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CODIGO PENAL
SECÇÃO II
Usurpação de coisa imóvel e arrancamento de marcos ARTIGO 456
(Usurpação de imóvel)
Se alguém, por meio de violência ou ameaça para com as pessoas, ocupar coisa imóvel, arrogando-se o domínio ou posse, ou o uso dela, sem que lhe per-tençam, será punido com a pena de prisão.
ARTIGO 457 (Arrancamento de marcos)
1. Qualquer pessoa que, sem autoridade administrativa ou da justiça, ou sem consentimento das partes, a que pertencer o direito de uso e aproveitamento da terra, arrancar marco posto em alguma demarcação, ou de qualquer modo o suprimir ou alterar, será condenado a prisão de um mês.
2. Consideram-se marcos quaisquer construções ou sinais destinados a es-tabelecer os limites entre diferentes parcelas, e bem assim as árvores planta-das para o mesmo fim, ou como tais reconheciplanta-das.
CAPÍTULO II
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prática de actos ilícitos, sem que dela haja resultados tipificados na lei criminal, será punido com pena de prisão.
2. Quando da sedução resultar a prática de um crime consumado tipificado na lei criminal, será punido com a pena prevista para o tipo legal de crime cometi-do, especialmente agravado.
ARTIGO 460
(Furto Informático de moedas ou valores)
Aquele que, sem autorização, e com recurso a meios informáticos se apro-priar, alterar dados armazenados em meios informáticos, subtrair valores pa-trimoniais para seu benefício ou de outra pessoa, é punido com pena aplicável ao furto.
ARTIGO 461
(Burla por meios informáticos e nas comunicações)
1. Aquele que, com intenção de obter para si ou para terceiro enriquecimento ilícito, causar a outra pessoa prejuízo patrimonial, interferindo no resultado de tratamento de dados ou mediante estruturação incorrecta de programa infor-mático, utilização incorrecta ou incompleta de dados, utilização de dados sem autorização ou intervenção por qualquer outro modo não autorizada no pro-cessamento, é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa.
2. A mesma pena é aplicável a quem, com intenção de obter para si ou para terceiro um benefício ilegítimo, causar a outrem prejuízo patrimonial, usando programas, dispositivos electrónicos ou outros.
ARTIGO 462
(Violação de direitos de autor com recurso a meios informáticos) 1. Aquele que violar direitos de autor previstos na lei, ou que se fizer passar como dono, copiando ou armazenando por meios informáticos para fins co-merciais, ou concorrer para o prejuízo dos titulares de obra intelectual ou pro-jectos, literários, artísticos, técnicos, científicos, de marcas e patentes, incorre na pena de prisão.
2. Se da violação consistir em reprodução, por qualquer meio, com intuito de lucro, de obra intelectual ou projectos referidos no número anterior, no todo ou em parte, sem autorização expressa do autor ou de quem o represente, ou con-sistir na reprodução de maquete, fonograma ou videofonograma, sem a auto-rização do produtor ou de quem o represente é punido com pena de prisão e
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multa correspondente até cem salários mínimos.
3. Na mesma pena do parágrafo anterior incorre quem vende, expõe à ven-da, aluga, introduz no país, adquire, oculta, empresta, troca ou tem em depósito, com intuito de lucro, original ou cópia de obra intelectual ou projecto, maquete, fonograma ou videofonograma produzidos ou reproduzidos com violação de direito autoral.
4. Em caso de condenação, o juiz determinará na sentença a destruição da produção ou reprodução criminosa.
ARTIGO 463
(Escuta não autorizada de mensagens em meios informáticos ou de comuni-cação)
1. Quem efectuar escuta não autorizada por um tribunal competente de mensagens estabelecidas entre um emissor e um receptor ou mais, incorre na pena de prisão maior de 5 a 10 anos, se pena maior não couber pelos prejuízos causados.
2. Exceptuam os casos de escuta acidental ou fortuita, derivada de avarias dos sistemas informáticos ou de comunicação, sempre que a mensagem não seja utilizada pelo agente para fins criminosos ou que prejudiquem outrem.
ARTIGO 464
(Violação de segredo de Estado por meios informáticos)
1. Quem, pondo em perigo interesses do Estado Moçambicano relativos à in-dependência nacional, à unidade e à integridade do Estado ou à sua segurança interna e externa, transmitir, tornar acessível a pessoa não autorizada, ou tor-nar público facto ou documento, plano ou objecto que devem, em nome daque-les interesses, manter-se secretos é punido com pena de prisão de 5 a 10 anos.
2. Quem por meios informáticos destruir, subtrair ou falsificar documento, plano ou objecto referido no número anterior, pondo em perigo interesses no mesmo número indicados, é punido com pena de prisão de 5 a10 anos.
3. Se o agente praticar facto descrito nos números anteriores violando dever especificamente imposto pelo estatuto da sua função ou serviço, ou da missão que lhe foi conferida por autoridade competente, é punido com pena de prisão de 10 a 15 anos.
4. Se o agente, por negligência, facilitar a prática dos factos referidos nos nºs 1 e 2, tendo acesso aos objectos ou segredos de Estado em razão da sua função ou serviço, ou da missão que lhe foi conferida por autoridade competente, é
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nido com pena de prisão.
ARTIGO 465
(Instigação pública a um crime com uso de meios informáticos) 1. Quem através de meio informáticos ou electrónicos, por divulgação de es-crito ou outro meio de reprodução técnica, provocar ou incitar ao motim, à prá-tica de um crime tipificado, é punido com pena de prisão, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.
2. A pena não pode ser superior à prevista para o facto criminal típico prati-cado.
SECÇÃO III
Agravação, atenuação e perdão dos crimes informáticos ARTIGO 466
(Agravação pelo resultado)
Se dos crimes previstos nos artigos anteriores resultar morte, ofensa à inte-gridade física grave, ou danos avultados no património de outra pessoa, singu-lar ou jurídica, o agente é punido com a pena que ao caso caberia, agravada de um terço nos seus limites mínimo e máximo.
ARTIGO 467
(Atenuação especial e dispensa de pena)
Nos casos previstos no presente capítulo, se o agente remover voluntaria-mente o perigo antes de se ter verificado dano considerável, a pena é especial-mente atenuada ou pode ter lugar a dispensa de pena, salvo a indemnização requerida em sede processual criminal.
CAPÍTULO III
Falências, burlas e outras defraudações Secção I
Falências ARTIGO 468
(Falência fraudulenta e culposa)
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1. Aqueles que, nos casos previstos pelo Código Comercial, forem julgados ter cometido o crime de falência fraudulenta, serão punidos com prisão maior de dois a oito anos.
2. Se a quebra for julgada culposa, a pena será de prisão.
3. A mesma pena será aplicada aos cúmplices.
ARTIGO 469 (Falência dos corretores)
Os corretores, que forem julgados ter cometido o crime de falência ou insol-vência fraudulenta, serão punidos com prisão maior de dois a oito anos.
ARTIGO 470 (Insolvência)
Todo o devedor não comerciante, que se constituir em insolvência, ocultando ou alheando maliciosamente os seus bens, será punido com a pena de prisão.
SECÇÃO II