação?

3) Conexões – quais as relações desse novo conhecimento com o conhecimento já acumulado?

4) Conversação – o que as outras pessoas pensam dessa informação? Nesse sentido, ressalta-se que o importante não é a quantidade de informações que se dispõe, mas a qualidade, a forma da sua utilização. Essa qualidade será determinada pelas ações praticadas no ambiente organizacional que objetivem o acesso à informação disponível e a geração de conhecimento. Quanto maior o compartilhamento de conhecimento, maior será a criação de conhecimento no ambiente organizacional.

Peter Drucker observou repetidas vezes que “a essência da administração está em saber aplicar o conhecimento existente da melhor maneira, para produzir novos conhecimentos”. Produzir novos conhecimentos pressupõe aquisição, armazenamento e inferência de conhecimento. Empregar o conhecimento de forma adequada implica representá-lo de um modo tal que ele capture generalizações para que possa ser compreendido pelas pessoas que o fornecem; possa ser facilmente modificado para se corrigir eventuais erros e refletir as mudanças que porventura ocorram; e, possa ser utilizado em várias situações mesmo que não seja totalmente preciso e nem completo.

Logo, a representação do conhecimento pode ser definida como um conjunto de convenções sintáticas e semânticas que torna possível descrever coisas. Há uma enorme quantidade de técnicas utilizadas para representar o conhecimento, caberá ao profissional do conhecimento escolher aquela que melhor se adequar com o problema em questão.

Nonaka e Takeuchi (1997) apresentam quatro processos para conversão do conhecimento organizacional, os quais não ocorrem por acaso, mas como consequência da busca sistemática e disciplinada tanto dos indivíduos como da organização. São eles:

1) De tácito para tácito (socialização): refere-se ao compartilhamento de experiências, ocorre quando o conhecimento rico e inexplorado que há nos indivíduos é difundido (amplificado) dentro das organizações.

2) De tácito para explícito (exteriorização): ocorre de forma intencional entre os indivíduos, quando o conhecimento tácito compartilhado é verbalizado em palavras e frases e convertido em conhecimento explícito na forma de analogias, conceitos e hipóteses. Esse processo é facilitado pelo uso de processos de raciocínio como dedução, indução e abdução (emprego de linguagem figurativa, metáforas e analogias).

3) De explícito para explícito (justificação e combinação): é quando o conceito criado precisa ser justificado. Funciona como um processo de filtragem que determina se os conceitos criados valem realmente a pena para a organização e a sociedade. É necessário fazer uma checagem e avaliação do conhecimento explícito recém-criado, confrontando-o com o que já existe.

4) De explícito para tácito (internalização): é a difusão interativa do conhecimento em um processo que se atualiza continuamente e dá início a um novo ciclo de criação.

Os processos de criação do conhecimento apresentados por Nonaka e Takeuchi foram duramente criticados por estudiosos, pela seguinte questão: se o conhecimento existente na mente do indivíduo não puder ser compartilhado com outras pessoas, ou se não for desenvolvido em nível de grupo na organização, como ele poderá ser difundido no ambiente organizacional?

A exteriorização do conhecimento é a atividade fundamental para a construção do conhecimento no ambiente organizacional. É provocada pelo diálogo

ou pela reflexão coletiva e ocorre principalmente durante a fase de criação de conceito no desenvolvimento de um novo produto.

Segundo Choo (2003, p. 231-232), lacunas no conhecimento, na compreensão ou nas capacidades podem ser preenchidas de várias maneiras: localizando a experiência ou a especialização dentro da organização, aprendendo ou desenvolvendo as capacidades necessárias, ou transferindo conhecimento de fora da organização. Portanto, uma parte importante da elaboração das necessidades de informação é descobrir fontes e criar estratégias para aquisição de

know-how específico.

Baseando-se em pesquisas realizadas por Nonaka e Takeuchi e em análises e estudos sobre indústrias americanas e organizações suecas, Choo (2003) afirma que a construção do conhecimento no ambiente organizacional é provocada por uma situação que revela lacunas no nível de conhecimento atual da empresa. Essas lacunas impedem a solução de um problema técnico ou da realização de uma tarefa, a criação de um novo produto ou serviço, ou ainda, o aproveitamento de uma oportunidade. O autor apresenta as seguintes indagações:

“A construção do conhecimento organizacional ocorre quando a organização resolve problemas, cria novos produtos ou processos ou dissemina tecnologias e métodos para além de suas fronteiras. Se a situação for de solução de um problema ou desenvolvimento de um novo produto, informações são necessárias para obter suficiente clareza e definição para que o processo possa começar. Definir e estruturar o problema é uma parte necessária do processo de construção do conhecimento, e muitas vezes exige que os membros da organização dialoguem e reflitam para esclarecer, na medida do possível, as questões referentes à natureza e aos limites da situação problemática, os objetivos e critérios de desempenho para o desenvolvimento de novos produtos, as tecnologias que possam ser relevantes e os recursos e competências disponíveis e necessários”. (Choo, 2003, p. 232-233).

A construção do conhecimento é apresentada por Choo (2003) como uma forma de criar e explorar conhecimento para desenvolver novas capacidades e inovações por meio de três atividades complementares: gerar e compartilhar conhecimento tácito; testar e criar protótipos de conhecimento explícito; e extrair e aproveitar conhecimento externo.

Em resumo, as atividades capazes de construir conhecimento são: partilhar solução de problemas, experimentar, programar e integrar novos processos e ferramentas e importar conhecimentos.

O processo de criação de conhecimento ocorre constantemente nas organizações. Pesquisas demonstram que o percentual de pessoas que se dedicam à produção de bens tangíveis vem caindo, sobretudo a partir da década de 1990. Paralelamente, a produção de conhecimento, como um bem intangível, vem ocupando espaço cada vez mais acentuado. A partir de então, vivencia-se a era da economia de aprendizagem40, em que aprender transformou-se na mais bem- sucedida operação econômica nos anos recentes, além de determinar o sucesso econômico dos indivíduos, das empresas, das regiões e de economias nacionais.