2 APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA, OBJETIVOS E JUSTIFICATIVAS
3.3 Conceitos Básicos
3.3.1 Dado, Informação, Conhecimento e Inteligência
É importante atentar para o significado existente entre as expressões dado, informação, conhecimento e inteligência, pois essas não são palavras sinônimas e, eventualmente, são utilizadas erroneamente, ou sem mencionar o significado e a correlação existente entre elas. Esses termos, ou classes diferentes da informação, desempenham funções distintas no processo decisório de uma organização.
Observa-se ainda que no ambiente organizacional, ou até mesmo em unidades de informação, há uma dificuldade de distinguir esses conceitos. Afinal, com qual deles lidamos diariamente? De qual deles precisamos para desempenhar uma tarefa, ou uma rotina diária em um ambiente de gestão da informação? O sucesso ou o fracasso dessas tarefas depende de saber de qual deles precisamos, qual deles obtemos e armazenamos e, ainda, o que fazer ou não fazer com cada um deles.
Para Davenport (1998),
Dado é o registro de observações sobre o Estado ou eventos do mundo. Pode ser facilmente estruturado, armazenado por máquina, quantificado e transferível. Constitui-se em matéria-prima utilizada para a produção da informação e do conhecimento.
De uma maneira clara e simplificada, dados podem ser entendidos como registros ou fatos em sua forma primária, que ainda não foram processados. São registros utilizados para gerar informação. Quando esses registros ou fatos são organizados ou combinados de forma significativa, eles se transformam em informação.
Portanto, a informação é produzida a partir de dados processados, avaliados ou interpretados para serem exibidos de uma forma mais inteligível aos seus usuários. Com essa mesma abordagem, McGee & Prusak (1998, p. 23-24) apresentam a seguinte afirmação: “Informação não se limita a coletar dados; informação são dados coletados, organizados, ordenados, aos quais são atribuídos significados e contexto”.
Corroborando com esse entendimento, Davenport (1998) apresenta o seguinte conceito para informação: é o dado dotado de importância e propósito. Requer análise, mediação humana e consenso em relação ao significado.
Barreto (1996) complementa essa afirmativa ao definir informação como “[...] estruturas significantes com a competência de gerar conhecimento no indivíduo, em seu grupo ou na sociedade”.
Portanto, o conhecimento deriva da informação da mesma forma que a informação deriva dos dados. Assim, quando se agrega outros elementos à informação, esta se transforma em conhecimento. Mas para que o conhecimento ocorra, é imprescindível que os seres humanos participem desse processo. Podemos dizer, então, que conhecimento são informações refinadas, avaliadas quanto à sua confiabilidade e adicionadas de juízo e valor.
Davenport e Prusak (1998) conceituam o conhecimento como:
uma mistura fluida de experiência condensada, valores, informação contextual e insight experimentado, a qual proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas experiências e informações. Ele tem origem e é aplicado na mente dos conhecedores. Nas organizações, ele costuma estar embutido não só em documentos ou repositórios, mas também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais (Davenport e Prusak, 1998, p. 6)
De acordo com Davenport e Prusak (1998), o conhecimento existe dentro das pessoas e é difícil de ser identificado, pois este faz parte da complexidade e da imprevisibilidade humana. Choo (2003) salienta que o conhecimento em uma organização é construído a partir de pessoas, ou seja, a participação do indivíduo é indispensável no processo de construção do conhecimento.
Para Moresi (2001), a inteligência representa a classe mais elevada da informação e contém alto valor agregado. É o conhecimento sintetizado e agregado de conclusões sobre o assunto, proporcionando ao tomador de decisão uma visualização completa da situação. Exige-se habilidade humana para sua realização, que é baseada em experiência e intuição, por isso vai além da capacidade de qualquer recurso tecnológico.
Observa-se nas definições apresentadas que existe um nível hierárquico entre ‘dado’, ‘informação’, ‘conhecimento’ e ‘inteligência’, que os distingue de acordo
com a complexidade e relevância. É importante entender as diferenças entre eles, pois seus valores são utilizados de formas diferentes no contexto do processo decisório e, consequentemente possuem funções distintas em um Sistema de Gestão da Informação. Os níveis hierárquicos estão apresentados no quadro a seguir.
Quadro 1 – Os níveis hierárquicos da Informação Fonte: Adaptado de Moresi (2001)
Os termos dado, informação, conhecimento e inteligência são denominados por Moresi (2001) como “classes diferentes da informação”, por possuírem valores distintos no contexto do processo decisório. Dados representam a classe mais baixa da informação, são os registros ou fatos em estado bruto, a matéria-prima para a geração da informação e, portanto, possui baixo valor agregado.
Nos níveis intermediários estão a informação e o conhecimento. O processo de transformação do dado em informação envolve a aplicação de procedimentos, como formatação, tradução, fusão, impressão e assim por diante. A maioria desses procedimentos é executada por máquinas. A informação, então, traduz-se por dados dotados de relevância e propósito. O conhecimento pode ser entendido como combinação de informação contextual, dotada de experiência e avaliada sobre a sua
Inteligência
Conhecimento dotado de julgamento e intuição do tomador de decisão, visão completa da situação Dados Registros ou fatos em estado bruto Conhecimento Combinação de informação contextual, experiência, insight Informação Dados dotados de relevância e propósito Avaliação Síntese Processamento Informação de baixo valor agregado Informação de alto valor agregado Informação de nível intermediário
confiabilidade, relevância e importância. É por meio do conhecimento que as pessoas que subsidiam as decisões buscam uma compreensão mais efetiva da situação ou do problema.
No nível mais alto da hierarquia está a inteligência, entendida como o conhecimento dotado de julgamento e intuição do tomador de decisão e obtém uma visão completa da situação. Exige-se habilidade puramente humana, baseada em experiência e intuição. Possui alto valor agregado, por isso representa o nível hierárquico mais elevado.
Por considerar mais completas e abrangentes, utilizaremos para esses termos as definições de Sianes (2005), quais sejam:
Dados são sinais não processados, correlacionados, integrados, avaliados ou interpretados e sem qualquer sentido próprio. São uma forma primária de informação. São facilmente estruturados, freqüentemente quantificados e de fácil aquisição por máquinas. Exemplos de dados: fatos, tabelas, gráficos e imagens.
Informação é representada por uma série de dados organizados de um modo significativo, analisados e processados, que geram hipóteses, sugere soluções, justificativas de sugestões, críticas de argumentos. É utilizada em apoio ao processo de tomada de decisão. Para isso, exige-se mediação humana e seu valor está associado à utilidade que ela apresenta.
Conhecimento é a informação agregada de valor ou um grupo de informações avaliadas quanto à sua confiabilidade e relevância e assimiladas pelo indivíduo ou pela organização, integrando-se ao seu saber anterior e construindo um quadro da situação. O conhecimento é modificado constantemente pela integração de informações e mudanças e compõe-se de uma mistura de experiência adquirida, valores, informação contextual e insight oriundo da experiência.
Inteligência é definida como um conhecimento relevante e oportuno, processado por um conjunto de estratégias utilizadas para captar, avaliar,
combinar e utilizar eficazmente informações em decisões e ações necessárias para sua adaptação às mudanças ambientais, tendo em vista o alcance dos objetivos preestabelecidos. É uma síntese de conhecimentos com o uso do julgamento e da intuição e visa à antecipação e à previsão. A inteligência é criada por meio de um processo de síntese, e construção voluntária e ativa de agregação de valor às informações assimiladas e analisadas.