• Nenhum resultado encontrado

4 RESULTADOS

4.1 CRIAÇÃO DO PROTÓTIPO COMO FERRAMENTA DE

4.1.1 A Criação do Protótipo

A pesquisa da Tese de ingresso pretendeu compreender a aplicação da disciplina artes de modo que o ensino contemple os estudantes sem privações e com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Esta proposta é um estudo-teórico aplicado na educação que se delimita no campo da arte-educação, na perspectiva da educação inclusiva. O estudo problematiza a prática pedagógica do professor de artes em face da diversidade da demanda em escola pública no ensino regular.

Para compreender esta prática docente no ensino regular, houve a necessidade de identificar o que está sendo DITO, conferir o que está sendo FEITO e, a partir do diálogo entre o DITO e o FEITO, perceber os EFEITOS desta prática no ensino regular e propor alternativas para a continuidade desta atuação.

A utilização de cores no MOVE sugere uma orientação para a pesquisa em que o dito e o feito estão em cores primárias, respectivamente: azul e amarelo. E o efeito está apresentado na cor secundária verde. Nas cordas do dito, feito e efeito, encontram-se paradas

obrigatórias para investigação. Elas funcionam como conexões tanto de forma vertical, na mesma corda, como de forma horizontal entre as três categorias do dito, feito e efeito. Na verticalidade, as amarrações do dito correspondem à leitura, à imposição e à legislação. No feito, estão a escuta, a experiência e o diagnóstico. No efeito, o diálogo, a compreensão e a produção. Essas palavras, percebidas paralelamente entre si, sugerem uma nova proposta de investigação. A leitura no dito, a escuta no feito e o diálogo no efeito. A imposição no dito, a experiência no feito e a compreensão no efeito. A legislação no dito, o diagnóstico no feito e a produção no efeito. Este movimento poderá despertar novo olhar sobre a transversalidade entre estas categorias (FOTOGRAFIA 1).

Fotografia 1 – Espiral da Pesquisa construído para a Disciplina Movimento Criador do Ato Teórico

Nesta pesquisa, o DITO revela-se na leitura pelo conhecimento mediante a compreensão do que está dito nos documentos legais e infralegais, os quais regem o sistema educacional brasileiro referente ao ensino fundamental e à educação inclusiva. Averiguar-se-á se o que está dito está sendo imposto e os critérios que sustentam essa prescrição.

O FEITO é o que está acontecendo no sistema educacional em relação ao ensino fundamental como fruto ou não do que rege a legislação nacional Brasileira. A tentativa é dar voz, permitir que falem e poder ouvir para compreender, buscando a natureza e a causa do que está sendo feito pelos professores de artes no ensino fundamental com turmas inclusivas por meio das experiências docentes.

O EFEITO corresponde a abstrair da relação entre o dito e o feito o resultado prático da aplicação ou não da legislação e suas consequências, na tentativa de reestabelecer o diálogo pela discussão entre o que foi lido nos documentos e ouvido da prática docente, pela síntese entre o que foi imposto na legislação e a experiência dos professores na tentativa de entender o processo educacional vigente.

Não se pretende dificultar as dinâmicas docentes, nem mesmo colocá-las de volta sob um poder único, autoritário, nem mesmo sob um saber polivalente, mas é reconhecer a importância do entrelaçamento dos saberes. Raciocínio pautado na necessidade de interdependência entre o dito nas leituras que embasam a pesquisa, identificando o imposto na legislação, o feito pela escuta da experiência docente para realizar diagnóstico e o efeito pelo estabelecimento do diálogo com os docentes, produzindo compreensão e oferecimento de formação continuada de professores.

As palavras chave, ensino fundamental, prática docente, artes e autismo, encontram-se representadas pela cor primária vermelha, indicando que estas categorias têm autonomia para um trabalho de forma isolada ou em conjunto que, entremeadas no universo educacional, contribuem provocando tensões necessárias para produzir novas descobertas.

Ao refletir acerca do lugar da pesquisa, não pareceu ser a sala de aula, com seus cantos, o que pode funcionar como ponto de fuga, a representação mais indicada. Mas, lembra-se do objeto sala que atrai todos os olhares, que é o centro da atenção em conjunto e instrumento utilizado diariamente pelo professor, espaço transformado em quadro branco, em plano de fundo para a visualidade desta pesquisa.

Essas categorias estarão em constante movimento em relação ao universo educacional sem perder de vista o objeto da pesquisa que demarca a centralidade deste trabalho: “A disciplina artes no ensino regular com turmas inclusivas”, cuja intercessão promove os entrelaçamentos e as vertentes produzidas na construção deste saber.

O universo acima mencionado é formado pelas vivências da prática educacional que são: turma, inclusão, ensino, aprendizagem, adaptação, assistência, política, tensão, discriminação, exclusão, limitação, mediação, linguagem, informação, caminhos, postura, atitude, avaliação, reflexão, ressignificação, transformação. Elas estão distribuídas em espiral, numa demonstração de intensidade contínua, cíclica e inevitável, representando uma crescente nas questões, na abordagem e na contribuição de cada uma.

Estas palavras páiram como música no universo escolar e por isso estão separadas por uma barra de compasso entre elas, indicando que há um ritmo a ser respeitado para esta construção. Em chegando ao final do movimento, a própria barra simples aponta que as

reflexões não são um fim em si mesmas, mas que retornam ao início de um novo espiral sempre que se note a necessidade de um desvelamento de um novo saber.

Os assuntos do quadro deverão ser tratados paulatinamente na ordem que ocorrem no espiral. À medida que se evocar o que foi dito acerca de determinado assunto, este será identificado pelo indicador “dito” no quadro demonstrativo. De modo semelhante, proceder- se-á em relação aos indicadores “feito” e “efeito”, promovendo nesta movimentação os entrelaçamentos, os diálogos e as considerações e contribuições resultantes.

As cordas que dão movimento às descobertas não iniciam nesta pesquisa. Impelem a continuidade de um saber já existente e já praticado no sistema educacional brasileiro e trazem consigo toda a carga positiva dessa vivência. Este momento acontece nos entrelaçamentos recorrentes na centralidade deste trabalho. Os indicadores na ponta da corda não têm a função de declarar o final desta pesquisa. A movimentação sobre o espiral indica que a ideia sempre se renovará, à medida que surja a necessidade de novas descobertas.